Lançado edital para construção do túnel Santos-Guarujá; Investimento previsto chega a R$ 6 bi
Ministério lança agenda de sustentabilidade para setores de portos, aeroportos e hidrovias
COP30
O encontro global da ONU, marcado para novembro, em Belém, servirá de teste para a utilização de gás natural liquefeito (GNL) no abastecimento de duas embarcações que serão utilizadas como hotéis flutuantes. A ideia é medir a redução da emissão de gases nocivos ao meio ambiente durante a COP30. “É uma solução provisória, que ainda utiliza combustível fóssil. Mas a emissão de gases cai de 20 a 30% em relação ao uso de diesel”, detalhou a diretora de Sustentabilidade do MPor, Larissa Amorim. Outra ação de destaque, desta vez no setor aéreo, são os acordos para desenvolvimento da pesquisa e produção de SAF no país. Um memorando de entendimento deve ser firmado com a Universidade da Aviação da China e alçar o Brasil ao posto de principal fornecedor do combustível no mundo — produzido a partir de matérias-primas de fontes renováveis, como a biomassa.Selo Verde
Ao setor privado, o Ministério de Portos e Aeroportos estabeleceu o ‘Selo Verde’, reconhecimento dado a quem adota práticas ambientais, sociais e de governança, aliadas à sustentabilidade. Para isso, as companhias devem aderir ao Pacto pela Sustentabilidade. O reconhecimento virá com um selo, com níveis diferentes de acordo com o grau de envolvimento de cada uma delas. Para receber o certificado Diamante, por exemplo, será necessário cumprir dez ações previstas nos eixos da política ESG (ambiental, social e de governança) e outras duas metas autodefinidas. Também deverá publicar relatório da transparência salarial e remuneratória conforme a Lei de Igualdade Salarial entre Mulheres e Homens e fazer parte do Programa Brasileiro GHG Protocol, metodologia criada em 2008 para calcular e reportar as emissões de gases de efeito estufa. Em um futuro próximo, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, não descarta a aplicação de benefícios fiscais para estimular a adesão ao Selo Verde. “Nesse momento é um trabalho de participação coletiva, ou seja, é um trabalho de sensibilização que estamos fazendo com essas empresas do setor da aviação, portuário e hidroviário. Não tenho dúvida que mais cedo ou mais tarde vai haver incentivos para aquelas empresas que prestigiarem a agenda ambiental do Brasil”, projetou.Brasil investe R$ 79 bilhões em modernização portuária e hidroviária
Concessões
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou o edital do projeto de concessão do canal de acesso portuário do Porto de Paranaguá, no Paraná, ao Tribunal de Contas da União (TCU). Este é o primeiro modelo desenvolvido para este setor de transporte e a concessão do canal deverá atrair mais investimentos para o estado, promovendo o desenvolvimento da região, gerando empregos e melhorando a infraestrutura, com a ampliação da capacidade do canal, destaca o Ministério. O Governo Federal planeja concluir a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá no primeiro semestre de 2025. Além disso, a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, em colaboração com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e alinhada com o Plano Geral de Outorgas, criou, em 2024, uma carteira para a concessão de seis hidrovias: nos rios Paraguai, Madeira, Tapajós, Tocantins, Lagoa Mirim e Barra Norte. Também foi aberta uma Consulta Pública para permitir a participação da sociedade no processo de concessão da hidrovia do Rio Paraguai, além da realização de uma Tomada de Subsídios, para contribuições ao projeto de concessão da hidrovia do Rio Madeira. Essas concessões são essenciais para o escoamento da produção agrícola e mineral do país, impulsionando a logística e a economia nacional.Leilões
Em 2024, o Brasil avançou no fortalecimento do comércio exterior ao investir nos portos públicos, ampliando a capacidade operacional. Oito leilões de áreas portuárias garantiram R$ 3,74 bilhões em investimentos. Esses terminais vão movimentar granéis sólidos vegetais e minerais, granéis líquidos, contêineres e carga geral, com destaque para áreas do Porto de Maceió (AL), Santana (AP), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Rio Grande (RS). Silvio Costa Filho destacou que, entre 2013 e 2022, foram realizados 43 leilões no Brasil, totalizando R$ 6 bilhões em investimentos. Já na gestão atual, o objetivo é realizar 60 leilões em quatro anos. “A gente está trabalhando com a marca para, em quatro anos do governo do presidente Lula, termos mais de R$ 50 bilhões de investimentos no setor privado. Em quatro anos, nós vamos fazer mais do que o dobro de quase 10 anos”, explicou. Um dos projetos do Ministério é o túnel submerso entre Santos e Guarujá, em São Paulo, que prevê 870 metros de comprimento e 21 metros de profundidade. Esse será o primeiro túnel submerso da América Latina e a expectativa é de que ele beneficiará cerca de 2 milhões de pessoas e facilitará o escoamento do Porto de Santos. Costa Filho explicou que o processo licitatório será apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU) em janeiro.Maranhão, Bahia e Pará concentram maior número de obras paralisadas no Brasil; confira ranking completo
Confira a situação de outras unidades da federação
O levantamento do TCU também mostra o cenário em relação às obras paralisadas por setor. Os empreendimentos voltados para a área da saúde são os que mais se destacam, com um total de 4.580. Já em relação aos relacionados à Educação Básica, o número de obras paralisadas chega a 4.094. Em seguida está o setor de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, com 1.243 empreendimentos paralisados. Na avaliação do especialista em direito da construção, contratos de construção e processos licitatórios, Rafael Marinangelo, esse tipo de situação é causado, sobretudo, por questões relacionadas à atuação da própria da gestão pública, assim como por conta de problemas técnicos que surgem no curso da execução dos contratos. Segundo ele, a falta dessas instalações provoca impacto diretamente à população, pois prejudica acesso a serviços essenciais. “As obras paralisadas tendem a se degradar com o tempo. Você tem também a questão de que, com o decurso do tempo, os custos para execução da obra tendem a aumentar. Do ponto de vista social, o impacto é que você não tem aquele benefício que a obra geraria. Então você iria fazer um viaduto que iria melhorar o trânsito, você faria um hospital que iria abrigar uma quantidade maior de pessoas que necessitam de serviços hospitalares, e você não tem”, destaca. De acordo com o tribunal, entre os empreendimentos com obras paralisadas estão:Sustentabilidade: Projetos que visam preservação ambiental podem contar com linhas de crédito oferecidas pelo BASA
Apoio à agricultara familiar
Em relação ao investimento na atividade do campo, as ofertas de crédito atendem ao que estabelece o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), por exemplo. Para ter acesso às vantagens dessa iniciativa, a família precisa desenvolver um plano ou projeto e apresentá-lo ao gerente de relacionamento. De acordo com o BASA, tanto os prazos como as taxas disponíveis apresentam especificidades, levando em conta as várias atividades agrícolas e pecuárias. O chamado PRONAF A, por exemplo, visa fomentar famílias agricultoras que pretendem ampliar ou modernizar ou próprio negócio, com aumento da renda para a própria família e para a região. Nesse caso, as taxas de juros são de 0,5% ao ano e até 10 anos para pagar. Energia verde: linha de crédito do BASA estimula produção de energia renovável e apoio a práticas sustentáveis no agro BASA: linhas de microcrédito estimulam pequenos negócios na região amazônica AMABIO: BASA atua em programa que deve mobilizar 1 bi de euros em investimentos na Amazônia “As linhas verdes do FNO são direcionadas a produtores rurais que implementam práticas sustentáveis em suas atividades. Essas linhas financiam projetos que promovem boas práticas no campo, como a mitigação da emissão de gases do efeito estufa, a adaptação às mudanças climáticas, como, por exemplo, as linhas voltadas à promoção da agricultura de baixo carbono, sistemas agroflorestais, dentre outros”, complementa Samara Farias. Vale lembrar que o BASA também atua com a linha FNO Amazônia Rural Verde, que tem como objetivo apoiar o desenvolvimento sustentável, por meio da recuperação e conservação da biodiversidade, com incentivo ao uso de técnicas agroflorestais, assim como a projetos agropecuários sustentáveis. O investimento conta com prazo de até 15 anos, com 8 de carência. As taxas de juros são a partir de 4,18% ao ano.Infraestrutura
O Banco da Amazônia também disponibiliza linhas de crédito para projetos de infraestrutura. Esses financiamentos são voltados para áreas como saneamento básico, geração de energia renovável, gestão de resíduos sólidos, logística sustentável, entre outras. Segundo a gerente de Desenvolvimento Sustentável do BASA, o objetivo é apoiar o desenvolvimento de uma infraestrutura que contribua para a sustentabilidade ambiental e o crédito econômico da região. “Ao financiar projetos que adotam tecnologias limpas e eficientes, o Banco promove a competitividade dos setores produtivos, gera emprego e renda e fortalece a economia regional de maneira sustentável”, pontua Samara Farias. BASA disponibiliza crédito para empresas com projetos voltados à implementação de Energia Verde BASA estima aplicar R$ 10 bi em crédito para projetos sustentáveis nos próximos 4 anos BASA apresenta na COP29 iniciativas para fomentar atividades da agricultura familiar e do pequeno empreendedor Os projetos que forem considerados adequados dentro desse propósito poderão ter prazos de até 24 anos, com 8 de carência. Ao longo de 2024, o Banco investiu R$ 1,6 bilhões em projetos de infraestrutura na Amazônia. Além desses setores, o Banco da Amazônia atua com outras linhas de créditos voltadas à promoção da sustentabilidade. Entre elas está o financiamento aos empreendimentos da saúde, educação e inovação no FNO Empresarial Verde. Nessa linha, o investimento tem prazo de até 17 anos, com até 4 de carência. No caso de capital de giro, o prazo é de até 36 meses, com carência de até 12 meses. Fonte: Brasil 61Financiamento imobiliário dispara, bate recorde e projeta alta de 34% para o ano
O Japão e a incrível Engenharia Anti-Sísmica (terremoto)
O terremoto e o tsunami, ocorridos em 11 de março de 2015 no Japão, provocaram danos avaliados em R$ 333 bilhões. O valor corresponde à destruição da infraestrutura, casas e imóveis comerciais do nordeste do Japão, devastado por um terremoto de magnitude 9 e um tsunami que deixaram 23 mil mortos ou desaparecidos.
Graças ao código de construção, um dos melhores do planeta, que, ressaltando a importância do “smart design” e de medidas preventivas, pode ter salvo milhões de vidas. Sendo considerado o país melhor preparado para um terremoto, ao longo dos anos o Japão tem investido bilhões de dólares desenvolvendo novas tecnologias que ajudem seus cidadãos e infraestruturas contra abalos e tsunamis. As altas tecnologias de engenharia civil desenvolvidas há anos pelos japoneses para minimizar os prejuízos e mortes causados pelos desastres naturais são os motivos pelos quais muitos prédios continuam de pé no Japão, que é considerado o país melhor preparado para um terremoto. Os prédios são concebidos como um elemento dinâmico, já que estarão sempre sujeito a movimentos em qualquer direção.
Nos prédios são instalados amortecedores eletrônicos, que podem ser controlados à distância. Em prédios mais simples são usados amortecedores de molas que funcionam de um jeito parecido à suspensão de veículos. Os engenheiros também colocam um material especial para amortecer as junções entre as colunas, a laje e as estruturas de aço que compõe cada andar. Esse material ajuda a dissipar a energia quando a estrutura se movimenta em direções opostas, assim o prédio não esmaga os andares intermediários.

Todos os andares possuem, além de paredes de concreto, uma estrutura de aço interna, que ajuda a suportar o peso do prédio.Esses amortecedores absorvem grande parte do impacto provocado pelos tremores. Assim probabilidade do edifício sofrer rachaduras ou abalos estruturais diminui.

O custo para tecnologia anti-sísmica não é das mais baratas, pelo contrário, custam muito caro mas não tão caro quanto reconstruir estruturas completamente abaladas pelo terremoto. O valor torna-se imensuravelmente mais barato quando se trata de salvar vidas.



O vídeo mostra como os prédios são feitos para balançar, impedindo que caiam por causa do terremoto:
Embora os danos causados por terremotos e tsunamis ainda continuem ocorrendo de maneira assustadora, há aqueles que se preocupam em desenvolver e otimizar o modo de construir para que, num futuro próximo, superar desastres naturais e oferecer aos moradores de áreas afetadas como o Japão uma possível estabilidade construtiva.
1930: Construindo a Golden Gate Bridge – São Francisco, Califórnia

“Um monumento perpétuo que fará o nome dessa cidade circular pelo mundo e renovar a mágica fama que o Golden Gate desfrutou nos dias dos anos 49.”
– S.F. EXAMINER EDITORIAL, MARCH 24, 1925


Ondas fortes, redemoinhos, águas profundas, ventos forte e nevoeiro – engenheiros experientes argumentaram que tais condições significavam que a construção da Golden Gate era impossível ou proibidamente caro. Mas um engenheiro tomou uma posição diferente.
Joseph Strauss era um especialista em pontes levadiça sem experiência em projetos de grande escala, mesmo assim ele apresentou planos para uma ponte que poderia ser construída por 1/4 do valor geralmente aceito. Ele sugeriu que a ponte se pagaria com pedágio sozinha. Em dezembro de 1922, o projeto de Strauss foi prontamente aceito pelas autoridades da cidade.
Seis anos de ações legais se passaram lideradas pelas empresas de Ferry que tinham controle exclusivo dos transportes entre San Francisco e Marin Country. Essa era a sua força, mas também a sua queda. Em 1928, o congestionamento do tráfego nas docas de Ferry tinham se tornado incontroláveis. A batalha estava perdida.
A construção começou em 5 de janeiro de 1933. Strauss, extremamente consciente com a segurança, insistiu que todos os trabalhadores usassem capacetes óculos de proteção anti-reflexo, cordas de segurança e creme no rosto e nas mãos para proteger do vento. Eles ainda tiveram uma dieta especial para aliviar a tontura.

Mas o dispositivo de segurança mais óbvio foi a enorme rede instalada debaixo da ponte. Isso salvou a vida de 19 homens, que posteriormente formaram o clube “Halfway to Hell” (em tradução direta, “Metade do caminho para o inferno”). O clube tinha seu próprio papel timbrado, com um sorriso, reclinando o trabalhador em uma rede.

Nem todos tiveram a mesma sorte. Onze homens morreram durante a construção – dos quais, dez morreram em um único acidente, quando o pedaço do andaime em que estavam trabalhando caiu. Travado pela rede, o peso do andaime causou a falha do sistema de segurança.
A marinha dos Estados Unidos pressionou para que a ponte fosse pintada com listras pretas e amarelas para ajudar a visibilidade na neblina; a Companhia Área de Forças Armas, uma listra vermelha e branca. Quando as ferragens da ponte chegaram, tinham sido pintadas com uma cartilha vermelha para protegê-la da corrosão. O arquiteto consultor, Irving Morrow, adorou a cor e propôs que a ponte fosse pintada em um tom semelhante, escrevendo um relatório de 29 páginas explicando suas razões.
A ponte foi concluída antes do previsto e 1,3 milhões dólares abaixo do orçamento, quando abriu em 27 de maio de 1937. Ela tinha o maior vão principal por ponte suspensa do mundo, com 1.300 metros (4.200 pés) de recorde, ela resistiu por quase 30 anos.












– SAN FRANCISCO NEWSPAPER, 1937


J. STRAUSS NO DIA DA ABERTURA, 1937


Como é que a China conseguiu fazer recuar o Covid-19
O cenário é cada vez mais complicado em relação ao novo coronavírus no continente europeu. Itália e Espanha são neste momento os casos que mais preocupam as autoridades mas a situação é tão volátil que a qualquer momento os números podem disparar noutros países. Nesta quinta-feira, o número de infetados subiu para os 19 no Luxemburgo e para os 78 em Portugal aprofundando o debate na sociedade sobre a gestão política desta crise. No Grão-Ducado, quase um em cada dois residentes no Luxemburgo desconfia da estratégia do governo para enfrentar o novo coronavírus. Em Portugal, são muitas as críticas à decisão do executivo de António Costa de manter as escolas abertas.
Mas a China, onde surgiu o vírus COVID-19 que provocou 3196 mortos e 80793 infetados, registava esta quinta-feira apenas 15 novos casos de infeção, muito longe dos 15 mil novos casos que se anunciavam num dia como hoje há um mês. As taxas de contaminação no gigante asiático têm diminuído gradualmente nas últimas semanas e, neste momento, apenas permanece um último foco na província de Hubei onde tudo surgiu. Com a regressão dos casos ativos, 11 dos 14 hospitais temporários que foram construídos na cidade de Wuhan em apenas dez dias para tratar pacientes com o novo coronavírus estão agora encerrados. Agora, a prioridade das autoridades chinesas é evitar a importação de casos do exterior do país à medida que a epidemia se estende pelo planeta.
China ajuda Itália
A batalha que se trava em Itália recebeu um inesperado aliado. Quando Roma pediu para ativar o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia para o fornecimento de equipamentos médicos de proteção individual nenhum país respondeu ao apelo da Comissão Europeia. Foi a China que acudiu ao desespero das autoridades italianas com material e especialistas.
De acordo com a agência italiana ANSA, Pequim vai enviar mil ventiladores pulmonares, dois milhões de máscaras, entre elas, 100 mil de alta tecnologia, e uma equipa de médicos e outros materiais de saúde. Na terça-feira, o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Luigi Di Maio, manteve uma conversa com o seu homólogo chinês, Wang Yi, para discutir o assunto. Por sua vez, Yi expressou as mais profundas condolências em nome do seu país pela situação em Itália.
A batalha que mudou o curso da epidemia
Com uma das mais duras crises na história deste país desde a revolução em 1949, a Organização Mundial de Saúde (OMS) não poupa elogios à atuação das autoridades chinesas perante o novo coronavírus. “A China mudou o curso do surto dentro do país. O que era um crescimento rápido, estabilizou e começou a descer mais depressa do que alguém pode esperar quando se observa a dinâmica natural neste tipo de situações. Centenas de milhares de casos foram evitados na China graças a esta intervenção agressiva”, afirmou na semana passada Bruce Aylward, chefe da missão de especialistas da OMS naquele país, de acordo com a SER.
O epidemiologista canadiano visitou várias cidades do país asiático para conhecer em primeira mão a evolução do surto e reconheceu que não tinha visto nada igual em 30 anos de carreira. “É o resultado da aplicação do que alguns consideram ser padrões antigos e básicos de saúde pública com um rigor de uma forma nunca antes vista na história. Basicamente o que eles têm feito é encontrar casos de contágio, isolá-los e aplicar limitações ao movimento”.
Depois de acompanhar de perto o combate ao surto, Bruce Aylward apontou categoricamente, segundo a SER, que o resto do mundo ainda “não está pronto” para conter a epidemia. O especialista da OMS mostrou-se positivo e pensa que ainda há tempo “se houver uma mudança de mentalidade sobre como vamos gerir a doença”. Para isso, incentiva a seguir os passos da China: “Quantos países têm planos para ter camas hospitalares, ventiladores, fornecimento de oxigénio, capacidade laboratorial”, questionou.
O facto é que, de acordo com o responsável da OMS, a China deu uma lição ao mundo e demonstrou que as dúvidas sobre a capacidade do gigante asiático em conter o surto eram infundadas. “A novidade e a nossa compreensão, em constante evolução, sobre a natureza deste coronavírus exige uma tremenda agilidade na nossa capacidade de nos adaptarmos rapidamente e de mudarmos a nossa preparação e a nossa planificação para dar resposta, como tem sido feito continuamente na China. É um feito extraordinário para um país de 1,4 mil milhões de pessoas”.
As cinco estratégias fundamentais para fazer recuar o vírus
De acordo com Bruce Aylward, são cinco as estratégias postas em práticas por Pequim que foram fundamentais para debelar o surto. Em primeiro lugar, as restrições impostas à maioria dos movimentos em Wuhan, o epicentro do surto. O encerramento de fábricas e o regresso faseado da produção é apontado como outra das medidas importantes. Investigar e intervir em cada foco ajudou a combater o alastramento do vírus assim como a construção de hospitais especializados na luta contra o Covid-19 a par de um acompanhamento científico “muito ágil”.
Num relatório sobre a China, a OMS elogiou “a notável rapidez com que cientistas chineses e especialistas em saúde pública isolaram o vírus causal e estabeleceram ferramentas de diagnóstico e determinaram parâmetros-chave de transmissão, bem como a rota de propagação e o período de incubação, fornecendo a base de evidências vitais para a estratégia da China e ganhando tempo inestimável para a resposta”.
O relatório também destaca a boa organização na execução de todo o protocolo. “As estruturas de resposta na China foram rapidamente implementadas de acordo com os planos de emergência existentes e alinhadas de cima para baixo. Isto foi repetido em todos os quatro níveis de governo: nacional, regional, distrital e local.
Europa só deve conter surto em junho
A Economist Intelligence Unit (EIU), ligada à revista The Economist, que realiza previsões, investigações e análises económicas, publicou as novas previsões em que projeta limites no tempo para a expansão do novo coronavírus. O relatório da EIU prevê que a China tenha o Covid-19 sob controlo até ao fim de março. Já o resto do hemisfério norte só vai conseguir controlar a doença no fim de junho. Para o hemisfério sul, a estimativa aponta para o fim de setembro. “Esperamos que o vírus ressurja como um vírus sazonal mas os governos estarão mais bem preparados para gerir o seu regresso”, acrescenta a publicação assinada por Fiona Mackie, diretora da consultora para a América Latina e Caribe.




