Rejeitos de minério de ferro podem beneficiar a construção civil

A destinação dos rejeitos de minério de ferro tem sido amplamente discutida, se tornando ponto chave para uma mineração mais segura e sustentável. Rejeito é o que sobra quando se usa água para separar o minério de ferro do material extraído. Se depender de Romero Camargos, fundador da Laminatus, esse resíduo descartado já tem destino certo: a construção civil.

 — Foto: Sebastião José Junior

— Foto: Sebastião José Junior

“No nosso processo, a ideia é usar o produto por inteiro, sem separar nada. Teremos o acréscimo do cimento e outros químicos para chegar no produto final, mas sem desperdiçar nada da matéria-prima principal, que é o rejeito”, explica o engenheiro. Há mais de 30 no setor, Romero criou a empresa exclusivamente para participar do Mining Hub, projeto que reúne os players de um mesmo setor interessados em trabalhar de forma conjunta para desenvolver soluções a desafios estratégicos e operacionais comuns às suas operações, e tem a missão de gerar inovação aplicada aos desafios da mineração industrial.

A Laminatus ficou entre as 18 empresas selecionadas pelo projeto, dentre as 230 que se candidataram, sendo a única com o propósito de utilizar o rejeito da mineração na construção civil. De acordo com o empresário, estudos feitos em universidades como a UFMG, UFOP e UFLA demostraram que o produto, após ensaios realizados, possui condições para utilização nas diversas áreas da construção. O próximo passo é fazer testes em sua aplicação. “É um processo inovador no país, não tem ninguém fazendo igual”, afirma.

Além do preço final, que será mais barato, uma vez que o rejeito é gratuito, o uso do material na construção vai possibilitar que populações mais carentes possam adquirir uma moradia com preços mais justos. “As construções vão obedecer as normas de segurança como qualquer outra. A população mais carente poderá adquirir suas casas e ter uma moradia digna”, finaliza Romero.

Obras paralisadas do PAC represam R$ 135 bilhões em investimentos

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Estudo apresentado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional) apurou que 4,7 mil obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), equivalentes a R$ 135 bilhões de investimentos, estão paradas. Desses empreendimentos, 43,3% estão na região Nordeste; 20,8% estão no Sudeste; 16% no Norte; 11,7% na região Sul, e 8,2% no Centro Oeste. 

A pesquisa aponta que em 183 obras até 10% dos trabalhos já foram executados; em 196 obras de 11% a 30% das ações foram realizadas; em 165 obras de 31% a 50%; em 168 obras de 51% a 70%; em 158 obras de 71% a 90%; e em 130 obras de 91% a 100%. Do total de investimentos para os projetos, R$ 65 bilhões já foram consumidos.

Conforme o levantamento, 27,4% dos empreendimentos estão parados devido a problemas com documentação, 14,8% por questões relacionadas a boletins de medição, 13% por reprogramação, e 10,4% por pendências com licitação.

Das obras paralisadas, 29,8% correspondem a urbanização de assentamentos precários, 22,4% a saneamento e 14,8% a creches e pré-escolas. A área da saúde também é umas mais afetadas, já que 36% do total de obras paralisadas (1.709) são de novas unidades básicas de saúde (UBS), que aguardam conclusão há até quatro anos.

A conclusão do estudo é de que grande parte das obras paralisadas é de baixo valor e estão em estado bastante adiantado. A retomada destes empreendimentos, localizados em sobretudo em áreas carentes, iria gerar 500 mil postos de trabalho, além da movimentação da economia local.

BNDES tem R$ 12,1 bi a receber de 11 países por obras de engenharia

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RIO – O BNDES tem R$ 12,1 bilhões a receber de 11 países pela exportação de serviços de empresas brasileiras de engenharia, informou nesta sexta-feira o banco de fomento. O equivalente a 16,6%, ou R$ 2 bilhões, estão em atraso, referentes a contratos com Venezuela, Cuba e Moçambique. O valor a receber representa cerca de 30% de tudo o que o BNDES emprestou a 15 países para esse tipo de finalidade desde 1998, acrescentou o banco.

Concedidos sobretudo durante os governos Lula e Dilma Rousseff, os contratos viabilizaram a exportação de serviços de construtoras como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Após a eclosão da Lava Jato, a linha de financiamento virou alvo de críticas da oposição, que acusava o favorecimento de países com alinhamento ideológico com o PT e de construtoras que participaram de esquemas de corrupção. A crítica ganhou força depois que Cuba e Venezuela – países cujos governantes eram aliados de Lula e Dilma -, passando por dificuldades econômicas, começaram a atrasar os pagamentos.

Em café da manhã com jornalistas nesta sexta, Bolsonaro disse que conversaria com o presidente do BNDES, Joaquim Levy, sobre os calotes de Cuba e Venezuela.Em entrevista no mês passado ao “Estado de S. Paulo”, Levy classificou de “desastres” os empréstimos feitos a Cuba, Venezuela e Moçambique e disse que eles deveriam “servir de lição e forçar mudanças, como foi a explosão do ônibus espacial Challenger para a Nasa”. O presidente anterior, Dyogo Oliveira, já havia dito que esses empréstimos foram um erro. 

Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira, o maior saldo devedor é de Angola, país para o qual o BNDES desembolsou R$ 12,7 bilhões para quase 90 projetos, como as obras do Aeroporto Internacional de Catumbela. O país está em dia com os pagamentos, segundo o BNDES, e seu saldo devedor é de R$ 2,74 bilhões. Logo depois aparecem Cuba, que atrasou R$ 186,2 milhões e tem saldo devedor de R$ 1,9 bilhão, e Venezuela, que atrasou R$ 1,36 bilhão e ainda tem saldo devedor de R$ 1,7 bilhão.

Todos os empréstimos foram concedidos para realização de obras em países de América Latina e África.    

Em nota divulgada à imprensa nesta sexta-feira, o banco disse que os números “demonstram que o apoio à exportação de serviços de engenharia e bens associados representou, entre 2003 e março de 2019, apenas 1,3% do total desembolsado pelo BNDES, enquanto investimentos em infraestrutura no Brasil, no mesmo período, responderam por 36%.”

Empréstimos têm garantia

Na divulgação do seu balanço financeiro de 2018, o BNDES informou que provisionou cerca de R$ 4,4 bilhões referentes a empréstimos concedidos às exportações de serviços de engenharia a Cuba e Cuba e Venezuela, que estão em atraso. O valor equivale a todo o saldo devedor desses contratos, não apenas às prestações em atraso. 

Embora o banco provisione esses valores, todos os empréstimos são garantidos pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE) – ou seja, o BNDES não corre risco de deixar de receber os recursos.

“O FGE é superavitário. Recebeu, desde sua criação, até março de 2019, US$ 1,313 bilhão em prêmios (receita) e pagou US$ 547 milhões em indenizações (despesa), mesmo com atrasos recentes. O saldo da diferença entre os prêmios e as indenizações é positivo em mais de US$ 700 milhões”, acrescentou o site do BNDES.

Segundo o banco, a publicação de “informações mais claras”  sobre a exportação de serviços de engenharia fazem parte da iniciativa “Aqui você tem transparência”. Ela foi criada este ano pelo presidente do banco, Joaquim Levy, que chegou à instituição com a missão de “abrir a caixa-preta do BNDES”, como prometeu em diversas ocasiões o presidente Jair Bolsonaro.

O BNDES vem abrindo nos últimos anos as informações sobre a exportação de serviços de engenharia. O banco sempre alegava limitações do sigilo bancário para divulgar esses dados, mas, em 2015, sob pressão política, o então presidente Luciano Coutinho tornou públicos dados sobre as operações realizadas entre 2007 e 2015. As operações somavam US$ 11,9 bilhões, entre elas o contrato para construção do Porto de Mariel, em Cuba. Em 2016, a então presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, aprofundou a transparência e disponibilizou na íntegra os contratos da área de exportação de serviços – isto é, os documentos em si, não apenas as informações referentes a eles.

Número de imóveis lançados dobra em São Paulo, diz Secovi

O lançamento de imóveis residenciais na capital paulista em fevereiro foi mais do que o dobro do registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a pesquisa mais recente do Secovi-SP, entidade que representa as empresas do setor.

No segundo mês do ano, 870 unidades foram lançadas na cidade – ante 341 imóveis em fevereiro do ano anterior. Em 12 meses, foram lançados 32,8 mil imóveis, um patamar parecido com o período de março de 2014 a fevereiro de 2015, no início da recessão.

A venda de imóveis novos também acompanhou esse movimento, com a comercialização de 2,2 mil unidades em fevereiro, 50% a mais do que no mesmo mês de 2018. No acumulado de 12 meses, as vendas em fevereiro também voltaram ao mesmo patamar registrado até fevereiro de 2015.

“Em meio à atual conjuntura, com um novo governo e a necessidade de as reformas saírem, as perspectivas para este ano continuam elevadas”, avalia o presidente da entidade, Basilio Jafet. “Contudo, sem a aprovação da reforma da Previdência, o setor imobiliário será afetado, assim com os demais setores da economia.”

Para o corretor de imóveis João Batista Souza, que atua em uma imobiliária na região central da capital paulista, o mercado na cidade ainda está mais aquecido para locação do que para vendas.

“O estoque de imóveis que não foram vendidos na cidade ainda está alto. A procura tem aumentado nos últimos meses, mas principalmente para imóveis de baixo valor e a gente sente que as construtoras têm apostado mais em imóveis assim, mas o consumidor ainda está pensando bem antes de comprar um imóvel.”

Ainda de acordo com o Secovi, os imóveis de até R$ 240 mil lideraram as vendas, enquanto a maior parte dos lançamentos custava entre R$ 240 mil e R$ 500 mil.

A engenharia essencial à segurança da população

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Ainda sem conhecer as conclusões sobre a tragédia emblemática ocorrida em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro último, quando uma barragem da Vale S.A. se rompeu, causando destruição e mortes, os brasileiros seguem convivendo com episódios que denotam precariedade e insegurança na infraestrutura urbana e de produção no País. Em 29 de março, uma barragem se rompeu em Machadinho D’Oeste (RO). No dia 6 de abril, ocorreu a queda de parte da ponte da Alça Viária sobre o rio Moju, no interior do Pará. O período de chuvas tem causado graves estragos e feito vítimas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em locais do Nordeste. Já, em 15 de novembro de 2018, os paulistanos haviam sido surpreendidos pelo colapso de um viaduto da via expressa da Marginal Pinheiros que cedeu cerca de 2 metros enquanto automóveis trafegavam por ele. Em 23 de janeiro, foi interditada, devido ao risco de ceder, a ponte da Marginal Tietê que dá acesso à Rodovia Presidente Dutra. Em 1º de maio de 2018, no centro da capital paulista, um edifício desabou após um incêndio.

Esses são alguns dos eventos que revelam uma realidade dramática: em toda parte, há risco constante. É mais que urgente alterar esse cenário absolutamente inaceitável, e a grande contribuição para tanto pode e deve vir da engenharia nacional. Com esse norte, no dia 16 de abril, o Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) realiza o seminário “Pontes, viadutos, barragens e a conservação das cidades – Engenharia de manutenção para garantir segurança e qualidade de vida”. O objetivo é fazer um diagnóstico da situação vivida no País e, em especial, no Estado de São Paulo, e propor medidas concretas para superá-la.

Entre os pontos a serem colocados em discussão na ocasião, está nossa proposta de que as administrações nos níveis municipal, estadual e federal instituam um órgão com dotação orçamentária e corpo técnico qualificado para ser responsável por inspeção e conservação regulares nas estruturas de responsabilidade do poder público. Entra aqui a engenharia de manutenção, que nada tem de menor, embora comumente seja assim tratada por muitos gestores.

É preciso ter-se a consciência de que assegurar a correta conservação de obras e estruturas não permite improvisos; exige coleta e análise de dados com precisão, planejamento e execução qualificada. Portanto, a tarefa deve contar com o protagonismo dos profissionais da área tecnológica, que, por sua vez, precisam estar atentos a tal responsabilidade.

O SEESP, juntamente com a Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), desde 2006, tem trabalhado o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que aponta caminhos para a expansão econômica sustentável do País. É importante notar que esse esforço implica necessariamente mais manutenção qualificada, consequente e regular. Há muito que se vencer em termos de gargalos na infraestrutura urbana e de produção, mas é preciso que sejamos capazes de garantir a conservação e aprimoramento do que existe. Não se pode deixar o País relegado ao abandono e ao descaso.

A inviabilidade do pregão para obras de engenharia

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Atualmente, a contratação de obras e serviços de engenharia pelo setor público é feita, em muitos casos, por meio da modalidade de pregão. Essa modalidade de licitação, instituída pela Lei Federal n.º 10.520/02, tem como objetivo a aquisição de bens e serviços comuns “cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado”.

Para adquirir um bem é possível observar quesitos práticos de avaliação, antes da celebração do contrato: durabilidade, dimensões, material de fabricação, marca. No caso de eletrônicos pode-se observar a geração dos processadores, tamanho da memória, etc.

Para serviços comuns, é possível avaliar com base nos serviços realizados anteriormente. Nesses casos, a escolha pelo menor orçamento é acertada com frequência.

No entanto, utilizar o pregão para serviços de engenharia é ignorar o fato de as atividades do setor não se enquadrarem na simples aquisição de bens e serviços comuns, já que são regulamentadas por diferentes legislações do campo da engenharia.PUBLICIDADE

Explico, as obras e serviços de engenharia possuem claros conceitos legais, especificações e padrões de desempenho e qualidade, com parâmetros padronizados. São atividades altamente especializadas, que demandam grande atenção e responsabilidade técnica.

São raras as hipóteses em que tais atividades podem ser classificadas legalmente como bens e serviços comuns, apenas nos casos em que a atuação do profissional de engenharia não é de tanta relevância, e o serviço acaba por ser obtido sem dificuldades no mercado.

A licitação por meio do pregão eletrônico acaba por não ser mais viável. Mesmo indo de encontro ao Decreto 3.555/2000, onde se especifica que pregão não se aplica às contratações no campo da engenharia, órgão públicos insistem nessa modalidade de licitação.

A agilidade proporcionada por esse tipo de processo continua a fazer com que algumas licitações sejam nessa modalidade. É o caso da recente licitação do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), que abriu edital por pregão para seu projeto de adaptação de ambientes às normas técnicas de acessibilidade.

A decisão da instituição contrariou a posição da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU).

Utilizar o pregão indiscriminadamente pode acarretar em diversos efeitos negativos. A alta concorrência gerada pela prática, faz com que empresas baixem os valores cobrados, muitas vezes, sem calcularem com a devida atenção se o valor é suficiente para execução da obra. O que pode levar tanto a casos de obras abandonadas, como a casos de celebração de termos aditivos, fazendo com que a obra acabe por ser mais cara do que outras propostas apresentadas no processo de contratação.

Outros casos são os em que a empresa deixa de cumprir os padrões de qualidade exigidos pela Administração, salários de empregados, seguros e gastos com segurança de trabalho. Esse tipo de irresponsabilidade apenas leva a um aumento ainda maior no orçamento, pela necessidade de pagar indenizações por acidentes de trabalho, necessidade de novas contratações para reparos parciais ou totais, e indenizações trabalhistas.

Uma alternativa ao pregão é a modalidade de concorrência. O processo de concorrência exige que as empresas apresentem um planejamento para o órgão contratante, o que possibilita uma avaliação mais clara de todo o projeto e cronograma. Com isso a escolha da empresa não ocorre apenas pelo preço, mas também pela viabilidade de execução.

O serviço de engenharia é um trabalho técnico com prazos fixos de entrega, que só têm início após o contrato entrar em vigor. Avaliar desempenho de qualidade, em muitos casos, só é viável após ter o serviço pronto e a obra realizada, sem poder ser exigida antes da contratação.

Visar apenas a proposta mais barata, dificilmente é o mais vantajoso para casos que envolvam obras de engenharia. Deve-se pensar em uma alternativa para que essas licitações atendam tanto a demanda de agilidade como a qualidade do serviço, sem prejuízos ao erário.

*Rafael Mota é sócio do escritório Mota Kalume Advogados. Mestre em Direito Constitucional pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), é conselheiro do Conselho Jurídico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), assessor jurídico do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF) e assessor da Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco-DF)

Confira as novas regras para financiamento pelo Minha casa Minha Vida de 2019

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Para famílias que recebem R$ 1.600 mensais, o subsídio governamental ao valor do imóvel cai para R$ 29 mil. Os dois casos se enquadram na faixa 1,5 do Minha Casa Minha Vida.

As mudanças, publicadas em edição extra do Diário Oficial da União de 31 de dezembro, incluem também um desconto menor para solteiros que compram imóveis. Antes, eles tinham direito a 70% do subsídio da faixa de renda à qual pertenciam, agora, esse percentual passou a ser de apenas 50%.

Faixas de renda do Minha Casa Minha Vida

Faixa 1,5: renda mensal de até R$ 2.600

Faixa 2: renda mensal de até R$ 4 mil

Faixa 3: renda mensal de até R$ 7 mil

Fonte Extra Online

Pente-fino com quatro motivos de cancelamento em 2019 do Bolsa Família

Pente-fino com quatro motivos de cancelamento em 2019 do Bolsa Família. Como já é conhecido, o governo agora tem condições de realizar uma revisão mensal no Bolsa Família, graças a possibilidade de cruzar informações de diferentes bancos de dados. Essa verificação também permite descobrir quais famílias recebem renda acima da declarada e continuam inscritas no programa social.

O Governo Federal passou um pente-fino no Bolsa Família. Após analisar cadastros, constatou-se que que 1,136 milhão de benefícios se encontram em situação irregular em 2018. Desses, 469 mil foram cancelados e outros 667 mil benefícios bloqueados.

A fiscalização do MDSA está mais rigorosa, principalmente porque agora é possível cruzar informações de diferentes bancos de dados, como CadÚnico, INSS, Rais, Caged e CNPJ.

Os principais motivos para cancelamento do Bolsa Família são:

1 – RENDA ACIMA DA DECLARADA

Como já foi dito, o Governo Federal agora tem condições de realizar um pente-fino mensal no Bolsa Família, graças a possibilidade de cruzar informações de diferentes bancos de dados. Essa verificação também permite descobrir quais famílias recebem renda acima da declarada e continuam inscritas no programa social.

Muitas famílias estão tendo o benefício cancelado porque apresentam renda acima do valor permitido pelo programa. A suspensão aconteceu, sobretudo, nos casos de renda per capita mensal superior a R$440,00.

Entre as famílias que recebem de R$170 a R$440 por pessoa, o MDSA realizou apenas o bloqueio do Bolsa Família.

Os cancelamentos por motivo de renda foram mais frequentes nas regiões Sul e Sudeste o país.

2 – AUSÊNCIA DE SAQUE

O dinheiro do Bolsa Família deve ser sacado em no máximo 90 dias. Caso haja ausência de saque ou movimentação de conta por mais de seis meses, o MDSA entende que a família não precisa da assistência financeira e realiza o desligamento automaticamente.

3 – CADASTRO DESATUALIZADO

As famílias que recebem o benefício devem ficar atentas para não perder o prazo de atualização cadastral Bolsa Família. Esse procedimento é obrigatório a cada dois anos, pois permite renovar informações como endereço, escola, renda e novos membros do núcleo familiar.

O responsável pelo benefício pode verificar o aviso sobre a atualização cadastral no extrato do Bolsa Família. Se ele não realizar a atualização cadastral dentro do prazo, ele fica com o auxílio financeiro retido e não pode sacar.

Caso alguma irregularidade seja constatada na atualização cadastral, a família é imediatamente desligada do programa.

4 – INFORMAÇÕES INCORRETAS

Muitas famílias estão caindo no pente-fino do Bolsa Família injustamente. Para não se tornar mais uma vítima, é muito importante verificar se as informações cadastradas no CadÚnico estão corretas. Qualquer mudança na condição familiar também precisa ser informada, inclusive a troca da criança de escola.

O seu Bolsa Família foi cortado? Não se desespere. Procure o CRAS mais próximo e verifique a situação do benefício. Em alguns casos, é possível reverter a situação e voltar a receber o dinheiro.

Escola de Engenharia cria modelo “gêmeo digital” com imagens “escaneadas” para inspecionar 100 estruturas

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estrutura scaneada
Programa faz análise da estrutura “escaneada”

O viaduto de Hannam abriu ao tráfego em 1976 e faz parte de uma centena de pontes e viadutos construídos na época, que já apresentam sinais de deterioração na estrutura ao se aproximar da idade limite projetada.

Assim, a agência metropolitana de Seul precisou decidir quais estruturas serão reabilitadas; algumas seriam provavelmente demolidas e substituídas por novas. O governo coreano então recorreu à Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Chung-Ang para montar um programa de inspeção de pontes, para fins preventivos e de reparos.

A tradicional metodologia 2D revelou-se inadequada frente ao trabalho colaborativo envolvendo diversos stakeholders. Há severas limitações por causa de erros implícitos de diferentes fontes e incompatibilidade de dados durante o processo de transferência, provocando até erros de construção.

Usando o viaduto de Hannam como referência, a equipe criou um modelo BIM da estrutura para buscar uma solução completa de reabilitação. A modelagem da realidade – ou modelo de engenharia reversa — é gerada para comparar o modelo as built com o projetado, sobrepondo-os, além de servir como inspeção dos danos na presente condição da estrutura.

No processo de se criar o gêmeo digital do viaduto existente, o modelo 3D geométrico físico é gerado baseado nos documentos as built da estrutura, com ênfase nas exigências de manutenção, usando modelagem paramétrica e um software de fonte aberta.

Na sequência, é feito “escaneamento” 3D para obter o modelo de superfície com registrar as condições atuais do viaduto. Combina-se o “escaneamento” fotográfico por drone das laterais e topo do viaduto e por dispositivo terrestre, mapeando a superfície inferior.

O modelo 3D geométrico físico é superposto ao modelo “escaneado” da estrutura real, usando como referência marcos predefinidos que foram inseridos no modelo geométrico e na estrutura do viaduto antes do “escaneamento”. Este modelo superposto, chamado modelo inicial, é o modelo físico 3D do viaduto incluindo os danos detectados, antes do processo de reabilitação a ser efetuado.

Finalmente, o modelo analítico é derivado do modelo inicial, visando avaliar o futuro comportamento do viaduto.

Os dados atuais identificados na estrutura alteram os parâmetros estruturais imputados para análise.

Os dados apurados pela inspeção via “escaneamento” são convertidos automaticamente em relatórios sobre danos baseado em tecnologia de processamento  otográfico e rastreamento das fotos, atualizando o modelo inicial. As condições ambientais como temperatura e umidade, e o histórico de cargas sobre a estrutura e dados de monitoramento, são também considerados.

Um sistema de gestão de dados a nível de rede é importante para atualizar o Modelo Gêmeo Digital (MGD) de forma regular e automática, dentro do ambiente de dados comum.

Para efeito de inventário e identificação de objetos, cada membro estrutural do viaduto recebe um código QR que contém as informações essenciais como  identificação, tipo, parâmetros etc. Referenciado ao código QR, uma placa QR é fixada em cada elemento estrutural do viaduto, que serve também como marca para sobrepor o modelo da realidade com o MGD — por isso se chama também “alvo”.

Um modelo de materiais é definido na ferramenta de análise, para representar as propriedades do concreto, armadura e cordoalhas de protensão. As propriedades físicas dos membros estruturais são representadas por um parâmetro individual, que é importado ao modelo de materiais através de um dado numérico. Isso permite ter um modelo de análise flexível, no qual os dados imputados podem ser alterados de acordo com estado real da estrutura. Definir parâmetros estruturais por conta de danos identificados é ainda uma tarefa complexa para engenheiros. Testes de carga podem ser realizados para conferir as alterações no modelo analítico.
Dentro do conceito de MGD, a inspeção pode ser sistematizada com uso de “escaneamento” e métodos de processamento de imagens fotográficas que são  rastreáveis. Detectados os danos, como fissuras, degradação de material, corrosão de elementos metálicos — estes geram mudanças nos parâmetros estruturais.

Modelo de análise estrutural

Comparando o comportamento de certo número de pontes similares, trabalhos de reparos ou reabilitação podem ser programados preventivamente.

Esse projeto “Sistema de manutenção de viadutos usando modelo gêmeo digital” foi contratado pelo governo coreano junto à Universidade Chung-Ang, ao custo estimado de R$ 100 mil. O projeto foi apresentado pelo professor Chang Su Shim e engenheiro Son Dang desta universidade, na conferência YII-Year in  Infrastructure 2018, em Londres, promovida pela Bentley.

Os softwares ContextCapture, OpenBridge Modeler e RM Bridge foram empregados, bem como os programas Inspectioneering e Operationeering.

Preço médio de imóveis residenciais tem ligeira alta em janeiro

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O preço médio de venda de imóveis residenciais em janeiro variou 0,13% na comparação com o mês de dezembro do ano passado. Nos últimos 12 meses, o valor recuou 0,06%, percentual que coloca os valores perto da estabilidade no período. Os dados constam do Índice FipeZap, que passou a acompanhar, no último mês, o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos em 50 cidades brasileiras, sendo 16 capitais.

Conforme a pesquisa, considerando a inflação acumulada dos últimos 12 meses, (3,76%) pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE), a queda real do valor dos imóveis foi de 3,70%.

Entre as capitais monitoradas, Curitiba apresentou o maior aumento nominal de preço em 12 meses (+4,41%), sendo, inclusive, a única capital a superar a inflação registrada neste período. O destaque negativo ficou por conta de Maceió, que registrou a maior queda de preços (-5,32%).

O levantamento registrou ainda que, em janeiro, o valor médio das vendas foi de R$ 7.174 /m². A cidade do Rio de Janeiro permaneceu com o metro quadrado mais caro (R$ 9.474). Em segundo lugar está São Paulo (R$ 8.831), seguida de Brasília (R$ 7.243). Os municípios com menores valores de venda foram Campo Grande (R $ 4.070), Goiânia (R$ 4.214) e Maceió (R$ 4.562).

Para ver na íntegra o Índice FipeZap de Venda Residencial, clique aqui.

Construção civil prevê crescer 2% em 2019

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Duramente afetado pela crise econômica desde 2014, o setor de construção civil vislumbra uma retomada em 2019. Prevendo que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional possa avançar 2,5% neste ano e respaldado em estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Sindicato da Indústria de Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) estima que o setor poderá crescer 2% em 2019.

Depois de anos seguidos de estagnação, agora “as perspectivas são positivas para o Brasil e o setor de modo geral”, afirma Odair Senra, presidente da entidade. O revigoramento do setor deve ter reflexos em toda a economia e particularmente no mercado de trabalho, pois é conhecido o importante papel da construção civil na geração de empregos.

Segundo análise da economista Ana Maria Castelo, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, o crescimento das vendas de imóveis ocorrido em 2018 deve se traduzir em mais obras neste ano. A expansão projetada para o segmento de empresas do mercado imobiliário, infraestrutura e serviços especializados é de 1% e para a autoconstrução e pequenos empreiteiros não formalizados, de 3,5%.

A média do avanço é relativamente pequena, mas é animadora, tendo em vista a dimensão da crise por que passou a construção civil nos últimos anos. A revisão dos dados, apresentada na última reunião de conjuntura do Sinduscon-SP, revelou um quadro de impressionante declínio. Em comparações anuais, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) elevou o porcentual de queda do PIB da Construção em 2016 de -5,6% para -10%. Para 2017, o IBGE subiu a variação negativa de -5% para -7,5%. Com essa revisão, o recuo do PIB da Construção no quadriênio 2014-2017 passou de 20,1% para 25,8%. Para 2018 a projeção é de uma queda de 2,4% do produto do setor.

Este ano deve ser de reversão para o terreno positivo, o que vai depender fundamentalmente do andamento da reforma da Previdência. Paralelamente, o governo, no entender dos empresários, deve encontrar novos meios para enfrentar o déficit habitacional, além do programa Minha Casa, Minha Vida, e dinamizar o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). São problemas difíceis, mas a esperança é de que a estagnação da construção civil seja afinal superada.