Siderúrgicas tentam fomentar setor de Construção Civil

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As indústrias siderúrgicas vão encerrar este ano com aumento de produção de aço, mas o otimismo é cauteloso em relação ao horizonte do setor no curto prazo. Apesar de a produção de aço ter sido revisada para cima este ano, a 34,154 milhões de toneladas, alta de 9,2% em relação ao ano passado, de acordo com Instituto Aço Brasil (IABr), as indústrias ainda precisam de sinais mais claros de recuperação da economia para fazerem seus planos de expansão para 2018. “O setor siderúrgico é um dos primeiros a ser afetados em uma crise e a expectativa de recuperação ainda não está clara”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo da entidade. Um dos principais compradores de aços, o setor de construção civil está entre os mais abatidos pela recessão. Segundo Lopes, o Instituto Aço Brasil (IABr) formará uma coalizão com entidades empresariais para levar ao governo uma pauta de reivindicações específica para estimular a indústria da construção civil. A primeira reunião entre as entidades será na próxima semana, em São Paulo. Farão parte desse movimento as principais entidades empresariais do setor da construção civil, como a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Lopes lembrou que as indústrias siderúrgicas passaram por uma forte crise entre o fim de 2014 e 2016, levando o setor a demitir 46 mil trabalhadores, após o fechamento de 78 unidades no período. Hoje, o setor emprega 111 mil funcionários. Nos últimos meses, as siderúrgicas começaram a renegociar reajustes de preços com os principais fornecedores e agora estão em conversas com distribuidores de aços planos para futuras revisões. O pior momento para o setor já passou, mas há incertezas sobre 2018. Dúvidas Otto Nogami, professor de macroeconomia do Insper, lembra que a recuperação das vendas do setor automobilístico e do setor de linha branca, que ajudaram a impulsionar as siderúrgicas, refletem medidas pontuais do governo, como liberação do FGTS inativo e do PIS/Pasep, por exemplo. “Mas é preciso que o governo aprove importantes reformas, como a da Previdência, para que a economia de sinais de recuperação consistentes”, disse. A decisão da Usiminas de ligar o alto-forno em Ipatinga (apenas dois estão operando) está calcada na aposta de que os setores das indústrias, não só a automotiva e a de linha branca, possam se recuperar. “Não podemos ficar nesse vai-e-vem. É temeroso ver uma expectativa de retomada e logo em seguida uma inversão de tendência”, disse Nogami. Para Lopes, do IABr, a expectativa é de que a produção do setor cresça 4,9% em 2018. “É importante lembrar que neste ano tivemos aumento de 33% das importações e a entrada da produção da siderúrgica de Pecém. O consumo aparente, de 5,2%, foi bem menor que a da produção.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A engenharia e o futuro do mundo

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“Precisamos de engenheiros trabalhando em questões referentes ao desenvolvimento sustentável, pois são problemas sistêmicos que precisam de um novo desenho para serem superados”, disse o economista norte-americano Jeffrey Sachs, em palestra realizada no dia 17 de novembro, no auditório da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A posição foi reforçada em entrevista especial ao jornal Folha de S.Paulo, publicada no último dia 21/11, em que ele diz que “o futuro do mundo depende dos engenheiros”. Para o professor, no caminho do desenvolvimento sustentável, o mundo também precisa de cinco grandes transformações e é só com o auxílio de universidades e de centros de pesquisa que elas poderão se tornar realidade. São elas, conforme Sachs: a descarbonização da energia; o uso sustentável do solo; o desenvolvimento de cidades sustentáveis; a instituição de serviços públicos de qualidade (saúde e educação); e a criação de institutos de pesquisa que auxiliem nessa transformação geral da sociedade. Ele vaticina: “Sem a ciência, não saberíamos o que está acontecendo conosco. Mas é preciso fazer uma distinção entre ciência básica e ciência aplicada. Por isso, precisamos de engenheiros. São eles que desenvolvem coisas, sejam tecnologias, ferramentas, softwares, hardwares, ideias ou máquinas. Parte do que precisamos agora são engenheiros que possam desenhar um novo sistema de baixo carbono, de energia, de água.” Sachs está à frente de discussões sobre liderança em desenvolvimento sustentável há décadas, sendo considerado, inclusive, uma das forças motrizes por trás da criação dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, plano que antecedeu os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (SDGs). “Tínhamos cerca de 300 objetivos que concentramos em 17”, disse. Para ele, dos três pilares que sustentam o desenvolvimento sustentável –econômico, social e ambiental – o ambiental é o mais difícil de ser resolvido. “Porque ele é irreversível e não temos como atingir os outros dois pilares sem ele”, disse. Sachs, que está à frente dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – uma agenda mundial adotada durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em setembro de 2015, composta por 17 objetivos e 169 metas a serem atingidos até 2030 –, defende que esses profissionais, além de serem contratados para desenvolver coisas que dão lucro, também o sejam para fazer coisas para o bem comum. Nessa perspectiva, ele ensina: “É por isso que precisamos olhar para o desafio do desenvolvimento sustentável não apenas como um problema de mercado, orientado pelo mercado, mas também como uma atividade orientada para o bem social e o interesse público, financiada por governos, filantropos, e impostos sobre empresas e pessoas mais ricas.” Em entrevista recente ao Jornal do Engenheiro, do SEESP, a engenheira Karin Marins, professora do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), também observou que “todas as modalidades da engenharia estão, de certa forma, tocando o tema da sustentabilidade”. Sobre os 17 ODSs da agenda da ONU, ela acredita que a engenharia, por sua ampla inserção econômica e social, permeia a resolução de importantes desafios para consecução dos referidos objetivos. “Entretanto, entendo que alguns desafios podem ter uma atuação mais decisória da engenharia, instrumentalizando ações de forma mais direta, como a educação abrangente e inclusiva, a construção de infraestruturas e cidades resilientes e inclusivas, e promoção de padrões de produção e consumo mais sustentáveis.”

Governo anuncia contratação de 54.089 imóveis para famílias de baixa renda

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O governo anunciou nesta segunda-feira, 6, a contratação de 54.089 unidades do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) para famílias com renda de até R$ 1.800 mensais, que se enquadram na Faixa 1 do programa. O investimento previsto é de R$ 6,31 bilhões, se consideradas as demais unidades já autorizadas este ano. No total, são 79.753. Essas unidades habitacionais, que custam em média R$ 80.000,00, são praticamente doadas. O governo subsidia 95% do valor. Se consideradas também as 12.551 habitações que estão em construção para alojar famílias deslocadas por obras de saneamento e mobilidade urbana do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Faixa 1 chega a um total de 92.304 unidades. Nos próximos dias, o Ministério das Cidades espera anunciar a contratação de outras 70.000 unidades, chegando perto da meta de 170.000 fixada para este ano. A conclusão dessas obras, porém, depende da manutenção dos recursos previstos para o programa na proposta do Orçamento de 208 enviado na semana passada ao Congresso Nacional. Estão previstos R$ 5 bilhões, e a expectativa do ministro das Cidades, Bruno Araújo, é que os recursos sejam elevados pelos parlamentares por meio de emendas. No entanto, com as restrições impostas pelo teto para o aumento dos gastos públicos e pelo crescimento de itens de despesas obrigatórias como Previdência e pessoal, a disputa por verbas será dura e alguns programas de governo poderão ficar com menos dinheiro que o inicialmente previsto. O ministro, porém, não acredita que os parlamentares retirem recursos do programa. “Diminuir, eles não vão”, disse. Araújo disse que, ao longo de 2016, concentrou-se em organizar o estoque de unidades contratadas pelo governo anterior em 2013 e 2014, que ultrapassaram as 530.000. “Passado o segundo turno, o programa praticamente foi ao colapso”, afirmou. Em 2015 foram autorizadas apenas 1.100 unidades. Em 2016, foram 3.974 unidades apenas, sendo que até maio o saldo era zero. “Encontramos 70.000 unidades paradas”, contou o ministro. Dessas, 45.215 foram retomadas, pois dependiam apenas de regularização de pagamentos. As demais ainda estão paralisadas porque envolvem problemas mais complexos, como a quebra ou desistência da construtora e problemas técnicos nos empreendimentos. Ele avalia que as unidades anunciadas nesta segunda não padecerão do mesmo problema de falta de dinheiro porque foram objeto de planejamento. “Não contratamos nada sem os recursos garantidos”, disse. A garantia, no caso, é a previsão de recursos no Orçamento. No entanto, não tem sido raro a área econômica bloquear parte das verbas para compensar frustrações na arrecadação. É o que ocorre este ano, por exemplo. Se tudo correr como o programado, até o final do governo de Michel Temer serão entregues perto de 500.000 unidades do MCMV. Na Faixa 1, serão 130.000 unidades. Segundo Araújo, as 54.089 unidades deverão entrar em construção ao longo de 2018 e gerarão 140 mil empregos. Nessa leva, deverão ser contratadas 192 construtoras. A estimativa do governo é que 320.000 pessoas serão beneficiadas. As unidades estão em 337 municípios. Desses, 205 têm menos de 50.000 habitantes e não eram anteriormente atendidos pelo programa.