LIXO: Brasil gerou mais de 40 mil toneladas de resíduos de construção

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Você já parou para avaliar os impactos causados pelos materiais que sobram de uma construção? Um estudo feito pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) mostra que o setor também é um dos responsáveis pelo descarte de detritos que afetam o meio ambiente de diferentes formas. Segundo a última pesquisa Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2023, o país gerou 45 mil toneladas de resíduos de construção civil e demolição (RCD), só em 2022. O coordenador do Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Antônio Acacio de Melo Neto destaca um aspecto sobre este tema: “Essa destinação do que sai em forma de caçamba precisa ser fiscalizada, porque essas empresas têm que fazer a deposição no local correto. Mas, às vezes, você encontra lugares onde você tem há m acúmulo de resíduos de construção em locais não permitidos. Na maioria das vezes, realmente, são de pequenas obras, que os populares fazem, que acabam descartando no local errado”, explica. O especialista ainda acrescenta: “No médio e longo prazo você vai ter, não digo nem lixões, mas vai ter um acúmulo muito grande desse tipo de resíduo”, destaca. De acordo com o recente levantamento da Abrema, em 2022, as regiões Norte e Centro-Oeste aumentaram a geração de RCD em 1,5% e 3,0%, respectivamente. Mesmo com uma queda de 1,8% em comparação com o ano anterior, o Sudeste também segue como a região que mais contribui para o total de RCD gerados no país – 50,6%. Na opinião do engenheiro civil Hugo Borges, os geradores dos resíduos têm responsabilidades que devem ser observadas. “A destinação correta dos resíduos de construção civil é crucial para proteger o meio ambiente e a saúde pública. Além disso, o descarte irregular pode causar doenças como a dengue e obstruir o sistema de drenagem pública, causando enchentes na época da chuva. Além disso, a reciclagem e o reuso de materiais reduzem a necessidade de distração de recursos naturais e podem gerar economia e empregos”. Esclarece. Borges ainda continua. “Por isso, é importante cumprir as leis e as regulamentações estaduais, municipais e federais”, destaca.

Construção irregular

Uma outra preocupação dos especialistas é a construção irregular. “As construções irregulares prejudicam ainda mais o despejo adequado de resíduos. A falta de planejamento e infraestrutura, juntamente com a fiscalização insuficiente, leva ao descarte inadequado, causando a degradação ambiental, problemas de saúde pública e o despejo irregular pode obstruir a saída de drenagem, resultando em enchentes e complicando a gestão de resíduos nessas áreas”, avalia o engenheiro civil Hugo Borges. De acordo com o coordenador do Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Antônio Acacio de Melo Neto, estas obras, pelo fato de estarem irregulares, não estar seguindo regras, não existe uma preocupação com o correto descarte do resíduo. Mas é possível melhorar a postura de quem lida com os resíduos gerados pelas construções, segundo o engenheiro civil Hugo Borges. “Para melhorar a destinação dos resíduos na construção civil, precisamos de mais conscientização, com programas de educação ambiental, campanhas informativas e é crucial fortalecer a fiscalização e aplicar punições eficazes. Além disso, investir em infraestrutura, como pontos de coleta e centros de reciclagem e criar incentivos para reciclagem são passos importantes”, salienta. Conforme o engenheiro, “políticas públicas integradas ao planejamento urbano e parceria entre setores público e privado e a comunidade também são essenciais para promover práticas sustentáveis”, reforça.

Minha Casa, Minha Vida ganha agilidade com pré-moldados, diz Jader Filho

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Uma nova modalidade de construção foi introduzida no programa Minha Casa, Minha Vida, permitindo a fabricação de casas pré-moldadas. Em entrevista ao CNN 360º, o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), detalha que a medida, implementada por meio de uma portaria recente, busca agilizar o processo de entrega das unidades habitacionais e reduzir custos. A iniciativa atende a uma demanda do setor da construção civil, que enfrentava dificuldades com o alto investimento inicial necessário para a produção das unidades nas fábricas. Com a nova modalidade, os pagamentos poderão ser realizados durante o processo de fabricação, facilitando o fluxo de capital das empresas.

O novo método promete trazer mais agilidade ao programa habitacional, já que as residências chegam prontas da fábrica aos locais de instalação. Segundo o ministro, a industrialização do processo construtivo também deve gerar mais empregos e atrair novos investidores para o setor.

O programa manterá o método tradicional de construção, mas incentivará a adoção de novas tecnologias. A diversificação das modalidades construtivas visa oferecer mais opções aos beneficiários e promover a redução dos prazos de entrega e dos custos das unidades.

Outras inovações do programa

Além da construção pré-moldada, o programa também implementou a modalidade de “compra assistida”, já em funcionamento no Rio Grande do Sul. A medida foi criada para atender as famílias afetadas pelos desastres naturais que ocorreram no Rio Grande do Sul, entre 27 de abril e 2 de maio de 2024, permitindo a aquisição mais rápida de moradias sem a necessidade de esperar pelo tempo de construção, que pode levar entre 16 e 20 meses.

No caso do Rio Grande do Sul, as famílias atingidas receberam um auxílio de R$ 200 mil para aquisição de novas moradias. A iniciativa já beneficiou mais de 5 mil famílias no estado, demonstrando a efetividade da nova modalidade em situações emergenciais.

Tecnologia transforma cidades brasileiras em espaços mais inteligentes e sustentáveis

Acionar o serviço de limpeza urbana local por aplicativo de celular, marcar consultas e exames em equipamentos públicos pela internet, contar com monitoramento eletrônico 24 horas que informa à polícia se houver algum crime. Esses são alguns dos exemplos de como a tecnologia tem se tornado uma aliada no dia a dia da população, sobretudo nos grandes centros urbanos. As cidades inteligentes são uma tendência que cresce em todo o mundo, inclusive no Brasil. O país conta com um ranking das dez cidades mais inteligentes, atualizado anualmente. Florianópolis (SC), Vitória (ES) e São Paulo (SP) figuram nos primeiros lugares da lista. “Uma cidade inteligente é aquela que, com o apoio da tecnologia, de dados, através desses artifícios, melhora a qualidade de vida das pessoas na cidade, a sustentabilidade e a eficiência dessas cidades”, explica a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unieuro, Hiatiane Cunha de Lacerda. Hiatiane participou da elaboração da Carta Brasileira para Cidades Inteligentes, documento criado pelo governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), para orientar gestores locais.

Mais segurança e acessibilidade

Na cidade de São Paulo, a tecnologia é uma aliada na prevenção e combate à violência e à criminalidade. Uma parceria entre a Arqia – uma das empresas líderes no segmento de Internet das Coisas no Brasil – e a empresa Gabriel garante o monitoramento por câmeras de diversos bairros. Atualmente, mais de 570 mil pessoas são beneficiadas. “As câmeras da Gabriel, instaladas nas fachadas dos imóveis, usam o chip da Arqia, permitindo o monitoramento 24×7 dos imóveis e também estão integradas de forma colaborativa com a atuação das polícias Civil e Militar, tornando assim as cidades mais inteligentes e a vida de nós moradores mais seguras”, detalha o responsável por Marketing e Jornada do Cliente da Arqia, Eduardo Resende. Em Santo André, no ABC paulista, a tecnologia simplifica o acesso ao governo municipal. Por meio de um aplicativo de celular, é possível acionar o serviço de limpeza urbana, por exemplo, para informar que uma árvore caída está impedindo a passagem dos pedestres. Esse é apenas um dos cerca de 500 serviços disponíveis à palma da mão do cidadão desde 2024, graças a uma parceria com o Colab. De acordo com a plataforma, 130 cidades brasileiras aderiram ao aplicativo, que permite participar, inclusive, de consultas públicas.

Sustantabilidade

Em Florianópolis, a Arboran, startup especializada em diagnóstico e gestão de áreas verdes urbanas, investe no desenvolvimento de inteligência artificial para planos diretores digitais de arborização urbana. Com investimento de R$ 80 mil, concedido pelo programa Acelera Startup SC, a solução vai monitorar as árvores de toda a cidade e indicar pontos para plantio. O sistema da Arboran também calcula a quantidade de carbono estocada em cada árvore urbana para créditos de carbono. A professora da Unieuro destaca que há inúmeras ações, por todo o Brasil, relacionadas à gestão eficiente de dados, diminuição de tempo trânsito, redução do consumo de energia, melhora na gestão de resíduos, entre outros temas. “Esse processo é contínuo, exige uma série de questões que estão vinculadas à inovação, que busca criar cidades cada vez mais justas, inclusivas e também sustentáveis para todas as pessoas e também para o nosso planeta”, ressalta.

Vendas de cimento caem em agosto, mas somam 44 milhões de toneladas

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Segundo números do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), as vendas de cimento somaram seis milhões de toneladas em agosto de 2025, uma queda de 2,5% na comparação com o mesmo mês de 2024. No entanto, no acumulado do ano até agosto, as vendas totalizaram 44,2 milhões de toneladas, um crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período do último ano. O mercado imobiliário, importante indutor do consumo do cimento, registrou queda de 6,8% dos lançamentos no segundo trimestre de 2025 em relação ao ano anterior. Houve ainda uma reversão de tendência na performance do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) no último trimestre. Os lançamentos do MCMV caíram 15,5% na mesma base de comparação, reduzindo sua participação no total do mercado imobiliário. A piora na expectativa para os próximos meses também afetou a construção civil, que registrou queda no indicador da confiança para o menor nível desde maio de 2021. A escassez de mão-de-obra e o acesso ao crédito permanecem como as principais limitações atuais dos negócios. Na indústria, a queda do indicador de confiança ao menor patamar desde a pandemia reforça a tendência de insegurança entre os empresários. A combinação entre a contração da política monetária e o aumento da incerteza, intensificada pelas novas taxações americanas sobre produtos brasileiros, configura um cenário desafiador para o setor frente a eventuais reflexos negativos a economia, afetando o consumo de cimento. Ainda assim, o setor cimenteiro segue otimista com a sazonalidade nas vendas do produto que tem, historicamente, um melhor desempenho no segundo semestre. “A meta estabelecida pelo governo federal para o programa Minha Casa, Minha Vida de atingir dois milhões de moradias de 2023 a 2026, e possibilitará um consumo de 10 milhões de toneladas de cimento no período. Os sistemas construtivos em alvenaria estrutural e parede de concreto têm avançado em todo o País, devido à economia, agilidade, competitividade e ao trabalho que a indústria brasileira do cimento tem feito de engajamento e capacitação dos profissionais nas empresas da construção civil”, disse Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.

SENAI oferece mais de 84 mil vagas em cursos pagos e gratuitos em todo país

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O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) está com 84.306 vagas abertas em cursos gratuitos e pagos em diversas áreas, como construção civil, design, moda, produção de alimentos, segurança e tecnologia. A oferta contempla tanto cursos presenciais nas unidades do SENAI espalhadas pelo país quanto cursos no Futuro.Digital, plataforma online de educação da instituição. Do total, 9.926 vagas são oferecidas diretamente pelas escolas do SENAI em estados selecionados, enquanto a plataforma Futuro.Digital reúne 74.380 vagas em diferentes modalidades de ensino, desde microcursos até pós-graduação e MBA. De acordo com o gerente de Educação Profissional e Superior do SENAI, Mateus Simões de Freitas, a ação é fruto de um planejamento que busca equilibrar volume e qualidade na formação de profissionais. “Precisamos formar uma grande quantidade de profissionais em áreas de real demanda da indústria brasileira”, afirmou. O dirigente explica que a oferta é baseada em estudos sobre o comportamento do mercado de trabalho. “O SENAI avalia o comportamento do mercado, as principais profissões que a indústria está demandando e então realiza sua oferta para os diversos setores de todo o Brasil”, completou.

Cursos do SENAI: vagas por estado

Os interessados devem se inscrever nos sites regionais do SENAI ou na plataforma Futuro.Digital, onde estão disponíveis informações detalhadas sobre preços, carga horária, certificação e grade curricular. Em alguns estados, há vagas gratuitas pelo Programa SENAI de Gratuidade Regimental, voltadas principalmente para pessoas de baixa renda.
  • Distrito Federal: 811 vagas gratuitas em cursos de aperfeiçoamento, qualificação profissional e técnicos. Inscrições no site do SENAI-DF.
  • Mato Grosso: 1.100 vagas em cursos como agricultura de precisão, eletricista industrial, informática e operador de empilhadeira. Inscrições no site do SENAI-MT.
  • Paraíba: 1.167 vagas, sendo 962 presenciais e 205 à distância, em cursos como técnico em automação, programador de sistemas automatizados e técnico em segurança do trabalho. Inscrições no site do SENAI-PB.
  • Paraná: 3.843 vagas, sendo 2.545 presenciais e 1.298 à distância, em áreas como construção de obras, desenvolvimento de sistemas, química, produção alimentícia e segurança. Inscrições no site do SENAI-PR.
  • Rio Grande do Sul: 2.400 vagas para 80 cursos presenciais em 33 unidades, incluindo eletricista predial, programação e tecnologias de soldagem. Inscrições no site do SENAI-RS.
  • Tocantins: 605 vagas em 29 cursos presenciais, como eletricista instalador residencial, mecânico de ar-condicionado e marketing digital. Inscrições no site do SENAI-TO.

“Elas Constroem”: mulheres conquistam oportunidades na construção civil

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O setor da construção civil, tradicionalmente dominado por homens, começa a ganhar um novo cenário com o projeto “Elas Constroem”, iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em parceria com a Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O programa oferece turmas exclusivas para mulheres em cursos de qualificação profissional, com o objetivo de ampliar a presença feminina nos canteiros de obras, gerar autonomia financeira e responder à carência de mão de obra qualificada no setor. O gerente de Educação Profissional e Superior do SENAI, Mateus Simões, explica que o projeto pretende ampliar o número de profissionais qualificados no setor e, assim, contribuir para o crescimento da área nos próximos anos. “A iniciativa Elas Constroem é parte de um grande plano nacional de capacitação da indústria da construção e, por meio desse plano, a proposta é expandir o número de profissionais qualificados relacionados a este setor”, afirma. Segundo Simões, ainda há preconceitos e desinformação sobre o papel e a força das mulheres no mercado de trabalho, muitas vezes associados à responsabilidade de cuidar dos filhos e da casa. “Esse projeto vem romper esses preconceitos, trazendo uma formação profissional de qualidade para essas mulheres e trazendo também a oportunidade de ingresso no mercado de trabalho por meio das empresas participantes”, ressalta.

Elas Constroem: mulheres na construção civil

Em Goiânia (GO), a empresa Trindade Soluções Construtivas incentiva a inclusão de mulheres na construção civil. Para a diretora de Operações, Daniele Trindade, ainda há muitos desafios para as profissionais, mas os benefícios dessa inserção são inúmeros. “Um dos principais desafios está ligado à logística da mulher com relação aos filhos para deixar nas creches. E tem também a questão que muitos companheiros dessas mulheres não aceitam que elas trabalhem e nem estudem por inúmeras razões. Já os benefícios, esses, eu posso dizer que são muitos. Especialmente o fato de trazer dignidade, melhoria na qualidade de vida e independência financeira para essas mulheres, por meio de um mercado que está sempre com a demanda alta de mão de obra”, diz Daniele. Além das oportunidades de trabalho, na Trindade Soluções Construtivas as mulheres das comunidades próximas às obras recebem cursos gratuitos de capacitação técnica, com certificação reconhecida pelo Ministério da Educação. A iniciativa inclui formações em áreas como pintura e assentamento de piso, permitindo que as participantes sejam absorvidas imediatamente nas obras locais. A seleção das comunidades é feita em parceria com a assistência social ou com as prefeituras, que ajudam a mapear territórios mais vulneráveis.

Elas Constroem: panorama com dados

A presença feminina na construção civil tem avançado, mas ainda é muito menor que a dos homens. Em 2024, das 110.921 novas vagas geradas no setor, 20,2% foram ocupadas por mulheres, avanço frente aos 14,6% de 2023. Os dados são da Sienge, empresa que oferece sistema de gestão (ERP) para a indústria da construção. Confira os números relacionados às mulheres que se destacam na construção civil:
  • Em crescimento acelerado: Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o número de mulheres com carteira assinada na construção civil subiu 184% desde 2006.
  • Custeio das novas vagas: Em 2024, mulheres preencheram 20,2% das novas contratações no setor, acima dos 14,6% em 2023 e dos 12,2% em 2022.
  • Em 20 anos, a participação quase dobrou: O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta aumento de cerca de 120% da presença feminina no setor, nos últimos 20 anos.
  • Engenheiras civis no mercado de trabalho: No sistema Confea/Crea, apenas 20% dos profissionais cadastrados são mulheres. Em alguns estados, o cenário é ainda mais restrito, como no Paraná, onde elas representam somente 16% dos registros no Crea-PR

Elas Constroem: formação prática e acolhimento

Com a metodologia “Aprendendo a Construir”, as alunas do “Elas Constroem” podem se qualificar em quatro categorias: pedreira de alvenaria, carpinteira de obras, pedreira de acabamento e execução de revestimento, e armadora de ferragem. O projeto já está presente em 11 estados (AM, BA, MA, MG, MS, PR, PI, RJ, RR, SP e SE) e prevê formar 280 participantes até o fim de 2025. A primeira turma iniciou em Campo Grande (MS), no início de agosto. Ainda neste mês, acontecem aulas inaugurais em São Luís (MA), Salvador (BA) e Manaus (AM). Em setembro, será a vez de Curitiba (PR). Cada turma recebe cerca de 20 alunas, que participam de uma aula de boas-vindas, com informações sobre direitos trabalhistas, comportamento nos canteiros e orientações profissionais. Ao final, um evento de empregabilidade conecta as formandas a empresas da construção civil, ampliando as chances de contratação imediata.

Elas Constroem: Plano Nacional de Capacitação

O “Elas Constroem” integra o Plano Nacional de Capacitação para Construção Civil, lançado em abril pela CBIC e SENAI. O programa oferece formação gratuita para trabalhadores de baixa renda, diretamente no canteiro de obras, com aulas práticas, videoaulas e materiais digitais. As empresas participantes cedem o espaço para as aulas e podem contratar os profissionais formados. Os cursos têm duração média de três meses, com carga horária de duas horas por dia, e garantem certificado reconhecido pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).

Elas Constroem: como participar

Empresas interessadas devem procurar a CBIC para aderir ao programa. Após a análise, os departamentos regionais do SENAI organizam a capacitação de multiplicadores e a formação de novas turmas.

Bases de insumos: Como transformar os insumos do SINAPI em orçamentos precisos

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No mundo da construção civil, cada centavo conta. Cada insumo que entra no canteiro de obras — do cimento ao tijolo, da mão de obra especializada ao equipamento necessário — pode impactar diretamente o sucesso de um projeto. É aí que muitas construtoras se deparam com um desafio quase invisível: como transformar tabelas e referências públicas em orçamentos confiáveis e realmente úteis?

Entre essas referências, o SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção) se destaca. Criado pelo governo federal, ele oferece uma tabela de custos de materiais, mão de obra e serviços que serve de parâmetro para obras públicas. Mas mesmo quem não atua no setor público pode se beneficiar dessa base. Afinal, ter referências de preços confiáveis ajuda a reduzir desperdício, evita erros de planejamento e oferece uma base sólida para negociação com fornecedores.

Mas aqui está o ponto crítico: muitas empresas ainda usam o SINAPI de forma isolada, em planilhas ou PDFs, sem integração com o restante do processo de gestão. Isso gera retrabalho e aumenta o risco de imprecisão. Para transformar dados em decisões acertadas, é preciso mais do que copiar valores — é necessário criar uma base própria de composições, acompanhar a obra de perto e atualizar os números constantemente.

A prática mostra que o SINAPI funciona como ponto de partida, não como solução completa. Alguns insumos não aparecem na tabela, custos indiretos podem variar de região para região, e serviços específicos muitas vezes precisam ser detalhados de acordo com a realidade de cada obra. É por isso que construtoras inteligentes combinam referências públicas com informações reais do canteiro.

O primeiro passo é simples: baixar a tabela oficial e estudar seus componentes. Depois, é hora de transformar os dados em algo vivo: comparar preços com fornecedores locais, analisar composições de serviços e materiais, e manter um banco de dados atualizado, ajustando números à medida que a obra avança. A rotina de acompanhamento é fundamental. Decisões baseadas em dados reais tornam orçamentos mais assertivos e reduzem surpresas no final do projeto.

E, claro, não podemos ignorar a tecnologia. Sistemas de gestão voltados para a construção civil permitem centralizar essas informações, integrar preços, insumos e composições, e gerar orçamentos de forma mais rápida e confiável. A transformação digital do processo não é apenas um diferencial: é uma necessidade para quem deseja produtividade, precisão e controle.

O resultado? Com o SINAPI como referência, comparações bem-feitas e ferramentas adequadas, o gestor consegue: identificar os insumos certos, negociar preços com confiança e aumentar a eficiência do orçamento. É um ciclo virtuoso: informação de qualidade gera decisões acertadas, que reduzem desperdício e melhoram resultados.

No fim das contas, quem aprende a transformar tabelas em inteligência prática não só orça melhor, mas também ganha vantagem competitiva no mercado. E no contexto atual, onde cada decisão de custo impacta diretamente o resultado final, essa vantagem pode ser a diferença entre uma obra que entrega valor e uma que se perde em números.

O coração da construção civil

Enquanto a construção civil evolui para um cenário cada vez mais digital, as bases de insumos deixam de ser meros catálogos de preços para se tornarem verdadeiros corações digitais da obra. Não se trata apenas de armazenar informações sobre materiais e serviços, mas de transformar esses dados em decisões estratégicas: prever consumo, planejar equipes, otimizar compras e controlar custos em tempo real. É aqui que sistemas ERP especializados, como o ERP SIECON, entram em cena. Ao centralizar a base de insumos, esses sistemas permitem que cada departamento trabalhe com as mesmas referências, automatizando orçamentos, integrando planejamento e suprimentos, e fornecendo relatórios precisos que refletem a realidade da obra. Em outras palavras, o ERP não só guarda os dados, mas os transforma em inteligência prática, garantindo que cada metro quadrado construído seja fruto de decisões calculadas, produtivas e economicamente seguras. No contexto da construção digital, quem domina suas bases de insumos não está apenas controlando custos — está construindo vantagem competitiva.

Pesquisadores aproveitam alga para fazer matéria-prima de construção civil

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Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma argila cerâmica mais leve que a normalmente utilizada na construção civil graças à adição de algas do gênero Sargassum no processo de fabricação.

Comuns na região central do oceano Atlântico, essas algas marrons — também conhecidas como sargaço — têm se deslocado em grandes quantidades para praias do Caribe, dos Estados Unidos e da região Norte brasileira, onde se tornaram um problema. Seu acúmulo nas praias pode trazer efeitos nocivos à saúde humana por causa dos gases emitidos durante a decomposição, além de prejudicar o turismo, a pesca e a biodiversidade local.

“Normalmente, o sargaço é coletado e descartado em aterros sanitários sem qualquer uso prático. Por isso, decidimos pesquisar uma forma de aproveitar essa grande quantidade de biomassa nas praias”, conta João Adriano Rossignolo, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), que coordenou o estudo.

Em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o grupo da USP testou o uso da alga na fabricação de argilas cerâmicas, utilizadas na construção civil para diminuir o peso do concreto, em lajes para melhorar o conforto térmico e na jardinagem. A investigação contou com apoio da Fapesp.

O sargaço foi incorporado às amostras nas proporções de 20% e 40% — e também 0%, para comparação. Em seguida, as amostras foram moldadas e sinterizadas (processo que compacta a argila por calor, tornando-a sólida) a temperaturas de 800 °C, 900 °C e 1.000 °C em fornos convencionais e de micro-ondas.

Com os materiais prontos, foram realizados diversos ensaios para avaliar fatores como absorção de água, porosidade e resistência à compressão. Além disso, foi feita uma comparação entre o ciclo de vida (metodologia que avalia os impactos ambientais de um produto desde a extração da matéria-prima até o descarte final) da argila expandida convencional e das diferentes formulações acrescidas de sargaço.

Os resultados, publicados no Journal of Materials in Civil Engineering, indicam que a adição de sargaço levou a uma redução na densidade aparente dos agregados de argila cerâmica leve, especialmente na concentração de 40%. No entanto, apenas os materiais sinterizados em forno de micro-ondas atenderam aos requisitos de resistência para todas as temperaturas. Quanto ao ciclo de vida, as versões com sargaço apresentaram melhor desempenho ambiental em comparação à argila expandida comum.

Isso levou os pesquisadores a concluir que os agregados de argila cerâmica leve com sargaço sinterizado em forno micro-ondas são uma alternativa viável para mitigar os prejuízos provocados pela grande quantidade da alga no litoral, com consumo reduzido de recursos naturais e maior eficiência energética.

Além desse trabalho, a equipe avaliou a viabilidade de usar a alga na produção de painéis particulados, destinados à indústria de móveis e à construção civil, e em telhas de fibrocimento, colocando as cinzas de sargaço como substitutas do calcário. “Os resultados foram surpreendentes, pois conseguimos usar 30% de sargaço nos painéis e substituir 100% do calcário com as suas cinzas, com resultados que atendem plenamente às normas vigentes para esses produtos e melhoram a durabilidade e as propriedades mecânicas dos materiais”, diz Rossignolo.

Impactos do tarifaço ao PIB preocupam setor de construção civil

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O setor da construção civil vê com preocupação os potenciais impactos das tarifas de 50% do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Brasil no Produto Interno Bruto (PIB) doméstico, disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Renato Correia, nesta segunda-feira (28).

“Preocupa bastante o impacto disso na economia como um todo”, afirmou Correia após apresentação do desempenho do setor no segundo trimestre.

“Para a construção civil, que usa muito pouco a exportação, é muito mais o reflexo disso na nossa economia, na geração de emprego e na geração de PIB. Nós temos um crescimento muito atrelado ao PIB.”

Segundo o presidente, o receio do setor é em relação ao quanto as tarifas norte-americanas, previstas para entrarem em vigor a partir de sexta-feira (1º), podem afetar negativamente o PIB. “Vamos ter que acompanhar os desdobramentos disso”, acrescentou.

A indústria da construção civil tem experimentado um bom momento, com o setor alcançando em maio o maior número de trabalhadores formais em mais de 10 anos, segundo análise da Cbic com base em dados do Caged, mas a entidade tem apontado incertezas à frente, diante de juros elevados, custos acima da inflação e outros fatores que citou como desafios para 2025.

A Cbic manteve projeção de crescimento de 2,3% para o setor em 2025, desaceleração em relação à expansão de 3,4% em 2024.

Para a economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, a estimativa carrega um “leve otimismo”, sustentado pela inércia de lançamentos anteriores, que ainda geram atividade e emprego. Mas, segundo a Cbic, as expectativas para novos empreendimentos e serviços caíram para o segundo menor patamar do ano.

“Estamos vivenciando o reflexo do que foi lançado nos últimos dois anos. Se o atual ambiente de juros elevados persistir, há risco de desaceleração mais acentuada a partir de 2026”, disse Ieda em comunicado que acompanha a apresentação.

A entidade também chamou atenção para uma redução de 62,9% na quantidade de unidades financiadas com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) nos primeiros cinco meses do ano em comparação com o mesmo período do ano passado, ressaltando o custo de crédito elevado com a Selic a 15% ao ano.

Confiança da construção recua 1,3 ponto em julho, a 92,7 pontos, afirma FGV

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O Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou 1,3 ponto em julho, a 92,7 pontos, após avançar 0,7 ponto em junho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira (28).

Com o resultado, a média móvel trimestral do índice recuou 0,3 ponto, sétima queda consecutiva.

“O segundo semestre começou com deterioração das expectativas em relação aos próximos meses: a percepção generalizada das empresas dos diversos segmentos setoriais é de que os negócios e a demanda ficarão piores”, observou, em nota, a coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo.

Ela pondera que os empresários também atentam para a atividade ainda aquecida, mantendo a pressão sobre o mercado de trabalho, e que os próximos meses mostrarão se esse foi um movimento pontual ou se, de fato, pode-se esperar uma desaceleração mais intensa do ciclo de negócios.

Houve, nesta leitura, avanço de 0,5 ponto do Índice de Situação Atual (ISA-CST), a 92,5 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE-ICST) recuou 3,3 pontos, a 93 pontos, menor nível desde maio de 2021 (89,1 pontos).

O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) da Construção cedeu 1,1 ponto porcentual, para 78,2%. O Nuci de Mão de Obra caiu 1,1 ponto, para 79,2%, e o de Máquinas e Equipamentos recuou 1,7 ponto, para 72,2%.

Dia Nacional da Habitação: CAIXA celebra impacto da política habitacional no Brasil

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Hoje é o Dia Nacional da Habitação, e a CAIXA celebra o impacto da política habitacional no Brasil. Só de janeiro a julho deste ano, já foram contratados mais de R$ 126 bilhões de reais em crédito para habitação. Isso significa mais de um milhão e trezentas mil pessoas beneficiadas e mais de um milhão e duzentos mil empregos gerados. Para a vice-presidente da Caixa, Inês da Silva Magalhães, enquanto muitos países enfrentam crises habitacionais, o Brasil avança com políticas públicas voltadas para o setor. “Hoje, podemos dizer que a gente enfrenta o tema da habitação como uma estratégia de desenvolvimento, porque ela é uma política pública que ao mesmo tempo garante o direito à moradia e também contribui para o desenvolvimento do país, gerando emprego, nossos números mostram isso e acho que a gente tem um grande ano pela frente.” Entre os beneficiados, do crédito habitacional da CAIXA mais de cento e vinte e sete mil contratos são de famílias com renda de até R$ 2.850, o que reforça o compromisso da CAIXA com a população de baixa renda.

Marco Legal do Saneamento Básico completa cinco anos com avanços limitados

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O Marco Legal do Saneamento Básico completa cinco anos desde a entrada em vigor. Embora a lei tenha sido implementada para incentivar investimentos no setor e ampliar o acesso aos serviços básicos até 2033, 16,9% da população brasileira ainda vive sem acesso à água potável, e 44,8% não possuem coleta de esgoto. O levantamento compõe a quarta edição do estudo Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2025, divulgado nesta terça-feira (19) pelo Instituto Trata Brasil. O material analisa o progresso na aplicação da Lei nº 14.026/2020. Contudo, a pesquisa reforça que os dados abrangem apenas o período de três anos após a promulgação, o que pode ser considerado insuficiente para observar efeitos significativos nos indicadores. Como os avanços dependem de processos que demandam tempo, como projetos, licenciamentos e obras de infraestrutura, o estudo afirma que “é provável que a melhoria nos indicadores ocorra no médio e no longo prazo”.

Evoluções

Atualmente, cerca de 34 milhões de brasileiros vivem sem acesso à rede de abastecimento de água, enquanto mais de 90 milhões não estão conectados às redes de esgotamento sanitário. Em relação à oferta de serviços, o levantamento evidencia que, entre 2019 e 2023, o atendimento de água à população caiu de 83,6% para 83,1%, uma queda de 0,5 ponto percentual. Por outro lado, os serviços de coleta e tratamento de esgoto registraram avanços de 2 p.p. e 5,5 p.p., respectivamente. Apesar de o tratamento de esgoto ter apresentado a maior evolução no período, esse indicador permanece como o mais distante da meta de universalização.

Investimentos

A média de investimentos em saneamento básico nos últimos cinco anos foi de aproximadamente R$ 20,7 bilhões. No entanto, a pesquisa aponta que, para alcançar a meta de universalização prevista na legislação, será necessário mais do que dobrar esse valor. Para isso, o Brasil precisará investir R$ 45,1 bilhões por ano. Segundo Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, “só haverá perspectiva de universalização caso haja um contrato estabelecido e um maior aporte de investimentos. Como ressaltamos no estudo, em 1.557 municípios já há contrato entre o ente público e o ente privado para alavancar esses investimentos”. Pretto reforça que o avanço depende não apenas da ampliação dos investimentos, mas também do monitoramento das metas estabelecidas. “Ainda existe um ‘gap’ nesse investimento, advindo tanto dos municípios que ainda não se mobilizaram quanto daqueles que não possuem contrato. E mesmo nos que já possuem contrato, é necessário acompanhar o cumprimento das metas intermediárias previstas”, afirma. Segundo o estudo, sem esses elementos, o país corre o risco de manter o ritmo lento de progresso.

Marco Legal do Saneamento Básico

O objetivo central da legislação é universalizar o saneamento básico no país. Para isso, foi estabelecido que todas as localidades brasileiras devem atender 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 31 de dezembro de 2033. Os pilares fundamentais podem ser resumidos em cinco pontos:
  1. Definição de metas para universalização dos serviços;
  2. Aumento da concorrência pelo mercado com vedação a novos Contratos de Programa (instrumento pelo qual um ente federativo transfere a outro a execução de serviços);
  3. Maior segurança jurídica para processos de desestatização de companhias estatais;
  4. Estímulo à prestação regionalizada dos serviços; e
  5. Criação de um papel de destaque para a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) na regulação dos serviços.