SindusCon-SP: Programa de saúde e segurança do trabalhador da construção já capacitou 14,6 mil profissionais

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Promovida pelo SindusCon-SP, em parceria com o Seconci-SP, Sesi-SP e Senai-SP, a MegaSipat leva treinamento diretamente aos canteiros, permitindo que os profissionais recebam orientações práticas durante a jornada de trabalho. Neste ano, já foram capacitados 14.682 trabalhadores em 147 canteiros de obras, pertencentes a 57 empresas, em todo o Estado de São Paulo. Iniciada em 15 de junho, a ação segue até 14 de agosto.

Com o tema “Segurança que Conecta: Cada Atitude Protege uma Vida”, a MegaSipat reúne uma programação desenvolvida pelos parceiros da iniciativa. O Senai-SP é responsável pelos treinamentos de segurança, que abordam comportamentos seguros no canteiro de obras, operação de máquinas e equipamentos, trabalho em altura, percepção de riscos, uso correto de escadas e conscientização sobre o uso do celular durante o expediente. A programação também aborda temas relacionados à saúde física e mental dos trabalhadores. As atividades promovidas pelo Seconci-SP incluem orientações sobre saúde mental, prevenção ao uso abusivo de álcool e drogas ilícitas, higiene pessoal, saúde bucal e prevenção e cuidados com dores. Nesta edição da MegaSipat, a programação também contempla ações voltadas à saúde do homem. Já o Sesi-SP realiza atividades sobre ergonomia, alimentação saudável e ginástica laboral. “A MegaSipat demonstra que segurança no trabalho vai muito além da prevenção de acidentes. As empresas da construção civil têm colocado o ser humano no centro de suas prioridades, com ações voltadas à saúde mental, à prevenção de doenças e à qualidade de vida”, afirma o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan. Para o vice-presidente de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP, Haruo Hishikawa, levar as atividades para dentro dos próprios canteiros é um investimento que beneficia trabalhadores e empresas. “Quando a capacitação acontece no ambiente de trabalho, o aprendizado se torna mais próximo da realidade dos profissionais. Eles identificam melhor os riscos do dia a dia, esclarecem dúvidas e também recebem orientações que fazem diferença na vida pessoal, como os cuidados com a saúde física e mental. É essa combinação entre prevenção, educação e promoção da saúde que faz da MegaSipat uma referência para a construção civil brasileira”, afirma. Como participar As construtoras interessadas em oferecer a MegaSipat aos seus colaboradores podem entrar em contato com a área de Relações Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (11) 3334-5630.

DNIT interdita ponte sobre o Rio Tocantins após laudos apontarem danos irreversíveis na estrutura

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O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) interditou totalmente a ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, em Pedro Afonso (TO), após a conclusão de estudos técnicos na sexta-feira (17), que apontaram comprometimento irreversível das fundações da estrutura. A decisão foi tomada com base em ensaios de campo e análises laboratoriais que descartaram a possibilidade de uma reabilitação segura da ponte. Durante a investigação, a estrutura passou por uma prova de carga, na qual caminhões pesados foram posicionados sobre a ponte para medir seu comportamento sob esforço. Paralelamente, amostras de concreto das fundações e dos pilares foram analisadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Os testes revelaram que, mesmo após a retirada da carga, parte da deformação permaneceu na estrutura, indicando perda de capacidade de recuperação. Os exames laboratoriais identificaram reações químicas internas no concreto, responsáveis pela deterioração das fundações dos apoios centrais. Segundo o DNIT, trata-se de um problema irreversível, cuja única solução técnica é a substituição da estrutura, inviabilizando a recuperação da ponte. Diante do resultado das análises, o órgão informou que a ponte será reconstruída. Enquanto o projeto definitivo é elaborado, a travessia permanecerá interditada. O DNIT avalia, no entanto, a possibilidade de liberar futuramente o tráfego apenas para veículos leves, como carros e motocicletas, desde que sejam realizados serviços preparatórios. Essa alternativa será reavaliada em até 15 dias. Até que haja nova definição, a orientação é que os motoristas utilizem as rotas alternativas divulgadas pelo DNIT, enquanto a fiscalização da interdição será realizada em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).  

Confira as rotas alternativas

  • Seguir pela BR-153 até Guaraí;
  • Acessar a TO-239 em direção a Tupiratins;
  • Realizar a travessia de balsa até Itapiratins;
  • Prosseguir pela TO-239, passando por Itacajá;
  • Seguir pela BR-010 até Santa Maria do Tocantins;
  • Acessar a TO-010 em direção a Pedro Afonso.

Assinatura eletrônica + ERP na incorporação: o ponto de virada no contrato de venda

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Na incorporação, todo esforço do comercial converge para um momento decisivo: o contrato de venda. É ali que a oportunidade vira receita, unidade reservada vira unidade vendida e o ERP passa a ser a “verdade oficial” da relação com o cliente. É justamente nesse ponto que a integração entre assinatura eletrônica e ERP faz diferença.

Quando o contrato nasce dentro do ERP

Em vez de tratar o contrato como um documento à parte, cada vez mais incorporadoras estão adotando um modelo em que ele nasce diretamente no ERP: dados do cliente, unidade, índice, tabelas, condições de pagamento e reajuste já saem amarrados ao que foi negociado. A partir daí, a assinatura eletrônica entra como extensão natural desse fluxo: o sistema gera o contrato e, em poucos cliques, envia para o cliente assinar em ambiente digital, sem sair do contexto do ERP. Resultado: aquilo que o time comercial cadastrou é exatamente o que o cliente recebe para formalizar.

Do stand ao contrato assinado, em minutos

Na prática, a jornada pode ser assim:
  1. Corretor ou equipe de vendas registra a negociação no ERP.
  2. O sistema gera o contrato com base nas regras do empreendimento.
  3. A plataforma de assinatura eletrônica dispara o documento para o cliente.
  4. O cliente assina pelo celular ou computador, no ato da compra.
  5. O contrato retorna automaticamente ao ERP, já vinculado à venda.
Esse encurtamento do ciclo traz ganhos claros:
  • reduz o tempo entre “fechei com o cliente” e “tenho o contrato assinado”;
  • aumenta a taxa de conversão, aproveitando o momento de decisão;
  • facilita a vida do cliente, que não precisa voltar ao stand ou ao escritório.

Mais controle, menos atrito entre áreas

Quando ERP e assinatura eletrônica caminham juntos, o efeito positivo aparece em toda a cadeia:
  • Comercial acompanha em tempo real quais contratos foram enviados e assinados.
  • Financeiro tem segurança para programar recebíveis, boletos e fluxo de caixa com base em contratos formalizados no sistema.
  • Jurídico ganha padronização na geração de documentos, com trilha de auditoria e histórico centralizado.
  • Pós-venda e cobrança acessam rapidamente o contrato correto, vinculado ao cadastro do cliente.
Tudo isso com uma visão única: o que está no contrato é o que está no ERP.

Experiência de compra mais fluida

Para o cliente, a integração se traduz em uma experiência moderna e coerente:
  • ele recebe o contrato logo após a definição da proposta;
  • pode revisar com calma, tirar dúvidas e assinar do próprio dispositivo;
  • recebe confirmação e tem acesso fácil ao documento assinado.
Essa fluidez passa confiança e reforça a imagem de uma incorporadora organizada, digital e preparada para atender bem em todas as etapas.

Assinatura eletrônica como peça da estratégia, não só da rotina

Quando a assinatura eletrônica é integrada ao ERP, ela deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a fazer parte da estratégia:
  • acelera o giro de vendas;
  • melhora a governança sobre contratos e condições comerciais;
  • apoia auditorias e compliance com informações estruturadas;
  • contribui para a transformação digital da empresa, com processos realmente digitais de ponta a ponta.
Assinatura eletrônica e ERP, juntos, permitem que o contrato de venda de incorporação deixe de ser um “ponto de atenção” e se torne um ponto forte da operação: rápido, seguro, integrado e alinhado à experiência que o mercado espera.

Sequência de interdições na bacia Araguaia-Tocantins reflete desafios das pontes brasileiras

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Nos últimos meses, a interdição de pontes em rodovias federais tem se repetido em diferentes regiões do país e envolve tanto estruturas com mais de quatro décadas de uso quanto obras relativamente recentes. Embora cada caso tenha características próprias, os laudos técnicos apontam fatores comuns, como o comprometimento de elementos estruturais essenciais. O caso mais recente ocorreu na ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, no Tocantins. No dia 19 de junho, a estrutura, localizada no km 163,59 da rodovia, foi totalmente interditada nos dois sentidos por determinação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A restrição foi para todos os veículos, inclusive oficiais e os utilizados na prestação de serviços essenciais. Outro episódio envolve duas pontes sobre o Rio Itacaiunas, na BR-230, em Marabá (PA). Em março, o DNIT informou que ambas passariam por um processo de implosão após avaliações indicarem risco estrutural. A estrutura mais nova, construída há cerca de 16 anos, apresentou problemas que comprometem sua integridade. Já a ponte mais antiga, com mais de 40 anos, acumula desgaste natural e operava há anos sob cargas superiores às previstas no projeto original. O Doutor em Estruturas pela USP, Leandro Moreira, considera que, apesar de haver essas recentes medidas adotadas pelo DNIT, não é possível afirmar que esse tipo de intervenção sempre leva em conta os mesmos fatores. “Cada ponte precisa de fato ser investigada individualmente. Nós temos falhas congênitas. Normalmente, essas falhas congênitas estariam ocorrendo num período curto ou mesmo na fase ainda de construção. Depois você tem falhas adquiridas durante a construção, como falta de controle de qualidade da própria execução em si. Você tem falhas por causas acidentais, sobrecargas, impactos, enchentes, erosão da fundação. E falhas, vamos dizer assim, de tempo de exposição mesmo”, destaca. A reportagem do Brasil 61 entrou em contato com o DNIT para pedir atualizações sobre a situação das pontes e destacar as medidas que têm sido apresentadas pelo órgão. Porém, até o fechamento desta reportagem, não obteve retorno.

Outras interdições

Em maio, foi a vez da Ponte Transaraguaia, sobre o Rio Araguaia, na divisa entre Pará e Tocantins, ser totalmente interditada. Segundo o DNIT, a medida teve caráter preventivo e foi adotada após a conclusão de um Relatório Técnico de Avaliação Estrutural, elaborado com base em investigações realizadas entre fevereiro e abril de 2026. A análise incluiu inspeções visuais detalhadas, ensaios não destrutivos por ultrassom, extração e testes de amostras de concreto, monitoramento das vibrações da estrutura, levantamentos topográficos e prova de carga com veículo pesado. Os resultados apontaram elevado grau de deterioração em componentes responsáveis pela sustentação da ponte, especialmente nos blocos de fundação e nos pilares do trecho central, que sustentam o vão principal sobre o canal do Rio Araguaia. Outro caso emblemático foi o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que ligava os estados do Maranhão e do Tocantins, em 2024. A ponte atendia o corredor Belém-Brasília desde a década de 1960. Com 533 metros de metros de extensão, a ponte ficava localizada na rodovia BR-226. “Todas as pontes precisam de monitoramento, mas essas pontes em especial precisam de monitoramento contínuo para que você possa estar prevendo algum tipo de restauração das condições daquela ponte ou mesmo a interrupção, como foi o caso de algumas pontes. A inspeção visual é a porta de entrada dentro desse processo de monitoramento, é um processo que tem que ser realizado por um engenheiro especializado e esse engenheiro vai basicamente observar as manifestações patológicas que podem ser percebidas visualmente”, enfatiza Moreira.

Problemas relatados pelos usuários

Acidentes associados à falta de manutenção, rachaduras, buracos, sinalização deficiente e iluminação insuficiente estão entre as principais reclamações registradas em uma consulta pública realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar a segurança e as condições das pontes federais brasileiras. A iniciativa, encerrada em 30 de abril, reuniu a percepção dos próprios usuários das rodovias. Durante quase três meses, o tribunal recebeu 485 manifestações de cidadãos. VEJA MAIS: As contribuições contemplaram 365 pontes rodoviárias administradas pelas esferas federal, estadual e municipal, distribuídas por diversos estados e municípios. Desse total, 314 receberam avaliações negativas, 43 foram classificadas como neutras e apenas oito tiveram avaliações positivas.

Panorama das pontes brasileiras

Dados do Panorama Geral das Pontes Rodoviárias Brasileiras, divulgado em 2024, mostram que o país ainda enfrenta desafios relacionados ao acompanhamento e à conservação dessas estruturas. O levantamento estima a existência de 113.168 pontes rodoviárias em todo o território nacional. No entanto, somente 14.874 possuem inventário e histórico de inspeções disponíveis. Entre as estruturas catalogadas, mais de 11 mil estão classificadas em condição crítica ou ruim, situação que demanda intervenções prioritárias. O estudo também aponta que 37% das pontes inventariadas têm mais de 50 anos de existência, refletindo o envelhecimento de parte da infraestrutura rodoviária brasileira. Além disso, aproximadamente 68% dessas estruturas estão concentradas nas regiões Sudeste e Sul. Na divisão por estados, Minas Gerais reúne o maior número de pontes do país, com 16,4% do total, seguido por São Paulo, com 14,2%. Juntos, os dois estados concentram cerca de 30% das pontes rodoviárias brasileiras. Em relação aos materiais utilizados na construção, as pontes de concreto armado representam 38% do inventário, enquanto as de concreto protendido correspondem a 12,9%. Somadas, essas duas tipologias equivalem a aproximadamente metade das estruturas catalogadas. O levantamento também analisou as condições de conservação conforme o modelo de gestão. Os resultados indicam desempenho mais favorável nas pontes administradas por concessionárias privadas estaduais do que naquelas sob responsabilidade da administração pública federal. Nas estruturas de jurisdição pública federal, predominam as classificações 3 (31,6%) e 4 (53,5%). Já entre as pontes concedidas à iniciativa privada pelos estados, a nota 5 aparece com maior frequência, representando 37,8% das avaliações e indicando uma proporção maior de estruturas em melhores condições de conservação.

O que deve acontecer no mercado e na indústria de terras-raras até 2030?

A Shanghai Metals Market (SMM) uma das principais provedoras de inteligência de mercado para metais e minerais na Ásia, anuncia o lançamento da nova edição do relatório mensal “SMM Rare Earth Industry Analysis and Outlook — June 2026”, com uma análise abrangente que examina as dinâmicas de oferta e demanda, as tendências de preços e os impactos regulatórios que estão moldando o futuro da indústria global de terras raras. O relatório, com dados referenciados até 9 de junho de 2026, oferece projeções detalhadas até 2030, sendo considerado uma ferramenta indispensável para desenvolvedores de projetos, investidores, produtores e consumidores do setor, traders, instituições de pesquisa e acadêmica, governos e associações.

Oferta e demanda: mercado em transição

O relatório revela que o mercado de óxido de praseodímio-neodímio (Pr-Nd) apresentará, em 2026, um padrão de recuperação caracterizado como “apertado no início, mais folgado ao final”. Nos primeiros meses do ano, a produção permaneceu baixa, devido às interrupções de feriados e à retomada lenta das operações nas empresas de separação. De março a maio, embora as taxas de operação tenham se recuperado, o crescimento da oferta foi limitado pela contração do sistema de reciclagem de sucata, com a produção mensal estabilizando na faixa de 8.700 a 8.900 toneladas. Para o segundo semestre de 2026, com a liberação da eficiência produtiva de minério primário e o aumento da produção de recursos reciclados, a oferta deve se afrouxar significativamente, com a produção média mensal prevista entre 9.500 e 9.700 toneladas. Por outro lado, a demanda apresenta uma tendência de “baixa no início, alta ao final”, impulsionada pela recuperação da cadeia de veículos de nova energia, pela demanda de exportação e pelo suporte dos setores de eletrodomésticos e robótica.

Controles de exportação e políticas regulatórias

Um dos aspectos mais relevantes do relatório é a análise dos impactos dos controles de exportação chineses sobre terras raras. O porta-voz do Ministério do Comércio da China, He Yadong, reafirmou que o governo chinês implementa controles de exportação sobre itens relacionados a terras raras em conformidade com leis e regulamentos. Segundo ele, todas as solicitações de exportação legítimas para uso civil foram aprovadas em tempo hábil, e o governo adota ativamente medidas de facilitação, como licenças gerais, para promover o comércio em conformidade de itens de uso duplo. Além disso, o Conselho de Estado chinês deliberou e aprovou as “Regulamentações sobre a Implementação da Lei de Recursos Minerais”, que detalham sistemas e medidas relacionados à gestão de direitos minerários e ao desenvolvimento e utilização de recursos minerais, com ênfase na identificação científica de um catálogo de recursos minerais estratégicos e na melhoria dos sistemas de reservas e resposta a emergências, especialmente para recursos críticos como terras raras, lítio, níquel e cobalto.

Cenário internacional: Lynas e os EUA

O relatório também destaca movimentos significativos fora da China. Em março de 2026, a Lynas Rare Earths anunciou a assinatura de uma carta de intenção vinculativa/acordo de fornecimento com o governo dos Estados Unidos, com uma cota de aproximadamente 96 milhões de dólares ao longo de quatro anos para a aquisição de óxidos de terras raras leves e pesadas, estabelecendo um preço piso de cerca de 110 dólares/kg para NdPr. Contudo, o mercado ressalta incertezas significativas quanto à execução da planta de separação de terras raras pesadas no Texas, bem como riscos de custo e licenciamento. A American Rare Earths, por sua vez, planeja expandir a produção e construir uma fábrica de ímãs e metais de terras raras no Condado de Cherokee, Carolina do Sul, com capacidade anual prevista de 6.400 toneladas de ímãs NdFeB e 5 mil toneladas de metais e ligas de terras raras, visando operação experimental em 2028. Juntamente com a planta existente em Oklahoma, formará uma capacidade doméstica total de 10 mil toneladas/ano, cobrindo as cadeias de defesa nacional, aeroespacial, semicondutores, inteligência artificial e energia.

Projeções de preços e balanço 2026–2030

O relatório apresenta projeções de preços para os principais produtos de terras raras (óxido de Pr-Nd, Liga Pr-Nd, óxido de disprósio, liga de ferro-disprósio, óxido de térbio e térbio metálico), com base no cenário e modelo da SMM. Segundo a análise da SMM, a estrutura de mercado do óxido Pr-Nd evoluirá de “déficit” para “excedente” ao longo do período 2026–2030. Em 2025, uma lacuna significativa entre oferta e demanda sustentou a alta dos preços. De 2026 a 2028, com a previsão de que tanto a oferta quanto a demanda careçam de elasticidade, o mercado entrará em equilíbrio apertado, com flutuações de preços mais estreitas. Já em 2029–2030, uma tesoura entre a liberação de oferta e o enfraquecimento da demanda deslocará o mercado para o excesso de oferta, exercendo pressão de correção sustentada sobre o centro de preços.

Reciclagem e sustentabilidade: o setor que mais cresce

O relatório identifica a reciclagem de sucata de NdFeB como um dos segmentos de maior crescimento na cadeia de terras raras. Em 2026, o volume de reciclagem de sucata de NdFeB deve registrar um aumento de 41,17% em relação ao ano anterior, impulsionado pela alta dos preços do Pr-Nd, que melhorou significativamente a rentabilidade das empresas de reciclagem e elevou as taxas de operação do setor. A participação da produção reciclada no total de óxido Pr-Nd continuará a aumentar, refletindo a transição estrutural do setor rumo à economia circular. No entanto, o mercado de terras raras médias e pesadas apresenta desafios distintos. A implementação de controles de exportação provocou declínios nas exportações e no uso de óxidos de terras raras médias e pesadas, enquanto as empresas de materiais magnéticos continuam a promover tecnologias de ímãs permanentes sem terras raras pesadas, reduzindo o conteúdo de disprósio e térbio no NdFeB e, consequentemente, os rendimentos desses elementos no processo de reciclagem de sucata.

Relevância para o Brasil

Para o público brasileiro, o relatório oferece insights estratégicos fundamentais. O Brasil vem buscando posicionar-se como fornecedor alternativo numa cadeia global dominada pela China. Com os controles de exportação chineses e a crescente busca por autonomia mineral nos EUA e Europa, janelas de oportunidade se abrem para produtores brasileiros. O relatório fornece dados essenciais para a tomada de decisão sobre investimentos em capacidade produtiva, parcerias internacionais e estratégias de comercialização, incluindo análises detalhadas dos mercados de óxido Pr-Nd, liga Pr-Nd, óxido de disprósio, óxido de térbio e liga disprósio-ferro. Além disso, os dados sobre reciclagem de sucata apresentam um modelo que o Brasil pode replicar à medida que seu parque industrial de ímãs permanentes se desenvolve. A compreensão das tendências de preços e dos ciclos de oferta-demanda é vital para empresas brasileiras que pretendem competir no mercado global ou estabelecer acordos de fornecimento de longo prazo com parceiros internacionais. (Por: Marcio Goto – analista da Shangai Me)

Saneamento avança pouco e apenas 94 municípios se aproximam da universalização

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A menos de uma década do prazo estabelecido pelo marco legal do saneamento, a universalização dos serviços de água e esgoto ainda está distante para a maior parte dos municípios brasileiros. Levantamento da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) mostra que apenas 94 das 2.558 cidades avaliadas apresentam indicadores compatíveis com esse objetivo. O estudo analisou cinco aspectos relacionados ao saneamento e à gestão de resíduos: cobertura de abastecimento de água, atendimento por rede coletora de esgoto, volume de esgoto tratado em relação à água consumida, coleta de lixo domiciliar e destinação final adequada dos resíduos sólidos urbanos. Com base nesses critérios, somente 3,67% dos municípios pesquisados alcançaram a classificação mais elevada do ranking, denominada “rumo à universalização”.

Capitais e cidades mais bem colocadas

Entre as capitais, Curitiba lidera o levantamento e é a única a atingir pontuação suficiente para integrar a categoria máxima. No grupo dos municípios de grande porte, os melhores desempenhos foram registrados em Leme (SP), Balneário Camboriú (SC) e Santa Bárbara d’Oeste (SP). O cenário é diferente em parte da região Norte. Belém (PA), Macapá (AP), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO) aparecem entre as capitais com pior desempenho no ranking, evidenciando que os avanços desde a aprovação do marco legal ainda foram limitados. VEJA MAIS: A Lei nº 14.026, sancionada em junho de 2020, estabeleceu metas de atendimento de 99% da população com abastecimento de água e de 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Para o presidente nacional da Abes, Marcel Sanches, o cumprimento dessas metas exige uma visão mais ampla dos desafios do setor. “A universalização não será alcançada se o país olhar apenas para uma parte do problema”, afirma.

Industrialização pode acelerar obras e elevar produtividade da construção civil, aponta estudo da CNI

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A ampliação dos sistemas construtivos industrializados pode ser um dos caminhos para aumentar a produtividade da construção civil brasileira, reduzir o tempo de execução de obras e ampliar a oferta de moradias no país. A avaliação faz parte do estudo “Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor”, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento defende a expansão de modelos conhecidos como construção off-site, nos quais partes de edifícios e obras são produzidas em ambiente industrial e posteriormente montadas nos canteiros. Segundo a entidade, a adoção dessas tecnologias pode trazer ganhos de eficiência semelhantes aos observados na indústria de transformação e ajudar a enfrentar desafios como o déficit habitacional e a necessidade de ampliação da infraestrutura nacional. Para acelerar esse processo, o estudo sugere que o poder público utilize seu poder de compra para estimular a adoção de métodos industrializados. Entre as propostas está a criação de uma cota de unidades produzidas por esses sistemas no programa Minha Casa, Minha Vida, medida que também poderia contribuir para reduzir o tempo de entrega dos empreendimentos habitacionais. Para o especialista de Políticas e Indústria da CNI, Inacio Cozendey, a construção industrializada permite incorporar ao setor práticas já consolidadas na manufatura. “Esse cenário ajuda a explicar o déficit habitacional de quase 6 milhões de unidades que o Brasil tem, e também uma infraestrutura carente de investimentos. A gente aponta que a construção industrializada, isso é, a construção em indústrias de partes de edifícios e de obras com ambientes controlados e repetição de processos, permitiria ganhos semelhantes aos da manufatura quando tratamos de produtividade, pois isso permite melhorias importantes trazidas por técnicas de manufatura enxuta e digitalização dos processos produtivos”, considera.

Redução da produtividade

O diagnóstico apresentado pela CNI mostra que a produtividade da construção civil brasileira vem perdendo força nas últimas décadas. Entre 1995 e 2024, a produtividade da população ocupada no setor recuou 20,4%. Em 2024, cada trabalhador gerou, em média, R$ 41,3 mil por ano, ante mais de R$ 50 mil anuais observados em meados da década de 1990. Ainda segundo o levantamento, a produtividade do trabalhador da construção corresponde atualmente à metade da registrada na indústria de transformação. Em comparação internacional, o trabalhador brasileiro produz o equivalente a apenas 7% do registrado nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, uma das principais razões para essa diferença é o predomínio do modelo tradicional de construção, baseado em atividades executadas diretamente nos canteiros de obras e com baixa participação da indústria no processo produtivo. “Isso permite melhorias importantes trazidas por técnicas de manufatura enxuta e digitalização dos processos produtivos. Desse modo, o canteiro de obras funcionaria montando peças já construídas, mais ou menos que nem um lego, aumentando consideravelmente a produtividade”, explica Cozendey.

5 motivos para migrar sua construtora para a nuvem hoje mesmo.

A transformação digital não é mais uma tendência; é uma necessidade, especialmente no setor da construção civil. Migrar sua construtora para a nuvem pode parecer um passo grande, mas os benefícios são imediatos e estratégicos. Confira 5 motivos para fazer essa mudança agora:
  1. Segurança de Dados Garantida

Projetos, contratos e históricos de clientes são o coração da sua empresa. Armazenar tudo na nuvem protege essas informações contra perdas por falhas de hardware, ataques cibernéticos ou desastres naturais. Além disso, sistemas em nuvem oferecem criptografia e backups automáticos, garantindo a continuidade do seu negócio.
  1. Acesso Remoto e Mobilidade

Com a nuvem, equipes de obra e escritório podem acessar arquivos, projetos e relatórios de qualquer lugar, a qualquer hora. Isso aumenta a produtividade e facilita a comunicação entre setores, sem depender de servidores físicos ou drives locais.
  1. Redução de Custos Operacionais

Manter servidores on-premises exige investimento em infraestrutura, energia, manutenção e equipe especializada. Ao migrar para a nuvem, sua construtora reduz esses custos, pagando apenas pelo que realmente utiliza, com escalabilidade conforme o crescimento da empresa.
  1. Eficiência e Integração de Sistemas

A nuvem permite integrar sistemas de gestão, como ERP Siecon ou softwares de planejamento de obras, agilizando processos e eliminando retrabalho. Isso resulta em tomadas de decisão mais rápidas e precisas, aumentando a competitividade da sua construtora.
  1. Planejamento para o Futuro com Disaster Recovery

Ter um plano de recuperação de desastres (DRP) é essencial. A nuvem possibilita restaurar rapidamente dados críticos, garantindo que interrupções temporárias não comprometam projetos ou clientes, protegendo a reputação e o faturamento da empresa.

Conclusão

Migrar sua construtora para a nuvem não é apenas uma questão tecnológica, mas estratégica. Mais segurança, eficiência, mobilidade e redução de custos são apenas alguns dos benefícios que sua empresa pode conquistar. Quanto antes você fizer essa mudança, mais preparado estará para os desafios do mercado da construção civil.

Como a Prandix aumentou a rentabilidade usando ERP para construção civil

Quando uma construtora chega ao ponto de operar mais de 10 obras em paralelo e manter centenas de pessoas em campo, a pergunta inevitável aparece: “Quanto disso tudo está realmente virando lucro?” Foi exatamente esse ponto de virada que a Prandix, empresa com quase 50 anos de atuação em obras de varejo e ambientes corporativos, enfrentou – e que a levou a adotar um ERP especializado em construção civil: o SIECON.

Crescer é bom. Crescer sem controle, não.

Por muitos anos, a Prandix seguiu a trajetória típica de construtoras bem-sucedidas: mais clientes, mais contratos, mais lojas, mais equipes, mais obras acontecendo ao mesmo tempo. Em determinado momento, o cenário era de:
  • 9 a 11 obras simultâneas
  • 110 funcionários diretos
  • Atuação intensa em lojas, farmácias, espaços de bem-estar, escritórios e galpões
Por fora, o quadro era de pleno crescimento. Por dentro, porém, uma constatação incômoda surgia nos relatórios:
O volume aumentava, mas o controle e a rentabilidade não acompanhavam.
A conta não fechava como deveria. Faltava visibilidade clara de:
  • Quanto custava, de fato, cada obra
  • Onde a margem se perdia
  • Quais centros de custo consumiam mais recursos
  • Como padronizar orçamentos em meio a clientes com planilhas, unidades e linguagens diferentes
Foi o gatilho para uma decisão estratégica: crescer não podia ser apenas fazer mais obras, e sim fazer obras com mais controle.

O limite dos sistemas genéricos

Antes de mudar, a Prandix já utilizava um software de gestão. O problema é que ele era um sistema genérico, sem foco em construção civil. Na prática, isso significava:
  • Pouco ou nenhum apoio à gestão de obras
  • Dificuldade para trabalhar com centros de custo por escopo (drywall, pintura, elétrica, etc.)
  • Falta de um banco de dados de obras que ajudasse a montar orçamentos com base em histórico real
  • Relatórios que não traduziam a complexidade de uma operação de engenharia
A empresa evoluía em número de projetos, mas continuava sem uma visão consolidada de custo, margem e desempenho por obra. Era hora de trocar a planilha e o sistema genérico por algo que falasse a língua do canteiro.

A escolha por um ERP desenhado para a obra

A busca da Prandix foi objetiva: encontrar um ERP para construção civil que resolvesse a necessidade de controle sem virar um peso morto na rotina. Depois de conversar com players do setor, comparar soluções e olhar para o que o mercado especializado oferecia, a empresa chegou ao SIECON.
Software de gestão de obras para construtoras
Software de gestão de obras para construtoras
O que pesou na decisão?
  • Ser um ERP desenvolvido especificamente para construção civil
  • Atender construtoras, incorporadoras e empresas de engenharia que precisam ir além do financeiro e controlar a obra em detalhe
  • Oferecer um sistema de gestão de obras com foco em orçamento, centros de custo, compras, contratos e financeiro integrados
  • Permitir a construção de um banco de dados de obras – uma memória técnica e econômica de cada projeto
Em outras palavras: um software que não “se adaptou” à construção, mas que nasceu dentro dela.

Centos de custo, dados e a tal da “linguagem própria”

Depois da implantação, o SIECON começou a mudar a forma como a Prandix enxergava seus números.

O primeiro passo: colocar cada custo no seu devido lugar

Drywall, alvenaria, pintura, elétrica, revestimentos, infraestrutura. Cada escopo passou a ter centros de custo bem definidos dentro do ERP. Compras, notas e lançamentos deixaram de ser “custos gerais” e passaram a ser registrados já atrelados ao centro de custo correto. Na prática, isso permitiu à Prandix:
  • Saber com precisão quanto custava cada etapa da obra
  • Comparar desempenhos entre obras parecidas
  • Identificar onde a margem apertava mais

O segundo passo: transformar obras em banco de dados

Com a rotina consolidada dentro do SIECON, cada obra deixou de ser um acontecimento isolado e passou a alimentar um banco de dados interno. Em vez de montar orçamentos apenas na experiência ou em planilhas soltas, a empresa passou a:
  • Consultar números reais de obras anteriores
  • Calibrar preços e composições
  • Ganhar velocidade sem abrir mão de precisão

O terceiro passo: da planilha do cliente à “linguagem Prandix”

Um ponto sensível em empresas que atendem diversos clientes é a multiplicidade de formatos:
  • Um cliente orça por metro quadrado
  • Outro por metro cúbico
  • Outro por item unitário
  • Cada um com sua própria planilha, descrição e unidade de medida
Antes, a Prandix corria atrás da linguagem de cada cliente. Com o SIECON, a lógica se inverteu:
  1. A empresa passou a ter uma tabela de custos e serviços própria, padronizada dentro do ERP – a “linguagem Prandix”.
  2. Só depois traduz essa linguagem interna para o formato de cada cliente.
Resultado: mais organização, menos retrabalho e uma base muito mais sólida para negociar e comparar resultados.

Menos obras, mais resultado

O reflexo dessa reestruturação apareceu nos indicadores. Ao optar por reduzir o número de obras simultâneas e qualificar a gestão com o SIECON, a Prandix chegou a um cenário surpreendente para quem sempre acreditou que “crescer é fazer mais obras”:
  • Com 5 a 7 obras em paralelo, a empresa passou a ter mais controle de custos
  • rentabilidade melhorou, com margens mais claras e riscos reduzidos
  • Em alguns momentos, o resultado obtido com 5–6 obras superou o que antes se conseguia com 10
A lição é direta: não é o volume que garante lucro; é o controle. E, no caso da Prandix, esse controle passa por um ERP que enxerga a obra em profundidade.

Tecnologia: custo ou questão de sobrevivência?

No setor de construção civil, ainda é comum ver tecnologia classificada como custo. O case da Prandix aponta na direção oposta. Com prazos cada vez mais curtos, margens pressionadas e clientes mais exigentes, não ter dados organizados se tornou o verdadeiro risco. ERP, sistema de gestão de obras, plataforma em nuvem: tudo isso deixou de ser luxo e passou a ser ferramenta de sobrevivência e competitividade.

Para quem está na mesma encruzilhada

Se a sua construtora, incorporadora ou empresa de engenharia toca várias obras em paralelo, depende de planilhas e controles dispersos, trabalha com um sistema genérico que não entrega a visão de obra que você precisa e vive lutando para enxergar com clareza custos, margens e desempenho por projeto, o caminho percorrido pela Prandix com o SIECON deixa de ser apenas um relato interessante e passa a funcionar como um espelho bastante fiel da sua própria realidade. O SIECON é um ERP desenvolvido especificamente para a construção civil. Reúne, em uma única plataforma, a gestão de obras, orçamentos, compras, contratos e financeiro, organiza centros de custo por escopo de obra, transforma cada projeto executado em banco de dados para apoiar novos orçamentos e opera em nuvem, pensado para a rotina de construtoras, incorporadoras e empresas de engenharia civil que precisam de acesso rápido e informação confiável. No fim das contas, a questão que se impõe já não é se vale a pena investir em tecnologia de gestão, mas por quanto tempo ainda é viável continuar sem ela. Em um mercado de canteiros cheios, prazos curtos e margens cada vez mais pressionadas, seguir o movimento que a Prandix fez ao adotar o SIECON talvez não seja apenas uma boa escolha estratégica: pode muito bem ser o próximo passo natural na evolução da sua empresa.  

Lançar empreendimentos já não basta na construção civil, apontam especialistas

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Governança sólida, decisões estratégicas e gestão de riscos são principais pontos para longevidade das construtoras Durante décadas, a força de uma construtora foi medida pelo volume de lançamentos, pela velocidade das vendas e pelo tamanho dos empreendimentos entregues. Mas, em um mercado pressionado por custos crescentes, escassez de mão de obra, maior rigor regulatório e exposição pública constante, a sobrevivência das empresas passou a depender de algo menos visível: a capacidade de tomar decisões consistentes ao longo do tempo. Hoje, governança corporativa, gestão de riscos e reputação deixaram de ocupar apenas o discurso institucional e passaram a integrar diretamente a estratégia de permanência das empresas no mercado. O cenário ajuda a explicar essa mudança. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostram que cerca de 70% das empresas da construção civil enfrentam escassez de profissionais qualificados, enquanto 82% relatam dificuldade para contratar mão de obra especializada. Além dos impactos operacionais, o contexto pressiona custos, aumenta riscos e exige estruturas mais preparadas para lidar com crises, tomada de decisão e retenção de talentos. Governança começa antes do organograma Um dos equívocos mais comuns entre gestores, segundo o CEO e Engenheiro de Decisões da Groundzero, Marcos Brandão, é tratar a governança apenas como um conjunto de normas ou mecanismos burocráticos. “A governança é uma arquitetura de como as empresas tomam as suas decisões. Sejam decisões de estratégia, de cultura, do que for”, afirma. Nas empresas familiares, maioria esmagadora dentro da construção civil brasileira, o desafio costuma começar na falta de clareza estratégica. Para Brandão, muitos empresários ainda enxergam a governança como algo distante da realidade operacional. “Quando você conversa com o empresário, ele fala: ‘Eu cheguei até aqui’. Mas 60% das empresas não completam cinco anos. Ele ainda tem uma postura de que chegou até aqui sem governança, sem essa burocracia toda”, observa. Este modelo, segundo o especialista, gera perdas silenciosas que comprometem o crescimento das empresas, desde desperdícios financeiros até dificuldade de retenção de talentos e perda de capacidade de inovação. O diretor jurídico da Emccamp e VP de Políticas Trabalhistas do Sinduscon-MG, Felipe Boaventura, reforça que governança também depende da preservação dos espaços corretos de decisão dentro das organizações. “Não adianta você ter uma fazenda com câmeras e sensores na grade e deixar o muro caído a dez metros de distância. Quando a gente não respeita os foros adequados para as discussões estratégicas, táticas e operacionais, a gente acaba perdendo a capacidade de avaliar e decidir bem cada uma delas”, pontua. Compliance como ativo, não como despesa Outro ponto que vem ganhando força dentro das construtoras é a mudança de percepção sobre o compliance. Se antes o tema era associado apenas a controle ou obrigação regulatória, agora ele passa a ser tratado como ferramenta de fortalecimento institucional. O VP de Relações Institucionais e Sustentabilidade da MRV, Raphael Lafetá, afirma que a principal transformação começa quando as empresas deixam de enxergar compliance como despesa. “Não é custo, é investimento. Investimento na sua marca, no seu produto, em todos os seus stakeholders que estão ali de olho em você”, afirma. Lafetá também relaciona diretamente a governança à postura das lideranças. “Uma boa governança tem que ter um bom exemplo e parte da cabeça das empresas”, pontua. A consolidação de uma cultura de integridade depende do comportamento de quem ocupa posições estratégicas e da coerência entre discurso e prática, de acordo com o VP. No mercado financeiro, os impactos da governança já são percebidos de forma concreta. Boaventura destaca que empresas com estruturas mais sólidas conseguem acessar melhores condições de captação de recursos e ampliar a confiança de investidores. “A partir do momento que você cumpre os requisitos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de categoria A, você tem acesso a todo um universo restrito de investidores, que te permitem um ganho competitivo tremendo na captação de recursos”, explica. Riscos subestimados no setor Além das ameaças jurídicas e operacionais tradicionais, os especialistas alertam para riscos que ainda são subestimados no setor, principalmente aqueles ligados à cultura organizacional e à capacidade de retenção de talentos. Boaventura chama atenção para empresas que ainda operam sem uma estratégia clara de geração de valor e sem capacidade de atrair profissionais qualificados em um cenário de escassez de mão de obra. Eventos climáticos extremos também aparecem como uma das principais fronteiras de risco para a construção civil. A resiliência climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a impactar diretamente operação, planejamento e sustentabilidade financeira das empresas. Lafetá afirma que a gestão de riscos depende da preparação institucional para responder rapidamente quando os problemas acontecem. “Aconteceu um acidente na obra, é um risco que você sabia que poderia ter. Então você tem que ter no seu sistema de governança como tratar esse acidente. O que eu tenho que fazer? Para quem reportar? Como falar isso para a sociedade? E qual lição aprender para que jamais se repita?”, questiona. Reputação se tornou ativo de longo prazo Em um ambiente de alta exposição digital e circulação acelerada de informações, confiança e credibilidade passaram a influenciar diretamente valor de marca, capacidade de expansão e percepção do mercado. Na visão de Brandão, o maior erro é implementar estruturas de governança apenas para atender exigências formais ou construir uma imagem institucional. “Os funcionários percebem, os clientes percebem, os órgãos regulatórios percebem que não tem governança nenhuma, que está só no papel. Se você decidiu fazer um sistema de governança, faça e siga. Senão, o tiro sai pela culatra”, afirma. Boaventura resume a relação entre governança e reputação como uma cadeia contínua de confiança. “Governança para mim é uma questão de reputação. Governança é uma questão de confiança”, conclui. O tema foi debatido no podcast Morar em Pauta, da Emccamp Residencial, que reuniu o diretor jurídico da Emccamp e vice-presidente de Políticas Trabalhistas do Sinduscon-MG, Felipe Boaventura; o vice-presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da MRV, Raphael Lafetá; e o CEO e engenheiro de decisões da Groundzero, Marcos Brandão. O episódio já está disponível nas plataformas Spotify e Youtube.