Análise de Valor Agregado (AVA): como unir escopo, prazo e custo na gestão de projetos

Este artigo foi enviado ao Constru360 por Mario Sergio Storch Thimoteo, engenheiro civil e pós-graduado em Gestão de Obras. Mario possui certificações em Mastering Earned Value Project Management (Ricardo Vargas School), PMI Construction Professional e Lean Construction, com experiência prática em planejamento físico-financeiro e acompanhamento de obras residenciais. Via Mario Sergio Storch Thimoteo, Engenheiro Civil

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1. Introdução

A Análise de Valor Agregado (AVA), segundo Vargas (2013), é uma ferramenta de gestão de projetos em que a análise é medida pelo acompanhamento do desempenho geral do projeto por meio de uma perspectiva financeira, mas que também integra aspectos de prazo e progresso físico para essa avaliação.

De acordo com Nocêra (2015), a Análise de Valor Agregado foi utilizada pela primeira vez em 1976 pelo Departamento de Defesa Americano, que integrava o gerenciamento de escopo, custo e prazo do projeto.

Portanto, a chave do Valor Agregado é a união entre escopo, custo e prazo, na tentativa de um gerenciamento de projetos mais eficiente.

2. Estrutura Analítica de Projeto – EAP

Para que a Análise de Valor Agregado seja implementada de forma eficiente, o primeiro passo é a estruturação efetiva do escopo, ou seja, a definição do trabalho a ser realizado.

Para tanto, a ferramenta utilizada é a Estrutura Analítica de Projeto (EAP), que é uma ferramenta visual que divide o escopo total de um projeto em partes menores e mais fáceis de gerenciar, chamadas de pacotes de trabalho.

A EAP é uma divisão hierárquica do projeto, em que o projeto é estruturado do objetivo geral (topo) até as tarefas executáveis (base).

Essa divisão hierárquica facilita o controle, definindo responsáveis, prazos e custos.

Figura 1 – Estrutura Analítica do Projeto (EAP). Fonte: o autor.
Figura 1 – Estrutura Analítica do Projeto (EAP). Fonte: o autor.

 

3. Planejamento

Após a decomposição do escopo na EAP, criamos o cronograma, que nada mais é do que a distribuição, ao longo do tempo, dos pacotes de trabalho estabelecidos na EAP.

É aqui que vemos o desenvolvimento cronológico dos pacotes de trabalho ao longo do tempo, o que determina o Orçamento no Término (ONT) do projeto.

Figura 2 – Cronograma baseado na EAP. Fonte: o autor.
Figura 2 – Cronograma baseado na EAP. Fonte: o autor.

4. Células de Controle

Segundo Vargas (2013), após a definição do escopo e o desenvolvimento do cronograma do projeto, é necessário estabelecer os custos envolvidos para a determinação do orçamento.

Para determinar o orçamento do projeto, é necessária a criação de células de controle.

As células de controle agregam os valores do orçamento por meio do estabelecimento dos recursos empregados na realização das atividades.

Esses recursos compreendem toda a mão de obra, os materiais e os equipamentos que serão utilizados para alcançar os objetivos do projeto.

Figura 3 – Células de Controle com valores de cada pacote. Fonte: o autor.
Figura 3 – Células de Controle com valores de cada pacote. Fonte: o autor.

Cada Célula de Controle contém os valores referentes aos pacotes de trabalho, que vão se agregando à medida que sobem na cadeia hierárquica. Como pode ser observado acima, cada atividade tem um valor, que soma na célula de controle e que soma em todo o projeto, gerando, assim, o orçamento do projeto.

5. Valor Agregado

Segundo Nocêra (2015), o Valor Agregado é toda atividade que agrega valor no decorrer da sua execução até uma determinada data de status.

5.1 Elementos básicos da Análise do Valor Agregado

Valor Planejado (VP) é o valor planejado da linha de base de uma atividade até a data de status. Esse valor planejado é baseado, conforme explicado acima, no orçamento determinado pela utilização dos recursos atribuídos a essas atividades.

Custo Real (CR) é o valor real gasto do trabalho executado de uma determinada atividade até a data de status.

Valor Agregado (VA) é o valor do trabalho executado até a data de status.

5.2 Índices de desempenho

Sigla Descrição Indicativo
VP Valor Planejado Aferição do valor planejado até a data de status
CR Custo Real Custo real incorrido até a data de status
VA Valor Agregado Valor agregado até a data de status
ONT Orçamento no Término Valor total orçado para o projeto

 

Sigla Descrição Indicativo Fórmula
VPr Variação de Prazo Indica se o projeto está adiantado ou atrasado em relação ao cronograma. Então, se:

VPr > 0, projeto está adiantado (entregou mais valor do que o planejado para o período);

VPr = 0, projeto está exatamente no prazo;

VPr < 0, projeto está atrasado (entregou menos valor do que o cronograma exigia).

VPr = VA – VP
IDP Índice de Desempenho de Prazo Indica com qual eficiência estamos utilizando o tempo no projeto. Então, se:

IDP > 1, projeto está adiantado. Uso do tempo do projeto melhor do que o esperado;

IDP = 1, projeto anda no prazo;

IDP < 1, projeto atrasado. Uso do tempo do projeto pior do que o esperado.

IDP = VA/VP
VC Variação de Custo Indica se o projeto está abaixo ou acima em relação ao orçamento. Então, se:

VC > 0, o projeto está abaixo do orçamento (economizando dinheiro);

VC = 0, projeto está exatamente dentro do orçamento;

VC < 0, projeto está acima do orçamento (estourado / dando prejuízo).

VC = VA – CR
IDC Índice de Desempenho de Custo Indica com qual eficiência estamos utilizando os recursos do projeto. Então, se:

IDC > 1, projeto está abaixo do orçamento (eficiente). Cada R$ 1,00 gasto gera mais de R$ 1,00 em valor;

IDC = 1, projeto está gastando exatamente o que foi orçado;

IDC < 1, projeto está acima do orçamento (ineficiente). Você está gastando mais para entregar menos.

IDC = VA/CR

Graficamente, temos:

Figura 4 – Gráfico dos índices de análise de desempenho. Fonte: o autor.
Figura 4 – Gráfico dos índices de análise de desempenho. Fonte: o autor.

5.3 Aplicação prática da Análise de Valor Agregado

De posse da EAP, das Células de Controle e do Cronograma, podemos agora aplicar a Análise de Valor Agregado na prática.

Considere a tabela abaixo:

Tabela de referência com os valores planejados por atividade. Fonte: o autor.
Tabela de referência com os valores planejados por atividade. Fonte: o autor.

Se definirmos a data de status no dia 12 (D12) e considerarmos uma distribuição linear do custo, usando percentuais como critério de avanço, teríamos, para o D12, o resultado a seguir:

Atividade VP D12 Progresso Previsto Progresso Real VA D12 CR D12
Escavação R$ 70.000,00 100% 100% 70.000,00 72.000,00
Sapatas R$ 50.000,00 100% 83% 41.250,00 43.250,24
Pilares R$ 120.000,00 100% 89% 106.800,00 102.421,63
Vigas R$ 35.000,00 50,0% 43% 15.050,00 18.023,52
Lajes R$ – 0,00% 0,00% 0,00 0,00
Paredes R$ – 0,00% 0,00% 0,00 0,00
Reboco R$ – 0,00% 0,00% 0,00 0,00
Totais R$ 275.000,00     233.100,00 235.695,39

Exemplificação da determinação das análises e previsões para duas atividades. Fonte: o autor.

Exemplo 1: Escavação

Variação de Prazo – VPr

VPr = VA – VP  →  VPr = 70.000 – 70.000 = 0

Logo: projeto está exatamente no prazo.

Índice de Desempenho de Prazo – IDP

IDP = VA / VP  →  IDP = 70.000 / 70.000 = 1

Logo: projeto está exatamente no prazo.

Variação de Custo – VC

VC = VA – CR  →  VC = 70.000 – 72.000 = -2.000

Logo: projeto está acima do orçamento.

Índice de Desempenho de Custo – IDC

IDC = VA / CR  →  IDC = 70.000 / 72.000 = 0,97

Logo: projeto está acima do orçamento (ineficiente). Você está gastando mais para entregar menos.

Como podemos verificar acima, com relação ao prazo, a atividade de Escavação está conforme o planejado, ou seja, o que foi planejado foi agregado.

Contudo, com relação ao custo, os valores já não apresentam a mesma realidade. Como pode ser visto acima, apesar de a atividade estar no prazo, os custos reais ficaram um pouco acima do planejado.

Isso pode ter ocorrido justamente porque, para manter a atividade dentro do prazo planejado, pode ter sido necessário empregar mais recursos para o atingimento da meta.

Exemplo 2: Pilares

Variação de Prazo – VPr

VPr = VA – VP  →  VPr = 106.800 – 120.000 = -13.200

Logo: projeto está atrasado (entregou menos valor do que o cronograma exigia).

Índice de Desempenho de Prazo – IDP

IDP = VA / VP  →  IDP = 106.800 / 120.000 = 0,89

Logo: projeto atrasado. Uso do tempo do projeto pior do que o esperado.

Variação de Custo – VC

VC = VA – CR  →  VC = 106.800 – 102.421,63 = 4.378,37

Logo: projeto está abaixo do orçamento (economizando dinheiro).

Índice de Desempenho de Custo – IDC

IDC = VA / CR  →  IDC = 106.800 / 102.421,63 = 1,04

Logo: projeto está abaixo do orçamento (eficiente).

Como podemos verificar acima, com relação ao prazo, o projeto apresenta uma situação desfavorável, com a Variação de Prazo (VPr) negativa e o Índice de Desempenho de Prazo (IDP) abaixo de 1. Isso significa que o valor agregado até o momento está abaixo do valor que havia sido planejado, indicando que o projeto está atrasado em relação ao cronograma.

Contudo, com relação ao custo, a situação é diferente. A Variação de Custo (VC) positiva e o Índice de Desempenho de Custo (IDC) acima de 1 indicam que o trabalho realizado está sendo executado com um custo inferior ao planejado.

Essa situação pode ocorrer, por exemplo, quando o projeto está atrasado e, consequentemente, realizou um volume de trabalho menor do que o previsto. Como foi realizado menos trabalho, os custos reais também podem ter ficado abaixo do planejado. Portanto, embora o desempenho de custo seja favorável, isso não significa necessariamente que o projeto esteja economizando, mas que o custo do trabalho efetivamente realizado está abaixo do valor planejado para esse mesmo trabalho.

6. Conclusão

A utilização da Análise de Valor Agregado permite gerar uma grande variedade de análises para o acompanhamento do projeto. Com base no escopo, no cronograma e nos custos, podemos obter uma visão holística do projeto e, dessa forma, traçar objetivos que mantenham o projeto nos trilhos ou estratégias para sua retomada.

O principal objetivo deste artigo foi elucidar aos leitores a importância da utilização do Valor Agregado na gestão de projetos. Certamente, há muito mais a ser estudado, pois essa ferramenta permite realizar diversas outras análises além das apresentadas neste artigo.

E na sua obra, a Análise de Valor Agregado já é utilizada? Compartilhe sua experiência conosco na aba de comentários!

Referências Bibliográficas

VARGAS, Ricardo Viana. Análise de valor agregado: revolucionando o gerenciamento de prazos e custos. 6. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2013.

NOCÊRA, Rosaldo de Jesus. Análise de valor agregado. 5. ed