Medidores inteligentes de energia: distribuidoras devem modernizar 2% da rede ao ano a partir de 2026

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As distribuidoras de energia elétrica deverão instalar medidores inteligentes para os consumidores no prazo de 24 meses, contados a partir de março de 2026. A determinação consta na Portaria Normativa MME nº 126, de 28 de janeiro de 2026, publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Inicialmente, a instalação deverá contemplar 2% dos consumidores atendidos nas áreas de concessão das empresas até março de 2028. Os medidores inteligentes são dispositivos digitais avançados que permitem a medição do consumo de energia elétrica em tempo real, sem a necessidade de leitura manual. Esses equipamentos podem ser conectados à internet e possuem comunicação direta com as distribuidoras, diferentemente dos medidores eletrônicos atualmente instalados. De acordo com o MME, os consumidores que tiverem o medidor substituído passarão a receber, de forma prioritária, a conta de luz em formato digital, permanecendo a opção de recebimento da fatura física.

Modernização do setor

A medida está alinhada ao decreto que trata da renovação das concessões das distribuidoras de energia elétrica, o qual estabelece diretrizes voltadas à digitalização e modernização do segmento. Em casos excepcionais, as concessionárias poderão implementar soluções alternativas caso não consigam cumprir a meta estabelecida. O entendimento do governo é de que há maiores dificuldades de implementação em algumas regiões, especialmente no Norte do país, em razão da ausência de infraestrutura adequada de telecomunicações em determinadas localidades. Nessas situações, as empresas deverão assegurar benefícios superiores aos consumidores, além de direcionar os investimentos à digitalização da rede ou dos serviços de distribuição.

Especificações mínimas dos medidores

O ministério definiu requisitos técnicos mínimos para os novos dispositivos, que deverão contemplar:
  • leitura remota dos dados de consumo;
  • possibilidade de corte e religamento remotos, conforme as características das unidades consumidoras, devidamente justificadas pela concessionária;
  • preservação dos registros durante interrupções no fornecimento de energia;
  • registro, com data e hora, das interrupções de energia;
  • registro de ocorrências de alterações na programação do medidor, quando aplicável;
  • mecanismos de segurança cibernética e interoperabilidade;
  • sistema de alarme antifraude;
  • gestão do consumo por meio de interface em aplicativo disponibilizado pela distribuidora;
  • intervalo de integralização das grandezas em base horária;
  • comunicação remota via interface com o sistema de medição Advanced Metering Infrastructure (AMI);
  • permissão para tarifação por horário de uso, com no mínimo quatro postos tarifários programáveis no sistema de medição, ou possibilidade de tarifação horária no sistema de faturamento da concessionária.
As distribuidoras poderão definir seus próprios critérios e especificações técnicas no momento da contratação dos equipamentos, não sendo exigida padronização entre as empresas.

Escolha das unidades consumidoras e investimentos

A seleção das unidades consumidoras que receberão os medidores deverá considerar critérios de eficiência, como a infraestrutura existente, a redução de perdas não técnicas e a diminuição de custos operacionais. FPM: R$ 7,3 bilhões serão partilhados entre os municípios brasileiros, nesta sexta-feira (30) Reforma Tributária amplia créditos e põe fim à cobrança em cascata Os investimentos necessários para a instalação dos dispositivos ou das soluções alternativas deverão ser incorporados à base regulatória das empresas, conforme previsto na regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As distribuidoras também deverão apresentar à Aneel, até 29 de fevereiro de 2028, uma análise de custo-benefício referente à implementação dos sistemas de medição inteligente em suas áreas de concessão, observando as diretrizes estabelecidas na portaria do MME.

Atuação da Aneel

A publicação da portaria ocorre paralelamente a um debate semelhante conduzido pela Aneel. Em 27 de janeiro de 2026, a diretoria da agência aprovou a abertura de consulta pública para discutir a digitalização do segmento de distribuição, com foco em eventuais entraves regulatórios à instalação dos dispositivos. A Aneel poderá estabelecer diretrizes adicionais e disponibilizar documentos de apoio à elaboração das análises de custo-benefício. A partir de março de 2028, a implantação dos sistemas deverá observar os resultados dessas análises, sem necessidade de aprovação prévia por parte do regulador. Por fim, o MME determinou que, em janeiro de cada ano, as distribuidoras apresentem um Plano de Investimentos com horizonte de cinco anos. O documento deverá contemplar investimentos em digitalização, expansão, renovação e modernização das redes e serviços, além de ações voltadas à inclusão energética e à prestação de serviços em áreas de vulnerabilidade socioeconômica. O plano deverá ser atualizado anualmente ou sempre que solicitado pelo governo.

Construção civil: alta carga tributária é empecilho maior que taxas de juros

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Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que a taxa básica de juros pode iniciar a trajetória de queda do maior patamar das últimas duas décadas a partir de março, após a sexta reunião consecutiva de manutenção da alíquota anual de 15%, a Sondagem Indústria da Construção mostra que a elevada carga tributária nacional se tornou o principal empecilho enfrentado pelo segmento. De acordo com o levantamento, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira de Indústria da Construção (CBIC), o entrave saltou cinco pontos percentuais entre o terceiro e quarto trimestre do ano passado, de 32,2% para 37,2%. Ultrapassa assim as taxas de juros elevadas, que passaram a ser a segunda maior preocupação dos industriais da construção (32,1%). Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, isso é reflexo de dois fatores. “O lançamento de programas importantes para o setor, assim como a expectativa de redução da taxa Selic no futuro próximo, ajuda bastante as expectativas do setor da construção, por isso essa melhora já acontecendo desde o final do ano passado e se consolidando nesse início de 2026.” Todos os índices de expectativas aumentaram no primeiro mês do ano, dando sequência ao otimismo observado em dezembro:
  • Novos empreendimentos e serviços (+1,8 ponto, para 52,9 pontos);
  • Número de empregados (+1,8 ponto, para 52,8 pontos);
  • Nível de atividade (+1,1 ponto, para 52,8 pontos);
  • Compras de matérias-primas (+0,8 ponto, para 52,5 pontos).

Insatisfações

Apesar das expectativas positivas, o setor ainda tem muito do que reclamar no panorama atual. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Indústria da Construção registrou 48,6 pontos, enquanto a facilidade de acesso ao crédito atingiu 39 pontos no período, e o índice de satisfação com o lucro operacional caiu para 45,1, após recuo de 0,3 ponto. Todos ainda abaixo da linha satisfatória de 50 pontos. “Quando se fala da construção, estamos falando de um produto de um ritmo de produção que envolve um período bastante longo, muitas vezes com uma necessidade muito grande de aporte de recursos em alguns momentos, muitas vezes com crédito para fazer os seus empreendimentos. À medida que o acesso ao crédito fica difícil por conta das taxas de juros bastante elevadas, isso afeta bastante o setor”, esclarece Azevedo. Nesse cenário, o índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção fechou 2025 com 44,7 pontos. Esse é o pior resultado para o mês desde 2018. Com a atividade mais fraca, a Utilização da Capacidade Operacional se manteve estável em 67%, mesmo nível observado em dezembro de 2024, enquanto o índice do número de empregados caiu 1,2 ponto, para 45,7 pontos, ainda que acima da pontuação média para o mês (43,8 pontos).

Metodologia

A edição de dezembro de 2025 da Sondagem Indústria da Construção ouviu 315 empresas — 123 pequenas, 134 médias e 58 grandes — entre 5 e 14 de janeiro de 2026

Edição 2026 reforça papel estratégico da FEICON como principal termômetro da construção civil no Brasil

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A FEICON – Feira Internacional da Construção Civil abre o calendário nacional do setor entre os dias 7 e 10 de abril, no São Paulo Expo na capital paulista, consolidando-se como um dos principais momentos de encontro, leitura de mercado e geração de negócios do setor. Maior feira da construção civil e arquitetura da América Latina, o evento reúne mais de mil marcas expositoras e espera receber mais de 100 mil visitantes, entre profissionais do varejo, engenheiros, arquitetos, construtores e representantes da indústria.

A edição de 2026 ocorre em um contexto de projeções mais favoráveis para o setor. Segundo estimativas do SindusCon-SP e da FGV Ibre, o Produto Interno Bruto da construção deve crescer 2,7% em 2026, após um período de ajustes e desaceleração. Um dos principais vetores dessa expectativa é o Programa Reforma Casa Brasil, que prevê a liberação de R$40 bilhões em crédito facilitado para reformas habitacionais em todo o país.

Para dimensionar o impacto desse volume de recursos, a ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) encomendou à consultoria Ecconit uma modelagem econométrica exclusiva. O estudo estima que, dos R$40 bilhões previstos, aproximadamente R$12,3 bilhões devem chegar diretamente à indústria de materiais de construção, estimulando a produção, a demanda e a movimentação da cadeia. 

É nesse cenário que a FEICON se consolida como um espaço estratégico de leitura de mercado, conexão entre os diferentes elos da cadeia e apresentação de soluções alinhadas às demandas atuais do setor. Ao longo de sua trajetória de quase quatro décadas, a feira acompanhou a profissionalização, a ampliação da base técnica dos profissionais e a incorporação de novas tecnologias tanto na fabricação quanto na aplicação de produtos.

Vitrine de soluções

Segundo Ivan Romão, diretor da FEICON, a proposta do evento é reunir soluções completas para quem atua na construção. “A FEICON é um ambiente que reúne soluções completas para quem atua na construção civil, independentemente do elo da cadeia. O visitante encontra marcas, produtos, oportunidades de relacionamento e conteúdo técnico qualificado”, afirma.

Os expositores estão distribuídos em macrossetores como acabamentos, estruturas, construção industrializada, instalações e externos. O recorte permite ao visitante ter uma visão abrangente do mercado, com opções voltadas tanto a grandes obras quanto para as reformas residenciais, atendendo perfis diversos de compradores.

Além da área de exposição, a FEICON amplia sua frente de conteúdo com a Feiconference – Conferência Internacional da Construção e Arquitetura, que contará com mais de 50 palestras e painéis, distribuídos em três palcos simultâneos, com foco em inovação industrial, sistemas construtivos, sustentabilidade, eficiência energética e gestão de negócios.

Para Romão, o evento também se consolida como ambiente de apresentação de tecnologias e de aproximação entre empresas e profissionais. “A FEICON se mantém sempre atualizada, com a grande atração sendo o produto, a tecnologia e o conhecimento técnico, em um ambiente favorável para gerar negócios e novos parceiros”, diz.

Ao reunir indústria, varejo, projetistas, entidades representativas e novas marcas, a FEICON reforça seu papel como principal ambiente de apresentação de soluções e lançamentos que devem chegar aos canteiros de obras e ao mercado nos próximos meses.

Credenciamento e venda de ingressos

O credenciamento gratuito da edição 2026 da FEICON para os visitantes está aberto por meio do site www.feicon.com.br e é válido até o dia 22 de março. A partir do dia 23 de março, a entrada passa a ser paga.

Também está aberta a venda de ingressos para a 2ª edição da Feiconference – Conferência Internacional da Construção e Arquitetura. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site.

Guia Completo do Vidro na Construção Civil: Tipos, Aplicações e Normas

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O vidro na construção civil é uma peça chave para projetos que buscam unir beleza, funcionalidade e sustentabilidade. Já pensou como a escolha certa impacta diretamente a iluminação natural e o conforto de um ambiente? Um vidro inadequado pode comprometer o isolamento térmico e acústico, além de não oferecer a segurança necessária para sua família. Para evitar esses problemas, nossa equipe preparou este guia com os principais tipos de vidro, suas aplicações ideais e as normas técnicas essenciais.

A Importância do Vidro na Construção Civil

O vidro conquistou espaço definitivo na construção civil por sua capacidade de atender demandas técnicas, funcionais e estéticas em um único material. Sua aplicação permite maior aproveitamento da luz natural, o que melhora o conforto visual dos ambientes e contribui para a redução do consumo de energia ao longo da vida útil da edificação. Soluções como vidros laminados, insulados e de controle solar ajudam a equilibrar temperatura e ruídos, tornando os espaços mais confortáveis tanto em áreas residenciais quanto comerciais. Esses benefícios impactam diretamente a qualidade de uso do imóvel, especialmente em centros urbanos. Do ponto de vista do mercado, o avanço do setor vidreiro ampliou a oferta de produtos com alto desempenho, maior segurança e melhor adequação às normas técnicas. Isso possibilita projetos mais eficientes, duráveis e alinhados às exigências atuais da construção. Ao mesmo tempo, o vidro agrega valor ao imóvel, valoriza fachadas e interiores e reforça uma linguagem arquitetônica contemporânea, limpa e funcional. Por sua versatilidade e evolução constante, o material se mantém como uma escolha estratégica para obras que buscam valorização, usabilidade e sustentabilidade.

Principais Tipos de Vidro para Construção Civil

Escolher o vidro certo para uma obra exige mais do que olhar o visual. Cada tipo tem características próprias que impactam diretamente a segurança, o conforto térmico e o desempenho acústico do ambiente. Por isso, essa decisão precisa estar alinhada ao projeto, ao uso do espaço e ao orçamento disponível. A seguir, veja os tipos de vidro mais utilizados na construção civil e entenda em quais situações cada um funciona melhor.

Vidro Temperado

O vidro temperado é conhecido por sua alta resistência, sendo até cinco vezes mais forte que o vidro comum. Essa durabilidade é resultado de um tratamento térmico chamado têmpera, que aquece o material a altas temperaturas e o resfria rapidamente. Sua principal vantagem está na segurança: ao quebrar, ele se fragmenta em pequenos pedaços arredondados e não cortantes, minimizando o risco de acidentes. Por essa razão, é amplamente utilizado em boxes de banheiro, portas, janelas, divisórias, fachadas e até mesmo em peças de mobiliário que exigem maior robustez.

Vidro Laminado

O vidro laminado é uma solução de segurança avançada, formado por duas ou mais lâminas de vidro unidas por uma película de Polivinil Butiral (PVB). Sua principal característica é a segurança máxima que proporciona, pois, em caso de quebra, os fragmentos de vidro ficam presos a essa película, evitando que se espalhem e minimizando o risco de acidentes. Por isso, é a preferida para aplicações que exigem alta resistência, como guarda-corpos, coberturas, pisos, degraus e fachadas. O material oferece proteção contra raios UV e melhora o isolamento acústico do ambiente.

Vidro Insulado (Duplo)

O vidro insulado, também conhecido como vidro duplo, é uma solução de alto desempenho composta por duas lâminas de vidro separadas por uma câmara de ar ou gás. Essa camada interna funciona como uma barreira, dificultando a troca de calor com o ambiente externo e bloqueando ondas sonoras. O resultado é um isolamento térmico e acústico superior, que ajuda a manter a temperatura interna estável e a reduzir ruídos. É ideal para hospitais, estúdios, hotéis e edifícios em locais de clima extremo ou muito barulhentos.

Vidro de Controle Solar (Refletivo)

O vidro de controle solar, também conhecido como refletivo, é uma solução inteligente para quem busca conforto térmico e eficiência energética. Recebe uma camada metalizada que atua como um escudo, refletindo grande parte do calor e dos raios solares antes que entrem no ambiente. O resultado é um espaço interno mais fresco, diminuindo a necessidade de ar-condicionado e gerando economia na conta de luz. Esse tipo de vidro também controla a luminosidade, tornando os cômodos mais agradáveis.  É uma escolha ideal para grandes fachadas envidraçadas, mas seu projeto exige atenção para que o reflexo não incomode edifícios vizinhos.

Vidros para Decoração e Privacidade (Serigrafado e Jateado)

Quando o objetivo é unir estética e funcionalidade, os vidros serigrafado e jateado se destacam. O modelo serigrafado passa por um processo que aplica uma camada de tinta vitrificada, permitindo a criação de peças coloridas e personalizadas com alta durabilidade. Já o vidro jateado é fosqueado por meio de jatos de areia, o que garante um acabamento elegante e translúcido, ideal para quem busca privacidade sem perder a luminosidade. Ambos são excelentes para divisórias, portas, revestimentos de parede e detalhes em móveis, adaptando-se a qualquer projeto de design.

Espelhos e Vidros Espelhados

Espelhos são elementos versáteis que unem função e decoração na arquitetura e no design de interiores. Uma tendência forte são os espelhos orgânicos, com seus formatos fluidos e irregulares, que adicionam um toque contemporâneo a qualquer projeto. Já os vidros espelhados, quando aplicados em portas, paredes ou móveis, criam uma ilusão de amplitude, fazendo os ambientes parecerem maiores e mais abertos. Para um impacto ainda maior, os painéis de espelhos são uma escolha certeira, pois conferem profundidade, sofisticação e valorizam a estética de residências e espaços corporativos.

Como Escolher o Vidro Certo para seu Projeto

A escolha do vidro vai muito além da estética e impacta diretamente a segurança, o conforto e a funcionalidade de um ambiente. Para garantir que seu projeto atenda a todas as necessidades, é fundamental analisar alguns critérios antes de tomar uma decisão. Um vidro inadequado pode comprometer a estrutura, oferecer riscos aos usuários ou não entregar o desempenho esperado, resultando em gastos futuros. Por isso, entender as particularidades de cada tipo e onde aplicá-lo é o primeiro passo para um resultado duradouro e eficiente. Um bom planejamento considera desde a localização da peça até o orçamento disponível, transformando o vidro em um verdadeiro aliado da arquitetura, que une beleza, proteção e inteligência construtiva em um único material.
  • Segurança: Avalie a localização da instalação. Áreas de risco como guarda-corpos, coberturas e portas exigem o uso de vidros de segurança, como o laminado ou o temperado, para prevenir acidentes e atender às normas técnicas, a exemplo da NBR 7199.
  • Desempenho: Analise a necessidade de isolamento térmico ou acústico do ambiente. Para maior conforto, o vidro insulado (duplo) é a melhor opção, pois reduz a troca de calor e ruídos. Se o objetivo é controlar a entrada de calor sem perder luminosidade, o vidro de controle solar é o mais indicado.
  • Estética: Defina qual o objetivo visual para o espaço. Se a intenção é obter privacidade sem bloquear a passagem de luz, vidros jateados ou serigrafados são ideais. Para projetos que buscam transparência total e integração visual, o vidro comum (float) funciona bem em locais seguros e sem impacto.
  • Aplicação: Considere se o uso do vidro será estrutural, como em pisos e vigas, ou apenas para vedação, como em janelas e fachadas. Essa definição é crucial, pois determina a espessura, a resistência e o tipo de tratamento que o material deve receber para suportar as cargas exigidas.
  • Orçamento: Compare o custo-benefício de cada tipo de vidro. Embora opções com maior tecnologia, como as de controle solar ou acústico, tenham um custo inicial mais elevado, o investimento pode gerar economia a longo prazo com a redução de gastos em climatização e energia elétrica.

A Importância de Seguir a Norma ABNT NBR 7199

A segurança em projetos com vidro é regulamentada no Brasil pela norma ABNT NBR 7199.  Essa diretriz técnica estabelece os critérios para a escolha e instalação correta de cada tipo de vidro na construção civil, visando sempre a segurança dos usuários e a prevenção de acidentes. O cumprimento da norma é uma exigência que assegura a proteção contra impactos, quebras perigosas e outros riscos. Ela detalha, por exemplo, onde vidros temperados ou laminados são obrigatórios, analisando a aplicação e o risco de contato humano. Por isso, a responsabilidade técnica do projeto deve ser de um profissional qualificado, garantindo que a instalação seja executada corretamente.

Dicas Finais

O vidro deixou de ser só um detalhe e passou a ter papel central na construção civil.  Quando bem especificado, ele valoriza o projeto, melhora o conforto e entrega segurança no dia a dia. Por isso, não dá para tratar o vidro como escolha secundária. Entender o tipo adequado para cada aplicação, respeitar a NBR 7199 e trabalhar com fornecedores confiáveis faz toda a diferença no resultado da obra. Um vidro mal especificado pode virar problema; um vidro bem escolhido vira solução estética e funcional. Para arquitetos, engenheiros e construtores, o segredo está no equilíbrio: beleza, desempenho e segurança andando juntos. É assim que o vidro cumpre seu papel na arquitetura contemporânea, não só fechando espaços, mas principalmente qualificando ambientes e agregando valor real ao projeto.

“CPF dos Imóveis” pode aumentar valor do IPTU? Entenda

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Regulamentado pela Receita Federal em agosto de 2025, o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) também está inserido no texto da Reforma Tributária. A medida – que ficou conhecida como CPF dos imóveis – visa unir informações cadastrais de unidades imobiliárias urbanas ou rurais, públicas ou privadas, inscritas nos respectivos cadastros de origem, como o Cadastro Nacional de Imóveis Rurais (CNIR), por exemplo. De acordo com a Receita Federal, o intuito é criar um cadastro com um código identificador único, válido em todo território nacional, para cada imóvel georreferenciado, ou seja, com área e posição geográfica definida no mapa. Mas, afinal, o que muda com essa nova regra? Reforma Tributária deve remodelar contratos e eficiência no setor de construção civil O advogado especialista em direito tributário, Matheus Almeida, explica que, atualmente, há diferentes números que identificam um imóvel, como é o caso da matrícula do cartório ou a inscrição municipal. Nesse novo cadastro, o valor de referência será unificado. Além disso, a unidade será avaliada levando-se em conta o valor de mercado. Como essa alteração promove uma possível atualização do valor venal – preço estimado pelo poder público para fins de cálculo de impostos sobre a propriedade – há um certo receio por parte de proprietários e investidores. Porém, Almeida explica que, por si só, o CIB não acarreta aumento do valor de impostos, como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). “Assim como cada pessoa tem o CPF único, a intenção é que todo imóvel tenha um único número de identificação. A grande questão é que nós teremos a correção da metragem quadrada construída de um imóvel, a correta localização do imóvel dentro das zonas fiscais e, consequentemente, pode ser, sim, que tenha um aumento de IPTU. Não em razão do Cadastro Imobiliário Brasileiro, mas como consequência de uma atualização, seja da base de cálculo ou da alíquota desse imóvel”, destaca. A advogada especialista em análise financeira e empresarial, contabilidade e tributação, Sara Isabel da Silva, pontua que, pelos termos da Reforma Tributária, esse cadastro servirá para criar o Inventário Nacional dos Imóveis, com dados detalhados de localização, área construída, uso, titularidade, entre outros aspectos. Ela também reforça que não há uma consequência direta para aumento do IPTU, mas, futuramente, algumas pessoas, sobretudo as de classe média ou investidores do mercado imobiliário, poderão sentir eventuais efeitos financeiros. “A curto prazo, essas pessoas ficarão mais sujeitas a uma fiscalização mais incisiva por parte do Fisco, podendo haver, inclusive, discrepância no valor de avaliação dos imóveis, especialmente para quem vive em áreas urbanas que já são valorizadas, mas que nunca tiveram atualização cadastral. A médio e longo prazos, essa fiscalização pode implicar em um aumento praticado nos alugueis, porque as pessoas terão esse receio da tributação, e como já mencionado, pode haver a revisão das alíquotas de IPTU pelos municípios”, considera.

Governo alerta sobre informações inverídicas

A Receita Federal esclarece as informações que têm circulado acerca de um suposto aumento de tributos de locações e vendas de imóveis com a Reforma Tributária são inverídicas. Em comunicado enviado ao Brasil 61, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República pontuou que não existem regras da Receita Federal voltadas a elevar o valor do IPTU, de tributação sobre aluguéis ou de impostos de heranças. A secretaria ressaltou que o CIB não gera interferência sobre os preços dos aluguéis – seja para o proprietário, seja para o inquilino –, muito menos com filhos que moram com os pais. O governo destacou, ainda, que o cadastro não implica em criação ou aumento de impostos, já que o trata-se apenas de um inventário dos imóveis, “alimentado com dados dos municípios e cartórios.” A ideia é criar um cadastro imobiliário único, o que, na avaliação do Palácio do Planalto, promoveria segurança jurídica para os proprietários, adquirentes e vendedores. “Vale destacar que o CIB também não possui nenhuma relação com suposto aumento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e nem com o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITCDM), que é o tributo que incide sobre heranças”, complementa a nota.

Reforma Tributária: como funciona a cobrança de impostos sobre imóveis

Informações disponibilizadas pela Secretaria de Comunicação do governo federal apontam que, em meio às definições das questões tributárias no Congresso Nacional, foi determinada uma diminuição de alíquota de 70% nas locações e de 50% nas demais operações, com redutores na base de cálculo. A Pasta exemplificou ainda que, as locações de um, dois ou até três imóveis, em valor inferior a R$ 240 mil anuais, “não terão, em regra, tributação para as pessoas físicas”. Ou seja, apenas operações de pessoas físicas com mais de três imóveis e em valor maior é que terão a cobrança de imposto sobre valor agregado (IVA dual), além das pessoas jurídicas.

Reforma Tributária: o que é o IVA dual?

O IVA dual é tido como uma simplificação do modelo de cobrança de impostos estabelecida pela reforma tributária. Nele, tributos federais, estaduais e municipais (ICMS, ISS, IPI, PIS e COFINS) passam a ser convertidos no Imposto Sobre Valor Agregado, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) – de incidência federal – e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência dos estados e dos municípios.

CACB alerta para riscos do fim da escala 6×1 sem diálogo com o setor produtivo

Em consulta a donos de pequenos negócios nas cinco regiões do país, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) identificou forte preocupação com a extinção da escala 6×1 sem o devido diálogo com o setor produtivo. A medida é proposta por meio de Emenda à Constituição (PEC 8/25), em discussão na Câmara dos Deputados. O texto prevê a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, sem redução de salário, além da mudança de regime de seis dias de trabalho para quatro, com três dias de descanso remunerado, medida que se aplicaria a todos os setores da economia. Entre os principais riscos apontados pelos empresários estão:
  • elevação de despesas com a criação de novos turnos para atender à demanda;
  • aumento dos custos com encargos trabalhistas, como salários, INSS, FGTS, 13º e férias
  • repasse desses aumentos dos custos aos preços dos produtos e serviços;
  • redução do horário e dos dias de funcionamento das empresas;
  • dificuldade no cumprimento de prazos;
  • queda na capacidade de investimento em melhorias e expansão
  • migração de consumidores para o e-commerce;
  • informalidade e demissões;
  • e, em casos extremos, o fechamento de negócios.
As entrevistas foram  realizadas com empreendedores das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Para eles, antes de se discutir a redução da jornada, seria necessário avançar em políticas de redução da carga tributária, melhoria salarial, investimentos em infraestrutura, modernização industrial, estímulo à inovação, desburocratização das leis trabalhistas, ampliação do crédito, incentivos fiscais e qualificação profissional. Sem essas condições, eles avaliam que a mudança tende a gerar perdas para empresários, governo, trabalhadores e consumidores. Para o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, a proposta de redução da jornada tem viés “populista”. Segundo ele, para que a medida seja sustentável, seria indispensável um amplo programa de qualificação da mão de obra, com duração mínima de cinco anos.  “Tem de preparar o campo e investir em qualificação”, afirma.

Elevação do custo do trabalho

Segundo cálculos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a redução da jornada proposta pela PEC 8/25 pode elevar o custo do trabalho em, pelo menos, 37,5%. De acordo com o levantamento, a nova regra poderia atingir cerca de dois terços dos trabalhadores formais do país. Dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que, em 2023, 63% dos vínculos empregatícios estavam concentrados em jornadas entre 41 e 44 horas semanais. Alguns setores seriam mais afetados, especialmente aqueles em que a mão de obra humana é fundamental, entre eles:
  • agricultura, em que 92% dos profissionais atuam nesse regime de jornada;
  • construção civil (91%);
  • varejo (89%).
A federação estima que a redução de 44 para 36 horas poderia elevar a folha de pagamento em pelo menos 18%, podendo alcançar 27% em alguns cenários. O efeito tende a ser mais severo para os pequenos empregadores, responsáveis por cerca de 60% dos empregos formais, especialmente se houver necessidade de contratar um ou dois trabalhadores adicionais para manter o nível de produção. O economista e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sillas Souza, alerta que a proposta pode ter efeito contrário ao esperado, levando parte dos trabalhadores a buscar outros empregos durante os dias de folga, além de pressionar os salários para baixo. “Primeiro: para os que conseguirem [outro emprego], teremos o efeito oposto da proposta, pois ao invés de 36 horas semanais, serão agora 72. Menos ócio, portanto, equivalerá a uma menor produtividade. Segundo: mais gente ofertando emprego quer dizer mais concorrência pelas vagas, o que motivará os empresários a diminuírem os salários médios. Temos uma situação potencial na qual muita gente trabalhará o dobro para ganhar um pouco mais do que ganhava antes”, explica.

Produtividade em foco

Na avaliação da CACB, países desenvolvidos, como a Alemanha, adotam jornadas menores porque contam com elevada produtividade — realidade ainda distante no Brasil. Enquanto um trabalhador brasileiro leva, em média, uma hora para produzir o que um norte-americano faz em 15 minutos, fatores como educação, infraestrutura e tecnologia ainda freiam avanços na produtividade. “Nesse cenário, até mesmo as grandes empresas terão dificuldades em incorporar uma escala de 4×3, que prevê uma redução de 27% na jornada de trabalho. Os principais parceiros comerciais do Brasil, EUA e China, possuem jornadas de trabalho maiores do que a proposta, de modo que, se aprovada, o Brasil perderia competitividade no mercado internacional”, argumenta a CACB. Para a entidade, o momento é de investir prioritariamente em educação, qualificação profissional, infraestrutura e acesso à tecnologia, criando condições para elevar a produtividade e fortalecer o ambiente de negócios, antes de avançar em uma redução generalizada da jornada de trabalho.

PPPs em saneamento podem levar R$ 20,3 bilhões a mais de 470 municípios em 2026

Mais de 470 municípios brasileiros devem ser beneficiados com quatro projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) no setor de saneamento previstos para irem a leilão em 2026, com investimentos estimados em R$ 20,3 bilhões. Os dados constam em levantamento realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon) para a Agência iNFRA. De acordo com o estudo, nos últimos seis anos, seis projetos de PPPs foram levados a leilão, resultando em R$ 17,3 bilhões em investimentos contratados e atendimento a 264 municípios. Caso os projetos previstos para 2026 sejam efetivados, esses números mais do que dobrarão. “Vemos muito esse perfil para o esgotamento sanitário. A parceria com o setor privado permite alocar investimentos mais robustos, além de aprimorar a gestão das obras. E, claro, tudo de forma regulada. A contraprestação recebida pela empresa privada está associada tanto ao investimento realizado quanto à prestação do serviço”, afirma a diretora-presidente da Abcon, Christianne Dias. A modelagem mais avançada é a do estado de Goiás, cujo certame está agendado para o dia 25 de março. A estruturação conduzida pela Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) prevê uma concessão administrativa para serviços de esgotamento sanitário em 216 municípios, organizados em três blocos. Ao todo, essas localidades devem receber R$ 6,3 bilhões em investimentos. O ambientalista Delton Mendes avalia que o país enfrenta a necessidade de criar uma estrutura capaz de viabilizar o avanço dos investimentos no setor de saneamento. Segundo ele, iniciativas como as PPPs contribuem para ampliar a cobertura dos serviços básicos. “Existe um histórico de subfinanciamento no saneamento. Muitos operadores enfrentam infraestrutura insuficiente e defasagem técnica, consequência da falta de investimentos consistentes ao longo de muitos anos. Isso compromete a capacidade de expansão e de melhoria dos serviços de saneamento básico”, destaca.

Menor complexidade

Entre os fatores considerados pela Abcon para impulsionar as PPPs está a menor complexidade dos arranjos contratuais em comparação com concessões plenas ou processos de desestatização. Isso ocorre porque não há mudança no prestador responsável pela gestão comercial nem no relacionamento com a população atendida. Segundo a entidade, esse modelo tende a tornar os projetos menos sensíveis em períodos eleitorais. Baterias podem impulsionar mercado de energias renováveis em mais de R$ 70 bilhões Orçamento municipal: confira ranking das cidades mais endividadas do Brasil Ainda conforme o levantamento, os outros três projetos previstos para 2026 estão localizados no Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. No Ceará, a consulta pública já foi encerrada e o projeto abrange serviços de esgotamento sanitário em 128 municípios, com investimentos estimados em R$ 6,9 bilhões. Na Paraíba, a modelagem também é voltada ao esgotamento sanitário. A consulta pública está em andamento, com previsão de atendimento a 85 municípios e investimentos de R$ 3,1 bilhões. Já no Rio Grande do Norte, os estudos seguem em desenvolvimento, com expectativa de movimentar R$ 4,1 bilhões e beneficiar 48 municípios.

Outros investimentos

Além desses projetos, a Abcon destaca duas concessões consideradas relevantes: uma em Alagoas, referente ao chamado bloco D, para serviços de água e esgoto em 21 municípios, com destaque para Arapiraca; e outra em Rondônia, também voltada para água e esgoto. Para esses dois empreendimentos, as consultas públicas já foram concluídas. A previsão é de que 45 municípios sejam beneficiados, com investimentos de R$ 4,9 bilhões. Ao todo, as seis modelagens destacadas pela entidade devem alcançar 543 municípios, atendendo cerca de 10,99 milhões de pessoas e mobilizando R$ 27,5 bilhões em investimentos. Outro destaque do setor de saneamento básico para este ano é a desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A lei que autoriza a venda do controle da estatal foi sancionada pelo governador Romeu Zema (Novo) no final de 2025.

Gestão Integrada e Eficiência: o Caminho Estratégico das Incorporações de Alto Desempenho

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A maturidade operacional de uma incorporadora não depende apenas da solidez financeira ou do portfólio de empreendimentos. Em um mercado cada vez mais competitivo, pressionado por margens enxutas, ciclos de aprovação longos e exigências crescentes de compliance técnico, a diferenciação real passa pela execução. E a execução, por sua vez, depende de uma gestão integrada que conecte canteiro, engenharia, suprimentos, produto, novos negócios e performance financeira em um único fluxo decisório.

Para CEOs experientes, a constatação é clara: os desafios que limitam escala não estão apenas no mercado, mas dentro da própria operação. Grande parte das incorporadoras consolidadas enfrenta problemas estruturais semelhantes — gargalos que se perpetuam, não por falta de capacidade técnica, mas por desalinhamento estratégico, baixa integração de processos e insuficiência de dados acionáveis.

Este conteúdo sintetiza as causas-raiz mais recorrentes que afetam incorporadoras estabelecidas e apresenta um olhar pragmático sobre como mitigá-las com governança, tecnologia e reconfiguração organizacional.


1. Execução no canteiro: o núcleo silencioso da rentabilidade

Mesmo em empresas com PMO estruturado, planejamento 4D e cronogramas executivos bem definidos, a performance real do canteiro ainda é o ponto onde margens se consolidam ou evaporam. A falta de governança operacional no campo — seja por comunicação fragmentada, baixa rastreabilidade ou ausência de indicadores em tempo real — compromete diretamente desembolso, produtividade e compliance técnico.

As incorporadoras com melhor performance são aquelas capazes de transformar o canteiro em uma unidade de inteligência operacional. Isso envolve:

Controle granular de serviços, equipes e insumos alinhado ao planejamento macro;
Gestão da qualidade baseada em dados, com inspeções rastreáveis e RDO estruturado como memória técnica;
Gestão de SST com governança, mitigando riscos jurídicos e operacionais;
Fluxos de comunicação verticalizados, garantindo tomada de decisão imediata frente a desvios;
Digitalização completa do campo, evitando ruídos, retrabalhos e desvios não rastreados.

Sem essa disciplina operacional, qualquer estratégia de escala perde sustentação.


2. Gargalos estruturais que limitam o crescimento de incorporadoras consolidadas

Mesmo empresas maduras esbarram em pontos recorrentes que travam crescimento sustentável. Entre os principais:

a) Gargalos financeiros

Ciclos de caixa desalinhados com ciclos de obra, baixo controle de CAPEX/OPEX por empreendimento, estoques imobilizados e previsões financeiras pouco precisas reduzem a capacidade de alavancagem e limitam novos lançamentos.

b) Gestão ineficiente de recursos

Alocação inadequada de mão de obra, suprimentos sem planejamento integrado, lead times não monitorados e processos de compras reativos comprometem prazo, custo e produtividade.

c) Estoque encalhado

Stock alto geralmente deriva de erro estratégico na concepção do produto, métricas de precificação desatualizadas, leitura imprecisa de demanda regional ou ausência de inteligência de mercado aplicada no desenvolvimento.

d) Processos não padronizados

Empresas que crescem sem redesenho organizacional transformam a ineficiência em cultura. A ausência de workflows claros aumenta desperdícios, gera ruídos entre áreas e compromete previsibilidade.


3. Os dois vieses que mais prejudicam incorporadoras estabelecidas

Ao analisarmos a trajetória de empresas de médio e grande porte, dois vieses se destacam:

1) Investimento nos diferenciais errados

Adotar um ERP que resolve apenas parte das demandas, focar apenas em tecnologias construtivas já maduras ou priorizar apenas eficiência de obra não gera crescimento estratégico no longo prazo.

2) Falta dos diferenciais necessários para operar novas estratégias

Estruturas organizacionais pouco adaptáveis, ausência de área de desenvolvimento de produto, baixa inteligência de mercado ou falta de governança para novos negócios prejudicam a capacidade de expansão.


4. Lacunas de estrutura que CEOs precisam endereçar

a) Novos negócios concentrados em uma única liderança

Mesmo diretores altamente capacitados não conseguem sustentar sozinhos o pipeline de oportunidades. A solução eficaz é o estabelecimento de uma célula estratégica com governança, dados e atribuições claras.

b) Falta de estrutura para formar lideranças internas

Sem um programa estruturado de desenvolvimento, empresas ficam reféns do mercado e perdem conhecimento estratégico ao longo do tempo.

c) Subdimensionamento da área de desenvolvimento de produtos

Incorporadoras que enxergam “obra” como principal diferencial perdem competitividade de médio prazo. O verdadeiro valor está no produto, na concepção e na capacidade de atrair parceiros certos.

d) Ausência de parceiros estratégicos

Nenhuma incorporadora deve operar 100% das competências da incorporação. Parcerias qualificadas em securitização, comercialização, engenharia especializada e tecnologia aceleram escala com menor risco.


5. O papel da tecnologia: da operação reativa para a gestão preditiva

A digitalização deixou de ser tendência para se tornar infraestrutura básica. CEOs que estão liderando incorporadoras de alto desempenho adotam três princípios:

1. Automação e integração de processos

Software ERP setorial, plataforma de canteiro, gestão financeira integrada e automação de fluxos reduzem erros humanos e aumentam previsibilidade.

2. Inteligência de mercado incorporada ao ciclo de produto

Comparativos de m², análise de demanda por região, leitura de absorção e precificação dinâmica permitem decisões de lançamento mais assertivas e redução de estoque parado.

3. Business intelligence aplicado ao dia a dia executivo

Dashboards com indicadores de obra, ciclo de caixa, curva S, vendas, inadimplência, consumo de materiais e avanço físico permitem decisões rápidas, sustentadas e baseadas em evidências.

Incorporadoras que acessam informações críticas “em até três cliques” transformam a governança da operação.

A vantagem competitiva das incorporadoras consolidadas não está apenas no portfólio, na marca ou na capacidade de investimento, mas na eficiência estrutural que sustenta execução, governança e escalabilidade. Para os CEOs do setor, o verdadeiro diferencial competitivo passa pela integração entre áreas, pela concepção de produtos mais inteligentes, pelo uso intensivo de dados e pela maturidade dos processos decisórios. Empresas que possuem gestão integrada reduzem risco operacional; aquelas que estruturam o desenvolvimento de produto conquistam mercados com maior consistência; organizações orientadas por inteligência de dados tomam decisões mais rápidas e precisas; e operações guiadas por governança sólida entregam margens superiores. O futuro do mercado imobiliário pertence às incorporadoras que transformam informação em performance e performance em valor, convertendo eficiência operacional em estratégia de crescimento sustentável.


Este conteúdo foi desenvolvido para orientar profissionais que ocupam posições estratégicas em incorporadoras e empresas de desenvolvimento imobiliário, especialmente aqueles responsáveis por crescimento, governança, viabilidade e performance operacional. A intenção é oferecer um material que contribua para decisões de alto impacto, ao mesmo tempo em que dialoga de forma orgânica com os principais termos utilizados no setor quando se busca referências sobre gestão, tecnologia e eficiência em empreendimentos. Em um ambiente em que a competitividade depende cada vez mais da capacidade de integrar operações, produtos, finanças e mercado, torna-se essencial que executivos dominem o ecossistema tecnológico que sustenta a operação imobiliária moderna — desde software para gestão de empreendimentos, sistema para controle de obras e empreendimentos, plataforma para planejamento de empreendimentos, ERP para gestão de incorporadoras, até soluções mais avançadas ligadas à viabilidade imobiliária, gestão de carteira de empreendimentos, desenvolvimento imobiliário e real estate development. Do mesmo modo, gestores de áreas adjacentes se beneficiam de sistemas voltados à gestão imobiliária corporativa, controle de unidades, planejamento e orçamento imobiliário, gestão financeira imobiliária, CRM para incorporadoras, softwares para loteadoras e urbanizadoras, e plataformas que integram construção, incorporação e mercado em um único ambiente operacional. Assim, este texto cumpre o papel de apoiar CEOs, diretores e heads de áreas críticas na reflexão sobre eficiência e escala, ao mesmo tempo ampliando o acesso a conteúdos relevantes por meio de termos naturalmente associados às soluções corporativas mais buscadas pelo mercado — incluindo software para incorporadora, ERP para gestão de desenvolvimento urbano, plataforma para empresas de real estate e demais tecnologias essenciais para a gestão profissionalizada de empreendimentos imobiliários.

ERP SIECON ganha destaque entre especialistas pela eficiência e aderência ao setor da construção civil

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Com três décadas de atuação na engenharia civil, uma especialista que passou por praticamente todas as áreas da cadeia produtiva — de projetos a obras, passando por suprimentos, planejamento, qualidade e gestão corporativa — compartilhou sua experiência sobre tecnologia e gestão na construção civil, destacando por que o SIECON se tornou sua escolha recorrente ao longo da carreira.

Ela acumula vivências tanto no mercado imobiliário quanto em obras de grande porte, incluindo energia, infraestrutura e edificações. Já atuou em projetos de subestações, PPPs de iluminação pública, estradas estaduais e federais, além de hospitais, prédios, casas e shoppings. Ao longo da trajetória, também se especializou em sistemas de gestão da qualidade, tornando-se auditora em normas como ISO 9001, ISO 14001 e PBQP-H.

Hoje, lidera uma empresa focada em gestão de processos e tecnologia para a construção civil, responsável por estruturar operações, implementar metodologias de planejamento e controle físico-financeiro.


A escolha pelo SIECON: um ERP “nascido para a construção civil”

Segundo a especialista, apenas duas das empresas pelas quais passou utilizavam o SIECON — mas, sempre que teve autonomia, ela o indicou. Agora, sua própria empresa conduz a implantação do sistema em uma nova construtora em fase de estruturação.

Para ela, o diferencial do SIECON está na origem:

“É o sistema mais completo para atender a construção civil porque nasceu com esse propósito. Não é um ERP comercial adaptado — ele já entende a lógica da construtora.”

Questões típicas do setor, como necessidade de integração entre múltiplas áreas, controle rigoroso de documentos, equipes com diferentes níveis de formação digital e rastreabilidade total, são atendidas de forma prática e com interface amigável.


Tecnologia como suporte ao canteiro, à gestão e à governança

Além de utilizar soluções próprias no canteiro de obras, a empresa da entrevistada apoia suas operações financeiras e administrativas no SIECON. Ela destaca:

  • Interface intuitiva, acessível para usuários com pouca familiaridade com tecnologia.

  • Uploads e downloads de relatórios e tabelas, facilitando análises e apresentações para investidores.

  • Documentos centralizados no ERP, como cotações e contratos assinados, oferecendo rastreabilidade completa.

  • Baixo custo de implantação e pouca necessidade de personalização — fator decisivo em empresas de vários portes.

  • Flexibilidade de contratação, com licenças SaaS ou vitalícias e hospedagem local ou em nuvem.

A implantação atual concentra-se nos módulos de suprimentos e engenharia, escolhidos por sua capacidade de trazer transparência ao processo, garantir segurança das informações e agilizar aprovações via aplicativo.


Comparação com outros ERPs e atendimento às exigências de qualidade

A especialista já operou outros sistemas que se adaptaram ao mercado da construção civil. Apesar da variedade de ferramentas, afirma que o SIECON permanece como sua solução preferida:

“Os relatórios já prontos, o fácil acesso às informações e a interface amigável fazem o sistema se destacar.”

Em empresas que seguem normas rígidas de governança e compliance, ela avalia que o SIECON atende totalmente às necessidades. O ERP oferece:

  • Áreas específicas para controle de NBRs e documentos exigidos em auditorias.

  • Módulos de classificação e avaliação de fornecedores.

  • Rastreabilidade integral de compras e pagamentos.


Suporte que faz a diferença — e uma relação de longa data

Com quase 20 anos de experiência no uso do SIECON, ela destaca a qualidade do suporte, especialmente em fases anteriores, quando utilizava servidor local e conexões via rádio para obras remotas:

“Os prazos de resposta sempre atenderam às necessidades. A equipe entendia nossos pedidos e muitas vezes implementava melhorias sem custo ou com valores acessíveis — algo raro em outros ERPs.”

Hoje, com um processo de implantação didático e detalhado, o suporte é acionado com menor frequência, já que a equipe especializada orienta a operação para que o sistema seja usado com autonomia.

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SP: Transformação silenciosa redefine urbanização com moradia e mobilidade

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São Paulo não para. A cidade que faz barulho 24 horas por dia passa, há alguns anos, por uma transformação silenciosa. Desde 2014, a prefeitura promove estratégias para o desenvolvimento e crescimento da capital com metas até 2029.

Por meio do PDE (Plano Diretor Estratégico), a capital paulista direciona as ações de órgãos públicos e de agentes privados para que o crescimento da cidade seja planejado e atenda às necessidades coletivas da população. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, era prefeito quando sancionou a lei.

“Vimos que era possível transformar a capital financeira do país na capital de habitação e interesse social. O que parece contraditório, mas nós demonstramos que era possível compatibilizar. Uma cidade não funciona se você não olhar para a questão social”, afirmou Haddad à CNN Brasil.

Facilitar o acesso à moradia sempre esteve no foco do PDE, e a construção de empreendimentos residenciais no centro de São Paulo reflete as mudanças na legislação.

Em 2021, foram construídos 5,6 mil apartamentos na região central. O número quase triplicou em 2022 e cresceu nos anos seguintes até ultrapassar, em 2024, a meta de 30 mil novas unidades habitacionais.

Agora, São Paulo tem uma nova meta: superar 100 mil apartamentos, conforme a proposta de dezenas de empresas no programa Pode Entrar, voltado à redução do déficit habitacional da cidade.

Para que esse crescimento imobiliário se tornasse possível e acessível, foi preciso contar com um modelo de desenvolvimento puxado pelo setor privado.

“A cidade de São Paulo hoje é um grande empreendimento público, privado, comunitário, porque o MCMV (Minha Casa Minha Vida) Entidades também foi trazido para o âmbito da cidade”, disse Haddad na época.

Criado em 2009, o MCMV tem como objetivo facilitar o acesso à moradia. Com foco em famílias com renda de até R$ 12 mil por mês, o programa oferece condições especiais para a compra de imóveis, principalmente por meio de financiamento com taxa de juros menor.

O presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Luiz França, explicou à CNN Brasil que o programa é essencial para tornar a casa própria possível para as famílias de renda mais baixa.

“Essas pessoas vão ter muito mais chance de ter maior educação, com bastante saúde para serem futuras pessoas que possam estar inseridas na sociedade brasileira, fazendo uma universidade. Isso é importantíssimo para nós olharmos o benefício de um programa habitacional”, declarou.

Mas a transformação silenciosa de São Paulo não passa só por questões quantitativas — de milhares de novas residências sendo construídas. Há também o aspecto qualitativo. Hoje, os empreendimentos buscam trazer a população de volta ao centro ou para regiões com fácil acesso à rede de transporte público.

“Hoje em dia, na cidade de São Paulo, tem muito trânsito e há procura para morar perto do trabalho ou da escola dos filhos, por exemplo. Mas nem todo mundo consegue morar próximo à Faria Lima, que é um lugar caríssimo. Então, essas pessoas que não conseguem morar ali vão morar nos eixos onde tem transporte público”, afirmou França.

Essa busca pela melhor qualidade de vida tem mudado não apenas a dinâmica da população, mas também a mobilidade urbana. Quanto maior o número de moradores em regiões próximas ao centro, menor é o uso de carros e maior é a demanda por ônibus, trem e metrô.

Junto com esses novos hábitos nasce também uma mudança de estratégia nas construtoras. Com a redução do uso de carros, a alta disponibilidade de vagas por apartamento se tornou dispensável.

O diretor-executivo de desenvolvimento imobiliário da MRV, Rafael Albuquerque, esclareceu que a redução de vagas permitiu aumentar o número de unidades por edifício e baratear o preço dos imóveis.

“Hoje, a verdade é que é muito difícil a família bancar carro e morar longe, porque fica muito mais caro o transporte. Então a redução de vagas na incorporação faz muito sentido”, disse.

Para Otavio Zarvos, sócio-fundador da IdeaZarvos, deveria haver maior direcionamento em cada bairro específico, para que novas ações sejam feitas especialmente para atender às necessidades daquela comunidade em questão.

“A cidade é muito diferente, o município é grande e tem diversos bairros distintos uns dos outros”, destacou.

Ainda assim, Zarvos destacou que há convergência na busca por conforto ao buscar uma nova moradia, e mesmo um município diverso como São Paulo acaba tendo problemas em comum.

“Os grandes problemas da cidade dizem respeito à mobilidade e à segurança, e são pontos de urgência. Uma vez que isso esteja atendido, o morador busca conforto em sua residência, que varia desde janelas maiores, áreas de sol, proximidade com as escolas, especialmente for público, com praças, comércio. É uma mistura do que o privado pode oferecer e o público pode organizar”, acrescentou.

O adensamento da população muda o cenário paulistano. Quando se olha para o céu da cidade, é evidente que as construções estão cada vez mais altas — um processo de verticalização autorizado pelo PDE.

Para que essas novas construções atendam às demandas da cidade — considerando mudanças no clima e no perfil de consumo — existem regras que precisam ser cumpridas. Elas padronizam projetos e garantem mais segurança às habitações, tornando São Paulo uma referência nacional.

“Atualmente temos uma norma técnica brasileira que rege com muita qualidade, muita técnica, quais deveriam ser os pés-direitos dos apartamentos, o tamanho dos cômodos, o conforto acústico. Mas a gente ainda tem prefeituras que têm regras próprias e, por isso, não conseguimos padronizar. E habitação popular é padronização. A tecnologia construtiva pede essa padronização”, explicou Albuquerque.

Com mais habitações e maior acessibilidade financeira, cresce também a qualidade de vida, a mobilidade urbana, o acesso ao trabalho e aos ambientes sociais. E, assim, nessa transformação silenciosa, a cidade cresce junto às construções.

“Você vai ver que esse olhar social compõe com a dimensão de cultura, com a ocupação do espaço urbano, com a dimensão econômica”, disse Haddad.

França reforçou que o setor imobiliário puxa o PIB brasileiro e destacou ainda que, quando a economia do país cresce, o PIB do setor imobiliário sobe mais ainda.

“A gente precisa ver outras capitais dando esse exemplo, porque a hora que várias capitais se moverem em uma direção, isso influenciará todo mundo para termos cidades mais justas”, completou Albuquerque.