Mercado brasileiro de engenharia migra para estrangeiros

Quadro de corrupção no setor de engenharia do Brasil, evidenciado nas investigações da operação Lava Jato, está transferindo o mercado nacional de grandes obras de infraestrutura para empresas estrangeiras.

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Alvos de sanções e multas pesadas, as principais empreiteiras nacionais, como Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, estão abrindo espaço para empresas chinesas; especialistas veem com cautela a situação; “Em relação à construção da infraestrutura, o que está em curso é a destruição da nossa capacidade gerencial, administrativa e tecnológica acumulada ao longo de mais de seis décadas. Está se arrasando a capacidade da engenharia brasileira. É um retrocesso inimaginável”, diz Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia.

O quadro de corrupção no setor de engenharia do Brasil, evidenciado nas investigações da operação Lava Jato, está transferindo o mercado nacional de grandes obras de infraestrutura para empresas estrangeiras.

Alvo de sanções e multas pesadas, as principais empreiteiras nacionais, como Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, estão abrindo espaço para empresas chinesas.

Reportagem deste Guilherme Azevedo neste domingo, 5, no UOL, mostra que a situação é vista com cautela por especialistas em logística. Apesar de defenderem punição às empresas brasileiras envolvidas em atos de corrupção, é preciso observar os aspectos estratégicos envolvidos na mudança.

“Em relação à construção da infraestrutura, o que está em curso é a destruição da nossa capacidade gerencial, administrativa e tecnológica acumulada ao longo de mais de seis décadas. Está se arrasando a capacidade da engenharia brasileira. É um retrocesso inimaginável”, diz Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia, com sede no Rio de Janeiro, a mais antiga associação de engenheiros do Brasil, com 136 anos de atividade.

Com obras paradas, o desemprego na área cresceu. Em dezembro de 2016, estavam formalmente na construção pesada 686 mil trabalhadores, uma queda de 35% em relação ao nível de emprego de dezembro de 2013. Até novembro do ano passado, foram demitidos 46.100 engenheiros e contratados 27.828, um saldo negativo de 18.272 vagas formais.

Há quem defenda, no entanto, a entrada de empresas estrangeiras nas grandes obras de engenharia. como o economista Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas, que fiscaliza as contas de governos em todos os níveis e assume a visão da sociedade civil. Segundo ele, há outras empresas de construção querendo ingressar no mercado de grandes obras públicas e “só não puderam porque as empresas do cartel não permitiram”.

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