Qual Engenharia mais combina com você?

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Escolher qual carreira seguir é uma das principais dúvidas para quem está prestes a ingressar na vida universitária. Em meio a uma infinidade de áreas conhecimento, muitos identificam suas afinidades e assim, buscam a realização profissional.

Para quem se interessa por Ciências Exatas e Tecnológicas, por exemplo, cursar Engenharia é uma boa opção, porém, diante de uma área tão ampla a ser explorada, com mais de 30 engenharias, qual delas escolher?

Laboratório do curso de Engenharia Ambiental da Unifor.  (Foto: Ares Soares/Unifor)

Laboratório do curso de Engenharia Ambiental da Unifor. (Foto: Ares Soares/Unifor)

Na Universidade de Fortaleza (Unifor), o Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) abriga nove cursos de Engenharia na graduação. Conheça as principais diferenças entre eles:

Engenharia Civil

Para quem é? Clássica entre as engenharias, a Civil é para quem deseja criar, planejar e construir as mais diversas obras de infraestrutura e saneamento.

Especialidades: pode atuar nas áreas de construção civil, projeto estrutural e de instalações, recursos hídricos, saneamento urbano/meio ambiente, geotecnia e transportes, entre outras.

Engenharia Ambiental e Sanitária

Para quem é? A área de Ambiental é para quem está disposto a projetar, construir e gerenciar a operação de sistemas de obtenção e distribuição de água, de coleta e tratamento de esgoto e do descarte ou reciclagem de resíduos sólidos.

Especialidades: trabalhar a promoção do desenvolvimento sustentável com preservação dos recursos naturais e proteção da saúde por meio da redução dos impactos causados ao meio ambiente pelas atividades humanas.

Engenharia Eletrônica

Para quem é? Eletrônica é a profissão ideal para os que querem projetar e desenvolver componentes, equipamentos e sistemas eletroeletrônicos.

Especialidades: pode atuar nas áreas de telecomunicações, sensores e atuadores industriais, instrumentação, engenharia de computadores (hardware/software), bioeletrônica e rede de computadores, entre outras.

Engenharia Elétrica

Para quem é? Para quem almeja em trabalhar com a geração, distribuição, tratamento e armazenamento da energia elétrica.

Especialidades: realizar automação industrial e predial, sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico, manutenção elétrica industrial e funções em diversos tipos de empresa que usam a energia nos seus processos de trabalho.

Engenharia Mecânica

Para quem é? Mecânica é a carreira para quem quer desenvolver, projetar e supervisionar a produção de máquinas, equipamentos, veículos, sistemas de aquecimento e de refrigeração e ferramentas específicas da indústria mecânica.

Especialidades: trabalhar nas áreas de materiais, processos de fabricação, projeto mecânico, sistemas fluido-térmicos e produção.

Engenharia da Computação

Para quem é? Ideal para quem deseja criar soluções de hardware e software que envolvem as áreas de eletrônica, computação, telecomunicações e automação.

Especialidades: desenvolvimento de sistemas de computação e sistemas embarcados e em projetos e execuções de manutenção de equipamentos e dispositivos de computação e comunicação de dados.

Engenharia de Controle e Automação

Para quem é? Para quem almeja projetar, operar e fazer a manutenção de equipamentos utilizados nos processos automatizados de indústrias em geral.

Especialidades: atuação em setores industriais, comerciais e de serviços e trabalhar com gerenciamento de projetos de automação, programação de máquinas e adaptação de softwares aos processos industriais

Engenharia de Produção

Para quem é? Para aqueles que querem projetar, implantar, melhorar e manter os sistemas produtivos com abordagem sistêmica que o capacita a lidar com sistemas integrados de homens, equipamentos e materiais

Especialidades: gerenciar os recursos humanos, financeiros e materiais de uma empresa a fim de elevar sua produtividade e rentabilidade

Engenharia de Telecomunicações

Para quem é? Para quem quer supervisão de sistemas de telecomunicações, entre eles redes de transmissão de dados, redes celulares, redes de fibra óptica e cabeadas, satélite e TV.

Especialidades: projetar, desenvolver, implantar, operar e manter produtos, serviços ou processos, com foco em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), novo escopo que possibilita sua atuação em pequenas, médias e grandes corporações do setor.

Infinity Coast e a tecnologia do prédio mais alto do Brasil

Marco na engenharia brasileira, Balneário Camboriú entra para a história do país ao ser a cidade onde foi feita a primeira concretagem de uma laje a 201 metros de altura. O trabalho no edifício Infinity Coast, projeto da FG Empreendimentos, corresponde ao 66º andar daquele que será o maior residencial do Brasil. Todo o projeto conta com elementos inovadores da engenharia mundial. Com assinatura do engenheiro civil Gustavo A. Simas, o Infinity Coast terá 70 lajes. “Todo o projeto é muito detalhado, requer uma equipe especializada para cuidar dos diferenciais, afinal, este é o maior prédio do país, tudo é novo neste contexto da altura projetada”, ressalta Simas.

Os elevadores, por exemplo, são da Thyssenkrupp e terão tecnologia active roller guide, uma espécie de suspensão ativa do elevador que reduz as oscilações dentro da cabine, proporcionando maior conforto ao passageiro durante a viagem. A tecnologia foi totalmente desenvolvida por especialistas brasileiros e seu alto desempenho pode ser conferido em grandes empreendimentos pelo mundo.

Além do active roller guide, os elevadores do Infinity contarão com outros atrativos tecnológicos. Entre eles o quadro de comando TAC32T, tecnologia responsável pelo controle total do equipamento e disponível em alguns dos arranha-céus mais altos do mundo. Entre as inovações do TAC32T destaca-se a função de reduzir a velocidade ou até desligar o elevador em condições severas de vento. Um diferencial importante para elevadores de grande percurso que contam com um sensor que mede a velocidade do vento, o anemômetro, no qual o TAC32T é ligado para atuar se for necessário.

A FG

A construtora catarinense entregou 42 empreendimentos em seu tempo de atuação no mercado, incluindo os mais arrojados projetos que ganharam visibilidade internacional. São mais de duas mil unidades de moradia.  Importante ressaltar que a empresa possui um extenso Land Bank com potencial construtivo de mais de R$ 10 bilhões em Valor Geral de Vendas e ofertas diversificadas de produtos para atender a todos os públicos, disponibilizando imóveis a partir de R$ 400 mil até patamares superiores a R$ 20 milhões.

Dois A Engenharia firma parceria com gigante nacional

Visando ampliar sua área de atuação e obter participação em um mercado promissor, a Dois A Engenharia firmou parceria estratégica de trabalho com a Andrade Gutierrez Engenharia. A Dois A é uma empresa genuinamente potiguar, fundada pelo engenheiro Flávio Azevedo, que se destaca nacionalmente pelos excelentes resultados obtidos nas operações e construções das infraestruturas para a implantação de parques eólicos em diversas localidades do Brasil.

A parceria é de trabalho, não envolve participações societárias e visa agregar ainda mais valor aos projetos das duas companhias. O acordo consolida a participação da Dois A no Norte e Nordeste e abre espaço para atuação em projetos localizados em toda a América Latina.

O anuncio será feito durante o Brazil WindPower, maior evento da América Latina no setor de energia eólica, que será realizado entre os dias 7 e 9 de agosto, no Centro de Convenções Sulamérica, no Rio de Janeiro. A parceria da AG com a Dois A é técnica e por demanda visando a criação e a apresentação de projetos, tanto na área de engenharia civil, quanto na área de engenharia elétrica, somando o amplo conhecimento que as companhias possuem em seus campos de atuação. Pelo desenho da estratégia, a Dois A vai compartilhar sua expertise na execução de obras que atendem a geração de energias renováveis e sustentáveis. A AG compartilhará experiência em projetos de infraestrutura eletromecânica, como redes de média tensão, linhas de transmissão e subestação.

A Dois A foi criada há 50 anos com o propósito de desenvolver projetos inovadores e obras de infraestrutura. A empresa, formada por experientes profissionais, está modernizando o mercado de construções de torres eólicas. Ela se fortaleceu com investimentos em equipamento, tecnologia, valorização de capital humano, programas de qualidade, gestão, capacitação profissional e se destaca pela capacidade de produzir estudos para racionalização, orçamento, planejamento e execução, tornando os projetos bem mais competitivos.

A Andrade Gutierrez, com seus 70 anos de atuação, possui larga experiência e conhecimento na construção de obras civis e montagem eletromecânica no Brasil e no mundo, e vem se destacando na construção de linhas de transmissão e subestação, contendo uma presença em áreas de grande potencial eólico e solar. Podendo assim agregar sua qualificação e capilaridade para a recente parceria. Juntas, a Dois A e AG visam a ofertar aos clientes produtos e serviços que atendam com qualidade e preço o mercado promissor de energias renováveis incluindo, mas não se limitando, a Eólica e Solar.

Construtoras precisam trabalhar de olho em tecnologias dinâmicas

Eduardo Fischer, 46 anos, e Alexandre Lafer Frankel, 40, tinham muito o que falar. CEOs de uma indústria que passou por maus bocados nos últimos anos, eles trocaram opiniões e compartilharam experiências por uma hora e trinta e seis minutos contados no mostrador do celular. Eduardo, presidente da MRV, chegou para a conversa às 11h em ponto. Alexandre, da Vitacon, atrasou dez minutos para chegar ao WeWork da Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, uma das mais importantes artérias de negócios da capital paulista. Foi prontamente perdoado pelo interlocutor. Eduardo ouviu o bombardeio de perguntas durante trinta minutos seguidos. Respondeu pacientemente uma a uma. Quando Alexandre já saciara sua curiosidade sobre a maior construtora do país, o CEO da MRV agarrou o timão da conversa, e quis entender mais sobre a jovem empresa que encontrou um novo nicho — o de apês supercompactos. Os dois nunca tinham se cruzado, mas quem os ouviu conversar com fluência sobre mobilidade, tecnologia, política e os rumos do mercado saiu com a certeza de que pode até faltar espaço, mas um bom papo, não.

Alexandre lafer Frankel Para produzir com preço baixo, você tem de construir residências nas franjas da cidade. E a maioria dos empregos continua na área central. Como você lida com esse problema?

Eduardo Fischer Isso acontece em São Paulo. Mas se você vai para a maior parte das cidades onde estamos, não. São cidades de 200 mil, 300 mil habitantes, onde consigo ter posição boa. Nas grandes cidades, a gente investe. Custa um pouco mais caro, mas vale a pena. Quero sempre estar em locais que tenham algum tipo de transporte público. Veja o projeto com lançamento este mês, em Pirituba [distrito de São Paulo]. É o maior empreendimento de nossa história. Tem R$ 1,7 bilhão de Valor Geral de Vendas [VGV]. É [como se fosse] um bairro, com 25 empreendimentos [edifícios], cada um com 18 pavimentos. Fica perto do Tietê Plaza Shopping, a 400 metros da Marginal, a 800 metros da estação da CPTM [Companhia de Trens Metropolitanos]. É premissa nossa. Não dá pra fazer um lixo de coisa, lá no fim do mundo. Na hora em que a Caixa Econômica passa a ter problema porque os imóveis começam a não ser pagos, quando o cara entende que o imóvel dele vale menos do que ele está pagando, o negócio desmorona inteiro. Não quero isso. Agora, é admirável o que vocês estão fazendo também. Sacudiram o mercado com uma proposta que não é nem de produto, é de mudança de estilo de vida. Minha dúvida: ela é escalável? É possível levá-la para outras praças?

Alexandre A empresa acabou de completar oito anos. É muito jovem e tem muita coisa para fazer ainda em São Paulo. Mas a expansão é perfeitamente possível. A forma que encontramos de popularizar a moradia urbana foi reduzir a unidade a um tamanho de até dez metros quadrados. Não consigo comprar terreno barato nos bairros nobres. Mas ao reduzir a unidade e colocar tecnologia, eu a torno acessível (Um pacote pode incluir fechadura biométrica, comando para fechar as cortinas e timer que regula a temperatura ambiente antes de o morador chegar). A partir de R$ 100 mil, dá para morar em Higienópolis [bairro nobre de São Paulo]. Obviamente, não atende todos os públicos. É para um cara em determinado ponto da vida. Solteiro, estudando, vem a São Paulo com frequência [mas não mora na cidade]. Alguém em transição, que se separou. Se eu tivesse a sua competência para produzir barato em escala, a mesma coisa que você faz para a população de baixa renda eu faria para a população de renda média, ou média alta urbana. Precisamos ganhar competências ainda. Mas a vontade é, sim, expandir. Estudamos algumas coisas fora de São Paulo.

Eduardo Você vê alguma ruptura no nosso negócio?

Alexandre Várias. Muitas relacionadas aos hábitos de consumo e a novas tecnologias que vão aparecer. Acredito muito também no compartilhamento de recursos ociosos. Desde as áreas comuns até carro, bicicleta. Os carros autônomos talvez transformem completamente a dinâmica de moradia urbana. Temos o trabalho remoto. O cara pode não precisar mais ir trabalhar fisicamente. Sem a limitação geográfica, o setor muda completamente.

Eduardo As pessoas vão querer comprar apartamento daqui a 10, 15 ou 20 anos?

Alexandre Acredito que vão começar a pensar na moradia mais como um serviço, em vez de se endividar por 30, 40, 50 anos. No Brasil, ainda temos essa cultura latina, de querer ter. Mas isso vai mudar muito rápido. A questão é como financiar. Com os juros pela primeira vez a 7%, e juros reais de 3% a 4%, o negócio começa a parar de pé. Obviamente, não será um modelo para o mercado inteiro, mas vai atender a uma parcela significativa dele.

Casas (Foto:  )

Eduardo A evolução do seu produto passa por agregar serviços e oferecer solução de vivência?

Alexandre Já estou provendo vários serviços. O cara tem a unidade em que dorme e usa o prédio como um complemento da própria casa. Uma parte dos serviços é terceirizada (Entre os serviços agregados, agendamento de limpeza e concierge por meio de um aplicativo. Em alguns empreendimentos, compartilhamento de cozinha, motos e até de ferramentas), mas tem sempre uma mão nossa na gestão. Muitas vezes o cara que compra o apartamento quer locar. Presto serviço para esse cara que é investidor. Em São Paulo, hoje, um terço da base é locada. Fazemos muitas parcerias estratégicas, também. Porque, obviamente, não vou ser o melhor em alugar carro, por exemplo.

Eduardo É um dilema nosso: ainda preciso fazer vagas de garagem? O meu cliente acha que sim.

Alexandre Hoje, sim. Mas já vendo muito apartamento sem vaga. São os primeiros a sair, os mais baratos. Não existe mais casal com dois carros. O próximo passo é o que fazer com as vagas ociosas. Já tem gente criando tecnologias para isso.

Eduardo O que você vê no futuro?

Alexandre Vai ter muita tecnologia embarcada nos produtos. Não vai mais ser possível ter só tijolo e massa. Vamos ter diversas soluções agregadas à moradia. Já tem startups que mandam serviços de limpeza automaticamente para o seu apartamento, com base no seu histórico de demanda. Outras que medem quantas vezes você abriu e fechou a geladeira e te enviam cerveja, porque sabem que você consumiu as que tinha. Isso a gente está fazendo. Fizemos também uma joint venture com a Intel e a IBM. Estamos desenvolvendo prédios com inteligência embarcada. A beleza disso é que não sei onde vai parar. Assim como o cara que criou este telefone não sabia que ia ter um Waze nele um dia, provavelmente alguém vai criar um “Waze” para os prédios no futuro. Não sei o que será, mas tenho de estar preparado.
E vocês? Vendem basicamente via Minha Casa, Minha Vida. Não é arriscado ficar exposto a uma só fonte de financiamento, e ainda sujeita à interferência política?

Eduardo Existia um grande temor, lá atrás, de descontinuidade com a saída da Dilma e a entrada do Temer. Mas nem o nome do programa mudou, porque todos os governos entendem que temos de promover a habitação com velocidade. Se você não atende à necessidade de moradia quando ela surge, o cidadão vai dar um jeito qualquer e gerar problemas como urbanização irregular, loteamento invadido, favelas. A questão que temos hoje para habitação como um todo no Brasil é financiamento. Temos basicamente o fundo de garantia e a poupança. Precisamos de um financiamento de mercado, com uma taxa de juros e uma situação macroeconômica equilibradas. As Letras Imobiliárias Garantidas [LIGs], que estão sendo regulamentadas, podem ser uma alternativa. Mas se o Brasil perder o controle macroeconômico de novo, essa lógica não fica em pé. Essa, sim, é a minha principal preocupação de longo prazo.

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Alexandre Vejo dois méritos na MRV, no trabalho com as linhas de crédito de baixa renda e na tecnologia construtiva com custo e escala fenomenais. Você enxerga esses como seus grandes diferenciais?

Eduardo Tem algumas coisas. Primeiro, os agentes externos. Fontes de financiamento são um deles. O percentual de venda à vista é de menos de 1%. Nosso negócio é de ciclo muito longo. Mas tem algumas vantagens: demanda maior que a oferta e impossibilidade de importar. Ninguém importa apartamento. Isso vale para mim e para os meus concorrentes. Qual foi o mérito nosso, na MRV? A gente enxergou, lá atrás, que existiria um mercado enorme. E decidimos ocupar uma fatia maior dele. Em 2006, criamos o que chamamos de MRV 40 mil, um plano que preparava a empresa para produzir 40 mil unidades por ano, de forma equilibrada. Na época, produzíamos 4 mil. Atingimos a meta em 2011. Este ano, vamos chegar a 50 mil. Foi lindo, suave e tranquilo? Não. A gente começou a crescer e, de repente, nossos clientes não conseguiam falar conosco nos canais tradicionais de atendimento. Na época, uma das minhas tarefas como diretor era ligar para o nosso call center, ver se eu conseguia ser atendido e quanto tempo levava. Estávamos atendendo só a pouco mais de 30% das ligações, no pior momento. Hoje, cerca de um em cada 200 brasileiros mora em apartamento da MRV. Dá 1 milhão de pessoas. Se estiverem falando mal de mim, esquece.

Alexandre Fala-se que o setor é regionalizado e que a expansão afeta a economia de escala. Mas a MRV prova que ter escala é bom e se expandiu por outras regiões.

Eduardo Investimos pesadamente em tecnologia. Mas não foi o principal fator. O principal — pode parecer clichê — é gente. Cada funcionário que temos precisa estar cada vez mais preparado. Temos um índice que usamos há quase 40 anos, o IP. É o índice de pessoas para produzir um apartamento. Pego o número de pessoas no canteiro de obras e divido pelo número de unidades produzidas. Quando a gente abriu capital, o IP era 12. Hoje, a média é 5,5. Nossa meta é chegar a 3. Na MRV, temos um único produto, ou um produto próximo de ser único. Então, sei quanto tem de custar. Tenho referência para saber o que é uma boa obra. Uma boa obra é cumprir o orçamento ou fazer um pouquinho abaixo. Se uma boa obra custa 100, uma ruim pode sair por 150 com facilidade. Se você fizer uma obra ruim, tem de fazer cinco 10% abaixo do orçamento. Uma já é raro. Foi aí que todo mundo se ferrou e a gente se saiu bem.

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Alexandre Qual é seu custo médio de construção hoje?

Eduardo Em torno de uns R$ 1 mil e poucos o metro quadrado, na área privativa. Há seis anos, resolvemos mudar o processo construtivo, extremamente artesanal. Olhamos muita coisa e elegemos a fôrma de alumínio, com parede de concreto. Depois, implantamos paulatinamente. Em dezembro, já usávamos em 70% da produção. Quando começamos, era muito mais caro que o método tradicional. Hoje, é mais barato e tem potencial para ser ainda mais.

Alexandre Qual é a chance de produzirmos unidades modulares em uma fábrica central e deixarmos de depender de mão de obra local?

Eduardo Acho difícil pela logística. Você vai transportar muito ar em módulos. A não ser que tenha fábricas locais, vai encarecer demais. A gente está ligado no que acontece de novo no mundo. Fui a Tel-Aviv [Israel] em setembro, falei sobre a MRV e ouvi muitos cases legais (Na viagem, a MRV fechou contrato com a Intervyo para fazer os processos de entrevista de contratação online usando inteligência artificial). Tem de estar com o nariz lá para entender. Porque, de repente, você amanhece com alguém imprimindo casas. Talvez seja esse o futuro.

Onde é mais caro (e mais barato) comprar imóvel em São Paulo

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São Paulo — A economia lentamente está mostrando sinais de melhora, mas no mercado imobiliário as buscas por imóveis para comprar vêm subindo. Segundo a plataforma imobiliária Imovelweb, em abril deste ano 51% das buscas online foram por imóveis à venda. No começo de 2018, assim como em 2017, a maior parte das pesquisas era por imóveis para alugar.

Mas você sabe onde o metro quadrado à venda é mais barato e mais caro em cada região da cidade de São Paulo? Isso pode fazer toda diferença quando você for procurar a sua futura casa própria.

A pedido do site EXAME, o Imovelweb levantou os dados e listou os cinco bairros mais baratos e os cinco bairros mais caros para comprar um imóvel em São Paulo, levando em conta o valor médio do metro quadrado. As listas mostram que a variação é grande, por isso vale a pena pesquisar.

“A tendência geral das vendas de imóveis aumentou. Ela esteve travada no ano passado por causa da crise, mas, agora, está mostrando sinais de melhora. Notamos especialmente uma busca maior por imóveis de até 400 mil reais. São unidades menores, de um ou dois dormitórios. É uma nova realidade da população que as incorporadoras têm atendido e feito lançamentos”, diz Leonardo Paz, CEO da Imovelweb.

Como a maior parte das buscas é por imóveis menores, quem procura imóveis maiores, de três quartos, tem mais chance de conseguir negociar valores mais baixos, pois está mais difícil de vendê-los. Mesmo assim, é importante destacar que, com os preços dos imóveis em queda, é um bom momento para barganhar ao adquirir a casa própria, independente do tamanho e do valor.

Vale também ressaltar que, em São Paulo, com os custos do financiamento, a primeira prestação do imóvel custa o dobro que o aluguel, em média. Por isso, a decisão de entrar em um financiamento deve ser muito bem planejada.

Só compre a casa própria financiada se você tiver segurança que vai querer permanecer no imóvel por um longo período da vida e que tem condições de arcar com as parcelas todo mês. Fora de São Paulo, em cidades onde o mercado imobiliário ainda engatinha, pode valer mais a pena comprar imóvel do que alugar. 

Veja abaixo os bairros onde o preço médio do metro quadrado à venda é mais barato e mais caro na cidade de São Paulo, segundo o Imovelweb.

Centro

Bairros mais caros para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro Bairros mais baratos para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro
Pacaembu R$ 10.129,00 República R$ 7.166,00
Consolação R$ 9.920,00 Cambuci R$ 6.984,00
Higienópolis R$ 9.910,67 R$ 6.585,00
Aclimação R$ 8.728,67 Campos Elíseos R$ 6.198,67
Bela Vista R$ 8.457,33 Bom Retiro R$ 6.019,00

Zona Leste

Bairros mais caros para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro Bairros mais baratos para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro
Jardim Anália Franco R$ 8.761,33 Artur Alvim R$ 3.906,00
Parque da Vila Prudente R$ 7.730,67 São Miguel Paulista R$ 3.831,00
Vila Regente Feijó R$ 7.664,00 Guaianases R$ 3.445,00
Vila Gomes Cardim R$ 7.631,67 Conjunto Residencial José Bonifácio R$ 3.224,00
Alto da Mooca R$ 7.406,33 Chácara Santa Etelvina R$ 2.189,67

Zona Oeste

Bairros mais caros para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro Bairros mais baratos para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro
Jardim Europa R$ 17.621,67 Parque Continental R$ 5.081,67
Itaim Bibi R$ 13.147,67 Jaraguá R$ 4.981,67
Vila Olímpia R$ 12.305,00 Vila Pirituba R$ 4.926,00
Jardim América R$ 12.076,33 Jardim Boa Vista R$ 4.648,33
Alto de Pinheiros R$ 11.472,00 Raposo Tavares R$ 4.419,00

Zona Sul

Bairros mais caros para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro Bairros mais baratos para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro
Ibirapuera R$ 19.154,00 Jardim ngela R$ 4.945,67
Vila Nova Conceição R$ 16.888,67 Campo Limpo R$ 4.787,67
Cidade Monções R$ 11.538,33 Paraisópolis R$ 4.520,00
Moema R$ 10.913,67 Cidade Dutra R$ 4.390,00
Indianópolis R$ 10.799,67 Vila São José (Cidade Dutra) R$ 4.351,00

Zona Norte

Bairros mais caros para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro Bairros mais baratos para comprar imóvel Preço médio do metro quadrado à venda em cada bairro
Carandiru R$ 7.592,67 Cachoeirinha R$ 5.438,33
Santa Teresinha R$ 7.527,67 Barro Branco R$ 5.427,33
Parada Inglesa R$ 7.330,33 Jaçanã R$ 5.415,00
Santana R$ 7.122,67 Vila Bela Vista R$ 5.282,33
Casa Verde R$ 6.980,00 Casa Verde Alta R$ 5.210,67

Semax adota ERP em Cloud para dar mais mobilidade à gestão dos dados

SOBRE A SEMAX

Empresa criada em 2004, voltada para Construção Civil, Instalações Elétrica, Hidráulica, Ar Condicionado, Combate a Incêndio e Sistemas Especiais, a Semax Engenharia executa obras sustentáveis com eficiência, atendendo a todas as normas e legislações, usando sempre o critério de execução de obras limpas, dentro do prazo e respeitando a qualidade determinada nos Projetos. Sempre em constante reciclagem e inovação tecnológica, a Semax é uma referência no Mercado da Construção na grande São Paulo e ABC.


CONTROLE NA NUVEM

Os modelos de gerenciamento em nuvem (Cloud) tem crescido consideravelmente nos últimos 5 anos, em especial na indústria da Construção Civil que demanda um controle com mais mobilidade dos dados e informações entre canteiros de obras, empreendimentos, departamentos e funcionários. Pensando nesta tendência e visando mais praticidade na integração das informações na empresa, a Semax Engenharia recentemente implementou um ERP em CLOUD para o gerenciamento de todos os seus processos.

“Ter uma solução em Cloud faciltou bastante na gestão dos dados na empresa pois todos os processos ficaram mais rápidos” comenta Arthur Souza, Diretor da Semax Engenharia. “Com toda infraestrutura em nuvem, houve redução de custos em infra e TI para instalação e manutenção da solução” completa Arthur.

Hoje a Semax enxerga uma maior segurança dos dados com um sistema em nuvem, do que antigamento com o sistema apenas local (na máquina). “Como os dados agora ficam em um Data Center (cloud), sente-se mais seguro. Antes tinha receio de pane no servidor local.” relata a Diretor da Semax.


INDICAÇÃO DO ERP EM CLOUD

Além da expertise do sistema no ramo da Construção Civil, com soluções voltadas a necessidades específicas das rotinas de uma Obra, é imprescindível nos dias de hoje, um sistema com maior mobilidade de acesso via browser (Cloud). “Eu indicaria sim o SIECON Cloud, pois com a solução sentimos mais facilidade de acesso em qualquer estação física, não limitando em apenas um único local. Melhorou o acesso às aplicações, anteriormente tínhamos muitos problemas”, finaliza Arthur Souza.


SOBRE A SOLUÇÃO

O SIECON Web/Cloud é uma revolução em acesso, praticidade, segurança e economia para a indústria da Engenharia Civil, Construção e Incorporação. Com acesso e funcionalidade do ERP SIECON Cloud, em qualquer navegador. Você não precisa mais se preocupar com backups, licenciamentos e gastos com infraestrutura. Seguem alguns diferenciais:

Mobilidade para sua Equipe: Você acessa o seu SIECON Cloud de qualquer computador via navegador sem necessidade de investimentos em Infraestrutura.

Mais segurança da informação: Os seus dados estarão sempre protegidos contra invasores e acessos externos, tudo em um só lugar criptografado.

Foco no seu Negócio: Foque no que é importante para seu negócio e mercado, o estratégico. Esqueça processos operacionais de Infra e TI.

Redução de Custos: Você não precisa mais se preocupar com a manutenção e administração de servidores, profissionais de TI . Toda configuração está inclusa.

Facilidade na Migração: Garantia de uma migração de baixo impacto aos usuários, mantendo a integridade de todos o dados do SIECON server.

Backup na Nuvem: Gerenciamento e Monitoramento proativo do ambiente Cloud. Backup full diário (30 dias no datacenter) sem custos.

Saiba mais sobre: https://siecon.com.br/web/

 

CBCA anuncia 1º Concurso para Estudantes de Engenharia

Passarelas Modulares sobre rodovias do DNIT é o tema que deve ser trabalhado pelos participantes da 1º edição do Concurso para Estudantes de Engenharia, projeto desenvolvido pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA). As equipes interessadas devem se inscrever entre os dias 06 de agosto e 01 de novembro, tendo no mínimo dois e no máximo seis alunos. Os estudantes, que devem ser orientados por um professor da mesma escola ou faculdade, são desafiados a uma competição que complementa sua formação, com uma experiência abrangente sobre concepção, projeto estrutural e esquema de montagem de passarelas modulares de aço ou mista de aço e concreto. O júri avaliará, especialmente, o correto e apropriado uso do aço, tanto nos aspectos estruturais e estéticos, como nos aspectos construtivos de fabricação, transporte e montagem. Um dos grandes destaques desse Concurso é o fato de que o projeto vencedor poderá ser executado, tornando-se realidade a construção da passarela projetada pela equipe vencedora, a quem serão atribuídos os respectivos créditos e direitos autorais morais.

O resultado será anunciado no dia 30 de janeiro, no site do CBCA, que oferecerá como premiação R$ 8 mil para a equipe vencedora, distribuídos entre os alunos responsáveis pelo projeto vencedor e o professor orientador. Os vencedores receberão ainda diversos manuais sobre a construção em aço do CBCA, três anos de assinatura da revista Arquitetura & Aço também publicada pela Entidade e ainda vouchers gratuitos para cursos online oferecidos pelo Centro.

A equipe vencedora e o seu professor orientador terão ainda a isenção do pagamento da taxa de inscrição do 8º Congresso Latino-Americano da Construção Metálica (CONSTRUMETAL 2019), que será realizado de 13 a 15 de fevereiro de 2019, na cidade de São Paulo. A premiação do Concurso será feita inclusive nesse evento.

O objetivo principal do CBCA é aumentar o entendimento das questões da engenharia, tais como: restrições espaciais, propriedades do material aço, solicitações, fabricação, montagem, segurança, estética, gerenciamento e custos.

Participar desse Concurso é uma oportunidade para alunos e professores desenvolverem seus potenciais criativos através de projetos utilizando o aço como o principal componente de sistemas construtivos.

Para mais informações sobre a competição acesse www.cbca-acobrasil.org.br/engenharia.

1º Concurso para Estudantes de Engenharia

Tema: Passarelas Modulares sobre rodovias do DNIT

Inscrições: 06 de agosto a 01 de novembro

Site do concurso: www.cbca-acobrasil.org.br/engenharia

* As inscrições devem ser feitas através do site.

Sobre o CBCA

O Centro Brasileiro da Construção em Aço é uma entidade gerida pelo Instituto Aço Brasil. Desde 2002, ano de sua fundação, procura ampliar a participação da construção em aço no mercado nacional, realizando ações para sua divulgação e apoiando o seu desenvolvimento tecnológico.

São Paulo lidera recuperação do crédito a imóveis

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Em junho, o aumento da oferta de crédito imobiliário no Estado de São Paulo foi decisivo para a recuperação dessa modalidade de financiamento no País. As operações com mutuários finais e construtoras baseadas em recursos das cadernetas de poupança se aproximaram de R$ 5,5 bilhões, mais 44,7% em relação a junho de 2017 e mais 22% em relação a maio deste ano. Entre os primeiros semestres de 2017 e de 2018, o crédito atingiu R$ 25,3 bilhões (+23%).

Junho marcou uma virada, que não deverá ser episódica. Embora não haja termo de comparação entre o período áureo do crédito imobiliário registrado até 2014 e o que ocorre agora, a recuperação começa a ser vista pelos bancos como sinal de que o crédito habitacional está saindo do marasmo e deverá continuar crescendo nos próximos meses.

Dada a característica de longo prazo do crédito habitacional, a retomada foi menos afetada do que a de outros segmentos, apesar das incertezas. Além disso, o temor de uma alta da taxa Selic no futuro, devido à volta de pressões inflacionárias, pode ter levado as famílias a antecipar a contratação de crédito para assegurar prestações menores.

Apesar dos números favoráveis do crédito, o mercado imobiliário ainda não saiu da profunda crise em que ingressou em 2014, cujo resultado mais evidente é a estagnação nominal de preços. Em termos reais, houve queda média da ordem de 25% nos preços dos imóveis nos últimos quatro anos. Esse fator pode estar sendo considerado no momento da compra, ajudando a explicar a retomada recente do volume de operações. A maior parte das aquisições, em junho, foi de imóveis usados, pois o comportamento dos lançamentos é insatisfatório.

A recuperação do crédito em junho veio principalmente do mercado paulista, em que se registrou forte aumento tanto das operações de aquisição como de construção de imóveis – realizadas por construtoras e incorporadoras. Já o mercado carioca esteve entre os de maior queda, inclusive dos preços de negociação de imóveis apurados pelo Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), sob a responsabilidade da associação dos agentes de crédito imobiliário (Abecip) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Há um longo caminho até que o crédito imobiliário possa voltar aos níveis mais elevados de 2014.

Construtora de São Paulo usa a tecnologia para ajudar comprador

Em São Paulo, assim como em outras cidades do mundo, o aluguel por curta duração ou temporada está em franco crescimento. Isso é uma boa alternativa para quem opta por alugar o apartamento, mas quer fugir da forma tradicional de locação. O aluguel por temporada é uma modalidade de negócio em crescimento e uma das boas opções para os proprietários de imóveis rentabilizarem seus investimentos de forma rápida em relação aos meios tradicionais.

Por isso, a Vitacon, incorporadora e construtora paulista, famosa por suas unidades compactas e bem localizadas, lançou recentemente um aplicativo que vai ajudar o proprietário e cliente a locar com mais facilidade. De uso semelhante ao modelo Airbnb, o VN Stay é uma segurança para o comprador que busca rentabilidade na hora de comprar um imóvel para investir.

Com modelo inédito no país, o VN Stay garante agilidade na locação e serve como auxilio para os proprietários e bom atrativo na hora da Construtora fechar negócio, já que, recentemente, ao lançar um empreendimento em Perdizes, ofereceu ao cliente que quisesse comprar para investimento a garantia da locação, ou seja, se ao adquirir a unidade e deixasse que a Vitacon cuidasse da decoração, a empresa garante 18 meses de aluguel, a partir da unidade pronta para ser plugada na plataforma exclusiva da Vitacon.

Facilitando ainda mais o investimento

Com o aplicativo VN Stay, a Vitacon garante ao cliente total segurança e comodidade na hora da locação da unidade, mas antes de buscar a rentabilidade, outra preocupação que a empresa resolveu com o objetivo de proporcionar tranquilidade ao cliente foi a parte da decoração do apartamento, quando ele é entregue.

Para isso a Vitacon criou também o VN Decor – um serviço que cuida de toda decoração da unidade para o cliente – com design eficiente, desenvolvimento de projeto, mobília, enxoval e cuidado total com a obra, o que garante total segurança sem complicações para o proprietário.

Alvaro Siza: “O projetista de sonhos”

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Direto do Blog da Fundación Arquia, o arquiteto Raúl García García, nos convida a conhecer um pouco mais sobre o processo criativo de Álvaro Siza através de seus esboços mais elementares, um dos arquitetos mais importantes de meados do século XX e início do século XXI.


 

 

 

Esta é uma analogia entre a livre associação de imagens, ideias e formas concebidas por Siza, arquiteto e desenhista compulsivo, e a interpretação dos sonhos segundo Freud.

‘Um arquiteto é um projetista de sonhos’. É assim, de forma tão poética, que Grace McGarvie define nossa profissão, referindo-se ao nosso potencial imagético na hora de projetar, aquilo que nos permite criar edifícios e espaços muito mais apropriados à um cenário de ficção científica.

Entretanto, esta definição se torna ainda mais apropriada quando estamos falando do processo criativo de Álvaro Siza, um dos grandes nomes da arquitetura contemporânea mundial dos séculos XX e XXI.

O ‘Maestro’ (como é chamado em seu país, tanto por seus alunos, garçons ou taxistas) é sem sombra de dúvidas um arquiteto muito singular. Sua metodologia artesanal e sua personalidade parecem impróprias para um ‘starchitect’ que ainda assim, coleciona prêmios e distintos reconhecimentos, mas que prefere deixar que sua obra fale por si.

Um dos aspectos mais importantes de seu processo criativo é o esboço.

Boceto de Alvaro Siza. Image Cortesía de Raúl García García
Boceto de Alvaro Siza. Image Cortesía de Raúl García García

Eduardo Souto de Moura (Prêmio Pritzker e antigo parceiro de Siza) o define da seguinte maneira: “O que ele deve à Arquitectura Contemporânea é um método próprio baseado no ‘desenho contínuo’ durante 14 horas por dia e inclusive durante a noite. Siza desenha como uma impressora, continuamente. (…) Desenha sem parar até encontrar a ideia que o permite concluir um pensamento. Após encontra-la, ele retoma o processo do projeto para que a convicção alcançada não se perca.

Quando Álvaro está desenhando, parece uma máquina. Parece entrar em transe, como um médium que decodifica mensagens de forma compulsiva no papel sem nenhuma lógica, até que de repente, ele encontra uma saída e tudo começa a se encaixar, tudo começa a fazer sentido.

Um problema nas pálpebras, que o gênio português vem enfrentando há anos, o qual faz com que seus olhos se fechem de forma involuntária, faz com que esta figura de ‘desenhista médium’ pareça ainda mais misteriosa. Paradoxalmente, uma das frases preferidas de Siza é ‘Os olhos que não veem”,também muito usada por Le Corbusier.

William J.R.Curtis, foi ainda mais longe ao estabelecer um interessante paralelismo entre ‘o projetista dos sonhos’ e a forma que a mente trabalha segundo Freud, pai da psicanálise, na hora de interpretar os nossos sonhos: “A livre associação de imagens, ideas e formas (do processo criativo de Siza) nos faz lembrar de como Freud interpreta os sonhos (…) É como se ele estivesse dedicado a submeter o material a um processo de compressão e concentração… um elemento onírico que pode corresponder a numerosos elementos da realidade.”

O elemento onírico (segundo Freud, o sonho antes de ser submetido a análise, tal como se apresenta ao sujeito) se materializa em Siza na forma de desenhos ‘inconscientes’, em transe, sem finalidade aparente que preenchem as páginas do seu caderno, guardanapos, envelopes e qualquer outro tipo de suporte ao alcance da mão.

Os elementos da realidade (o conjunto de significantes os quais conduzem a análise de uma produção do inconsciente) aparecem no processo criativo de Siza em um dado momento, sem muita espera, graças a uma lembrança de outro projeto, a uma influência inconsciente, (já que segundo o próprio, ‘os arquitetos não criam nada, somente transformam o que já existe’), e este é o elemento que faz com que tudo se encaixe e o projecto deslanche com um objetivo que até então parecia viajar a deriva pela mente do Arquiteto.

Seja como for, o que é importante para um arquiteto é nunca deixar de sonhar, já que – como diria Walt Whitman – “só nos sonhos, pode ser livre o homem”…