Preço médio do aluguel dos imóveis em São Paulo segue em alta

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O Imovelweb, um dos maiores portais imobiliários do País, acaba de divulgar o Index SP, estudo mensal sobre os preços dos imóveis a venda e valor dos alugueis na cidade. No último mês de setembro, de acordo com a análise, o preço do aluguel na capital paulista subiu 0,5%, acumulando, em 2019, alta de 3,9%. Descontada a inflação medida pelo IGP-M no mesmo período, os preços apresentam uma valorização real de 1,3%.

Segundo o Imovelweb, o valor médio do aluguel de um imóvel padrão – 65m², dois dormitórios e uma vaga de garagem – ficou em R$ 1.886,00 no mês passado, acumulando uma alta de 4,7% nos últimos 12 meses.

O estudo também detalha as variações do aluguel nos bairros de São Paulo. Em setembro de 2019, Liberdade (25%), Parque Vitória (24%) e Jardim das Acácias (24%) foram os locais que registraram maior valorização. Na ponta contrária, Vila Ede (Vila Medeiros) apresentou o menor preço para o aluguel no período.

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Para quem pensa em adquirir um imóvel na região, o valor médio do metro quadrado na cidade ficou em R$ 6.135,00, praticamente estável frente ao valor apurado em agosto deste ano (+0,1%). Comparado ao início do ano, o preço apresenta uma alta de 1,2% e, nos últimos 12 meses, a valorização é de 0,7%.

No levantamento por bairros, o local que se sobressaiu no levantamento de setembro foi o Jardim São Cristovão, acumulando no ano uma valorização de 20% no preço do metro quadrado. Jardim das Bandeiras e Jardim Santo Elias finalizam o ranking, ambos apontando valorização de 19%. Já Vila Campanela, Jardim Centenário e Jardim Germânia indicaram as maiores desvalorizações. Todos acumulam uma queda de 19% no preço do m² nos últimos 12 meses.

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Outro destaque do levantamento é a rentabilidade dos imóveis. Pioneiro neste tipo de análise, o estudo do Imovelweb analisa os locais mais atrativos para quem quer investir em imóveis. “Acreditamos que indicar a rentabilidade das regiões é de grande importância. É interessante que os consumidores saibam quais locais possuem as melhores tendências e consigam enxergar o retorno desse investimento”, explica o CEO do portal, Leonardo Paz.

No último mês, a rentabilidade da cidade de São Paulo chegou a 5,3%, o que significa que são necessários 19 anos de aluguel para recuperar o gasto com a compra, tempo 3,8% menor que um ano atrás.

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PIB tem surpresa positiva e respira com construção, mas ainda falta fôlego

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São Paulo – Não faltaram surpresas positivas nos dados do PIB (Produto Interno Bruto) do 2° trimestre, divulgados nesta quinta-feira (29) pelo IBGE.

Depois do resultado negativo do primeiro trimestre, bastaria uma nova queda para configurar a volta do país para uma temida recessão técnica.PUBLICIDADE

Mas o dado não só veio na ponta mais otimista do mercado, em 0,4%, como também foi revisado o dado negativo do primeiro trimestre, mostrando que a queda foi menor do que inicialmente divulgada.

O ritmo de crescimento anual é de apenas 1% e vem sobre uma base fraca, já que no mesmo período do ano passado o país vivia o choque da greve dos caminhoneiros. Mas há pontos a comemorar.

Construção

A principal novidade foi a volta da construção civil. O crescimento foi de 2% em comparação com o mesmo período de 2018, o primeiro resultado positivo na base anualizada após 20 quedas consecutivas.

“Foi uma surpresa muito grande e um ponto totalmente fora da curva. O setor está melhorando, mas eu não esperava um número tão elevado”, diz Claudio Considera, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV. 

Especialistas veem um efeito da melhora na confiança no futuro, essencial na decisão de comprar um imóvel, e também o efeito de melhores condições de financiamento com a queda persistente dos juros.

O volume de recursos destinados para financiamentos imobiliários e construção de imóveis atingiu R$ 33,7 bilhões no primeiro semestre deste ano, alta de 33% sobre o mesmo período do ano passado, segundo Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O resultado do Caged, divulgado há uma semana, mostrou que a construção civil liderou a criação de vagas em julho com saldo de 18.721 postos formais.

“O resultado positivo, aliado aos recentes dados positivos de crédito, pode finalmente indicar uma saída do ‘fundo do poço’ para o setor”, escreve Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.

Investimento e consumo

Outra surpresa positiva ficou com o investimento, que voltou a subir 3,2% na base trimestral após duas quedas. A taxa de investimento foi de 15,9% do PIB, maior que os 15,3% do mesmo período de 2018. 

Um dos motivos que podem explicar o movimento é que, com a recessão de 2015 e 2016 e a retomada fraca em 2017 e 2018, parques industriais foram se depreciando e agora precisam ser renovados.

“Máquinas e equipamentos vem se recuperando há muito tempo, como se os empresários estivessem investindo para ampliar sua capacidade produtiva e substituir as que já estavam obsoletas”, diz Considera, do Ibre.

Apesar disso, é preciso considerar que houve uma queda violentíssima do investimento durante a recessão, ressalta Alberto Ramos, diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs. 

Há muito chão para retomar, já que o nível de investimento da economia hoje é o mesmo de 11 anos atrás e segue 26% abaixo do pico.

“Dos componentes da demanda, o que ainda é o que mais fraco é o investimento. Não dá pra dizer que estamos num ambiente de grande confiança e retomada”, diz ele.

Um ponto de atenção é o consumo das famílias, responsável por 70% da demanda, e que cresceu apenas 0,3% de abril a junho em relação aos três primeiros meses do ano.

Apesar de ser o décimo avanço seguido em termos dessazonalizados, ele ficou abaixo da média de 0,5% registrada desde que voltou a crescer, no 1º trimestre de 2017.

Imóveis compactos moldam futuro do mercado imobiliário

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Com redução para 6% da taxa de juros Selic, que chegou a superar os 13% em 2017, e estabilização da inflação a 2,5% ao ano, segundo o Banco Central, o ano passado deu acenos promissores para que o mercado imobiliário possa se regenerar e se renovar em 2019. Outro fator, entretanto, que vem transformando o cenário imobiliário é justamente o perfil de seus consumidores.

Foto: DINO / DINO

A primeira geração a ter nascido na era digital encontra-se agora em transição de emancipação e é sua demanda que tem redesenhado os aspectos dos novos empreendimentos, especialmente os residenciais. De acordo com dados da Zap Imóveis, pessoas de entre 20 e 35 anos de idade são as que mais pesquisam por imóveis na internet.

Segundo o  empresário Felipe Zaidan, que é especialista na comercialização de imóveis compactos, cita os motivos deste tipo de produto estar sendo bastante comercializado na atual fase do mercado imobiliário pernambucano.

Segundo ele, a chamada geração milenium- público alvo deste segmento, investe nesse nicho de mercado, devido ao baixo custo de manutenção e ampla área de lazer. Além disto, a alta liquidez e elevada demanda para contratos de aluguéis por temporada, favorece a sua aquisição por investidores.

A modernização do perfil do consumidor imobiliário, consequentemente, gera demanda pela modernização das plantas dos imóveis. “Este novo consumidor nasceu já num mundo onde a tecnologia proporciona uma integração entre funcionalidade e estética, e é esta integração que dará a cara das novas plantas de agora em diante”, completa Zaidan.

Nesses 10 anos, mudamos a nossa relação com o espaço físico e adotamos o lema da escola Bauhaus: menos é mais. Menos trânsito é mais qualidade de vida; menos espaço é mais organização; menos burocracia é mais tempo livre. É por isso que os apartamentos compactos já representam mais da metade dos lançamentos em Recife e essa tendência é irreversível. Estamos trocando metro quadrado por qualidade de vida ao quadrado.

Ao paralisar a construção civil, Lava Jato ampliou a crise econômica e o desemprego

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São Paulo – Quando a Operação Lava Jato começou, em março de 2014, o Brasil ainda passava ao largo dos efeitos da crise internacional, iniciada seis anos antes, nos Estados Unidos, com a quebra do banco Lehman Brothers. No final daquele ano, o país registrava o mais baixo índice de desemprego da sua história, de 4,3% em dezembro, segundo o IBGE. Menos de dois anos e meio depois, em abril de 2017, o número de desempregados chegava a 14,2 milhões de pessoas, um recorde, e vem se mantendo em patamares elevados.

Entre 2015 e 2016, a queda acumulada do PIB  foi de 6,9%, com lenta recuperação posterior. Segundo as consultorias Tendência e GO Associados, a Lava Jato teria contribuído negativamente entre 2 e 2,5 pontos percentuais ao ano nas quedas de 3,8% e 3,6% nesses dois anos, respectivamente.

Dados divulgados pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira (1º) indicam que as principais empreiteiras do país envolvidas na investigação liderada pelos procuradores de Curitiba e pelo então juiz Sérgio Moro perderam 85% da receita  líquida – passando de  71 bilhões para R$ 10,6 bilhões – entre 2016 e 2018. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Construção Pesada e Infraestrutura (Sinicon), o setor registrou perdas de 1 milhão de vagas de emprego entre 2014 e 2018. No conjunto da economia, a perda de postos formais chegou a 2,6 milhões no mesmo período.

Segundo o economista André Calixtre, integrante da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (Abed), se a Lava Jato não pode ser culpada pela crise que atingiu o país, como um todo, é inegável o seu impacto negativo, principalmente no setor da construção civil.

“O que se pode dizer é que, quando a crise estava começando, esse setor teve peso importante na formação de expectativas negativas sobre a economia e na desorganização de cadeias estratégicas. Estamos falando da construção de pontes, rodovias, portos, prédios, casas. Com uma investigação que bloqueou os negócios, sem alternativa para garantir o funcionamento das empresas, a consequência foi o aprofundamento de uma crise que era iminente”, diz Calixtre.

Onda

“É muito difícil cravar o total do impacto negativo da Lava Jato na economia”, diz o economista, “Mas com toda a certeza, foi muito superior ao valor recuperado.” A operação diz ter recuperado R$ 2,6 bilhões nos acordos de delação firmados com empreiteiros. Já os acordos de leniência somaram outros R$ 10,8 bilhões devolvidos aos cofres da União. Contudo, o primeiro desses acordos foi firmado apenas em 2018.

Segundo Calixtre, a demora em reabilitar as empresas envolvidas nos casos de corrupção fez com que a crise do desemprego se “espraiasse” do setor da construção civil para o restante da economia. As demissões em massa das grandes construtoras acabaram impactando na demanda interna, levando a onda de desemprego para o setor de serviços, por exemplo, o que mais emprega em todo o país. Outro prejuízo, segundo ele, é que a desorganização do setor da construção também dificulta estratégias de retomada do crescimento.

“Tem que ter um grande programa de investimentos em infraestrutura. Para isso, é necessária a articulação entre o investimento público e privado. É o investimento público que puxa, mas não adianta nada fazer esse gasto se não tem a empresa de engenharia para tocar essas obras de grande envergadura”. Além disso, sem grandes empreiteiras, a inserção do Brasil no cenário econômico internacional também é prejudicada. “Acaba enfraquecendo também a capacidade do Brasil de se colocar no resto do mundo. Hoje não é só com diplomacia que se faz a inserção internacional”, afirma o economista da Abed.

Cursos de engenharia preparam aproximação com empresas

O ambiente acadêmico brasileiro é muito voltado para a produção de artigos científicos e ainda existem dificuldades de inserção de professores universitários em projetos de desenvolvimento tecnológico em empresas. Mas há avanços. Essa é a avaliação de Mauro Kern, vice-presidente de integração de tecnologia da Embraer. Ele é também um dos membros da MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), fórum formado por líderes de mais de 200 indústrias de grande porte coordenado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“Empresas em certos setores no Brasil têm uma interação boa com universidades, e outras não. Por um lado, há conhecimentos que não se concretizam como geração de valor para a sociedade. Por outro, muitas empresas são carentes de tecnologias e insumos necessários para se tornar competitivas”, afirma Kern.

A reformulação dos cursos de engenharia no Brasil é uma das principais ações da agenda de recursos humanos para a inovação da MEI. De acordo com Kern, uma grande preocupação do setor empresarial é o patamar elevado de evasão nas graduações de engenharia, que se mantém na casa dos 50%. Esse alto índice prejudica o fluxo de contratação de egressos nas empresas.

Entre 2016 e 2018, o executivo da Embraer coordenou um grupo de trabalho com dirigentes de empresas e universidades, além de representantes de associações de classe da área. Dessas discussões saiu a proposta de novas diretrizes curriculares em engenharia, espécie de espinha dorsal da organização de todos os cursos da área do Brasil.

As novas regras são centradas no modelo de ensino baseado em projetos, focado na formação de competências alinhadas às demandas do mercado de trabalho e das rotinas de inovação.

Listas de disciplinas obrigatórias perdem espaço na nova estrutura, e instituições de ensino ganham autonomia e flexibilidade na elaboração dos projetos pedagógicos.
A proposta foi aprovada em abril deste ano pelo Conselho Nacional de Educação, ligado ao Ministério da Educação. Assim, os cursos de graduação devem se adaptar em até três anos.

Em pesquisa sobre a graduação em engenharia no país, a professora da Unicamp Janaina Pamplona da Costa identificou que profissionais da área enxergam problemas comuns nos cursos.

Entre esses gargalos, estão sobrecarga de aulas teóricas, proporção reduzida de atividades práticas e falta de contato com outras áreas, como as humanidades.
Sem tratar especificamente das novas diretrizes curriculares, a professora diz que o ensino baseado em projetos é interessante, mas vê riscos em propostas de aproximação da universidade com a sociedade por meio exclusivamente do mercado.

Segundo ela, novos formatos acadêmicos estão em debate. “Quando os estudantes são formados de acordo com as necessidades atuais do mercado, é possível que a capacidade crítica e de resolução de problemas seja limitada, já que os problemas mudam”, afirma a professora.

Para Costa, os entraves da formação de engenheiros no país requerem soluções mais amplas, como mudanças no ensino básico, para formar estudantes que cheguem à universidade com mais autonomia, e reforço da interdisciplinaridade nos currículos de cursos de engenharia. “É importante dar espaço para estágios em empresas, mas também para outras vivências na universidade”, afirma a professora.

Construção Civil tem papel fundamental na retomada do crescimento

A importância da indústria da construção para o desenvolvimento do país e a retomada do crescimento econômico foi reforçada na 91ª edição do Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) pela presença de quatro ministros de estado (Infraestrutura, Economia, Casa Civil e Meio Ambiente), além do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, na solenidade de abertura ou nos painéis promovidos nos dois dias de debates. Realizado no Windsor Expo Convention Center Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, de 15 a 17 de maio, o ENIC contou ainda com a participação do governador do Rio, Wilson Witzel, representantes de órgãos ligados ao governo federal, líderes de entidades do setor e empresários.

O evento reuniu cerca de 1.300 participantes – entre empresários, dirigentes e profissionais de todos os segmentos da indústria da construção – e também foi palco da celebração dos 100 anos de fundação do Sindicato da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Sinduscon-RJ), entidade pioneira do associativismo no setor.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, anunciou na abertura do evento uma série de privatizações que estão na pauta do governo e que impulsionarão o setor da construção civil, como a concessão de rodovias, privatização de portos, aeroportos e rodovias, leilões da cessão onerosa de óleo e gás e a retomada de obras paralisadas. “O baixo orçamento nos leva a apostar na na criatividade”, destacou.

Ressaltando a importância do setor, que gera riqueza e empregos e impulsiona o crescimento do PIB, o ministro conclamou o empresariado a pressionar o Congresso Nacional para a aprovação das reformas em pauta. “Se a locomotiva não se mexer, as pautas não andam no Congresso. O desafio de projetar o futuro que queremos é de todos nós. Não quero fazer parte da geração perdida, quero mudar o Brasil e deixar um legado”, afirmou.

A defesa de uma agenda positiva para o país, que promova a recuperação da economia e mobilize a sociedade para sustentar os avanços necessários à retomada do desenvolvimento, pontuou também a participação dos ministros nos debates. No painel “Lei Geral do Licenciamento Ambiental e Segurança Jurídica”, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, destacou como prioridade de sua pasta a agenda ambiental urbana, com destaque para a questão do saneamento que, segundo ele, “não terá solução sem a participação do setor privado”.

Salles criticou o excesso de burocracia que prejudica a implantação de projetos relevantes, como aqueles voltados para o tratamento de resíduos sólidos, com várias soluções já comprovadas no mundo. “A ausência de desenvolvimento é um dos maiores entraves ambientais, pois sem desenvolvimento não há recursos para investir”, ressaltou.

No segundo dia de debates, os ministros Paulo Guedes (Economia) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), que participaram do painel político, também reconheceram a importância do setor como gerador de empregos e dinamizador da economia, emprestando solidariedade à pauta de reivindicação do setor. Paulo Guedes defendeu taxas de juros mais competitivas e sugeriu que a taxa de financiamento ideal da Caixa fosse baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, mais 2% ao ano – um reconhecimento da importância do setor da construção na economia do país.

MEDIDAS DE ESTÍMULO

O ministro informou que o governo está preparando medidas de estímulo ao setor produtivo e adiantou que o presidente pretende liberar cerca de R$ 21 bilhões do PIS/Pasep nas primeiras semanas de junho, para aumentar o dinheiro em circulação. Outra medida, segundo Guedes, prevê a substituição da proposta que visa instituir o 13º salário para o Programa Bolsa Família, medida já anunciada pelo governo – que só teria reflexo na liquidez no final do ano – pela incorporação do valor do 13º ao salário mensal, dividido em 12 parcelas, resultando em aumento imediato.

Ele informou ainda que tão logo seja aprovada a reforma da Previdência, o governo colocará em pauta o novo Pacto Federativo, que visa destinar a estados e municípios recursos e condições para que eles possam decidir por conta própria em quais prioridades investir.

Três assuntos que estão na pauta de reivindicação do setor (continuidade do programa Minha Casa Minha Vida, retomada das obras públicas paralisadas e o fomento a investimentos em infraestrutura) foram reafirmados pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que abriu o painel “Pauta Positiva do Congresso Nacional para a Construção Civil”, conduzido pelo presidente da CBIC, Jose Carlos Martins, no segundo dia de debates do ENIC.

“Já direcionamos os poucos recursos que temos para o Minha Casa Minha Vida e as obras de infraestrutura, para que o setor da construção civil continue gerando milhares de empregos”, afirmou Lorenzoni, acrescentado que o governo está passando um pente fino nas grandes obras paralisadas, cuja interrupção chamou de “crime”.

Para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que participou de painel ao lado de Paulo Guedes, o Brasil precisa de políticas públicas de curto prazo que incentivem a retomada de investimentos e a geração de empregos e afirmou que a reforma da Previdência será aprovada em breve pelo Congresso Nacional.

O parlamentar mostrou-se preocupado com o risco de aumento do desemprego e de retorno do Brasil ao mapa da fome. “Chegamos a um ponto em que o país só tem dois caminhos: ou o céu ou o fundo do poço”, disse, defendendo o aumento da participação privada na economia, no contexto de um Estado menor.

Robôs estão chegando à construção civil

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O primeiro exemplo vem da Suíça. Mais especificamente da cidade de Zurique. Onde dois robôs trabalham construindo uma casa experimental. A ideia é demonstrar como, com o uso de braços mecânicos, além de ganhar velocidade, os projetos podem ganhar formas diferentes. Paredes curvas, por exemplo, deixam de ser um problema para os construtores e passam a ser uma instrução gerada por um computador, que os braços robóticos executam sem erros e com altíssima velocidade. A indústria da construção civil é uma das que está mais atrasada em relação à adoção de soluções digitais. Mas, experiências como essa na Suíça mostram que, em breve, também essa indústria deve dar um salto com um enorme ganho de produtividade e com novas possibilidades…

Este outro exemplo vem dos Estados Unidos – e nem é tão recente assim. Ele foi batizado de SAM – sigla em inglês para pedreiro semi-automático. A função do SAM é simples: assentar blocos ou tijolos sem erros, sempre num desenho lógico. Porém, o SAM ainda não dá conta de todo o trabalho. O acabamento, como a retirada do excesso de massa, ainda precisa ser feito por mão humanas. Mas, no trabalho de assentar tijolos, ele é muito mais rápido que um pedreiro humano e, o melhor, pode até estender a carreira dos pedreiros de carne e osso. Com o SAM fazendo o trabalho mais pesado, mesmo os pedreiros mais velhos podem permanecer no canteiro de obras por alguns anos a mais – já que eles passam a cuidar de detalhes que não dependem de tanto esforço físico.

Rejeitos de minério de ferro podem beneficiar a construção civil

A destinação dos rejeitos de minério de ferro tem sido amplamente discutida, se tornando ponto chave para uma mineração mais segura e sustentável. Rejeito é o que sobra quando se usa água para separar o minério de ferro do material extraído. Se depender de Romero Camargos, fundador da Laminatus, esse resíduo descartado já tem destino certo: a construção civil.

 — Foto: Sebastião José Junior

— Foto: Sebastião José Junior

“No nosso processo, a ideia é usar o produto por inteiro, sem separar nada. Teremos o acréscimo do cimento e outros químicos para chegar no produto final, mas sem desperdiçar nada da matéria-prima principal, que é o rejeito”, explica o engenheiro. Há mais de 30 no setor, Romero criou a empresa exclusivamente para participar do Mining Hub, projeto que reúne os players de um mesmo setor interessados em trabalhar de forma conjunta para desenvolver soluções a desafios estratégicos e operacionais comuns às suas operações, e tem a missão de gerar inovação aplicada aos desafios da mineração industrial.

A Laminatus ficou entre as 18 empresas selecionadas pelo projeto, dentre as 230 que se candidataram, sendo a única com o propósito de utilizar o rejeito da mineração na construção civil. De acordo com o empresário, estudos feitos em universidades como a UFMG, UFOP e UFLA demostraram que o produto, após ensaios realizados, possui condições para utilização nas diversas áreas da construção. O próximo passo é fazer testes em sua aplicação. “É um processo inovador no país, não tem ninguém fazendo igual”, afirma.

Além do preço final, que será mais barato, uma vez que o rejeito é gratuito, o uso do material na construção vai possibilitar que populações mais carentes possam adquirir uma moradia com preços mais justos. “As construções vão obedecer as normas de segurança como qualquer outra. A população mais carente poderá adquirir suas casas e ter uma moradia digna”, finaliza Romero.

Obras paralisadas do PAC represam R$ 135 bilhões em investimentos

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Estudo apresentado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional) apurou que 4,7 mil obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), equivalentes a R$ 135 bilhões de investimentos, estão paradas. Desses empreendimentos, 43,3% estão na região Nordeste; 20,8% estão no Sudeste; 16% no Norte; 11,7% na região Sul, e 8,2% no Centro Oeste. 

A pesquisa aponta que em 183 obras até 10% dos trabalhos já foram executados; em 196 obras de 11% a 30% das ações foram realizadas; em 165 obras de 31% a 50%; em 168 obras de 51% a 70%; em 158 obras de 71% a 90%; e em 130 obras de 91% a 100%. Do total de investimentos para os projetos, R$ 65 bilhões já foram consumidos.

Conforme o levantamento, 27,4% dos empreendimentos estão parados devido a problemas com documentação, 14,8% por questões relacionadas a boletins de medição, 13% por reprogramação, e 10,4% por pendências com licitação.

Das obras paralisadas, 29,8% correspondem a urbanização de assentamentos precários, 22,4% a saneamento e 14,8% a creches e pré-escolas. A área da saúde também é umas mais afetadas, já que 36% do total de obras paralisadas (1.709) são de novas unidades básicas de saúde (UBS), que aguardam conclusão há até quatro anos.

A conclusão do estudo é de que grande parte das obras paralisadas é de baixo valor e estão em estado bastante adiantado. A retomada destes empreendimentos, localizados em sobretudo em áreas carentes, iria gerar 500 mil postos de trabalho, além da movimentação da economia local.

BNDES tem R$ 12,1 bi a receber de 11 países por obras de engenharia

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RIO – O BNDES tem R$ 12,1 bilhões a receber de 11 países pela exportação de serviços de empresas brasileiras de engenharia, informou nesta sexta-feira o banco de fomento. O equivalente a 16,6%, ou R$ 2 bilhões, estão em atraso, referentes a contratos com Venezuela, Cuba e Moçambique. O valor a receber representa cerca de 30% de tudo o que o BNDES emprestou a 15 países para esse tipo de finalidade desde 1998, acrescentou o banco.

Concedidos sobretudo durante os governos Lula e Dilma Rousseff, os contratos viabilizaram a exportação de serviços de construtoras como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Após a eclosão da Lava Jato, a linha de financiamento virou alvo de críticas da oposição, que acusava o favorecimento de países com alinhamento ideológico com o PT e de construtoras que participaram de esquemas de corrupção. A crítica ganhou força depois que Cuba e Venezuela – países cujos governantes eram aliados de Lula e Dilma -, passando por dificuldades econômicas, começaram a atrasar os pagamentos.

Em café da manhã com jornalistas nesta sexta, Bolsonaro disse que conversaria com o presidente do BNDES, Joaquim Levy, sobre os calotes de Cuba e Venezuela.Em entrevista no mês passado ao “Estado de S. Paulo”, Levy classificou de “desastres” os empréstimos feitos a Cuba, Venezuela e Moçambique e disse que eles deveriam “servir de lição e forçar mudanças, como foi a explosão do ônibus espacial Challenger para a Nasa”. O presidente anterior, Dyogo Oliveira, já havia dito que esses empréstimos foram um erro. 

Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira, o maior saldo devedor é de Angola, país para o qual o BNDES desembolsou R$ 12,7 bilhões para quase 90 projetos, como as obras do Aeroporto Internacional de Catumbela. O país está em dia com os pagamentos, segundo o BNDES, e seu saldo devedor é de R$ 2,74 bilhões. Logo depois aparecem Cuba, que atrasou R$ 186,2 milhões e tem saldo devedor de R$ 1,9 bilhão, e Venezuela, que atrasou R$ 1,36 bilhão e ainda tem saldo devedor de R$ 1,7 bilhão.

Todos os empréstimos foram concedidos para realização de obras em países de América Latina e África.    

Em nota divulgada à imprensa nesta sexta-feira, o banco disse que os números “demonstram que o apoio à exportação de serviços de engenharia e bens associados representou, entre 2003 e março de 2019, apenas 1,3% do total desembolsado pelo BNDES, enquanto investimentos em infraestrutura no Brasil, no mesmo período, responderam por 36%.”

Empréstimos têm garantia

Na divulgação do seu balanço financeiro de 2018, o BNDES informou que provisionou cerca de R$ 4,4 bilhões referentes a empréstimos concedidos às exportações de serviços de engenharia a Cuba e Cuba e Venezuela, que estão em atraso. O valor equivale a todo o saldo devedor desses contratos, não apenas às prestações em atraso. 

Embora o banco provisione esses valores, todos os empréstimos são garantidos pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE) – ou seja, o BNDES não corre risco de deixar de receber os recursos.

“O FGE é superavitário. Recebeu, desde sua criação, até março de 2019, US$ 1,313 bilhão em prêmios (receita) e pagou US$ 547 milhões em indenizações (despesa), mesmo com atrasos recentes. O saldo da diferença entre os prêmios e as indenizações é positivo em mais de US$ 700 milhões”, acrescentou o site do BNDES.

Segundo o banco, a publicação de “informações mais claras”  sobre a exportação de serviços de engenharia fazem parte da iniciativa “Aqui você tem transparência”. Ela foi criada este ano pelo presidente do banco, Joaquim Levy, que chegou à instituição com a missão de “abrir a caixa-preta do BNDES”, como prometeu em diversas ocasiões o presidente Jair Bolsonaro.

O BNDES vem abrindo nos últimos anos as informações sobre a exportação de serviços de engenharia. O banco sempre alegava limitações do sigilo bancário para divulgar esses dados, mas, em 2015, sob pressão política, o então presidente Luciano Coutinho tornou públicos dados sobre as operações realizadas entre 2007 e 2015. As operações somavam US$ 11,9 bilhões, entre elas o contrato para construção do Porto de Mariel, em Cuba. Em 2016, a então presidente do banco, Maria Silvia Bastos Marques, aprofundou a transparência e disponibilizou na íntegra os contratos da área de exportação de serviços – isto é, os documentos em si, não apenas as informações referentes a eles.