Construção civil tem plano para 1 milhão de empregos

Atingido em cheio pelas investigações da Lava Jato e pela recessão econômica, o setor de construção civil quer virar o jogo e protagonizar a retomada do crescimento do País. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresenta nesta quarta-feira, 13, aos parlamentares um plano que promete criar 1 milhão de empregos sem nenhum centavo de subsídios do governo. A articulação do setor com o governo também tem sido intensa.

Construção civil
Entre R$ 2 bi e R$ 8 bi do PAC estão parados. Foto: Werther Santana/Estadão– 13/7/2018

“Da mesma forma que as privatizações puxaram a economia nos anos 90, agora é a hora da construção civil”, avalia o presidente da CBIC, José Carlos Martins. A retomada das 4.738 obras que se encontram paradas é um ponto prioritário. “Isso é emprego na veia”, afirmou. “E não é em uma cidade A, B, ou C, é em todo o País.”

Segundo o presidente da CBIC, há muitos casos de obras que são tocadas entre o governo federal e as prefeituras que, por alguma razão, não começaram. Estima-se que haja entre R$ 2 bilhões e R$ 8 bilhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) depositados em contas de prefeituras e sem uso por causa de dificuldades burocráticas e jurídicas. “Tem de achar uma solução técnica para isso.”

reforma da Previdência, prioridade do governo federal em sua relação com o Congresso, é o item número um da lista de 18 pontos elaborada pela entidade que será entregue aos parlamentares. “Mas não é só ela”, diz Martins. Ele explica que, sem eliminar pontos inibidores do investimento, a melhora no ambiente macroeconômico com a aprovação da reforma da Previdência trará resultados menores do que poderia.

As propostas passam por um novo marco legal para a concessão de licenças ambientais para a realização de obras, que são uma etapa muito demorada do processo. A CBIC defende que as análises pelos órgãos federais envolvidos, como Ibama, Funai e Instituto de Patrimônio Histórico, por exemplo, corram em paralelo. “E queremos regras claras, porque hoje elas não são.”

FGTS

Outro ponto que preocupa o setor é a possibilidade do uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para outras finalidades que não sejam aposentadoria ou aquisição da casa própria. O FGTS é a principal fonte de financiamento do mercado imobiliário, respondendo por dois terços do total. O recado aos parlamentares é que, por mais bem intencionadas que sejam eventuais novas liberações, o impacto é negativo para o setor de habitação.

Martins defende também a reversão de um veto do ex-presidente Michel Temer a um projeto de lei de autoria do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que buscava reduzir a insegurança jurídica para a atuação de empresas do setor. Hoje, explica Martins, o risco de ter o patrimônio pessoal comprometido faz com que os funcionários públicos prefiram não decidir nada. Isso provoca uma paralisia na relação do Estado com as empresas e afeta, por exemplo, as concessões em infraestrutura.

Num quadro onde nem prefeituras nem governo federal têm recursos, a aposta é nas concessões e Parcerias Público-Privadas. A proposta da CBIC é usar técnicos da Caixa para ajudar a estruturar concessões nos municípios. E, no caso federal, reformar o modelo que, avalia Martins, foi construído para beneficiar grandes empreiteiras.

7 cursos de Engenharia com os melhores salários do país

0

Os cursos de engenharia sempre aparecem na lista dos mais procurados pelos estudantes brasileiros. As diferentes oportunidades na carreira atraem diversos jovens e adultos interessados em atuar em uma profissão com uma possibilidade de remuneração elevada. 
Nessa postagem você vai poder conferir os cursos de engenharia com os melhores salários. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que possui um registro dos profissionais contratados no regime de carteira assinada. Engenheiros que atuam com CNPJ, por exemplo, não fazer parte do cadastro, por isso os valores podem variar um pouco em relação à realidade do mercado. 

Engenharia Mecânica

Ao longo de cinco anos de estudos no curso de Engenharia Mecânica, o aluno será preparado para planejar e desenvolver equipamentos, veículos, sistemas e ferramentas relacionadas a indústria mecânica. Nos primeiros semestres, a grade curricular conta com disciplinas gerais das diferentes áreas da engenharia para em seguida especificar os conteúdos à mecânica.
No mercado de trabalho o engenheiro mecânico pode atuar em:
– Indústrias de alimentos, eletrodomésticos, e demais setores de produtos ao consumidor- Indústria Mecânica- Mercado automobilístico e petrolífero, entre outros.
Salário: R$ 9.245,20

Engenharia Elétrica

Com um dos mercados que apresenta uma das maiores demandas por profissionais, o curso de Engenharia Elétrica forma engenheiros com habilidades para elaborar e avaliar projetos no segmento, projetar e instalar sistemas, equipamentos e dispositivos elétricos. 
Entre os estabelecimentos que o profissional pode exercer a profissão, estão:
– Órgãos públicos- Indústrias de equipamentos elétricos- Distribuidoras de energia- Empresas de consultoria, etc.
Salário: R$ 8.140,39

Engenharia de Produção

A graduação em Engenharia de Produção possui cinco anos de duração e titulação de bacharelado. O objetivo do curso é formar profissionais aptos a contribuir para melhorias nos resultados dos negócios na indústria, comércio e empreendimentos. 
O engenheiro de produção é responsável por:
– Supervisão e coordenação de equipes de trabalho- Fiscalização de obras e serviços- Perícias- Avaliações- Elabora, projeta, implanta e opera sistemas de bens e serviços, entre outros. 
Salário: R$ 7.870,96

Engenharia Química

Uma profissão regulamentada desde 1933, o profissional formado no curso de Engenharia Químicafiscaliza a qualidade dos produtos das indústrias alimentícia, têxtil, de cosméticos, farmacêutica, entre outras. Além disso, o engenheiro químico está envolvido com diferentes etapas dos processos industriais, atuando com o objetivo de produzir produtos em larga escala.
A indústria de papel e celulose tem sido apontada como um campo de atuação recente e promissor para engenheiros químicos, além da pesquisa e desenvolvimento de tratamentos para os resíduos das atividades industriais.
Salário: R$ 7.832,92

Engenharia Eletrônica

O engenheiro eletrônico, diferente do engenheiro elétrico, atua com equipamentos de baixa tensão e amplitude, em especial o desenvolvimento de aparelhos eletroeletrônicas, como Smartphone, tabletes e computadores, e processamento de sinais. 
O curso de engenharia eletrônica possibilita uma formação atual, com disciplinas das ciências exatas e conteúdos específicos e práticos da eletrônica. Formado, o profissional encontra oportunidades de emprego em indústrias, empresas e laboratórios de pesquisa, empresas de consultoria. 
Salário: R$ 7.552,11

Engenharia Civil

Uma das graduações mais populares da engenharia, o curso de Engenharia Civil capacita profissionais para atuar nos diferentes segmentos relacionados a obras e edificações. O profissional elabora projetos, planeja, realiza vistorias e avalia empreendimentos público e privados. 
O profissional encontra oportunidades de emprego em:
– Construtoras- Órgãos públicos- Empresas de construção- Consultoria, etc.
Salário: R$ 7.465,51

Engenharia da Computação

O curso de Engenharia da Computação tem sido apontado como uma das formações na qual o mercado de trabalho é bastante favorável. Com duração de cinco anos, o curso forma profissionais para atuar com os sistemas de computação, automação e comunicação. A construção de novos computadores e demais equipamentos de informática é uma das principais áreas de atuação, no entanto, possível desenvolver carreira em:
– Desenvolvimento de sistemas- Redes de computadores- Controle e automação
Salário: R$ 6.939,40Fonte: E+B Educação | Gabriele Silva

6 provas de que a arquitetura e as cidades estão sendo redefinidas

Nos últimos vinte anos, o mundo nunca esteve tão conectado. Na transição do século, a digitalidade parece ter invado as camadas analógicas e redefinido padrões, estilos de vida, interações e a maneira como nos conectamos e utilizamos os espaços. Essa redefinição social é fortemente atribuída à chamada Geração Z, ou seja, o grupo de pessoas definido por aqueles nascidos na transição do século XX ao XXI, entre as décadas de 1990 e 2010. Mas você conhece as características deste grupo?

Historicamente, a definição das diferentes gerações iniciou-se a partir da nomenclatura atribuída aos grupos de pessoas nascidas em diferentes momentos a partir da segunda metade do século XX. Nesse quesito, os baby boomers, como são chamados aqueles pertencentes à Geração X – grupo de pessoas classificados entre os nascidos entre as décadas de 1960 e 1970, notadamente após a segunda Guerra Mundial –, caracterizada pela busca do sucesso profissional de maneira precoce e consequentemente, conquista da casa própria e construção familiar under 30. Enquanto isso, os Millenials, como denominados o grupo pertencente a Geração Y e nascidos entre a década de 1970 e 1990, são os pioneiros da Internet. Inovadores, foram os primeiros a dar um passo em direção à chamada Era Digital e produzir os primeiros computadores, games, e-mails e redes sociais, permitindo aperfeiçoamentos na comunicação a distância. Agora, a Geração Z tem mudados os panoramas de comunicação, produção e apropriação do espaço, em que a tecnologia passa a ser uma ferramenta para facilitar o cotidiano, tornando-se um imprescindível.

De acordo com relatório publicado em 2018 pela WGNS (Worth Global Style Network) – empresa líder mundial em serviços de coolhunting, pioneira no segmento de previsão de tendências nos segmentos de estilo de vida, arquitetura, design e moda –, a geração Z pode ser subdividida em duas categorias: “Gen We” e “Gen Am”, ou seja, a primeira nomenclatura diz respeito a “Geração Nós”, focada no coletivo e necessidades da população enquanto grupo, ao passo que a segunda nomenclatura, “Geração Eu” [1] é aquela focada no singular e nos deveres individuais. No entanto, apesar da aparente subdivisão, ambas apresentam como ponto em comum a conectividade enquanto ferramenta que fornecerá mudanças radicais nos próximos anos a partir de uma velocidade antes inalcançada, trabalhando uma série de valores intelectuais em conjunto.

De acordo com o jornal Estadão, somente em maio de 2016 eram mais de 2 bilhões de Zs em todo o mundo e de acordo com expectativas, até 2023 se tornarão “o maior grupo atuante no mundo”[2]. Este número revela a capacidade de geração de bilhões anualmente e o novo motor da economia a nível mundial, uma vez que as mudanças nos paradigmas, modos de produzir e consumir são as mesmas que movem uma corrente de indústrias e mercados em todo o mundo – entre eles, o setor imobiliário e urbano.

Possivelmente, ao ler os parágrafos iniciais deste artigo, você tenha atribuído as mudanças citadas à cadeia de produtos eletrônicos e matéria tangível, mas engana-se. Os Zs estão conquistando o mundo com nova filosofia e meios de percepção e uso do espaço. Se anteriormente, casais casavam-se muito jovens, na faixa dos vinte anos, agora, o prolongamento da vida de solteiro apresenta estatísticas consideráveis e, consequentemente, um estilo de vida nômade de moradia. Isto nos revela que jovens têm preferido alugar apartamentos a ter que comprar determinadas propriedades sem a opção de transferir-se e conhecer novos bairros. Desta forma, apartamentos hypados, “descolados” e pops veem sendo construídos a partir do entendimento deste novo perfil, e construtoras têm apostados nas pesquisas de coolhunting que anteciparam tendências em pelo menos 10 anos, tempo médio para investimentos imobiliários.

Máquina do tempo, carros voadores… Os filmes erraram e o que era previsto nas telas parece ter tomado outro rumo; o futuro é o hoje. Nanotecnologia, drones, aplicativos, dispositivos mobile, leitura digital, automação: essas são apenas algumas das inúmeras possibilidades que vêm moldando o presente. Compilamos a seguir alguns temas recorrentes da apropriação das cidades pela Geração Z.

1 – A casa é o lar. Mas o lar é o home office: Projetando a partir da ideia de desapego e com um aspecto peculiar, entendido como os novos nômades, esta geração é caracterizada pela transição do lar num curto período de tempo, a partir da ideia de que almejam viajar, conhecer novos lugares do mundo, adquirir novos conhecimentos culturais e, ainda, quando no país de origem, conhecer novos bairros e grupo de pessoas. Nesse sentido, aspirando experiências diversas, passam ocupar espaços residenciais mínimos, quase remodelando a ideia de que “menos é mais”. Junto a isso, com menor interesse no casamento precoce e em ter filhos, optam por espaço menores que ora funcionam como residencia, ora como home office. A partir da remodelação de uma série de empresas que dispensam seus funcionários em dias pré-determinados, ou sob a ideia de jovens independentes buscarem cada vez mais a autonomia de seus negócios, a casa também dá lugar ao espaço de trabalho.

2 – O espaço multiuso: Continuando a ideia tratada no tópico anterior, o espaço reduzido exige novas organizações. Com um investimento em arquitetos como diretores criativos, apartamentos cada vez menores – usualmente abaixo dos 30 ou 20 metros quadrados – têm fomentado o uso de mobiliários e equipamento multiuso. Mobiliários que se transformam em fração de segundos, peças com roldanas e trilhos, design inovador e soluções cada vez mais arrojadas na busca pela facilidade do uso espacial.

3 – Dispositivos mobile como facilitadores: É certo que o boom dos novos dispositivos virtuais tem abismado até os maiores entusiastas da tecnologia. Mas nos últimos anos a tecnologia de inteligência mobile e automação tem se tornado cada vez mais palpável e viável economicamente para a classe media. Controle de luzes e temperatura com apenas um clique, acesso as câmeras internas de seu lar ou empresa a quilômetros de distancia, controle musical pelo tablet, liberação da entrada de sua residência pelas ondas sonoras de voz ou pela sua retina são alguns exemplos. Mas a indústria quer ir além e, de acordo com empresas especializadas em tecnologia, o futuro será o vidro. Este elemento será a interface para o controle de todas as facilidades de nosso dia-a-dia.

4 – A rua é o quintal: Diferentemente da geração X e Y que clamava pela conquista do lar onde se estabeleceriam pelo resto de suas vidas, a geração Z tem como perfil a independência e estilo nômade. Apresentando menor importância a ideia de pertencimento ou da singularidade, parece despertar interesse pela ideia de coletivo. Nesse sentido, a partir da ideia de viver num espaço mínimo, a cidade torna-se o quintal e o que antes era tido como o espaço rejeitado é, agora, o espaço conquistado. Não é a toa que uma série de inciativas urbanas vêm sendo adotadas em todo o mundo, como, por exemplo, o movimento Paulista Aberta, que vêm chamando a atenção de urbanistas de todo o mundo a partir de um gesto muito simples: impedir a passagem de automóveis durante domingos e feriados num período de tempo pré-estabelecido, permitindo que a via se transforme num espaço coletivo e de manifestações artísticas e culturais. O espaço publico é, portanto, compartilhado. O espaço é de todos. Tomemos o Elevado Joao Goulart, o popular “Minhocão”, como exemplo de como uma via dedicada para automóveis, apesar de sua feiura, pode se tornar de todos. Amparado pelas tecnologias e ideia de redes, permite ainda a celebração de uma serie de eventos de modo que todos tomem conhecimento em segundos.

5 – Cultura maker: Se até então éramos obrigados a consumir o que nos era imposto, a realidade agora é diferente. Nos últimos cinco anos, pelo menos, uma série de iniciativas de cunho público e privado tem incentivado a idealização de um conjunto de projetos de cultura digital. Como exemplo temos os fablabs – laboratórios de fabricação digital –, que têm por objetivo a aplicação prática de metodologias e tecnologias para a produção de peças, mobiliários e dispositivos criados a partir de meios digitais, operados por softwares, impressoras 3D, fresas, etc. Nesse sentido, todos podem criar seu próprio mobiliário, que pode ser estruturados a partir de encaixes e transportados de um apartamento a outro com facilidade.

6 – Dispositivos mobile com aplicação urbana: Aplicativos como o Uber, Yellow, entre outros, têm permitido maior interação urbana e, sobretudo, o mapeamento do tecido urbano a partir da ideia de mobilidade. Enquanto facilitadores, ainda prometem muitas inovações nos próximos anos.

Por que esta construtora não irá vender nenhum apartamento neste prédio

São Paulo – Comprar um apartamento é cada vez menos visto como um sonho de consumo para jovens, solteiros ou famílias pequenas. A tendência, de acordo com a construtora Vitacon, é morar em lugares menores, próximos ao trabalho, e se mudar com mais frequência. Por isso, a empresa construtora busca atender a essa demanda: ergueu um prédio com 100 apartamentos, mas não irá vender nenhum deles.

Todos os imóveis serão alugados pela própria construtora, por períodos de poucos dias até três anos. Por meio do site, semelhante ao Airbnb, faz as reservas, contratos, o check in e check out e a limpeza. Aberto em outubro, o prédio está na região central de São Paulo e conta com uma academia, lavanderia coletiva, restaurante, salas de reunião, espaço para eventos e uma pequena vendinha com lanches e bebidas. Até o fim de 2019, a empresa irá inaugurar outros quatro prédios no mesmo modelo.

Além do imóvel voltado inteiramente ao aluguel, a companhia também administra locações de apartamentos vagos em suas outras construções. A VN Stay foi criada há dois anos e em operação desde 2017.  “Queremos substituir a moradia”, diz Alexandre Frankel, CEO da Vitacon. Para o empresário, “é cada vez menos importante comprar um apartamento”, o que pode ser problemático para uma construtora.

A empresa lançou imóveis no valor de 830 milhões de reais em 2017 e deve chegar a 1,23 bilhão de reais em 2018. Mas cerca de 15% dos faturamento da companhia vem de fontes que não a venda de imóveis, como decoração, locação e serviços, como televisão, concierge, manutenção e limpeza.

A inspiração veio da avaliação do perfil de clientes da Vitacon. Hoje, 80% dos clientes da empresa compram com a finalidade de alugar e apenas 20% compram pensando em morar na empresa. Para abocanhar parte do mercado de aluguel, a empresa decidiu criar uma plataforma para operar os apartamentos de outros proprietários. Atualmente, há 200 apartamentos na plataforma, a uma taxa de ocupação de 96%, e a empresa recolhe uma taxa de 20% de cada aluguel.

O modelo deu tão certo que a empresa paulistana busca expandi-lo para o resto do país. Além de erguer os próprios prédios, irá firmar parcerias com construtoras para operar seus apartamentos vagos.

Com o ganho de escala, a empresa também busca acumular mais dados e inteligência. Já existe um sistema para precificar os aluguéis de forma dinâmica, com preços maiores conforme a procura, mas a ideia é reunir outros dados, como a ocorrência de eventos ou conferências que aumentem a demanda em certo período. As fechaduras inteligentes também registram a entrada e saída dos moradores e os momentos mais tumultuados.

Além do aluguel, outra fonte de receitas da companhia é a decoração dos apartamentos e áreas comuns, a partir da divisão VN Decor. As construtoras costumam entregar os empreendimentos sem nenhum móvel ou acabamento, mais difíceis de comercializar, ou contratam uma empresa especializada para fazer a decoração. “As receitas da decoração iam para outra empresa, agora trouxemos para dentro do grupo”, diz Frankel.

Desde sua criação, em 2009, a construtora ergueu 54 prédios na cidade de São Paulo e conta com 10 mil clientes, a maioria de investidores A XP investimentos, a ABVep e a Hines estão entre os principais investidores. São  apartamentos pequenos, que podem chegar a apenas 10 metros quadrados, inspirados no estilo minimalista japonês, com móveis planejados e multiuso.

Ela mantém crescimento enquanto o setor de construção civil encolhe desde 2014. De olho no modelo do Airbnb, a construtora encara a transformação do setor como oportunidade para novas fontes de receita.

Área comum para trabalho e descanso em empreendimento da construtora Vitacon

 Área comum para trabalho e descanso em empreendimento da construtora Vitacon

Área comum para trabalho e descanso em empreendimento da construtora Vitacon (Karin Salomão/EXAME)

Apartamento em empreendimento da construtora Vitacon

 (Karin Salomão/EXAME)

Fundos imobiliários podem figurar entre os melhores investimentos de 2019

Especialistas do mercado financeiro estão otimistas para a economia em 2019. A projeção do Banco Central é que o crescimento econômico do país gire em torno de 2,4% ao longo do próximo ano, valor que é considerado bom quando comparado às expectativas dos anos anteriores.

Dessa forma, os Fundos de Investimento Imobiliário, ou FIIs , estão entre as melhores alternativas para conseguir bons rendimentos, caso aconteça o crescimento esperado. Isso se deve ao fato do setor imobiliário ser um dos mais beneficiados com essa situação.

O novo governo, que toma posse no dia primeiro de janeiro de 2019, apresentou propostas e uma pauta econômica que visa o aumento de renda dos brasileiros, focando, principalmente, no combate ao desemprego e aumento da concessão de crédito pessoal.

Além disso, o preço do metro quadrado no Brasil continua atrativo. Essas medidas são importantes para que as pessoas voltem a investir no setor imobiliário, resultando em uma valorização.

Outra ação que pode fazer com que os FIIs figurem entre as boas opções de investimentos em 2019 é a manutenção da taxa Selic. O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa em patamares considerados baixos. Essa decisão reflete diretamente no preço dos FIIs, que devem seguir valorizando ao longo do próximo ano.

Em consulta realizada junto a especialistas da Toro Investimentos, foram levantados os principais Fundos Imobiliários que podem se transformar em boas opções são:

– AEFI11
– BBPO11
– BCFF11
– BRCR11
– KNRI11
– HGLG3
– VRTA11
– FEXC11

É importante destacar que este movimento otimista para os Fundos Imobiliários não é algo que vai acontecer apenas em 2019, pois já vem se desenhando de maneira interessante em 2018.

A economia de uma forma geral foi afetada pela greve dos caminhoneiros que aconteceu em maio de 2018 e pela corrida eleitoral, que acabou no final de outubro com a eleição de Jair Bolsonaro. Porém, os números da B3 indicam que, antes destes acontecimentos, os Fundos Imobiliários apresentaram bons índices e após as eleições, em novembro, voltaram a reagir e melhorar o rendimento.

Segundo dados da Bolsa de Valores brasileira, houve um aumento de 70% nos investimentos nesses fundos, chegando a uma marca expressiva aproximadamente 185 mil investidores investiram em FIIs nos últimos 12 meses.

A principal expectativa do mercado financeiro é que os Fundos Imobiliários mais valorizados em 2019 sejam os que possuem relação com estabelecimentos comerciais, principalmente shoppings centers.

Como é esperado que as pessoas ampliem o seu poder de consumo no próximo ano, empreendimentos de galerias comerciais e shoppings devem ser beneficiados com o aumento do consumo, valorizando assim, os FIIs relacionados a esses imóveis.

Além do que foi falado, a facilidade em realizar este investimento é outra vantagem que deve favorecer a valorização e aumentar a procura pelos Fundos Imobiliários. Atualmente, é possível investir em um FIIs de maneira simples e rápida, com pouco cliques pela internet.

Portanto, no momento de escolher a melhor forma de aplicar uma quantia em 2019, é sempre interessante analisar o mercado e perceber os setores que mais devem se beneficiar com um possível crescimento da economia. Nesses casos, os Fundos Imobiliários, FIIs, tendem a ser ótimas alternativas para obter bons rendimentos.

Por fim, os Fundos Imobiliários se apresentam como ótimas alternativas para compor uma carteira de investimentos com maior diversificação e com grandes possibilidades de valorização em 2019.

Ao lado de outros tipos de investimentos como ações, Certificados de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito, os FIIs podem assumir a preferência dos investidores.

Vai comprar um imóvel? 2019 pode ser o ano ideal

0

São Paulo – Se o otimismo com a economia virar realidade, 2019 vai ser o ano ideal para quem quer comprar um imóvel. O cenário mistura preços ainda estáveis, oferta alta, financiamento fácil e juros mais baixo. Com a perspectiva de melhora nos níveis de emprego e de renda, os compradores de imóveis tendem a ficar confiantes e a tomar decisões nos próximos meses. “Aguardamos uma retomada mais forte do mercado imobiliário em 2019”, diz Fernando Gonçalves, presidente da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI).

No entanto, o desemprego ainda está alto e os sinais de recuperação da economia ainda são frágeis. Por isso, vai demorar para o aumento da procura por imóveis pressionar os preços a ponto de haver uma grande alta.

Nos últimos quatro anos, os preços dos imóveis no Brasil caíram cerca de 20% em termos reais, ou seja, descontando a inflação, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). “Este ano, os preços vão andar de lado. Dificilmente subirão mais que a inflação na maioria das cidades”, diz Bruno Oliva, economista da Fipe.

A cidade de São Paulo, porém, é uma exceção. Mudanças no Plano Diretor da capital, que aumentaram as restrições para construir, devem fazer com que os preços subam mais rapidamente. “São Paulo terá um aumento nos preços dos imóveis acima da inflação este ano”, diz Basilio Jafet, presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP).

Depois de anos emperrados, os estoques das construtoras começaram a diminuir em São Paulo. As vendas no fim do ano foram acima do esperado. “No final de semana passado, os plantões estavam cheios, o que não acontecia há muitos anos”, conta Jafet.

Por isso, para quem tem perspectiva de emprego e estabilidade financeira, pode ser melhor aproveitar para comprar imóvel antes que os preços subam muito. Além disso, é hora de aproveitar para negociar antes que a disputa pelos melhores imóveis fique acirrada. Quem tiver paciência consegue até 15% de desconto.

Engenheiro renova apelo por doações para projeto habitacional no Haiti

Uma campanha de financiamento coletivo busca dar um passo decisivo para tirar do papel um projeto de extensão desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) voltado para a construção de moradias populares no Haiti. O objetivo é arrecadar recursos para iniciar as obras de uma pequena comunidade que abrigaria inicialmente 15 famílias da cidade de Duchity, situada em uma região afetada pelo terremoto de 2010 e pelo furacão Matthew, em 2016.

A iniciativa é do engenheiro Jac-Ssone Alerte, que nasceu em Duchity, a oeste da capital haitiana, Porto Príncipe, vive no Brasil desde 2008 e é formado na UFRJ. “É uma satisfação grande ver o projeto saindo do papel.” Jac-Ssone diz que, um jovem engenheiro como ele, tem que se preocupar e colaborar com sua comunidade. “Não sabemos os desafios de amanhã, mas o que está ao nosso alcance hoje é iniiar início a esse projeto. Transformar o local onde eu nasci e me sentir útil.”

A proposta de Jac-Ssone é aplicar, em regime de mutirão, a técnica solo-cimento, que vem sendo estudada há alguns anos por pesquisadores da UFRJ como uma alternativa a métodos convencionais empregados pela indústria da construção civil. A técnica é sustentável e de baixo custo.

Com duração de 60 dias, a campanha para arrecadar recursos tem duração de 60 dias, começou no dia 13 do mês passado e se encerra em 10 de fevereiro. A meta é levantar R$ 45 mil, total estimado para compra de uma máquina para fabricar tijolo solo-cimento e construção da primeira casa. Até , agora, porém, apenas 16% foram arrecadados – cerca de R$7 mil. A campanha é realizada na modalidade “tudo ou nada”, o que significa que, se a meta não for alcançada, o dinheiro será devolvido aos doadores.

Para Jac-Ssone, a iniciaitva pode ser exemplo para qualquer lugar do mundo. “Eu acredito no potencial de colaboração das pessoas. Se não conseguir a arrecadação, ainda não sei qual será o plano B”, afirma o engenheiro.

As doações são feitas pela internet, e os colaboradores poderão receber brindes como camisetas e chaveiros, além de ter o nome gravado em um tijolo da “parede dos doadores”, que será erguida na comunidade.

Os contribuintes ganharão ainda uma cópia digital do livro (Re)construindo um Sonho, que Jac-Ssone lançou no ano passado para apresentar suas ideias e contar sua história. Os recursos arrecadados com a venda dos livros impressos também estão destinados ao projeto.

Famílias desabrigadas

Em janeiro do ano passado, Jac-Ssone disse à Agência Brasil que o projeto de extensão prevê a construção da Village Marie no bairro de Don de L’Amitié, onde ele viveu. Segundoo Jac-Ssone, o nome da comunidade é uma homenagem à sua mãe. O terreno já foi adquirido e os beneficiários, selecionados com base em perfis socioeconômicos. São famílias desabrigadas em decorrência do furacão Matthew.

O plano urbanístico prevê ainda a construção de posto de saúde, escola e de uma área voltada para o comércio. Dessa forma, além das 15 famílias que serão assentadas, os demais moradores do bairro de Don de L’amitié serão beneficiados. Atualmente, eles sofrem com a carência de equipamentos públicos e com a inexistência de saneamento básico e de um sistema amplo de distribuição de energia, diz o engenheiro haitiano.

De acordo com Jac-Ssone, os imóveis serão seguros e resistentes a tremores e ventos fortes. A iniciativa tem ainda o objetifo de chamar a atenção para a necessidade de melhorar as políticas habitacionais no Haiti.

O engenheiro lembrou que o impacto das tragédias ambientais é otencializado pela frágil estrutura das edificações no país. O terremoto de 2010, que completa nove anos na próxima semana, atingiu 7 graus na escala Richter e causou a morte de cerca de 200 mil mortos. Já o furacão Matthew provocou mais de mil mortes em 2016.

Especialistas divergem sobre nova lei do distrato e dizem que construtora não pode enriquecer ilicitamente

0

As novas regras do distrato já causam polêmicas no meio jurídico. Especialistas analisam detidamente a Lei 13.786/18, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta, 28. O texto regulamenta a rescisão e trata dos direitos e deveres de incorporadoras, loteadoras e adquirentes de imóveis nos casos de rescisão contratual.

Para alguns advogados, a lei ‘traz significativos avanços na regulação dos valores que são restituídos aos adquirentes de imóveis desistentes do contrato assinado’. Mas outros alertam que ‘a construtora não pode ter enriquecimento ilícito, se a pessoa desiste da compra por falta de condições, não pode perder 50%’

Duas são as situações regulamentadas: 1) caso a desistência se dê em um empreendimento no qual não haja patrimônio de afetação, a restituição será de 75% dos valores pagos; 2) naqueles em que há patrimônio de afetação, a restituição será de 50% dos valores pagos.

“A aprovação do projeto certamente contribuirá para o desenvolvimento do mercado imobiliário no Brasil, que hoje sofre não apenas os efeitos decorrentes da crise econômica, mas também com os graves problemas decorrentes da insegurança jurídica existente nos casos de resolução do contrato por inadimplemento do adquirente de unidades habitacionais em incorporação imobiliária”, considera Ulisses Sousa, sócio do Ulisses Sousa Advogados.

A lei deverá colocar fim à judicialização que cerca as desistências de compradores em projetos imobiliários que, segundo Ulisses Sousa, é de cerca de 40% no país.

“A falta de regras claras dá origem a inúmeros litígios, nos quais a palavra final acerca do assunto é conferida ao Judiciário, onde muitas vezes os processos são decididos sem um olhar atento para a realidade e as nuances especificas do mercado da construção civil”, observa.

Para o advogado, ‘o mercado da construção, que precisa de aplicação intensiva de capital, não suporta mais viver com tamanha insegurança, que contribui para o aumento dos custos e inibe a realização de novos empreendimentos imobiliários’.

A questão dos porcentuais, explica, traz regras claras para comprador e vendedor. “A nova lei vai contribuir para levar equilíbrio e harmonia a essas relações contratuais, sem privilegiar qualquer uma das partes.”

Por que porcentuais diferentes para os distratos?

O advogado Rodrigo Ferrari Iaquinta, do departamento de Direito Imobiliário do Braga, Nascimento e Zilio Advogados, explica que a diferença se dá pelo fato de que a existência de patrimônio de afetação significa que todos os valores pagos pelos compradores de determinados imóveis se destinam exclusivamente à construção do empreendimento no qual tais imóveis se localizam — um prédio de apartamentos ou um condomínio de casas, por exemplo.

“Assim, os valores estão ‘afetados’, isto é, restritos a um empreendimento”, diz Iaquinta. “Esta figura faz com que os compradores e incorporadores fiquem protegidos porque se trata de uma garantia para que a construção não seja obstada.”

De acordo com Rodrigo Iaquinta, outra questão importante que passa a ser regulamentada é sobre o fato de que o adquirente poderá desistir da aquisição, sem penalidades, em até 7 dias da realização da venda.

O advogado lembra que, nos casos em que há alienação fiduciária, não pode haver distratos, uma vez que em tais modalidades de negócio o regramento já está previsto na Lei 9.514/1997.

A lei é absurda, diz especialista

Para o advogado Eduardo Vital Chaves, sócio do Rayes & Fagundes Advogados, a lei sancionada entra em conflito com a legislação atual.

Segundo Vital Chaves, o Código Civil e o Código de Defesa e Proteção do Consumidor não preveem multas nesse porcentual, pelo contrário. “O artigo 51, inciso II do CDC é claro ao pontuar que são nulas cláusulas que subtraiam do consumidor o direito ao reembolso das quantias por si já pagas. Os incisos IV e XV do mesmo artigo também resguardam os consumidores contra cláusulas que prevejam obrigações iníquas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou que atentem contra o sistema de proteção do consumidor”, explica.

Eduardo Vital Chaves aponta que o Poder Judiciário já fixou esse porcentual entre 10% e 25%, em decisões reiteradas dos Tribunais de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça.

Segundo o especialista é questionável, por meio da nova norma, uma tentativa por via transversa de se mudar os entendimentos já consolidados. Para ele, o porcentual da multa estipulado na lei é desproporcional. “As construtoras retomam o bem para revenda a terceiros, recebendo integralmente pela nova venda. Mas e o comprador que desistir do imóvel, tem que pagar uma multa de 50%? Perder metade de toda a sua economia? questiona.

O advogado assinala que ‘não há razoabilidade e proporcionalidade’.

“A construtora não pode ter enriquecimento ilícito. Se a pessoa desiste da compra por falta de condições, não pode perder 50%.”


2019 será melhor para mercado imobiliário

0

A redução das incertezas após a eleição deve dar início a um novo ciclo para o mercado imobiliário, avalia o presidente da MRV, Eduardo Fischer. A construtora, que focou nos últimos cinco anos no consumidor de baixa renda, pretende voltar a lançar imóveis de maior valor.PUBLICIDADE

O déficit habitacional do País, que já era elevado, aumentou em mais de 220 mil imóveis entre 2015 e 2017, batendo recorde, destaca reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A seguir, trechos da entrevista do executivo.

2019 deve ser um ano melhor para o mercado imobiliário?

Nesse setor, é preciso sempre tentar antecipar os próximos três anos. Mesmo em 2014, quando o desemprego estava baixo, já se vislumbrava que seriam anos difíceis pela frente, mas 2019 deve ser melhor para o mercado imobiliário. O pior da crise parece ter passado e a demanda por moradia é alta.

A MRV focará em baixa renda?

Não só. Ficamos os últimos cinco anos focados em unidades a partir da faixa 1,5 do Minha Casa, Minha Vida — a segunda menor do programa — e financiadas com recursos do FGTS. A demanda é alta pela baixa renda, mas queremos voltar a construir empreendimentos de valores mais altos e financiados com a poupança. Essas famílias também ficaram com o consumo represado.

O mercado está otimista com a nova equipe econômica?

Sim. A impressão é de que há uma grande racionalidade por parte da equipe. Ela conhece a necessidade de gerar empregos no País e sabe do potencial que o setor imobiliário tem para criar postos de trabalho.

Emprego, PIB, qualidade de vida: conheça as contribuições da construção civil para o Brasil

Você tem ideia da maneira como a cadeia da construção civil contribui para o desenvolvimento do país? Responsável pela execução de obras residenciais, edifícios comerciais e infraestrutura, como mobilidade urbana e saneamento básico, o setor gera 10 milhões de empregos e movimenta 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB), com potencial para alavancar ainda mais a economia.

Na construção civil, assim como em outros setores, pode ser aplicado o conceito de cadeia de valor do professor norte-americano Michael Porter, que ajuda a analisar as atividades que envolvem as indústrias. “Ele diz que a cadeia de valor são todas aquelas etapas do processo produtivo que a empresa agrega valor”, explica o especialista em competitividade do Sebrae, Renato Perligeiro. Na construção civil, ela vai desde a extração dos materiais até a aplicação na obra e seu uso. Um exemplo é o barro que gerará peças de cerâmica que depois serão usadas nas edificações.

Cada etapa da cadeia produtiva da construção civil agrega valor ao produto final. Esse encadeamento envolve diversos setores, desde a extração de matéria-prima bruta, como minérios, até a indústria de materiais de construção, o comércio dos produtos, setor de serviços como engenharia e arquitetura, as construtoras que executam a obra e o posterior uso e operação. “A importância da cadeia de valor da construção civil é a geração de riquezas. Tem um efeito muito rápido na economia”, comenta Perligeiro.

R$ 180 bilhões em impostos

A construção civil é um grande impulsionador da economia brasileira. No auge dos investimentos no país, entre 2003 e 2014, ela chegou a representar 12,4% do Produto Interno Bruto (PIB), com um investimento de R$ 809 bilhões e recolhimento de impostos na casa de R$ 180 bilhões. O consultor do Departamento de Construção Civil da Fiesp, Fernando Garcia, destaca que nesse período ele também teve um impacto grande na geração de emprego e renda, com 12,2 milhões de postos de trabalho, ou seja, 13% de todos os trabalhadores do país atuavam nessa cadeia.

Mesmo após quatro anos de crise, o setor ainda mostra sua força. Em 2017, o investimento em obras representou 9,9% do PIB, com R$ 648 bilhões, e mobilizou 10,6 milhões de trabalhadores. Os números de 2018 se assemelham às estatísticas do ano anterior. Até o terceiro trimestre, a construção civil participou com 9,5% do PIB e empregou cerca de 10,3 milhões de trabalhadores, segundo Garcia. A comparação com outros países com nível de desenvolvimento semelhante mostra que o setor ainda tem possibilidade de crescimento. Essa cadeia produtiva representa 12,7% do PIB do Chile e 12,6% do PIB do México. “O governo tem que correr atrás, porque é um impacto grande na qualidade de vida”, destaca.

Esse reflexo se dá, por exemplo, quando uma família se muda para uma habilitação de qualidade superior. O setor residencial, o principal da construção civil, tem uma demanda de 1,2 milhão de moradias por ano. Mas há também toda a necessidade de obras de infraestrutura, mobilidade urbana, energia e saneamento básico, melhorando a vida das pessoas e estimulando o emprego.

Hoje entre os cerca de 13 milhões de brasileiros desempregados, cerca de 2 milhões trabalhavam antes na construção civil. Garcia ressalta que muitas dessas pessoas são jovens de baixa formação, que o setor poderia absorver com facilidade, caso aumentem os investimentos. “A construção civil é um mecanismo efetivo no combate ao desemprego, o que tem reflexo na segurança pública e na saúde”, salienta.

Ele fatura r$ 3,5 milhões encontrando o pedreiro ideal para a sua obra

primeiro contato que Leôncio Neto teve com a construção civil foi com apenas 16 anos, quando seu pai trabalhava como construtor em Recife, no Pernambuco. Hoje, aos 28 anos de idade, ele é o fundador da RenoveJá, empresa que conecta clientes a profissionais da construção de sua região. A rede faturou R$ 3,5 milhões no ano passado e prevê encerrar 2018 com receita de R$ 6 milhões.

Com investimento de R$ 20 mil que juntou trabalhando em outras empresas, Neto começou o seu negócio em 2012, em Recife.

No início, ela se chamava Renove Obras e tinha foco em reformas de prédios comerciais.

Mas o negócio teve que ser reformulado para driblar a crise no setor de construção civil e assim surgiu a RenoveJá.

Entre os serviços oferecidos, estão reformas, manutenção e reparos, como pintura, hidráulica, alvenaria, gesso e elétrica. Atualmente a marca possui 28 unidades em operação nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para 2019, a rede pretende expandir para cidades como  São Paulo (SP), Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS), e prevê chegar a 60 novas unidades no ano que vem. Também em 2019, a meta de Neto é que seu negócio fature R$ 30 milhões.

Com fim da queda nos preços, momento é bom para comprar imóveis

0

Depois de sofrer com a crise econômica nos últimos anos, o setor imobiliário dá sinais de recuperação. Especialistas afirmam que o momento é favorável para quem está em busca da casa própria ou pretende comprar imóveis para investir. Há uma boa oferta de propriedades, e os preços pararam de cair.

A definição do cenário eleitoral, a manutenção da taxa Selic (o juro básico da economia) em 6,5% ao ano – nível historicamente baixo –, o aumento do limite de uso do FGTS para R$ 1,5 milhão e os sinais de retomada do crescimento econômico são as principais justificativas para apostar na aquisição de um imóvel neste momento.

“Acreditamos que o setor está entrando em um novo ciclo de crescimento, que deve durar entre três e cinco anos. Porém, este ciclo não será tão acelerado como foi o anterior. Não veremos mais prédios sendo lançados e inteiramente vendidos em menos de 24 horas”, afirmou Marco Saravalle, estrategista da XP Investimentos.

“É a oportunidade de sair na frente. Os preços já não estão mais caindo, estabilizaram-se. Mas ainda é possível pechinchar, porque as construtoras estão terminando de queimar os estoques de imóveis novos. Elas precisam liquidar esses estoques para retomar os lançamentos”, disse Tiago Galdino, diretor executivo do site Imovelweb.

Volta à normalidade

A avaliação dos especialistas é que o pior ficou para trás. Depois de enfrentar períodos de intensa recessão e de instabilidade política, a expectativa para 2019 é de aumento da confiança dos consumidores, o que será fundamental para retomada do crescimento econômico.

“As buscas por imóveis em nosso site entre janeiro e setembro deste ano saltaram 35% na comparação com o mesmo período de 2017. Isso é um sinal claro de que as pessoas estão se sentindo mais confiantes, mais dispostas a comprar”, declarou Galdino.

“E a tendência é que a procura aumente ainda mais. Até duas semanas atrás, as pessoas estavam mais preocupadas em discutir eleição, brigar com os parentes, bater boca com os amigos. Agora que a situação política está definida, elas devem voltar a olhar para frente, se planejar. Afinal, as pessoas continuam se casando, as famílias continuam crescendo. Devemos voltar à normalidade”, disse o diretor do Imovelweb.

Melhora dos Cenários Político e Econômico

Além do consumidor, a confiança da indústria e dos grandes investidores também está voltando. “No começo do ano, a gente acreditava que 2018 seria o ano da recuperação. Daí você teve a greve dos caminhoneiros, que parou tudo. Em seguida, veio a incerteza com as eleições. As indústrias que tinham algum plano de expansão preferiram manter os projetos engavetados. Agora, esses planos devem começar a sair do papel”, afirmou Saravalle.

Segundo o especialista da XP, Jair Bolsonaro deverá ter maioria no Congresso, o que facilita a aprovação de reformas estruturais, como a da Previdência. “A oposição não terá votos suficientes para barrar as reformas. Portanto, se a gente tiver um presidente disposto a articular as reformas, ele terá espaço político para fazer isso, especialmente nesse período inicial de governo.

Do lado econômico, Saravalle destaca o controle da inflação, que deve se manter dentro da meta do Banco Central nos próximos anos. “Estamos prevendo um aumento da taxa Selic em 2019 para 8% ou 8,5%, frente aos 6,5% atuais. Mas não descartamos a possibilidade de o Banco Central adiar essa alta devido ao cenário benigno para a inflação.”

A manutenção dos juros em níveis baixos barateia o financiamento imobiliário, o que é positivo para quem pretende comprar a casa própria. Para quem planeja investir em imóveis, o juro baixo torna o retorno obtido com o aluguel mais atraente do que o rendimento dos investimentos tradicionais de renda fixa.

Início da recuperação

A rentabilidade média anual dos imóveis na cidade de São Paulo alcançou 5,6% em setembro, ficando pelo terceiro mês consecutivo acima do retorno da poupança (4,55%), segundo o estudo Index SP, divulgado pelo Imovelweb.

Agora, são necessários 17,9 anos de aluguel para recuperar o valor gasto com a compra, tempo 4,4% menor do que um ano atrás. Os motivos, segundo a pesquisa, são a estabilidade no preço de venda dos imóveis e a recuperação no valor da locação.

Em setembro, o aluguel de um apartamento padrão de dois dormitórios (com 65 metros quadrados) na capital paulista aumentou 0,6% em relação a agosto, para R$ 1.745 mensais. Em 12 meses, o aumento no valor da locação foi de 3,4%, ainda abaixo da inflação (medida pelo IPCA-15) acumulada no período, de 4,3%.

O preço de venda de apartamentos desse tipo ficou estável na comparação mensal, com valor médio de R$ 5.992 por metro quadrado. Em termos reais (já descontado a inflação), os preços encolheram 4,5% nos últimos 12 meses.

“Essa estabilização nos preços indica que chegamos ao fundo do vale. Daqui para frente, vamos começar a subir a montanha. Só não sabemos ainda qual é o tamanho dela”, disse Galdino, ao comentar a tendência de recuperação nos preços dos imóveis nos próximos meses.