Mercado da Construção Civil 2021 prevê retomada e aquecimento

Há muitos anos, a construção civil é um dos principais termômetros da economia brasileira, por ser um setor que possui grande capacidade de distribuição de renda no mercado e um dos que mais gera impostos para o país. 
Assim, quanto mais as pessoas e empresas aplicam valores na compra e venda de imóveis, mais aquecido fica o setor da construção civil, e consequentemente o imobiliário.
Desta forma, a economia da cidade, estado e país como um todo torna-se mais pujante, também com a maior geração de empregos vinda deste crescimento e a circulação de ativos.
Acompanhar o mercado da construção civil e suas tendências de crescimento, estagnação ou desaceleração é uma atividade que faz parte da rotina diária de todos aqueles que estão direta e até mesmo indiretamente envolvidos neste setor da economia.

Mercado da Construção Civil 2021

A indústria de construção civil está em franca recuperação, com a melhora nos índices de atividade e do número de empregados.
É o que mostra os dados da recente sondagem da Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI-Construção) apresentou alta de 2,7 pontos no mês de agosto, e atingiu 56,7 pontos.
É a quinta alta consecutiva do índice, que acumula crescimento de 21,9 pontos no período. Com a alta, o ICEI-Construção se distancia de sua média histórica (53,5 pontos) e da linha divisória de 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança.

Recuperação da Construção Civil

Na avaliação do economista aposentado, Gilson Renhe, a economia brasileira começa a apresentar sinais de recuperação, mas não o suficiente para compensar a queda significativa do Produto Interno Bruto (PIB), ocorrida durante o período crítico da pandemia da covid-19.
“Para 2021, o cenário é de continuidade da recuperação da economia, com projeções de crescimento do PIB entre 3% e 4%, segundo o Banco Central e o Ministério da Economia, considerando-se uma volta progressiva dos níveis normais de consumo. Pode haver uma bolha de consumo decorrente da demanda reprimida observada em 2020, a partir da redução do distanciamento social e recuperação do emprego”, destacou.
Conforme Gilson, com a contínua e acentuada queda da taxa Selic, a Caixa Econômica Federal (CEF) e outras instituições financeiras reduziram significativamente as taxas de juros para a carteira imobiliária e até inovaram com a disponibilização de novas linhas de crédito, como a utilização do rendimento da poupança ou variação do IPCA como componentes para a determinação da taxa de juro, favorecendo a aquisição de imóveis pelo Sistema Financeiro Imobiliário.
“A abstenção de consumo (poupança) e queda da taxa de juros, embora não com exclusividade, foram suficientes para tornarem o mercado imobiliário mais saudável neste ano de 2020 e estimularem o crescimento da construção civil. Esse acentuado crescimento do mercado imobiliário denota que o brasileiro está reaprendendo a investir em imóveis, evidenciando uma tendência de contínuo crescimento do mercado de construção civil, haja vista o acentuado déficit habitacional existente no país”, detalhou.
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O diretor da Ilhe Engenharia, Ludwig Ilhe (foto acima), lembra que durante o período da pandemia o setor de construção civil não parou, já que foi considerado como serviço essencial pelo governo.
“Na construção civil, não paramos as obras no decorrer da pandemia. Nós tomamos todas as precauções e todos os cuidados necessários. No entanto, com a campanha ‘Fique em Casa’, tivemos um pouco de dificuldade com a  falta de mão de obra, porque com o auxílio emergencial do governo, o pai de família que viesse trabalhar como pedreiro ou carpinteiro nas obras perdia o seu auxílio.”

Intenção de investir volta a crescer

Os índices de expectativa variaram pouco no mês, entre queda de 0,3 ponto e alta de 0,8 ponto.
Todos os índices permanecem acima da linha divisória de 50 pontos, indicando que os empresários da indústria da construção mantêm o sentimento de otimismo.
Os indicadores de expectativas do nível de atividade e de novos empreendimentos e serviços registraram 55,4 e 54,8 pontos.
Os indicadores de expectativas de compras de insumos e matérias primas atingiu 55 pontos no mês. Já o índice de expectativa de número de empregados, por sua vez, ficou em 54,7 pontos.
A intenção de investir do empresário da construção aumentou em novembro.
O índice de intenção de investimento registrou 42,4 pontos em novembro, uma alta de 1,5 ponto em relação a outubro.
Essa alta retoma sequência de altas que havia sido interrompida no mês anterior; o índice havia crescido por quatro meses consecutivos antes de registrar queda em outubro. O índice segue acima de sua média histórica de 34,4 pontos.

Recuperação por conta do Covid 19 é heterogênea

Em setembro de 2020, a indústria de transformação reverteu totalmente toda a queda acumulada em março e abril de 2020.
Em abril, a produção da indústria de transformação (PIMPF/IBGE) estava 31,3% abaixo do registrado em fevereiro. A partir de maio, foram cinco altas consecutivas.
A alta na passagem de agosto para setembro foi de 3,9%, que levou a produção industrial a situar-se 1,1% acima do registrado em fevereiro de 2020, ou seja, antes do choque trazido pela pandemia de Covid-19.
O faturamento da indústria de transformação também já superou o patamar anterior à crise. De fato, até mais cedo que a produção.
Em agosto, o índice de faturamento real dessazonalizado do Indicadores Industriais da CNI ultrapassou o valor registrado em fevereiro.
Após queda em março e abril, o faturamento ficou 24,6% abaixo do registrado em fevereiro. A partir de então a recuperação foi rápida. O faturamento real de setembro de 2020 é 6,1% superior ao registrado em fevereiro.
Em ambos os casos – produção e faturamento –, a média do ano continua abaixo da média de 2019. No acumulado janeirosetembro, a produção industrial se encontra 8,2% abaixo da média de igual período de 2019.
No caso do faturamento, a média está 1,7% inferior ao registrado em igual período de 2019.
O faturamento real da Indústria, por sua vez, deverá fechar o ano no positivo, com o valor médio acima do registrado no ano passado.
Com a retomada mais rápida que esperada, os baixos estoques contribuíram para intensificar a desestruturação das cadeias de produção.
Com capacidade de resposta (ou seja, de aumento da produção) diferentes, as empresas industriais passaram a ter dificuldade de acesso a insumos e matérias-primas e de atender a demanda de seus clientes.
Não fosse a dificuldade em se obter insumos e matérias-primas, o crescimento da produção industrial seria ainda maior. Na esteira da recuperação da atividade industrial, o emprego industrial passou a crescer em agosto. 
Como usual, há certa defasagem entre a dinâmica da produção e seus efeitos no emprego; especialmente em um cenário tão incerto como o atual.

Sustentabilidade é a grande tendência

Uma tendência muito forte para o Mercado da Construção Civil 2021, considerando o grande potencial de crescimento do setor, é a sustentabilidade dos negócios.
A utilização mais comum do termo está atrelada ao meio ambiente e a promover ações cada vez mais amigáveis, prezando pelo uso de energias renováveis, pela economia de água e luz e pelo desenvolvimento e utilização de materiais menos poluentes e que auxiliem nestes objetivos dentro das obras.
Assim, recomendamos que você esteja sempre atento ao seu planejamento financeiro, e que possa acompanhar os desdobramentos dele ao longo dos meses.

Construção civil em Florianópolis se recupera da crise e foca na inovação

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O setor da construção civil da Grande Florianópolis já se recuperou da crise. A afirmação é do novo presidente do Sindicato da Construção Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon), Marco Aurélio Alberton. “O setor tem caminhado para um cenário de expansão. Já houve a recuperação da pandemia. As empresas estão buscando inovação para melhorar a produtividade”, destaca Alberton.

O segmento precisou se adaptar para enfrentar a pandemia. As empresas se reestruturaram. “Seguimos um rígido protocolo de segurança. Os nossos trabalhadores têm medição de temperatura, praticam o distanciamento social e seguem todos os protocolos”, afirma o dirigente.

Um sinal da recuperação da atividade é que há falta de materiais de construção no mercado.

Mudança

Os imóveis estão menores e os novos lançamentos vão nessa linha. Os apartamentos estão com metragem menor porque as famílias estão mais reduzidas. Hoje são muitos casais com menos filhos, um só filho e com animais de estimação. O mercado está voltado a este perfil.

Compliance Sindical

O Sinduscon completou na 40 anos na última sexta-feira (20). O primeiro ato da nova gestão da entidade foi assinar um projeto junto à Fiesc do Compliance Sindical. “Nós atuamos defendendo o que é correto, defendemos o setor legal e que gera emprego. Não desejamos estar destruindo a natureza. Todas as nossas empresas associadas aprovam seus projetos nos órgãos competentes, fazem as licenças ambientais e têm seus funcionários legalizados”, finaliza Alberton.

Confira a entrevista com o presidente do Sinduscon Grande Florianópolis, Marco Aurélio Alberton, ao programa Condomínio Legal da Rádio CBN Diário:

GO – Indústria e construção civil lideram na geração de novas vagas aponta Caged

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Goiás registrou saldo positivo de 8.805 empregos com carteira de trabalho assinada em outubro é o que registrou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão do Ministério da Economia. O boletim , divulgado nesta quinta-feira, 26, referente ao mes de outubro, o Estado recupera os empregos perdidos nos meses mais críticos da pandemia – março, abril e junho –, quando sofreu queda de 30.211 vagas. Somente a soma do saldos positivos alcançados nos meses de julho, agosto, setembro e outubro atinge a marca de 33.310 empregos. No período de janeiro a outubro, o saldo dos empregos em Goiás é de 22.550 vagas de trabalho formal, o que coloca o Estado na quinta posição nacional. O saldo de 8.805 empregos é o resultado de 49.753 admissões contra 40.948 desligamentos. No Brasil, esse índice total entre janeiro e outubro também é positivo: de 394.989 novas vagas de trabalho. Em 2019, nesse mesmo período, o saldo era de 70.852. Ainda conforme aponta o Caged, a indústria de Goiás segue puxando a recuperação da economia e gerando emprego. Os dados mostram no painel por setores da economia que o setor industrial produziu um saldo de 13.214 postos de trabalho entre janeiro e outubro, o que ajudou sobremaneira na recuperação dos empregos perdidos com a pandemia. Na segunda posição por setor aparece a construção civil, com 8.954 vagas de empregos criadas nesse período, seguida pela agropecuária, com 5.758 novas vagas. Comércio e serviços ainda estão em processo de recuperação com -1.495 e -3.881, respectivamente. No entanto, os números para esses dois setores são positivos no mês de outubro, com saldos de 3.724 (comércio) e 3.244 (serviços). O balanço positivo reflete diretamente as ações desenvolvidas pelo Estado durante a pandemia. O governador Ronaldo Caiado observou que, mais que cuidar da saúde dos goianos, foi possível garantir a oferta da principal política social, que é o emprego. “Nosso plano de governo é: salvar vidas, resgatar empregos, cuidar das famílias mais vulneráveis e ter uma visão social para as pessoas, tanto aquelas que já viviam em situações difíceis como as que perderam emprego e renda”, relatou. O secretário de Indústria, Comércio e Serviços do Governo de Goiás, Adonídio Neto, comemorou os números e disse que os desafios impostos pela pandemia da Covid-19 estão sendo superados com muito trabalho e dedicação. “Vamos sair da crise ainda este ano. Estamos focados em recuperar os empregos perdidos pela pandemia e com certeza em 2021 os indicadores serão ainda melhores”, disse.

Contramão da pandemia: juros baixos e isolamento social turbinam mercado imobiliário

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Em tempos de pandemia, afetando saúde e economia, com queda brutal de empregos, renda e faturamento em diversas atividades, alguns setores parecem nadar contra a maré da retração. É o caso do mercado de imóveis, cujos indicadores não param de melhorar, mesmo após a chegada ao país da Covid-19.

Pesquisa divulgada na semana passada pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), por exemplo, mostra que, em maio, os financiamentos para a compra e a construção de imóveis somaram R$ 7,13 bilhões no país, crescimento de 6,5% na comparação com abril e de 8,2% frente a maio de 2019.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Entre janeiro a maio deste ano, os empréstimos totalizaram R$ 34,08 bilhões, expansão de 23,2% em comparação com esses mesmos meses do último período. Já no acumulado de 12 meses (junho de 2019 a maio de 2020), o crédito alcançou R$ 85,13 bilhões, com alta de 30,5% em relação ao apurado nos 12 meses anteriores

Na capital mineira e em Nova Lima, também há aumento expressivo nas negociações. Levantamento divulgado em junho pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG) apontou que, de janeiro a abril – portanto, já contabilizando os efeitos da pandemia da Covid-19, iniciada em março –, as vendas de apartamentos cresceram 14,62%, em relação a igual período o ano passado. Na mesma base de comparação, os lançamentos apresentaram incremento superior a 100%.

O destaque, especificamente em abril, foi para a comercialização de imóveis novos de padrão standard (de R$215 mil até R$400mil), que subiu quase 20% em relação a março, e de padrão médio (de R$400 mil até R$700 mil), com alta de 5,412%.

Segundo o advogado Kenio Pereira, presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG e especialista de ampla atuação no setor, o aquecimento, mesmo em meio à grave crise sanitária e econômica, não é algo contraditório ou surpreendente, como possa parecer. 
“A Selic, que já vinha caindo para favorecer a retomada econômica, despencou ainda mais por causa da pandemia, chegando a 2,25% ao ano e inviabilizando aplicações financeiras, sendo que muitas passaram a ter rentabilidade negativa. Investimentos de risco como a bolsa pouca gente se aventura a fazer. O caminho, portanto, são os imóveis”, diz ele.

De acordo com o advogado, além de serem ativos bem mais seguros para o investidor, casas e apartamentos novos ou usados têm sido mais comercializados também em razão de questões comportamentais. 

“As pessoas têm mudado a forma de lidar com algumas questões na pandemia. Por exemplo, com o home office, fruto do isolamento social, muita gente começou a procurar residências com espaços que atendam a essa demanda”, disse, lembrando que imóveis com áreas descobertas, onde o morador pode tomar sol e respirar, também têm merecido maior procura.

Segurança financeira e efeitos da quarentena motivam negócios

A conjugação entre a taxa de juros básicos da economia mais baixa da série histórica brasileira (2,25%), o que torna nada atraentes as aplicações financeiras tradicionais, e os efeitos da pandemia da Covid-19, alterando comportamentos sociais, explica, em boa parte, o “boom” vivido pelo mercado imobiliário.

A advogada Maria Luísa Lacerda Barbosa foi uma das muitas pessoas a adquirir casas e apartamentos em Belo Horizonte, mesmo após o início da crise do coronavírus. 

Em março, ela e o pai, de quem é sócia em operações no segmento de imóveis, fecharam negócio na cobertura de uma viúva, no bairro Buritis, região Oeste da cidade.

A motivação para isso em pleno período de retração econômica, além de engrossar a carteira de imóveis de ambos, foi escapar da baixa atratividade das demais alternativas de investimento. “Como está muito reduzido ou até negativo o rendimento da aplicação, temos direcionados os recursos à aquisição desses bens”, disse ela. “Cobertura nem é o melhor investimento para quem quer alugar o imóvel, mas o negócio foi uma oportunidade de proteger nosso capital”, acrescentou.

Já o empresário Pedro Henrique Boaventura, de 39 anos, que comprou um apartamento “top house” também no Buritis, na semana passada, aliou a preocupação em não perder dinheiro durante a crise ao desejo de adaptar-se melhor, junto com a família, aos impactos da Covid-19 sobre as relações sociais e de trabalho. 

Para isso, pagou metade do valor do imóvel à vista e financiou o restante em 120 meses, em condições “bastante favoráveis” oferecidas pela Caixa. “Parece contraditório fazer algo assim, no momento que estamos vivendo, mas, tanto por questões econômicas quanto pessoais, fechei o negócio. E olha que o preço nem foi tão atrativo ou mais baixo que o normal”, contou. 

“No caso, o imóvel representa uma segurança para meu dinheiro. Além disso, é espaçoso, fica perto do meu trabalho e conta com uma boa área de lazer para mim e para meus familiares, nesses tempos de quarentena e de distanciamento social”, concluiu.

Para aquecer ainda mais o setor, a Caixa, que responde por 70% do crédito imobiliário no país, lançou, na quinta-feira, um pacote de ações de incentivo – da implantação do registro eletrônico de escrituras ao financiamento de impostos e taxas na compra dos bens. 
“São medidas objetivas para atender as demandas do segmento, que analisamos e vimos que temos capacidade para atender matematicamente, como sempre fazemos”, disse o presidente da instituição, Pedro Guimarães.

1930: Construindo a Golden Gate Bridge – São Francisco, Califórnia

1935 - A man standing on the first cables during the construction of the Golden Gate Bridge, with the Presidio and San Francisco in the background.
1935 – Um homem de pé sobre os primeiros cabos durante a construção da ponte Golden Gate, com o Presidio e San Francisco no fundo.

“Um monumento perpétuo que fará o nome dessa cidade circular pelo mundo e renovar a mágica fama que o Golden Gate desfrutou nos dias dos anos 49.”

– S.F. EXAMINER EDITORIAL, MARCH 24, 1925

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Novembro 1934 – Um cargueiro segue para o mar onde futuramente seria a Golden Gate
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1935 – Homens trabalhando na torre sul.

Ondas fortes, redemoinhos, águas profundas, ventos forte e nevoeiro – engenheiros experientes argumentaram que tais condições significavam que a construção da Golden Gate era impossível ou proibidamente caro. Mas um engenheiro tomou uma posição diferente.

Joseph Strauss era um especialista em pontes levadiça sem experiência em projetos de grande escala, mesmo assim ele apresentou planos para uma ponte que poderia ser construída por 1/4 do valor geralmente aceito. Ele sugeriu que a ponte se pagaria com pedágio sozinha. Em dezembro de 1922, o projeto de Strauss foi prontamente aceito pelas autoridades da cidade.

Seis anos de ações legais se passaram lideradas pelas empresas de Ferry que tinham controle exclusivo dos transportes entre San Francisco e Marin Country. Essa era a sua força, mas também a sua queda. Em 1928, o congestionamento do tráfego nas docas de Ferry tinham se tornado incontroláveis. A batalha estava perdida.

A construção começou em 5 de janeiro de 1933. Strauss, extremamente consciente com a segurança, insistiu que todos os trabalhadores usassem capacetes óculos de proteção anti-reflexo, cordas de segurança e creme no rosto e nas mãos para proteger do vento. Eles ainda tiveram uma dieta especial para aliviar a tontura.

Vista da rede de proteção aos trabalhadores da Golden Gate
Vista da rede de proteção aos trabalhadores da Golden Gate

Mas o dispositivo de segurança mais óbvio foi a enorme rede instalada debaixo da ponte. Isso salvou a vida de 19 homens, que posteriormente formaram o clube “Halfway to Hell” (em tradução direta, “Metade do caminho para o inferno”). O clube tinha seu próprio papel timbrado, com um sorriso, reclinando o trabalhador em uma rede.

Papel timbrado do Halfway to hell club
Papel timbrado do Halfway to hell club

Nem todos tiveram a mesma sorte. Onze homens morreram durante a construção – dos quais, dez morreram em um único acidente, quando o pedaço do andaime em que estavam trabalhando caiu. Travado pela rede, o peso do andaime causou a falha do sistema de segurança.

A marinha dos Estados Unidos pressionou para que a ponte fosse pintada com listras pretas e amarelas para ajudar a visibilidade na neblina; a Companhia Área de Forças Armas, uma listra vermelha e branca. Quando as ferragens da ponte chegaram, tinham sido pintadas com uma cartilha vermelha para protegê-la da corrosão. O arquiteto consultor, Irving Morrow, adorou a cor e propôs que a ponte fosse pintada em um tom semelhante, escrevendo um relatório de 29 páginas explicando suas razões.

A ponte foi concluída antes do previsto e 1,3 milhões dólares abaixo do orçamento, quando abriu em 27 de maio de 1937. Ela tinha o maior vão principal por ponte suspensa do mundo, com 1.300 metros (4.200 pés) de recorde, ela resistiu por quase 30 anos.

19 de setembro de 1935 - Um trabalhador subindo um das passarelas que estavam sendo construídas para sustentar os cabos
19 de setembro de 1935 – Um trabalhador subindo um das passarelas que estavam sendo construídas para sustentar os cabos
1935 - Vista da torre sul.
1935 – Vista da torre sul.
Outubro de 1935 - Dois homens trabalhando nos cabos da torre.
Outubro de 1935 – Dois homens trabalhando nos cabos da torre.
Outubro de 1935 - Vista de uma das torres da ponte.
Outubro de 1935 – Vista de uma das torres da ponte.
29 de outubro de 1936 - Montagem da estrutura do asfalto.
29 de outubro de 1936 – Montagem da estrutura do asfalto.
1936 - Vista dos trabalhadores na construção dos cabos
1936 – Vista dos trabalhadores na construção dos cabos
1937 - Vista dos trabalhadores na construção dos cabos
1937 – Vista dos trabalhadores na construção dos cabos
Setembro de 1936 - Vista dos turistas durante a construção da ponte em um barco.
Setembro de 1936 – Vista dos turistas durante a construção da ponte em um barco.
Outubro de 1936 - Um trabalhador caminha sobre o dique que liga Fort Point para a torre sul.
Outubro de 1936 – Um trabalhador caminha sobre o dique que liga Fort Point para a torre sul.
1936 - Vista dos pescadores na Baker Beach.
1936 – Vista dos pescadores na Baker Beach.
1936 - Um navio de guerra da Marinha dos EUA cruzeiros sob os cabos da ponte durante a construção.
1936 – Um navio de guerra da Marinha dos EUA cruzeiros sob os cabos da ponte durante a construção.
1937- Vista da Crissy Field no Presidio, com o leito da estrada que está sendo instalado.
1937- Vista da Crissy Field no Presidio, com o leito da estrada que está sendo instalado.
“Duzentos e cinquenta e pombos-correio, fornecidos pelo Clube de Corrida de Pombo de San Francisco para levar a mensagem de inovador para todos os cantos da Califórnia, ficaram tão assustados pela massa humana de afluência que meninos pequenos tiveram que rastejar em seus compartimentos na réplica de ponte para enxotar-los com varas.”

– SAN FRANCISCO NEWSPAPER, 1937

27 de maio de 1937 - Abertura da ponte para os pedestres.
27 de maio de 1937 – Abertura da ponte para os pedestres.
1937 - Abertura oficial para carros.
1937 – Abertura oficial para carros.
Esta ponte não precisa de louvor, elogio nem encômio. Ele fala por si. Nós, que temos trabalhado muito estamos gratos. O que a natureza rasgou em pedaços há muito tempo, o homem juntou hoje.

J. STRAUSS NO DIA DA ABERTURA, 1937

Gate-19
08 de junho de 1937 – A abertura da ponte ao tráfego.
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29 de maio de 1937 – A festa de inauguração oficial, com luzes e fogos de artifício.

O Brasil que não parou

Em meio ao isolamento e à ameaça de uma profunda crise econômica e social, dois setores se planejaram, mantiveram as atividades e estão sendo responsáveis por amenizar os impactos do novo coronavírus no Brasil: o agronegócio e a construção civil. O agronegócio, segmento que sempre foi protagonista na economia, está ativo e, com isso, as famílias brasileiras continuam com alimento na mesa. Mais do que isso: o país permanece abastecendo o mundo, causando reflexo positivo para a atividade econômica.

De acordo com Pineda, o agro brasileiro continua vendendo 80% da soja para a China, e segue sendo o maior exportador de carne. “O setor sempre foi o protagonista da economia, por ser o responsável pelo superávit da balança comercial. Em um momento de crise, com o fechamento do comércio e a paralisação da prestação dos serviços, o agro é a esperança de que a economia brasileira siga funcionando”, disse.

Se, por um lado, o agronegócio ainda garante estabilidade econômica; por outro, gera conforto para a população brasileira neste momento delicado. A advogada destaca que ainda não há uma percepção geral da importância em acompanhar essa cadeia, em função de 85% das pessoas viverem nas cidades. No entanto, Pineda destaca que é devido à atuação do agro que há a possibilidade de quarentena, uma vez que não há risco de desabastecimento dos mercados.

Até agora, o maior impacto aconteceu no setor da cana de açúcar, por conta da queda do consumo de etanol. Outro baque pode vir das exportações, uma vez que os países asiáticos são grandes consumidores de produtos brasileiros, assim como a Europa e os EUA. No entanto, Samanta Pineda destaca que o Ministério da Agricultura tem trabalhado com habilidade, em contato com os compradores e repensando prazos e formas de contratação.

Especialista em direito socioambiental pela PUC do Paraná, a advogada destacou a importância de acompanhar as ações durante o surto, uma vez que há decisões diárias desde o início da epidemia no Brasil. “A gente percebe que muitas medidas vem sendo tomadas diariamente. O Ministério da Agricultura criou o comitê de gerenciamento de crise, que vai desde a parte de manter o produtor rural no campo, produzindo o que é essencial para o consumidor; até a logística, para que não haja desabastecimento. Toda a cadeia produtiva vem sendo contemplada por medidas governamentais para garantir uma quarentena segura”, disse, ressaltando que o agro está na lista de serviços considerados essenciais.

Financiamento é obstáculo

O diretor da Fiagril, Luiz Gustavo Silva, destacou as medidas que a empresa, uma das maiores do setor, adotou desde o início da crise. A sede, no Cuiabá, está fechada, com 100% dos funcionários trabalhando em esquema de home office. As lojas estão com o menor número de pessoas possível, apenas em atividades necessárias – como a emissão de nota fiscal, por exemplo. Os funcionários da linha de frente estão recebendo todo o material recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como máscaras e álcool em gel. O empresário destacou que o trabalho virtual não impediu as atividades. “Continuamos a financiar o produtor com insumos, fertilizantes, sementes e químicos. Estamos funcionando da mesma forma. A diferença é que antes, tudo era muito presencial, e agora estamos fazendo os negócios por telefone”, disse.

Luiz Gustavo afirmou que a pandemia do novo coronavírus impõe alguns desafios para o agro no país. Um deles é a questão logística, que é feita majoritariamente por via terrestre. Até agora, não há grandes entraves: as estradas estão liberadas para o trânsito de produtos e os restaurantes e lojas de conveniência estão abertos, garantindo suporte e comodidade para os caminhoneiros. No entanto, a questão está sendo monitorada com muita atenção.

O principal desafio, no entanto, é a questão do crédito e do financiamento. “Todo o agro é financiado por instituições financeiras. Estamos falando de 15% do Produto Interno Bruto só na parte de grãos. Estamos aguardando o apoio dos grandes bancos para poder suportar a demanda financeira que temos do financiamento da safra”, disse Luiz Gustavo Silva.

Em São Paulo, construção civil avança

Utilizando os protocolos estabelecidos pela OMS, o setor de construção civil em São Paulo também não parou. No maior Estado do país, há cerca de 40 mil unidades em obras. Os funcionários com mais de 60 anos foram afastados; os horários são flexíveis, para não haver contato; e os profissionais estão espaçados. Outras funções estão sendo exercidas de maneira remota, como o Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais (Graprohab), órgão que é responsável por aprovar loteamentos, empreendimentos, conjuntos e condomínios.

Segundo o Secretário de Habitação do Estado, Flávio Amary, as medidas permitiram a continuidade dos trabalhos, de acordo com as recomendações das autoridades. “As obras continuam, seguindo todas as determinações estabelecidas pelos órgãos de saúde. Continuamos entregando casas, de forma administrativa, sem festividade”, afirmou.

A digitalização do gerenciamento na engenharia e a redução dos riscos

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Ninguém tem sistemas apenas por ter, as empresas não gastam milhões em ERPs ou CRMs reconhecidos só porque estão na moda. A decisão de adotar um sistema contábil de milhões, no lugar de outro que seja centenas de vezes mais barato, tem uma razão, principalmente quando a escolha é tomada por empresas reconhecidamente eficientes e que não gostam de perder dinheiro.
Já no mundo da engenharia, a implantação de sistemas de gerenciamento traz economia no processo realizado de forma manual. Mas, vale a pergunta é: por que se gerencia? A resposta, normalmente, é: para ter controlar e, ou garantir o prazo, o custo e a qualidade da execução. De forma mais simplificada, busca-se gerenciar e mitigar o risco.

Todo sistema para gestão de engenharia, qualquer que seja a fase do empreendimento, tem um custo que pode variar muito em função da complexidade da solução adotada. É muito importante, para uma decisão adequada, entender os reais motivos de sua implantação.

Dentro deste contexto, podemos pensar em dar um passo além e refletir como digitalizar o processo de gerenciamento de engenharia e da gestão de risco. Fazer isto é um pouco diferente de apenas implantar um sistema, pois pressupõe revisar os processos e procedimentos, incorporando à análise todas as tecnologias atuais.

Hoje, um sistema de gerenciamento de engenharia envolve a gestão de documentos e processos, tecnologia mobile, captura de realidade com laser, drones e fotos, monitoramento por meio de IoTs (Internet das Coisas) e estações robóticas, Inteligência Artificial e BI (Business Intelligence). O BIM (Building Information Modeling) é um dos componentes que reúne todos esses itens, é o lugar geométrico e o processo, ou seja, o conceito da gestão vai bem além.

Com esta visão, a importância de um sistema de gerenciamento de engenharia cresce de forma exponencial, pois ele pode ser catalizador para mais investimentos, para reduzir o custo do capital e, até mesmo, viabilizar projetos atualmente inviáveis. É o valor de reduzir o risco de uma atividade que precisa de capital e que não está com um bom histórico recente. É algo que pode ajudar o País a decolar, aproveitando a boa maré de investimentos marcados para 2020.

SIECON é fundamental para gestão integrada de obras públicas

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Com mais de 27 anos de mercado, a JZ Engenharia soma grande número de serviços de qualidade em obras de:

• Construção leve e pesada
• Execução de edifícios industriais e institucionais
• Terminais de ônibus e metrô
• Terraplanagem e infraestruturas
• Estradas, viadutos e pistas de alto desempenho
• Grandes projetos de recuperação ambiental e de restauro

DESAFIO

Um dos grandes desafios para lidar com obras públicas é o fato de serem licitadas com projeto básico, o que acarreta em muitas alterações e adequações. Além disso, há características atípicas que influenciam no escopo de serviços, exigindo dessa forma uma atenção redobrada dos gestores.

Daí a necessidade de ter informações rápidas e precisas para tomadas de decisões mais seguras.

“Precisávamos de um software de gestão integrada que melhorasse os processos de orçamento executivo, planejamento, controle, suprimentos e produção, além de obter informações em alto nível para as tomadas de decisão por parte da diretoria da empresa”, relata o engenheiro Jânio Mitsuyuki Sato, gerente de planejamento da JZ Engenharia.

De acordo com o profissional, a empresa utilizava um software local para consolidar as informações em planilhas eletrônicas e outros programas mais específicos.

“O grande problema é que sempre havia a necessidade de buscar as informações em cada setor, ou seja, elas não eram geradas automaticamente”, complementa Jânio.

SOLUÇÃO

Sempre investindo em novas tecnologias, a JZ Engenharia buscou um ERP para atender de maneira ainda mais efetiva as necessidades do mercado. Dessa forma, a partir de 2007, a empresa passou a utilizar o SIECON, da Poliview. Trata-se de um sistema integrado e especializado em Engenharia Civil, Construção e Incorporação.

“SIECON, sem dúvidas, permitiu à JZ Engenharia agilizar os trâmites dos processos entre os departamentos. Com essa ferramenta, também foi possível emitir relatórios comparativos mais detalhados entre custos e receitas”, conta o engenheiro.

O sistema atende os processos da empresa por meio dos módulos de custos, orçamentos, suprimentos, financeiros e contrato de serviços. Dessa forma, garante total segurança e controle de informações na gestão de grandes obras sob responsabilidade da empresa, proveniente das prefeituras municipais de São Paulo, Guarulhos, Barueri e Sertãozinho; CDHU; CPTM; Metrô; e outras.

Obras públicas - JZ Engenharia - SIECON

“Além de ser um sistema muito eficiente, o SIECON conta com setor de desenvolvimento que busca novas melhorias para manter a JZ Engenharia atualizada no mercado”, completa Jânio.

DESCRIÇÃO DO PRODUTO

SIECON, da Poliview, abrange desde a Análise de Viabilidade Econômica e Financeira do Empreendimento, passando pelas áreas de Engenharia, Suprimentos, Finanças, Comercial e Contábil-Fiscal, CRM, Recursos Humanos, Business Intelligence, Qualidade, Gestão de Frotas, dentre outros, sendo viável a empresas de pequeno, médio e grande portes.

Como é que a China conseguiu fazer recuar o Covid-19

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O cenário é cada vez mais complicado em relação ao novo coronavírus no continente europeu. Itália e Espanha são neste momento os casos que mais preocupam as autoridades mas a situação é tão volátil que a qualquer momento os números podem disparar noutros países. Nesta quinta-feira, o número de infetados subiu para os 19 no Luxemburgo e para os 78 em Portugal aprofundando o debate na sociedade sobre a gestão política desta crise. No Grão-Ducado, quase um em cada dois residentes no Luxemburgo desconfia da estratégia do governo para enfrentar o novo coronavírus. Em Portugal, são muitas as críticas à decisão do executivo de António Costa de manter as escolas abertas.

Mas a China, onde surgiu o vírus COVID-19 que provocou 3196 mortos e 80793 infetados, registava esta quinta-feira apenas 15 novos casos de infeção, muito longe dos 15 mil novos casos que se anunciavam num dia como hoje há um mês. As taxas de contaminação no gigante asiático têm diminuído gradualmente nas últimas semanas e, neste momento, apenas permanece um último foco na província de Hubei onde tudo surgiu. Com a regressão dos casos ativos, 11 dos 14 hospitais temporários que foram construídos na cidade de Wuhan em apenas dez dias para tratar pacientes com o novo coronavírus estão agora encerrados. Agora, a prioridade das autoridades chinesas é evitar a importação de casos do exterior do país à medida que a epidemia se estende pelo planeta.

China ajuda Itália

A batalha que se trava em Itália recebeu um inesperado aliado. Quando Roma pediu para ativar o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia para o fornecimento de equipamentos médicos de proteção individual nenhum país respondeu ao apelo da Comissão Europeia. Foi a China que acudiu ao desespero das autoridades italianas com material e especialistas.

De acordo com a agência italiana ANSA, Pequim vai enviar mil ventiladores pulmonares, dois milhões de máscaras, entre elas, 100 mil de alta tecnologia, e uma equipa de médicos e outros materiais de saúde. Na terça-feira, o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, manteve uma conversa com o seu homólogo chinês, Wang Yi, para discutir o assunto. Por sua vez, Yi expressou as mais profundas condolências em nome do seu país pela situação em Itália.

A batalha que mudou o curso da epidemia

Com uma das mais duras crises na história deste país desde a revolução em 1949, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não poupa elogios à atuação das autoridades chinesas perante o novo coronavírus. “A China mudou o curso do surto dentro do país. O que era um crescimento rápido, estabilizou e começou a descer mais depressa do que alguém pode esperar quando se observa a dinâmica natural neste tipo de situações. Centenas de milhares de casos foram evitados na China graças a esta intervenção agressiva”, afirmou na semana passada Bruce Aylward, chefe da missão de especialistas da OMS naquele país, de acordo com a SER.

O epidemiologista canadiano visitou várias cidades do país asiático para conhecer em primeira mão a evolução do surto e reconheceu que não tinha visto nada igual em 30 anos de carreira. “É o resultado da aplicação do que alguns consideram ser padrões antigos e básicos de saúde pública com um rigor de uma forma nunca antes vista na história. Basicamente o que eles têm feito é encontrar casos de contágio, isolá-los e aplicar limitações ao movimento”. 

Depois de acompanhar de perto o combate ao surto, Bruce Aylward apontou categoricamente, segundo a SER, que o resto do mundo ainda “não está pronto” para conter a epidemia. O especialista da OMS mostrou-se positivo e pensa que ainda há tempo “se houver uma mudança de mentalidade sobre como vamos gerir a doença”. Para isso, incentiva a seguir os passos da China: “Quantos países têm planos para ter camas hospitalares, ventiladores, fornecimento de oxigénio, capacidade laboratorial”, questionou.

O facto é que, de acordo com o responsável da OMS, a China deu uma lição ao mundo e demonstrou que as dúvidas sobre a capacidade do gigante asiático em conter o surto eram infundadas. “A novidade e a nossa compreensão, em constante evolução, sobre a natureza deste coronavírus exige uma tremenda agilidade na nossa capacidade de nos adaptarmos rapidamente e de mudarmos a nossa preparação e a nossa planificação para dar resposta, como tem sido feito continuamente na China. É um feito extraordinário para um país de 1,4 mil milhões de pessoas”.

As cinco estratégias fundamentais para fazer recuar o vírus

De acordo com Bruce Aylward, são cinco as estratégias postas em práticas por Pequim que foram fundamentais para debelar o surto. Em primeiro lugar, as restrições impostas à maioria dos movimentos em Wuhan, o epicentro do surto. O encerramento de fábricas e o regresso faseado da produção é apontado como outra das medidas importantes. Investigar e intervir em cada foco ajudou a combater o alastramento do vírus assim como a construção de hospitais especializados na luta contra o Covid-19 a par de um acompanhamento científico “muito ágil”.

Num relatório sobre a China, a OMS elogiou “a notável rapidez com que cientistas chineses e especialistas em saúde pública isolaram o vírus causal e estabeleceram ferramentas de diagnóstico e determinaram parâmetros-chave de transmissão, bem como a rota de propagação e o período de incubação, fornecendo a base de evidências vitais para a estratégia da China e ganhando tempo inestimável para a resposta”. 

O relatório também destaca a boa organização na execução de todo o protocolo. “As estruturas de resposta na China foram rapidamente implementadas de acordo com os planos de emergência existentes e alinhadas de cima para baixo. Isto foi repetido em todos os quatro níveis de governo: nacional, regional, distrital e local.

Europa só deve conter surto em junho

A Economist Intelligence Unit (EIU), ligada à revista The Economist, que realiza previsões, investigações e análises económicas, publicou as novas previsões em que projeta limites no tempo para a expansão do novo coronavírus. O relatório da EIU prevê que a China tenha o Covid-19 sob controlo até ao fim de março. Já o resto do hemisfério norte só vai conseguir controlar a doença no fim de junho. Para o hemisfério sul, a estimativa aponta para o fim de setembro. “Esperamos que o vírus ressurja como um vírus sazonal mas os governos estarão mais bem preparados para gerir o seu regresso”, acrescenta a publicação assinada por Fiona Mackie, diretora da consultora para a América Latina e Caribe.

SindusCon-SP e Sintracon-SP acertam medidas trabalhistas para enfrentar o coronavírus

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O presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Construção), Odair Senra, e o presidente do Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo), Antonio de Souza Ramalho, firmaram em 20 de março um aditivo à Convenção Coletiva do setor, para autorizar as empresas da categoria a adotarem uma série de medidas diante da epidemia provocada pelo novo coronavírus.

O aditivo abrange todos os empregados integrantes das categorias profissionais representadas pelo Sintracon-SP nos municípios de São Paulo, Itapecerica da Serra, Taboão da Serra, Embu, Embu Guaçu, Franco da Rocha, Mairiporã, Caieiras, Juquitiba, Francisco Morato e São Lourenço da Serra. As disposições do acordo valem até 30 de junho e, caso o estado de emergência persista após esse prazo será discutida a sua prorrogação, conforme as orientações governamentais futuras.

Pelo aditivo, as empresas ficam autorizadas a:

  • flexibilizarem a jornada de trabalho, alterando horários de entrada e saída, reduzindo a jornada com observância dos limites constitucionais e legais, implantando turnos com horários diferenciados para almoço e para utilização dos vestiários, tudo com o intuito de evitar a aglomeração nos transportes públicos e nos canteiros de obras;
  • concederem férias coletivas ou individuais, sem a necessidade de pré-aviso com 30 dias de antecedência e/ou notificação com 15 dias de antecedência para a Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia e para o sindicato dos trabalhadores. O empregador deverá notificar o trabalhador, a Secretaria do Trabalho e o sindicato dos trabalhadores com dois dias de antecedência do início das férias coletivas. Ocorrendo afastamento em férias imediato, as empresas poderão indenizar ou abonar os trabalhadores pelos dias correspondentes. As férias poderão ser iniciadas em qualquer dia da semana. E poderão ser antecipadas mesmo para os trabalhadores que não completaram o período aquisitivo;
  • suspender as suas atividades, total ou parcialmente, em todos ou em parte de seus estabelecimentos ou unidades de trabalho, com a possibilidade de compensação futura das horas não trabalhadas. Poderão ajustar individualmente com os seus empregados a suspensão das atividades e os regimes futuros de compensação, observados os dispositivos constitucionais e legais de duração do trabalho. A compensação deverá ser feita no período máximo de um ano, a contar do retorno ao regime normal de trabalho. Fica autorizada a redução de intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos;
  • paralisar, total ou parcialmente, as obras ou suas atividades para garantir a saúde e segurança dos trabalhadores, atendendo ao dispositivo da Constituição pelo qual a “redução dos riscos inerentes ao trabalho” é responsabilidade do empregador. Neste caso, os salários poderão ser reduzidos em até 25%. Caso uma nova legislação estabeleça percentual maior de redução, as empresas ficam autorizadas a adotá-lo. Enquanto perdurar a paralisação, fica garantida ao trabalhador estabilidade no emprego. Quando o aditivo for extinto, a redução salarial será imediatamente revogada.
  • paralisar, total ou parcialmente, as obras ou suas atividades para garantir a saúde e segurança dos trabalhadores, concedendo licença remunerada aos mesmos durante o período declarado pelas autoridades de saúde como quarentena, ou pelo período acordado entre os empregadores e empregados, sendo possível a prorrogação. Se a licença remunerada for superior a 30 dias, o trabalhador perderá direito a férias, devendo o respectivo terço constitucional ser pago até o final da vigência do aditivo quando o contrato de trabalho for rescindido, se isto ocorrer antes. Na hipótese de licença remunerada, o trabalhador fará a compensação dos dias parados;
  • adotar o regime de trabalho remoto na residência do empregado, sempre que possível, dentro atividade de cada um, conforme as regras estabelecidas diretamente entre a empresa e ele. Os empregados com 60 anos ou mais poderão solicitar o regime de trabalho remoto nestas condições, e as empresas deverão aceitá-lo, desde que esses trabalhadores tenham enfermidades enquadradas no grupo de risco (diabetes, hipertensão, insuficiência renal crônica, doenças respiratórias crônicas, doenças cardiovasculares, entre outras semelhantes consideradas pela autoridades sanitárias) e desde que as suas atividades atuais permitam este tipo de trabalho.

Obrigações e penalidades

Ainda de acordo com o aditivo, as empresas contratantes principais estão obrigadas a implementar imediatamente as medidas de prevenção que visem reduzir o risco de contaminação entre os trabalhadores dentro do canteiro, cumprindo todas as determinações e orientações dos órgãos de controle sanitário.

O desvirtuamento do aditivo à Convenção Coletiva ensejará aplicação de multa, sem prejuízo de outras sanções administrativas e/ou judiciais.

Pelo acordo, SindusCon-SP e Sintracon-SP instalaram o Comitê de Crise com a participação do Seconci-SP (Serviço Social da Construção). Em razão disso, a discussão em torno do coronavírus e seus impactos no setor prosseguirá, e poderá ser regrada na assinatura da próxima Convenção Coletiva de Trabalho, cujas negociações estão mantidas, inclusive com a garantia da data-base de 1º de maio. Caberá ainda ao Comitê de Crise conhecer e discutir as questões decorrentes da aplicação do aditivo.