A destinação dos rejeitos de minério de ferro tem sido amplamente discutida, se tornando ponto chave para uma mineração mais segura e sustentável. Rejeito é o que sobra quando se usa água para separar o minério de ferro do material extraído. Se depender de Romero Camargos, fundador da Laminatus, esse resíduo descartado já tem destino certo: a construção civil.
— Foto: Sebastião José Junior
“No nosso processo, a ideia é usar o produto por inteiro, sem separar nada. Teremos o acréscimo do cimento e outros químicos para chegar no produto final, mas sem desperdiçar nada da matéria-prima principal, que é o rejeito”, explica o engenheiro. Há mais de 30 no setor, Romero criou a empresa exclusivamente para participar do Mining Hub, projeto que reúne os players de um mesmo setor interessados em trabalhar de forma conjunta para desenvolver soluções a desafios estratégicos e operacionais comuns às suas operações, e tem a missão de gerar inovação aplicada aos desafios da mineração industrial.
A Laminatus ficou entre as 18 empresas selecionadas pelo projeto, dentre as 230 que se candidataram, sendo a única com o propósito de utilizar o rejeito da mineração na construção civil. De acordo com o empresário, estudos feitos em universidades como a UFMG, UFOP e UFLA demostraram que o produto, após ensaios realizados, possui condições para utilização nas diversas áreas da construção. O próximo passo é fazer testes em sua aplicação. “É um processo inovador no país, não tem ninguém fazendo igual”, afirma.
Além do preço final, que será mais barato, uma vez que o rejeito é gratuito, o uso do material na construção vai possibilitar que populações mais carentes possam adquirir uma moradia com preços mais justos. “As construções vão obedecer as normas de segurança como qualquer outra. A população mais carente poderá adquirir suas casas e ter uma moradia digna”, finaliza Romero.
São Paulo – “Eu sinto o brilho nos olhos quando vejo as coisas acontecerem. Diziam para mim que o primeiro ano de engenharia era chato, mas eu estou achando muito legal”, diz João Pedro Giarrante, de 18 anos, estudante do primeiro ano de engenharia elétrica da FEI.
Ele e sua turma são os primeiros universitários a cumprir a nova grade curricular de engenharia na FEI. O curso foi remodelado e os alunos têm agora aulas de inovação por exemplo. “Tratamos de geração de ideias e execução de projetos. Fizemos simulação de startups”, conta.PUBLICIDADE
Os conhecimentos adquiridos na aula de inovação foram colocados em prática ao longo de um projeto prático proposto durante aula de eletrônica geral. Giarrante e seus colegas de grupo construíram um carrinho elétrico. “O que eu aprendo em inovação eu uso em eletrônica geral”, contou o estudante.
Em poucos meses de curso, os calouros já perceberam que o novo currículo da graduação de engenharia na universidade está mais prático e interdisciplinar como propõem as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso de graduação em Engenharia, fixadas e homologadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão vinculado ao Ministério da Educação.
Apesar de a FEI já ter reformulado seu curso de engenharia, as novas diretrizes estabelecem prazo de três anos paras universidades e faculdades se adaptarem e implementarem a mudanças.
“O grande salto que essas diretrizes trazem no seu corpo de orientações é em relação ao projeto pedagógico, que deve conter não só conteúdos, mas também atividades e experiências”, diz Fabio do Prado, reitor do Centro Universitário FEI.
A seguir confira as principais mudanças estabelecidas para os cursos de engenharia no Brasil:
1. Flexibilidade curricular As novas diretrizes estão menos engessadas e dão mais autonomia para as instituições. O texto deixou ser tão “conteudista”, com era resolução anterior (em vigor desde 2002). “ Antes se a instituição quisesse acompanhar as novas tendências podia agregar conteúdos mas não podia tirar nada, então só se aumentasse a carga horária”, diz o reitor.
O conteúdo básico dos cursos continua sendo exposto pelas diretrizes, mas sem tanto detalhamento. “Não se abre mão da formação básica sólida, o que foi flexibilizado é o que diz respeito à parte profissionalizante”, diz Prado.
A ideia é que, a partir de agora, as instituições de ensino sejam mais cobradas pelo perfil de engenheiro que prometem formar com seu projeto pedagógico do que se trazem o conhecimento específico A ou B em sua grade. “Hoje nós sabemos que não bastam conteúdos, existem outras competências emocionais e profissionais e isso era completamente ignorado pelas diretrizes anteriores”, explica Prado.
2. Interdisciplinaridade Na opinião do reitor da FEI, as novas diretrizes dão espaço para iniciativas mais inovadoras. Colocar em prática conteúdos de uma disciplina em projetos e atividades de outras matérias é tendência que deve se espalhar todas as faculdades de engenharia.
A divisão por disciplinas não deve ser estanque, os cursos vão passar a estimular, com mais afinco, atividades de integração por meio de projetos interdisciplinares. Ao construir um veículo e testar suas condições de segurança, estudantes podem revisar conteúdos de cinemática, dinâmica e atrito de maneira mais integrada.
Um projeto real no primeiro semestre do curso estimula os jovens universitários a pensarem as várias facetas de um produto percebendo a importância de diferentes conceitos. Atividades nessa linha são, segundo Prado, mais compatíveis com as demandas futuras ao preparar profissionais para propor soluções inteligentes para os problemas.Veja também
3. Formação por competências O perfil do novo engenheiro deve conter as seguintes características: visão holística, inovação, empreendedorismo, solução de problemas, cooperação, adoção de perspectivas multidisciplinares e transdisciplinares em sua prática.
Para tal, as novas diretrizes curriculares apresentam um conjunto de competências as quais devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo do curso de engenharia.
Resolução de problemas e proposição de soluções de engenharia a partir da análise e compreensão de usuários e do contexto estão nessa lista, assim como a capacidade de implementar, supervisionar e controlar essas mesmas soluções.
Os formandos também devem estar aptos para “analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos simbólicos, físicos e outros, verificados e validados por experimentação”, diz o texto homologado pelo Conselho Nacional de Educação.
Os engenheiros devem sair da graduação com a capacidade de conceber, projetar e analisar sistemas, produtos, componentes ou processos. Competências como trabalho em equipe, comunicação, capacidade de aprendizagem e preparo para lidar com situações complexas também estão destacadas.
O setor de construção civil estima a geração de mais de um milhão de empregos no Brasil em 2019. A meta é ambiciosa e, para isso, é preciso encarar transparência e gestão como palavras-chave para este ano, se quisermos os melhores resultados.
Quando o assunto é a transparência de informações e documentações, costumamos voltar os olhos para a máquina pública e nos esquecemos de que o mercado pode e deve ser exemplar no tratamento de dados com a maior lisura possível.
Trago como bagagem os mais de 20 anos de atuação na área de gerenciamento de obras e projetos, onde é essencial que as informações sejam tratadas com responsabilidade. Durante todo esse tempo, a gestão eficiente – aliada à transparência dos processos – foi extremamente benéfica.
Ao investir em ações com clareza, conseguimos garantir o controle de gastos, a redução de custos e o cumprimento dos prazos de entrega. E o mais importante: conquistamos a confiança de fornecedores e clientes, o que faz girar a roda que movimenta o setor. A partir de uma gestão transparente, torna-se natural e viável o compartilhamento de estratégias, erros e acertos, dúvidas, dificuldades e, claro, vitórias.
Em tempos de recuperação econômica – e como agentes impulsionadores do desenvolvimento do País –, cabe a nós, profissionais de gerenciamento, entregarmos os melhores resultados com as melhores práticas. Portanto, gerenciar com assertividade é garantir que haja um fluxo de informações no qual todos os envolvidos no processo sejam capazes de apontar soluções para os problemas. Estes, que outrora, seriam identificados tardiamente. Logo, a forma como tratamos os dados que colhemos reflete na agilidade com a qual conseguimos resolver conflitos e imprevistos.
Soluções alternativas: apesar da hierarquia tradicional de qualquer processo, é preciso termos em mente que todos os envolvidos são capazes de apontar soluções. Por isso, quando a equipe tem em mãos dados que podem ser analisados sob nova ótica, a chance de surgirem alternativas é relativamente superior. Por que bater cabeça sozinho quando há vários outros profissionais que podem contribuir?
Uso de novas ferramentas: tornar o processo gerencial mais eficaz e transparente requer o auxílio de ferramentas de gestão capazes de munir a equipe com dados exatos e que possibilitem análises aprofundadas do desenvolvimento do projeto. Isso é sinônimo de segurança e assertividade nas decisões. Afinal, a tecnologia deve sempre ser usada a nosso favor.
Redução de custos: quando as informações e todo o processo de gerenciamento estão alinhados, consequentemente os custos tendem a ser reduzidos. No entanto, não se trata pura e simplesmente de economia, mas de prevenção. Ao enxergar os dados de forma clara e assertiva, é possível mapear e mitigar riscos, definir a aplicação correta dos insumos e otimizar a produtividade da equipe com foco no prazo de execução.
Consequentemente, essas duas palavras – transparência e gestão – têm um poder transformador no mercado. Se o trabalho em torno delas for realizado com seriedade e comprometimento, os mais variados setores da nossa economia tendem a aplicar seus recursos de maneira eficiente e, assim, conseguir equilibrar a balança entre entrega de qualidade e geração de postos de trabalho.
Estudo apresentado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional) apurou que 4,7 mil obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), equivalentes a R$ 135 bilhões de investimentos, estão paradas. Desses empreendimentos, 43,3% estão na região Nordeste; 20,8% estão no Sudeste; 16% no Norte; 11,7% na região Sul, e 8,2% no Centro Oeste.
A pesquisa aponta que em 183 obras até 10% dos trabalhos já foram executados; em 196 obras de 11% a 30% das ações foram realizadas; em 165 obras de 31% a 50%; em 168 obras de 51% a 70%; em 158 obras de 71% a 90%; e em 130 obras de 91% a 100%. Do total de investimentos para os projetos, R$ 65 bilhões já foram consumidos.
Conforme o levantamento, 27,4% dos empreendimentos estão parados devido a problemas com documentação, 14,8% por questões relacionadas a boletins de medição, 13% por reprogramação, e 10,4% por pendências com licitação.
Das obras paralisadas, 29,8% correspondem a urbanização de assentamentos precários, 22,4% a saneamento e 14,8% a creches e pré-escolas. A área da saúde também é umas mais afetadas, já que 36% do total de obras paralisadas (1.709) são de novas unidades básicas de saúde (UBS), que aguardam conclusão há até quatro anos.
A conclusão do estudo é de que grande parte das obras paralisadas é de baixo valor e estão em estado bastante adiantado. A retomada destes empreendimentos, localizados em sobretudo em áreas carentes, iria gerar 500 mil postos de trabalho, além da movimentação da economia local.
RIO – O BNDES tem R$ 12,1 bilhões a receber de 11 países pela exportação de serviços de empresas brasileiras de engenharia, informou nesta sexta-feira o banco de fomento. O equivalente a 16,6%, ou R$ 2 bilhões, estão em atraso, referentes a contratos com Venezuela, Cuba e Moçambique. O valor a receber representa cerca de 30% de tudo o que o BNDES emprestou a 15 países para esse tipo de finalidade desde 1998, acrescentou o banco.
Concedidos sobretudo durante os governos Lula e Dilma Rousseff, os contratos viabilizaram a exportação de serviços de construtoras como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Após a eclosão da Lava Jato, a linha de financiamento virou alvo de críticas da oposição, que acusava o favorecimento de países com alinhamento ideológico com o PT e de construtoras que participaram de esquemas de corrupção. A crítica ganhou força depois que Cuba e Venezuela – países cujos governantes eram aliados de Lula e Dilma -, passando por dificuldades econômicas, começaram a atrasar os pagamentos.
Em café da manhã com jornalistas nesta sexta, Bolsonaro disse que conversaria com o presidente do BNDES, Joaquim Levy, sobre os calotes de Cuba e Venezuela.Em entrevista no mês passado ao “Estado de S. Paulo”, Levy classificou de “desastres” os empréstimos feitos a Cuba, Venezuela e Moçambique e disse que eles deveriam “servir de lição e forçar mudanças, como foi a explosão do ônibus espacial Challenger para a Nasa”. O presidente anterior, Dyogo Oliveira, já havia dito que esses empréstimos foram um erro.
Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira, o maior saldo devedor é de Angola, país para o qual o BNDES desembolsou R$ 12,7 bilhões para quase 90 projetos, como as obras do Aeroporto Internacional de Catumbela. O país está em dia com os pagamentos, segundo o BNDES, e seu saldo devedor é de R$ 2,74 bilhões. Logo depois aparecem Cuba, que atrasou R$ 186,2 milhões e tem saldo devedor de R$ 1,9 bilhão, e Venezuela, que atrasou R$ 1,36 bilhão e ainda tem saldo devedor de R$ 1,7 bilhão.
Todos os empréstimos foram concedidos para realização de obras em países de América Latina e África.
Em nota divulgada à imprensa nesta sexta-feira, o banco disse que os números “demonstram que o apoio à exportação de serviços de engenharia e bens associados representou, entre 2003 e março de 2019, apenas 1,3% do total desembolsado pelo BNDES, enquanto investimentos em infraestrutura no Brasil, no mesmo período, responderam por 36%.”
Empréstimos têm garantia
Na divulgação do seu balanço financeiro de 2018, o BNDES informou que provisionou cerca de R$ 4,4 bilhões referentes a empréstimos concedidos às exportações de serviços de engenharia a Cuba e Cuba e Venezuela, que estão em atraso. O valor equivale a todo o saldo devedor desses contratos, não apenas às prestações em atraso.
Embora o banco provisione esses valores, todos os empréstimos são garantidos pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE) – ou seja, o BNDES não corre risco de deixar de receber os recursos.
“O FGE é superavitário. Recebeu, desde sua criação, até março de 2019, US$ 1,313 bilhão em prêmios (receita) e pagou US$ 547 milhões em indenizações (despesa), mesmo com atrasos recentes. O saldo da diferença entre os prêmios e as indenizações é positivo em mais de US$ 700 milhões”, acrescentou o site do BNDES.
Segundo o banco, a publicação de “informações mais claras” sobre a exportação de serviços de engenharia fazem parte da iniciativa “Aqui você tem transparência”. Ela foi criada este ano pelo presidente do banco, Joaquim Levy, que chegou à instituição com a missão de “abrir a caixa-preta do BNDES”, como prometeu em diversas ocasiões o presidente Jair Bolsonaro.
O BNDES vem abrindo nos últimos anos as informações sobre a exportação de serviços de engenharia. O banco sempre alegava limitações do sigilo bancário para divulgar esses dados, mas, em 2015, sob pressão política, o então presidente Luciano Coutinho tornou públicos dados sobre as operações realizadas entre 2007 e 2015. As operações somavam US$ 11,9 bilhões, entre elas o contrato para construção do Porto de Mariel, em Cuba. Em 2016, a então presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, aprofundou a transparência e disponibilizou na íntegra os contratos da área de exportação de serviços – isto é, os documentos em si, não apenas as informações referentes a eles.
O lançamento de imóveis residenciais na capital paulista em fevereiro foi mais do que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a pesquisa mais recente do Secovi-SP, entidade que representa as empresas do setor.
No segundo mês do ano, 870 unidades foram lançadas na cidade – ante 341 imóveis em fevereiro do ano anterior. Em 12 meses, foram lançados 32,8 mil imóveis, um patamar parecido com o período de março de 2014 a fevereiro de 2015, no início da recessão.
A venda de imóveis novos também acompanhou esse movimento, com a comercialização de 2,2 mil unidades em fevereiro, 50% a mais do que no mesmo mês de 2018. No acumulado de 12 meses, as vendas em fevereiro também voltaram ao mesmo patamar registrado até fevereiro de 2015.
“Em meio à atual conjuntura, com um novo governo e a necessidade de as reformas saírem, as perspectivas para este ano continuam elevadas”, avalia o presidente da entidade, Basilio Jafet. “Contudo, sem a aprovação da reforma da Previdência, o setor imobiliário será afetado, assim com os demais setores da economia.”
Para o corretor de imóveis João Batista Souza, que atua em uma imobiliária na região central da capital paulista, o mercado na cidade ainda está mais aquecido para locação do que para vendas.
“O estoque de imóveis que não foram vendidos na cidade ainda está alto. A procura tem aumentado nos últimos meses, mas principalmente para imóveis de baixo valor e a gente sente que as construtoras têm apostado mais em imóveis assim, mas o consumidor ainda está pensando bem antes de comprar um imóvel.”
Ainda de acordo com o Secovi, os imóveis de até R$ 240 mil lideraram as vendas, enquanto a maior parte dos lançamentos custava entre R$ 240 mil e R$ 500 mil.
Uma inovação tecnológica está revolucionando uma das profissões mais antigas do mundo. A realidade aumentada mal chegou e vem transformando a maneira como se fazia construção civil nos últimos séculos. A mudança não é apenas ao projetar e modelar, mas também ao construir. A realidade aumentada beneficia engenheiros, designers, arquitetos, gerentes de projetos, provedores de serviços – e toda a equipe de construção.
Diferente da realidade virtual, que cria um ambiente totalmente novo e independente do mundo real, a realidade aumentada inclui elementos virtuais que interagem com o que já existe. Assim é possível unir projetos arquitetônicos virtuais à realidade do canteiro de obras – aumentando a eficiência e precisão, reduzindo a ocorrência de erros e economizando tempo, dinheiro e recursos.
Sabemos que as obras frequentemente são espaços caóticos, barulhentos e sujos. Ainda que a adoção do sistema BIM reduza grande parte das incompatibilidades e surpresas desagradáveis durante o processo construtivo, é inevitável que surjam dúvidas e ocorram erros durante a obra. E, mais importante, cada erro ou refazimento custa muito dinheiro e tempo.
A ideia é que os aplicativos de Realidade Aumentada possam proporcionar uma visão mais exata daquilo que será construído e todas as camadas de materiais e instalações que, muitas vezes, são complexas de se entender através de desenhos. Para isso, plantas 3D e até hologramas de maquetes virtuais são utilizados para melhorar a compreensão do projeto e facilitar a execução de projetos. E, mesmo durante a construção, a possibilidade de ver através de paredes e entender o caminho das instalações facilita o processo e reduz a possibilidade de erros, ou mesmo para guiar a construção de geometrias complexas.
Para tal, há a necessidade de um dispositivo, geralmente, um óculos. Atualmente, há diversas empresas fabricantes, mas o mais popular usado na construção civil é o Microsoft HoloLens. Uma das grandes razões pelas quais as construtoras escolhem o Microsoft HoloLens é o preço e o fato de agora ele ser certificado como óculos básicos de proteção. Já a empresa DAQRI desenvolveu um capacete de segurança integrado ao óculos, para facilitar ainda mais o uso por profissionais da construção civil.
Uma das áreas que mais irá se beneficiar com a realidade aumentada é a de inspeção e gerenciamento de obras. Esse vídeo conceitual evidencia como o trabalho poderá ser facilitado e aprimorado com a adoção da tecnologia no futuro:
Selecionamos algumas tecnologias de Realidade Aumentada que podem revolucionar a maneira como abordamos a indústria da construção civil.
Morpholio AR Sketchwalk
Cortesia de Morpholio
AR Sketchwalk é uma ferramenta de realidade aumentada, que permite aos arquitetos e projetistas utilizarem a realidade aumentada para mergulhar em seus esboços e proporcionar a seus clientes e a si mesmos uma noção mais verdadeira do espaço. Através de um iPad, você posiciona seu croqui no plano (pode ser o próprio terreno do projeto) e pode percorrê-lo, até subindo as paredes para ter uma ideia dos espaços futuros. Isso torna a experiência de apresentar um projeto muito mais interativo e claro para os clientes.
DAQRI Smart Helmet
Cortesia de DAQRI
O DAQRI Smart Helmet é um capacete capaz de visualizar projetos e modelos 3D em realidade aumentada – experimentando-o como um ambiente 3D imersivo e em grande escala. As equipes podem comparar o trabalho em andamento com o projeto original e manter a obra e o escritório sincronia, com um fluxo de trabalho totalmente digital.
Hoje em dia, além do AR Measure, do qual já falamos nesse post, há alguns aplicativos disponíveis para o mesmo propósito. O IOS 12, por exemplo, já vem com um aplicativo de medição instalado. Usando realidade aumentada, eles funcionam como réguas digitais, calculando distâncias em espaços reais através da câmera do seu celular ou tablet. Com o aplicativo, você pode medir objetos e também desenhar plantas de uma sala real. AirMeasure e MeasureKit são alguns dos aplicativos para este fim, entre diversos outros.
O Augment é um aplicativo de realidade aumentada que permite aos usuários visualizar modelos 3D em tempo real e na escala correta – transformando uma planta em um holograma do modelo 3D, ou simulando produtos em tamanho real. A plataforma está disponível para smartphones e tablets e é utilizada por designers de produto, equipes de vendas e marketing – reduzindo custos de prototipagem, aumentando o apelo ao cliente e impulsionando as vendas.
O Fologram transforma modelos 3D em instruções de construção em tamanho real através de óculos de realidade aumentada, como o Hololens. O programa procura facilitar a construção de projetos complexos, que exigem uma série de medições, verificação e cuidados específicos, através de instruções digitais que são virtualmente sobrepostas ao espaço de trabalho, direcionando um guia passo-a-passo para pedreiros durante o processo de construção.
O GAMMA AR é um aplicativo para monitoramento de canteiros de obras que utiliza tecnologia de realidade aumentada para sobrepor construções em 3D BIM através de smartphones ou tablets. Ele permite comparar a realidade da obra com as informações de planejamento contidas no projeto. O GAMMA AR permite a visualização de modelos 3D BIM antes e durante o processo de construção – criando uma compreensão do planejamento, evitando erros e reduzindo os custos de construção.
A WakingApp, empresa de software de realidade virtual e aumentada, lançou recentemente suplementos que permitem aos usuários do Autodesk Revit e do Fusion 360 transformarem seus projetos 3D em realidade aumentada e realidade virtual, através de um smartphone ou tablet.
O ARki é um serviço de visualização de realidade aumentada em tempo real para modelos arquitetônicos. Ele incorpora a tecnologia de RA na arquitetura, fornecendo modelos 3D com vários níveis de interatividade tanto para fins de projeto como de apresentação. Pode ser usado em qualquer dispositivo iOS / Android.
Dalux View / Dalux Build / Dalux FM
Cortesia de Dalux
A dinamarquesa Dalux oferece três soluções em realidade aumentada para a construção civil. O Dalux Viewer é um aplicativo gratuito que está disponível na plataforma iOS e Android e permite que os usuários projetem um modelo 3D e desenhos digitais no local da construção real. O Dalux Build combina a realidade aumentada com outras ferramentas que facilitam o gerenciamento de projetos em construção, garantindo um fluxo ininterrupto de informações em todas as etapas do projeto. Já o DaluxFM oferece soluções para a gestão de instalações, que abrange planejamento e administração patrimonial, incluindo os contratos de serviços terceirizados e associados, manutenção elétrica, hidráulica, controle de rendas, além de atividades de preservação do local.
Ainda sem conhecer as conclusões sobre a tragédia emblemática ocorrida em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro último, quando uma barragem da Vale S.A. se rompeu, causando destruição e mortes, os brasileiros seguem convivendo com episódios que denotam precariedade e insegurança na infraestrutura urbana e de produção no País. Em 29 de março, uma barragem se rompeu em Machadinho D’Oeste (RO). No dia 6 de abril, ocorreu a queda de parte da ponte da Alça Viária sobre o rio Moju, no interior do Pará. O período de chuvas tem causado graves estragos e feito vítimas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em locais do Nordeste. Já, em 15 de novembro de 2018, os paulistanos haviam sido surpreendidos pelo colapso de um viaduto da via expressa da Marginal Pinheiros que cedeu cerca de 2 metros enquanto automóveis trafegavam por ele. Em 23 de janeiro, foi interditada, devido ao risco de ceder, a ponte da Marginal Tietê que dá acesso à Rodovia Presidente Dutra. Em 1º de maio de 2018, no centro da capital paulista, um edifício desabou após um incêndio.
Esses são alguns dos eventos que revelam uma realidade dramática: em toda parte, há risco constante. É mais que urgente alterar esse cenário absolutamente inaceitável, e a grande contribuição para tanto pode e deve vir da engenharia nacional. Com esse norte, no dia 16 de abril, o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) realiza o seminário “Pontes, viadutos, barragens e a conservação das cidades – Engenharia de manutenção para garantir segurança e qualidade de vida”. O objetivo é fazer um diagnóstico da situação vivida no País e, em especial, no Estado de São Paulo, e propor medidas concretas para superá-la.
Entre os pontos a serem colocados em discussão na ocasião, está nossa proposta de que as administrações nos níveis municipal, estadual e federal instituam um órgão com dotação orçamentária e corpo técnico qualificado para ser responsável por inspeção e conservação regulares nas estruturas de responsabilidade do poder público. Entra aqui a engenharia de manutenção, que nada tem de menor, embora comumente seja assim tratada por muitos gestores.
É preciso ter-se a consciência de que assegurar a correta conservação de obras e estruturas não permite improvisos; exige coleta e análise de dados com precisão, planejamento e execução qualificada. Portanto, a tarefa deve contar com o protagonismo dos profissionais da área tecnológica, que, por sua vez, precisam estar atentos a tal responsabilidade.
O SEESP, juntamente com a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), desde 2006, tem trabalhado o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que aponta caminhos para a expansão econômica sustentável do País. É importante notar que esse esforço implica necessariamente mais manutenção qualificada, consequente e regular. Há muito que se vencer em termos de gargalos na infraestrutura urbana e de produção, mas é preciso que sejamos capazes de garantir a conservação e aprimoramento do que existe. Não se pode deixar o País relegado ao abandono e ao descaso.
Atualmente, a contratação de obras e serviços de engenharia pelo setor público é feita, em muitos casos, por meio da modalidade de pregão. Essa modalidade de licitação, instituída pela Lei Federal n.º 10.520/02, tem como objetivo a aquisição de bens e serviços comuns “cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado”.
Para adquirir um bem é possível observar quesitos práticos de avaliação, antes da celebração do contrato: durabilidade, dimensões, material de fabricação, marca. No caso de eletrônicos pode-se observar a geração dos processadores, tamanho da memória, etc.
Para serviços comuns, é possível avaliar com base nos serviços realizados anteriormente. Nesses casos, a escolha pelo menor orçamento é acertada com frequência.
No entanto, utilizar o pregão para serviços de engenharia é ignorar o fato de as atividades do setor não se enquadrarem na simples aquisição de bens e serviços comuns, já que são regulamentadas por diferentes legislações do campo da engenharia.PUBLICIDADE
Explico, as obras e serviços de engenharia possuem claros conceitos legais, especificações e padrões de desempenho e qualidade, com parâmetros padronizados. São atividades altamente especializadas, que demandam grande atenção e responsabilidade técnica.
São raras as hipóteses em que tais atividades podem ser classificadas legalmente como bens e serviços comuns, apenas nos casos em que a atuação do profissional de engenharia não é de tanta relevância, e o serviço acaba por ser obtido sem dificuldades no mercado.
A licitação por meio do pregão eletrônico acaba por não ser mais viável. Mesmo indo de encontro ao Decreto 3.555/2000, onde se especifica que pregão não se aplica às contratações no campo da engenharia, órgão públicos insistem nessa modalidade de licitação.
A agilidade proporcionada por esse tipo de processo continua a fazer com que algumas licitações sejam nessa modalidade. É o caso da recente licitação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), que abriu edital por pregão para seu projeto de adaptação de ambientes às normas técnicas de acessibilidade.
A decisão da instituição contrariou a posição da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU).
Utilizar o pregão indiscriminadamente pode acarretar em diversos efeitos negativos. A alta concorrência gerada pela prática, faz com que empresas baixem os valores cobrados, muitas vezes, sem calcularem com a devida atenção se o valor é suficiente para execução da obra. O que pode levar tanto a casos de obras abandonadas, como a casos de celebração de termos aditivos, fazendo com que a obra acabe por ser mais cara do que outras propostas apresentadas no processo de contratação.
Outros casos são os em que a empresa deixa de cumprir os padrões de qualidade exigidos pela Administração, salários de empregados, seguros e gastos com segurança de trabalho. Esse tipo de irresponsabilidade apenas leva a um aumento ainda maior no orçamento, pela necessidade de pagar indenizações por acidentes de trabalho, necessidade de novas contratações para reparos parciais ou totais, e indenizações trabalhistas.
Uma alternativa ao pregão é a modalidade de concorrência. O processo de concorrência exige que as empresas apresentem um planejamento para o órgão contratante, o que possibilita uma avaliação mais clara de todo o projeto e cronograma. Com isso a escolha da empresa não ocorre apenas pelo preço, mas também pela viabilidade de execução.
O serviço de engenharia é um trabalho técnico com prazos fixos de entrega, que só têm início após o contrato entrar em vigor. Avaliar desempenho de qualidade, em muitos casos, só é viável após ter o serviço pronto e a obra realizada, sem poder ser exigida antes da contratação.
Visar apenas a proposta mais barata, dificilmente é o mais vantajoso para casos que envolvam obras de engenharia. Deve-se pensar em uma alternativa para que essas licitações atendam tanto a demanda de agilidade como a qualidade do serviço, sem prejuízos ao erário.
*Rafael Mota é sócio do escritório Mota Kalume Advogados. Mestre em Direito Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), é conselheiro do Conselho Jurídico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), assessor jurídico do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF) e assessor da Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco-DF)
O mapa do transporte paulistano vem mudando ao longo dos últimos anos. Além do transporte público, a população passou a adotar modalidades alternativas. Primeiro foram as bicicletas, compradas ou alugadas por corrida. Desde o ano passado, patinetes elétricos têm se tornado mais e mais comuns. Com um leque mais amplo de modalidades, o paulistano passa a depender menos do carro — e os reflexos disso começam a aparecer pelo desenho urbano da cidade. Uma prova substancial são os prédios sem garagem em bairros com acesso à malha de transporte público.
Na avaliação de Sérgio Castelani, economista do Grupo ZAP, o lançamento de imóveis sem estacionamento reflete a mudança do estilo de vida do paulistano. “A sociedade está menos apegada a questões materiais e quer aproveitar melhor o tempo. O resultado disso é que as pessoas preferem investir em imóveis menores e próximos do trabalho do que em modelos grandes que exijam uso do carro”, explica.
O próprio economista é exemplo das mudanças nos hábitos de mobilidade da cidade de São Paulo. Castelani conta que vendeu o carro recentemente e comprou um apartamento em um prédio sem garagem na região da Consolação (na região central de São Paulo) para economizar no valor do imóvel e nos gastos com combustível. “Agora vou trabalhar a pé. O carro está perdendo o seu valor”, destaca Castelani.
Imóvel de rápida locação Apesar de estarem em alta, os imóveis sem garagem chegam a custar 20% menos do que os tradicionais com vagas para carros — atraindo não só quem quer comprar um apartamento mais acessível mas também quem deseja investir em um espaço de rápida locação, indica Luiz Paulo Silveira, vice-presidente técnico da Apsis Consultoria Imobiliária. “A ausência de garagem é uma das características que mais barateia um imóvel, junto com a falta do elevador”, pontua o especialista.
SERGIO CASTELANI, DO GRUPO ZAP: VENDEU CARRO E VAI AO TRABALHO A PÉ (FOTO: DIVULGAÇÃO)
O levantamento do Grupo ZAP corrobora a estimativa de Silveira. Enquanto o metro quadrado de um apartamento com garagem na Bela Vista custa R$ 9.610, a metragem de um imóvel sem garagem na mesma região cai para R$ 7.420 — uma queda de aproximadamente 23%.
Os bairros com maior número de oferta de apartamentos sem vagas nos 12 meses, segundo a pesquisa, foram Bela Vista, Consolação, Vila Buarque, Centro e Vila Mariana. É importante notar que todos têm fácil acesso a diferentes modalidades de transporte público, principalmente o metrô.
“Antes de abrir mão da garagem, o morador precisa ter certeza de que seu novo imóvel está a pelo menos 800 metros de algum metrô, trem ou ponto de ônibus. Não adianta o apartamento ser barato, se a pessoa não consegue sair de casa”, alerta o consultor da Apsis.
Além da acessibilidade, Silveira também indica o morador a verificar se há muitos imóveis à venda na região — o que pode indicar um problema no bairro — e pesquisar se há estacionamentos pagos na vizinhança para colegas e familiares.