O lançamento de imóveis residenciais na capital paulista em fevereiro foi mais do que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a pesquisa mais recente do Secovi-SP, entidade que representa as empresas do setor.
No segundo mês do ano, 870 unidades foram lançadas na cidade – ante 341 imóveis em fevereiro do ano anterior. Em 12 meses, foram lançados 32,8 mil imóveis, um patamar parecido com o período de março de 2014 a fevereiro de 2015, no início da recessão.
A venda de imóveis novos também acompanhou esse movimento, com a comercialização de 2,2 mil unidades em fevereiro, 50% a mais do que no mesmo mês de 2018. No acumulado de 12 meses, as vendas em fevereiro também voltaram ao mesmo patamar registrado até fevereiro de 2015.
“Em meio à atual conjuntura, com um novo governo e a necessidade de as reformas saírem, as perspectivas para este ano continuam elevadas”, avalia o presidente da entidade, Basilio Jafet. “Contudo, sem a aprovação da reforma da Previdência, o setor imobiliário será afetado, assim com os demais setores da economia.”
Para o corretor de imóveis João Batista Souza, que atua em uma imobiliária na região central da capital paulista, o mercado na cidade ainda está mais aquecido para locação do que para vendas.
“O estoque de imóveis que não foram vendidos na cidade ainda está alto. A procura tem aumentado nos últimos meses, mas principalmente para imóveis de baixo valor e a gente sente que as construtoras têm apostado mais em imóveis assim, mas o consumidor ainda está pensando bem antes de comprar um imóvel.”
Ainda de acordo com o Secovi, os imóveis de até R$ 240 mil lideraram as vendas, enquanto a maior parte dos lançamentos custava entre R$ 240 mil e R$ 500 mil.
Uma inovação tecnológica está revolucionando uma das profissões mais antigas do mundo. A realidade aumentada mal chegou e vem transformando a maneira como se fazia construção civil nos últimos séculos. A mudança não é apenas ao projetar e modelar, mas também ao construir. A realidade aumentada beneficia engenheiros, designers, arquitetos, gerentes de projetos, provedores de serviços – e toda a equipe de construção.
Diferente da realidade virtual, que cria um ambiente totalmente novo e independente do mundo real, a realidade aumentada inclui elementos virtuais que interagem com o que já existe. Assim é possível unir projetos arquitetônicos virtuais à realidade do canteiro de obras – aumentando a eficiência e precisão, reduzindo a ocorrência de erros e economizando tempo, dinheiro e recursos.
Sabemos que as obras frequentemente são espaços caóticos, barulhentos e sujos. Ainda que a adoção do sistema BIM reduza grande parte das incompatibilidades e surpresas desagradáveis durante o processo construtivo, é inevitável que surjam dúvidas e ocorram erros durante a obra. E, mais importante, cada erro ou refazimento custa muito dinheiro e tempo.
A ideia é que os aplicativos de Realidade Aumentada possam proporcionar uma visão mais exata daquilo que será construído e todas as camadas de materiais e instalações que, muitas vezes, são complexas de se entender através de desenhos. Para isso, plantas 3D e até hologramas de maquetes virtuais são utilizados para melhorar a compreensão do projeto e facilitar a execução de projetos. E, mesmo durante a construção, a possibilidade de ver através de paredes e entender o caminho das instalações facilita o processo e reduz a possibilidade de erros, ou mesmo para guiar a construção de geometrias complexas.
Para tal, há a necessidade de um dispositivo, geralmente, um óculos. Atualmente, há diversas empresas fabricantes, mas o mais popular usado na construção civil é o Microsoft HoloLens. Uma das grandes razões pelas quais as construtoras escolhem o Microsoft HoloLens é o preço e o fato de agora ele ser certificado como óculos básicos de proteção. Já a empresa DAQRI desenvolveu um capacete de segurança integrado ao óculos, para facilitar ainda mais o uso por profissionais da construção civil.
Uma das áreas que mais irá se beneficiar com a realidade aumentada é a de inspeção e gerenciamento de obras. Esse vídeo conceitual evidencia como o trabalho poderá ser facilitado e aprimorado com a adoção da tecnologia no futuro:
Selecionamos algumas tecnologias de Realidade Aumentada que podem revolucionar a maneira como abordamos a indústria da construção civil.
Morpholio AR Sketchwalk
Cortesia de Morpholio
AR Sketchwalk é uma ferramenta de realidade aumentada, que permite aos arquitetos e projetistas utilizarem a realidade aumentada para mergulhar em seus esboços e proporcionar a seus clientes e a si mesmos uma noção mais verdadeira do espaço. Através de um iPad, você posiciona seu croqui no plano (pode ser o próprio terreno do projeto) e pode percorrê-lo, até subindo as paredes para ter uma ideia dos espaços futuros. Isso torna a experiência de apresentar um projeto muito mais interativo e claro para os clientes.
DAQRI Smart Helmet
Cortesia de DAQRI
O DAQRI Smart Helmet é um capacete capaz de visualizar projetos e modelos 3D em realidade aumentada – experimentando-o como um ambiente 3D imersivo e em grande escala. As equipes podem comparar o trabalho em andamento com o projeto original e manter a obra e o escritório sincronia, com um fluxo de trabalho totalmente digital.
Hoje em dia, além do AR Measure, do qual já falamos nesse post, há alguns aplicativos disponíveis para o mesmo propósito. O IOS 12, por exemplo, já vem com um aplicativo de medição instalado. Usando realidade aumentada, eles funcionam como réguas digitais, calculando distâncias em espaços reais através da câmera do seu celular ou tablet. Com o aplicativo, você pode medir objetos e também desenhar plantas de uma sala real. AirMeasure e MeasureKit são alguns dos aplicativos para este fim, entre diversos outros.
O Augment é um aplicativo de realidade aumentada que permite aos usuários visualizar modelos 3D em tempo real e na escala correta – transformando uma planta em um holograma do modelo 3D, ou simulando produtos em tamanho real. A plataforma está disponível para smartphones e tablets e é utilizada por designers de produto, equipes de vendas e marketing – reduzindo custos de prototipagem, aumentando o apelo ao cliente e impulsionando as vendas.
O Fologram transforma modelos 3D em instruções de construção em tamanho real através de óculos de realidade aumentada, como o Hololens. O programa procura facilitar a construção de projetos complexos, que exigem uma série de medições, verificação e cuidados específicos, através de instruções digitais que são virtualmente sobrepostas ao espaço de trabalho, direcionando um guia passo-a-passo para pedreiros durante o processo de construção.
O GAMMA AR é um aplicativo para monitoramento de canteiros de obras que utiliza tecnologia de realidade aumentada para sobrepor construções em 3D BIM através de smartphones ou tablets. Ele permite comparar a realidade da obra com as informações de planejamento contidas no projeto. O GAMMA AR permite a visualização de modelos 3D BIM antes e durante o processo de construção – criando uma compreensão do planejamento, evitando erros e reduzindo os custos de construção.
A WakingApp, empresa de software de realidade virtual e aumentada, lançou recentemente suplementos que permitem aos usuários do Autodesk Revit e do Fusion 360 transformarem seus projetos 3D em realidade aumentada e realidade virtual, através de um smartphone ou tablet.
O ARki é um serviço de visualização de realidade aumentada em tempo real para modelos arquitetônicos. Ele incorpora a tecnologia de RA na arquitetura, fornecendo modelos 3D com vários níveis de interatividade tanto para fins de projeto como de apresentação. Pode ser usado em qualquer dispositivo iOS / Android.
Dalux View / Dalux Build / Dalux FM
Cortesia de Dalux
A dinamarquesa Dalux oferece três soluções em realidade aumentada para a construção civil. O Dalux Viewer é um aplicativo gratuito que está disponível na plataforma iOS e Android e permite que os usuários projetem um modelo 3D e desenhos digitais no local da construção real. O Dalux Build combina a realidade aumentada com outras ferramentas que facilitam o gerenciamento de projetos em construção, garantindo um fluxo ininterrupto de informações em todas as etapas do projeto. Já o DaluxFM oferece soluções para a gestão de instalações, que abrange planejamento e administração patrimonial, incluindo os contratos de serviços terceirizados e associados, manutenção elétrica, hidráulica, controle de rendas, além de atividades de preservação do local.
Ainda sem conhecer as conclusões sobre a tragédia emblemática ocorrida em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro último, quando uma barragem da Vale S.A. se rompeu, causando destruição e mortes, os brasileiros seguem convivendo com episódios que denotam precariedade e insegurança na infraestrutura urbana e de produção no País. Em 29 de março, uma barragem se rompeu em Machadinho D’Oeste (RO). No dia 6 de abril, ocorreu a queda de parte da ponte da Alça Viária sobre o rio Moju, no interior do Pará. O período de chuvas tem causado graves estragos e feito vítimas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em locais do Nordeste. Já, em 15 de novembro de 2018, os paulistanos haviam sido surpreendidos pelo colapso de um viaduto da via expressa da Marginal Pinheiros que cedeu cerca de 2 metros enquanto automóveis trafegavam por ele. Em 23 de janeiro, foi interditada, devido ao risco de ceder, a ponte da Marginal Tietê que dá acesso à Rodovia Presidente Dutra. Em 1º de maio de 2018, no centro da capital paulista, um edifício desabou após um incêndio.
Esses são alguns dos eventos que revelam uma realidade dramática: em toda parte, há risco constante. É mais que urgente alterar esse cenário absolutamente inaceitável, e a grande contribuição para tanto pode e deve vir da engenharia nacional. Com esse norte, no dia 16 de abril, o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) realiza o seminário “Pontes, viadutos, barragens e a conservação das cidades – Engenharia de manutenção para garantir segurança e qualidade de vida”. O objetivo é fazer um diagnóstico da situação vivida no País e, em especial, no Estado de São Paulo, e propor medidas concretas para superá-la.
Entre os pontos a serem colocados em discussão na ocasião, está nossa proposta de que as administrações nos níveis municipal, estadual e federal instituam um órgão com dotação orçamentária e corpo técnico qualificado para ser responsável por inspeção e conservação regulares nas estruturas de responsabilidade do poder público. Entra aqui a engenharia de manutenção, que nada tem de menor, embora comumente seja assim tratada por muitos gestores.
É preciso ter-se a consciência de que assegurar a correta conservação de obras e estruturas não permite improvisos; exige coleta e análise de dados com precisão, planejamento e execução qualificada. Portanto, a tarefa deve contar com o protagonismo dos profissionais da área tecnológica, que, por sua vez, precisam estar atentos a tal responsabilidade.
O SEESP, juntamente com a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), desde 2006, tem trabalhado o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que aponta caminhos para a expansão econômica sustentável do País. É importante notar que esse esforço implica necessariamente mais manutenção qualificada, consequente e regular. Há muito que se vencer em termos de gargalos na infraestrutura urbana e de produção, mas é preciso que sejamos capazes de garantir a conservação e aprimoramento do que existe. Não se pode deixar o País relegado ao abandono e ao descaso.
Atualmente, a contratação de obras e serviços de engenharia pelo setor público é feita, em muitos casos, por meio da modalidade de pregão. Essa modalidade de licitação, instituída pela Lei Federal n.º 10.520/02, tem como objetivo a aquisição de bens e serviços comuns “cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado”.
Para adquirir um bem é possível observar quesitos práticos de avaliação, antes da celebração do contrato: durabilidade, dimensões, material de fabricação, marca. No caso de eletrônicos pode-se observar a geração dos processadores, tamanho da memória, etc.
Para serviços comuns, é possível avaliar com base nos serviços realizados anteriormente. Nesses casos, a escolha pelo menor orçamento é acertada com frequência.
No entanto, utilizar o pregão para serviços de engenharia é ignorar o fato de as atividades do setor não se enquadrarem na simples aquisição de bens e serviços comuns, já que são regulamentadas por diferentes legislações do campo da engenharia.PUBLICIDADE
Explico, as obras e serviços de engenharia possuem claros conceitos legais, especificações e padrões de desempenho e qualidade, com parâmetros padronizados. São atividades altamente especializadas, que demandam grande atenção e responsabilidade técnica.
São raras as hipóteses em que tais atividades podem ser classificadas legalmente como bens e serviços comuns, apenas nos casos em que a atuação do profissional de engenharia não é de tanta relevância, e o serviço acaba por ser obtido sem dificuldades no mercado.
A licitação por meio do pregão eletrônico acaba por não ser mais viável. Mesmo indo de encontro ao Decreto 3.555/2000, onde se especifica que pregão não se aplica às contratações no campo da engenharia, órgão públicos insistem nessa modalidade de licitação.
A agilidade proporcionada por esse tipo de processo continua a fazer com que algumas licitações sejam nessa modalidade. É o caso da recente licitação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), que abriu edital por pregão para seu projeto de adaptação de ambientes às normas técnicas de acessibilidade.
A decisão da instituição contrariou a posição da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU).
Utilizar o pregão indiscriminadamente pode acarretar em diversos efeitos negativos. A alta concorrência gerada pela prática, faz com que empresas baixem os valores cobrados, muitas vezes, sem calcularem com a devida atenção se o valor é suficiente para execução da obra. O que pode levar tanto a casos de obras abandonadas, como a casos de celebração de termos aditivos, fazendo com que a obra acabe por ser mais cara do que outras propostas apresentadas no processo de contratação.
Outros casos são os em que a empresa deixa de cumprir os padrões de qualidade exigidos pela Administração, salários de empregados, seguros e gastos com segurança de trabalho. Esse tipo de irresponsabilidade apenas leva a um aumento ainda maior no orçamento, pela necessidade de pagar indenizações por acidentes de trabalho, necessidade de novas contratações para reparos parciais ou totais, e indenizações trabalhistas.
Uma alternativa ao pregão é a modalidade de concorrência. O processo de concorrência exige que as empresas apresentem um planejamento para o órgão contratante, o que possibilita uma avaliação mais clara de todo o projeto e cronograma. Com isso a escolha da empresa não ocorre apenas pelo preço, mas também pela viabilidade de execução.
O serviço de engenharia é um trabalho técnico com prazos fixos de entrega, que só têm início após o contrato entrar em vigor. Avaliar desempenho de qualidade, em muitos casos, só é viável após ter o serviço pronto e a obra realizada, sem poder ser exigida antes da contratação.
Visar apenas a proposta mais barata, dificilmente é o mais vantajoso para casos que envolvam obras de engenharia. Deve-se pensar em uma alternativa para que essas licitações atendam tanto a demanda de agilidade como a qualidade do serviço, sem prejuízos ao erário.
*Rafael Mota é sócio do escritório Mota Kalume Advogados. Mestre em Direito Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), é conselheiro do Conselho Jurídico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), assessor jurídico do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF) e assessor da Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco-DF)
O mapa do transporte paulistano vem mudando ao longo dos últimos anos. Além do transporte público, a população passou a adotar modalidades alternativas. Primeiro foram as bicicletas, compradas ou alugadas por corrida. Desde o ano passado, patinetes elétricos têm se tornado mais e mais comuns. Com um leque mais amplo de modalidades, o paulistano passa a depender menos do carro — e os reflexos disso começam a aparecer pelo desenho urbano da cidade. Uma prova substancial são os prédios sem garagem em bairros com acesso à malha de transporte público.
Na avaliação de Sérgio Castelani, economista do Grupo ZAP, o lançamento de imóveis sem estacionamento reflete a mudança do estilo de vida do paulistano. “A sociedade está menos apegada a questões materiais e quer aproveitar melhor o tempo. O resultado disso é que as pessoas preferem investir em imóveis menores e próximos do trabalho do que em modelos grandes que exijam uso do carro”, explica.
O próprio economista é exemplo das mudanças nos hábitos de mobilidade da cidade de São Paulo. Castelani conta que vendeu o carro recentemente e comprou um apartamento em um prédio sem garagem na região da Consolação (na região central de São Paulo) para economizar no valor do imóvel e nos gastos com combustível. “Agora vou trabalhar a pé. O carro está perdendo o seu valor”, destaca Castelani.
Imóvel de rápida locação Apesar de estarem em alta, os imóveis sem garagem chegam a custar 20% menos do que os tradicionais com vagas para carros — atraindo não só quem quer comprar um apartamento mais acessível mas também quem deseja investir em um espaço de rápida locação, indica Luiz Paulo Silveira, vice-presidente técnico da Apsis Consultoria Imobiliária. “A ausência de garagem é uma das características que mais barateia um imóvel, junto com a falta do elevador”, pontua o especialista.
SERGIO CASTELANI, DO GRUPO ZAP: VENDEU CARRO E VAI AO TRABALHO A PÉ (FOTO: DIVULGAÇÃO)
O levantamento do Grupo ZAP corrobora a estimativa de Silveira. Enquanto o metro quadrado de um apartamento com garagem na Bela Vista custa R$ 9.610, a metragem de um imóvel sem garagem na mesma região cai para R$ 7.420 — uma queda de aproximadamente 23%.
Os bairros com maior número de oferta de apartamentos sem vagas nos 12 meses, segundo a pesquisa, foram Bela Vista, Consolação, Vila Buarque, Centro e Vila Mariana. É importante notar que todos têm fácil acesso a diferentes modalidades de transporte público, principalmente o metrô.
“Antes de abrir mão da garagem, o morador precisa ter certeza de que seu novo imóvel está a pelo menos 800 metros de algum metrô, trem ou ponto de ônibus. Não adianta o apartamento ser barato, se a pessoa não consegue sair de casa”, alerta o consultor da Apsis.
Além da acessibilidade, Silveira também indica o morador a verificar se há muitos imóveis à venda na região — o que pode indicar um problema no bairro — e pesquisar se há estacionamentos pagos na vizinhança para colegas e familiares.
A preocupação com o planeta atinge o ramo da construção civil, com construtoras que aderem à causa da sustentabilidade para que o impacto de seus serviços no planeta seja menor. Segundo estimativa da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), o Brasil produz 84 milhões de m³ de entulhos, tanto de construção quanto de demolição. O destino incorreto pode trazer prejuízos para toda a sociedade.
De acordo com a Abrecon, no Espírito Santo, apenas 1% das usinas são de reciclagem. Uma delas fica na Serra. O entulho levado para lá é transformado em agregados, como areia e brita, porém a procura pelo produto ainda é pequena. Um total de 31% das empresas do ramo acha que falta incentivo do governo para que o material seja usado.
A construtora capixaba Proeng foi umas das primeiras no Estado a fazer um trabalho sustentável na construção civil. Segundo o gerente-geral de engenharia, Marcelo Có, a empresa já aplica práticas que ajudam o meio ambiente há cerca de 25 anos. “Fomos umas das primeiras a ter o selo de qualidade ISO 9001, e a sustentabilidade está totalmente ligada aos requisitos do selo”, afirma.
O prédio também possui Bike Sharing, um espaço com bicicletas do condomínio que podem ser utilizadas pelos moradores — Foto: Divulgação
A Proeng procura sempre utilizar materiais reciclados em todas as suas obras. As portas e os madeirites, por exemplo, são todos provenientes de madeiras de reflorestamento. Marcelo Có garante que, em situações como esta, apenas produtos com selo de reaproveitamento são utilizados nos empreendimentos. Além disso, a construtora entrega os empreendimentos com tanques de armazenamento e reutilização de água da chuva e do ar-condicionado, sensores de presença nas áreas comuns para economia de energia, entre outras ações.
Condomínios sustentáveis
Morar em um prédio que tem como um dos pilares a sustentabilidade e que utiliza recursos que ajudam o planeta também faz do morador uma pessoa que se preocupa com o meio ambiente. Além de gerar economia na conta de condomínio. A Proeng possui o selo Proeng Eco nos empreendimentos para que o comprador tenha certeza de que ali foram aplicados métodos de construção e acabamento que preservam recursos naturais.
Coleta seletiva também é prioridade para a Proeng — Foto: Divulgação
Um deles está em fase de acabamento. Com 89% da obra concluída, o edifício Antônio Gonçalves, em Jardim Camburi, um dos bairros que mais crescem na Capital, possui separação de resíduos para coleta seletiva, captação de água da chuva para uso nas áreas comuns, elevadores econômicos, medidor individual de água, entre outras tecnologias.
O empreendimento é formado por dez pavimentos e 42 unidades, sendo 38 de três quartos com suíte e quatro coberturas duplex. Cada apartamento possui duas vagas de garagem, e as coberturas possuem três, cada. Além disso, o condomínio conta com uma área de lazer de 200 m², bike sharing, espaço da família, brinquedoteca, entre outros diferenciais.
A construção civil funciona como um termômetro da economia. Se o setor vai bem, é sinal de que o país está em ritmo de crescimento. Essa indústria emprega quase 7 milhões de pessoas, mas tem pouca inovação tecnológica.
“É um setor tradicional, um dos piores índices de produtividade em evolução de tecnologia. Segundo pior setor de adoção de tecnologia no mundo todo. Isso faz com que o discurso junto a essas empresas, junto a esse público, seja desafiador”, diz Bruno Loreto, CEO da aceleradora Construtech Ventures.
É importante o trabalho das contrutechs, que são as startups que levam soluções de tecnologia para o setor de construção civil. O Brasil tem 562 construtechs, segundo aceleradora Construtech Ventures. A maioria atua no mercado imobiliário, com a venda e locação de imóveis. As demais se dividem entre os setores de uso de imóveis, que abrange a manutenção e decoração predial, obras e execução da construção e projetos e financiamentos.
A construtora do empresário Henrique Suassuna, por exemplo, atua em Pernambuco há 10 anos. Em 2018, a construtora contratou os serviços da startup do Alyson Barbosa, que faz cotação de preços de materiais para o setor. A ideia surgiu no final de 2013, na universidade.
Com o serviço oferecido pela construtech do Alyson, hoje o tempo de atendimento entre o dia do pedido de um produto e a efetivação, vai de 2 a 4 dias, no máximo. O serviço antes levava uma semana.
A construtora solicita o que ela precisa e a startup devolve o quadro de concorrência completo, com fornecedores, preços, marcas, condições de pagamento e condições de frete. O sistema criado pela startup localiza qualquer fornecedor que tenha uma página na internet. Na hora de fazer a cotação de um cliente, ele procura as lojas mais próximas, utilizando geolocalização para ver quem pode atender mais rápido e com melhores preços.
Para usar a plataforma, a construtora paga mensalidade de R$ 349. Hoje, a startup atende 30 construtoras em cinco estados: Pernambuco, Ceará, Paraíba, Bahia e São Paulo. A ideia é levar essa inovação para os canteiros de obras de todo país.
Um relatório do BTG Pactual sobre as fontes renováveis mostra que ainda sobram bons ventos no Brasil. A geração eólica disparou nos últimos dez anos, saindo de menos de 400 MW em 2008 para quase 14.000 MW em 2018. O que representou um crescimento médio anual de 45%.
Mas, mesmo se mantiver essa alta taxa de expansão, levará ainda 45 anos para atingir o potencial total que, calcula-se, o país tem na área. Isso porque o relatório avaliou apenas o potencial eólico em terra, sem entrar no potencial dos ventos offshore (sobre as águas do território nacional), o que eleva ainda mais as oportunidades desse mercado.
A participação da fonte na matriz elétrica do país saiu de 0,3% para 9% ao fim do ano passado. O último Plano Decenal da EPE estima que serão adicionados mais 5.000 MW até 2026. O relatório do BTG fala em mais 30.000 MW até 2027.
Até hoje, as plantas eólicas têm se concentrado no litoral do Nordeste e no interior da Bahia, onde venta sem parar durante quase metade do ano. A partir de agora, os projetos terão que aproveitar outros ventos.
O BTG está otimista por conta de uma mudança em curso na remuneração da geração: o preço de venda variará ao longo do dia e ao longo do ano para refletir a sazonalidade das hidrelétricas e a curva de demanda diária. Assim, plantas que puderem aproveitar o vento durante o horário de máximo consumo receberão um preço melhor. Segundo o relatório, isso inclui o nordeste da Bahia, o sudeste do Piauí, e também novas localidades, como o norte de Roraima e o leste do Paraná.
A tragédia de Brumadinho (MG) colocou, mais uma vez, a engenharia brasileira em xeque e levantou dúvidas sobre a qualidade dos serviços nacionalmente. Mas há outra fissura, aberta no âmago dos processos de contratação de serviços de engenharia no Brasil, amplificadora dos riscos e potencial causadora de falhas: a contratação de consultorias de engenharia pelo critério do menor preço.
Não entremos aqui nos deméritos das barragens de rejeito com alteamento por montante, verdadeira anomalia que deve ser extinta. Mas é fato que, em setores e áreas específicas, temos uma das melhores engenharias do mundo, como é o caso da engenharia de barragens. O Brasil é referência mundial, destacando-se as hidrelétricas desenvolvidas em sua totalidade com tecnologia nacional.
As grandes obras são de interesse coletivo e, por isso, devem continuar existindo. Isso desde que implantadas de maneira sustentável. É claro que devem ser feitas investigações para determinar as causas da tragédia que ocorreu em Minas Gerais e as consequentes correções de curso, principalmente em processos de fiscalização e manutenção. Nesse contexto, é importante discutir a contratação de serviços de engenharia consultiva com foco na contratação pela Administração Pública direta e indireta, mas com efeitos estendíveis a contratações no setor privado.
As principais leis que regem as contratações de serviços de engenharia no Brasil pela Administração Pública são: a Lei 8.666, a Lei 10.520 e a Lei 13.303. As Leis 8.666 e 13.303 pregam que as contratações podem ser realizadas em algumas modalidades distintas. Dentre elas, menor preço, melhor técnica, ou melhor combinação técnica e preço. O artigo 46 da Lei 8.666 é claro ao dispor que as supracitadas modalidades devem ser utilizadas “em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão e gerenciamento e de engenharia consultiva em geral e, em particular, para a elaboração de estudos técnicos preliminares e projetos básicos e executivos”.
Muito embora haja uma aparente clareza legal com relação à modalidade pela qual devem ser licitados serviços de engenharia, com frequência a prática de mercado mostra uma realidade contrária. Com exceções que apenas comprovam a regra, os serviços de engenharia consultiva têm sido predominantemente licitados pelo menor preço ou por pregão (ancorados pela Lei 10.520), inclusive serviços relacionados à segurança de barragens, mesmo após a tragédia de Brumadinho. O que está por trás dessa prática é a presunção ou admissão de que serviços de engenharia não têm natureza intelectual nem especificidade, são padronizados, comuns, uniformes e/ou homogêneos.
É preciso entender, porém, que os serviços de engenharia não seguem, necessariamente, essa lógica. Pelo contrário. Serviço de engenharia é serviço intelectual, de natureza técnica. A adoção do julgamento pelo menor preço implica fazer, salvo raras exceções, a escolha da pior proposta. Em face do alcance dos riscos e particularidades de alguns projetos, caberia de fato contratar apenas por melhor técnica.
É justo dizer que os órgãos que adotam o julgamento pelo menor preço buscam qualificá-lo por meio da exigência de atendimento de critérios técnicos mínimos pela empresa. Nesses casos, a Administração não diminui seu risco. Um exame das licitações mostra que, ao se estabelecer critérios mínimos, reduz-se drasticamente o rigor da exigência de entrada, nivelando “por baixo” o certame. Nesses casos, a mensagem passada pela Administração Pública, ao não diferenciar a experiência da empresa e de sua equipe, é que tal experiência não importa.
Há o entendimento obtuso de que o serviço de engenharia é “comum” e pode ser “padronizado” e que, portanto, a adoção de critérios mínimos aos entrantes associados à contratação por menor preço é a melhor opção para a Administração Pública. Os órgãos, ancorados pela jurisdição – reitera-se: com raras exceções -, reverberam esse entendimento. A doutrina é rica nessa discussão, tendo entendimento oposto muitas vezes.
O tema é polêmico, mas não há momento melhor para tratar dele. É preciso valorizar a nossa engenharia, característica de países desenvolvidos. É inadmissível a contratação de projetos por pregão. A segurança de uma barragem, por exemplo, inicia-se com um bom projeto de engenharia. À boa engenharia interessa o menor preço ao longo da vida útil do empreendimento e não apenas na sua contratação, levando-se em conta, na formação desse preço, a qualidade e segurança.
Há que se retomar as discussões acerca das modalidades de contratação de serviços de engenharia pela Administração Pública. As entidades de classe devem se manifestar. As empresas de consultoria de engenharia devem formalizar seus entendimentos durante os processos licitatórios e para seus clientes. Deve-se cristalizar o entendimento, perante os setores da sociedade, de que a máxima de que “o barato sai caro” é absolutamente verdadeira para serviços intelectuais e técnicos.
Para famílias que recebem R$ 1.600 mensais, o subsídio governamental ao valor do imóvel cai para R$ 29 mil. Os dois casos se enquadram na faixa 1,5 do Minha Casa Minha Vida.
As mudanças, publicadas em edição extra do Diário Oficial da União de 31 de dezembro, incluem também um desconto menor para solteiros que compram imóveis. Antes, eles tinham direito a 70% do subsídio da faixa de renda à qual pertenciam, agora, esse percentual passou a ser de apenas 50%.
Faixas de renda do Minha Casa Minha Vida
Faixa 1,5: renda mensal de até R$ 2.600
Faixa 2: renda mensal de até R$ 4 mil
Faixa 3: renda mensal de até R$ 7 mil
Fonte Extra Online
Pente-fino com quatro motivos de cancelamento em 2019 do Bolsa Família
Pente-fino com quatro motivos de cancelamento em 2019 do Bolsa Família. Como já é conhecido, o governo agora tem condições de realizar uma revisão mensal no Bolsa Família, graças a possibilidade de cruzar informações de diferentes bancos de dados. Essa verificação também permite descobrir quais famílias recebem renda acima da declarada e continuam inscritas no programa social.
O Governo Federal passou um pente-fino no Bolsa Família. Após analisar cadastros, constatou-se que que 1,136 milhão de benefícios se encontram em situação irregular em 2018. Desses, 469 mil foram cancelados e outros 667 mil benefícios bloqueados.
A fiscalização do MDSA está mais rigorosa, principalmente porque agora é possível cruzar informações de diferentes bancos de dados, como CadÚnico, INSS, Rais, Caged e CNPJ.
Os principais motivos para cancelamento do Bolsa Família são:
1 – RENDA ACIMA DA DECLARADA
Como já foi dito, o Governo Federal agora tem condições de realizar um pente-fino mensal no Bolsa Família, graças a possibilidade de cruzar informações de diferentes bancos de dados. Essa verificação também permite descobrir quais famílias recebem renda acima da declarada e continuam inscritas no programa social.
Muitas famílias estão tendo o benefício cancelado porque apresentam renda acima do valor permitido pelo programa. A suspensão aconteceu, sobretudo, nos casos de renda per capita mensal superior a R$440,00.
Entre as famílias que recebem de R$170 a R$440 por pessoa, o MDSA realizou apenas o bloqueio do Bolsa Família.
Os cancelamentos por motivo de renda foram mais frequentes nas regiões Sul e Sudeste o país.
2 – AUSÊNCIA DE SAQUE
O dinheiro do Bolsa Família deve ser sacado em no máximo 90 dias. Caso haja ausência de saque ou movimentação de conta por mais de seis meses, o MDSA entende que a família não precisa da assistência financeira e realiza o desligamento automaticamente.
3 – CADASTRO DESATUALIZADO
As famílias que recebem o benefício devem ficar atentas para não perder o prazo de atualização cadastral Bolsa Família. Esse procedimento é obrigatório a cada dois anos, pois permite renovar informações como endereço, escola, renda e novos membros do núcleo familiar.
O responsável pelo benefício pode verificar o aviso sobre a atualização cadastral no extrato do Bolsa Família. Se ele não realizar a atualização cadastral dentro do prazo, ele fica com o auxílio financeiro retido e não pode sacar.
Caso alguma irregularidade seja constatada na atualização cadastral, a família é imediatamente desligada do programa.
4 – INFORMAÇÕES INCORRETAS
Muitas famílias estão caindo no pente-fino do Bolsa Família injustamente. Para não se tornar mais uma vítima, é muito importante verificar se as informações cadastradas no CadÚnico estão corretas. Qualquer mudança na condição familiar também precisa ser informada, inclusive a troca da criança de escola.
O seu Bolsa Família foi cortado? Não se desespere. Procure o CRAS mais próximo e verifique a situação do benefício. Em alguns casos, é possível reverter a situação e voltar a receber o dinheiro.
O número de Engenheiras tem crescido nos últimos anos, de acordo com levantamento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). A pesquisa aponta que o número de profissionais registradas no Conselho passou de 9.609, em 2014, para 12.546 neste ano – aumento de 24%. Na Regional de Curitiba do Conselho, existem 3.952 profissionais registradas.
O segmento que mais teve inserção de mulheres no Paraná é o de Engenharia Civil que aumentou 33% entre 2014 e 2018. A inspetora da Câmara Especializada de Engenharia Civil do Crea-PR, Sandra Cristina Glinski, relata que quando cursou Engenharia Civil a sua turma era equilibrada entre acadêmicos do sexo feminino e masculino. “Sou da turma de 2010, e lembro que basicamente a sala era composta por metade homens e metade mulheres. Cada vez mais as mulheres estão buscando o seu lugar ao sol na Engenharia e mostrando que este não é um universo somente masculino. Especificamente na Engenharia Civil, o leque de mercado é muito amplo e, vejo que, muitas vezes, as mulheres desempenham certas atividades com mais facilidade, por serem mais observadoras e minuciosas”, aponta.
Outra atividade que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos é a Engenharia de Segurança do Trabalho, que em nível estadual registrou aumento de 29% no registro de mulheres desde 2014. Para a inspetora do Crea-PR da Câmara Especializada de Agrimensura e Engenharia de Segurança do Trabalho, Andressa Haiduk, o aumento das exigências trabalhistas e fiscalizações contribuíram para que este segmento passasse a ser olhado com mais atenção pelos engenheiros e engenheiras. “Atualmente, muito se fala em eSocial e seu impacto nas empresas. Com este mercado em alta, as empresas passaram a trabalhar de forma preventiva e não somente na corretiva. O fato da atividade de Segurança do Trabalho ser tanto de campo como gerencial atrai um maior número de mulheres que cada vez mais ocupam cargos de chefia. No meio acadêmico também já vemos o crescente número de mulheres em praticamente todas as Engenharias, sendo a Engenharia de Segurança uma delas”, observa.
Apesar da procura crescente de mulheres pelas profissões das Engenharias, os homens ainda são maioria, representando uma proporção média de 85% para 15% em todas as atividades. Por este motivo, o Crea-PR tem aproveitado a procura cada vez maior de mulheres nas graduações e pós-graduações de Engenharias para estimular esta tendência por meio de ações pontuais.
O ERP SIECON para Gestão de Frotas e Equipamentos é um facilitador na Gestão e otimizador de tempo, além de oferecer controle total através de Relatórios e Mapeamentos. Concebido exclusivamente para atender os segmentos de Engenharia Civil, Construção e Incorporação, o Módulo é específico para a Organização de Frotas, Veículos, Equipamentos, Máquinas e ferramentas em Obras e Construções.
“Com o SIECON gerando os relatórios, a necessidade é gerada, seja pra uma troca de óleo, troca de um filtro, a revisão de uma bomba, uma revisão hidráulica ou mecânica que houver. Ele está ali mostrando que há a necessidade, e com base nisso você evita, por exemplo, fundir um motor, por falta de uma troca de um filtro, e isso aí não tem preço.” (Antenor Trevelin Jr – Suprimentos Aliter)