Construção civil tem plano para 1 milhão de empregos

Atingido em cheio pelas investigações da Lava Jato e pela recessão econômica, o setor de construção civil quer virar o jogo e protagonizar a retomada do crescimento do País. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresenta nesta quarta-feira, 13, aos parlamentares um plano que promete criar 1 milhão de empregos sem nenhum centavo de subsídios do governo. A articulação do setor com o governo também tem sido intensa.

Construção civil
Entre R$ 2 bi e R$ 8 bi do PAC estão parados. Foto: Werther Santana/Estadão– 13/7/2018

“Da mesma forma que as privatizações puxaram a economia nos anos 90, agora é a hora da construção civil”, avalia o presidente da CBIC, José Carlos Martins. A retomada das 4.738 obras que se encontram paradas é um ponto prioritário. “Isso é emprego na veia”, afirmou. “E não é em uma cidade A, B, ou C, é em todo o País.”

Segundo o presidente da CBIC, há muitos casos de obras que são tocadas entre o governo federal e as prefeituras que, por alguma razão, não começaram. Estima-se que haja entre R$ 2 bilhões e R$ 8 bilhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) depositados em contas de prefeituras e sem uso por causa de dificuldades burocráticas e jurídicas. “Tem de achar uma solução técnica para isso.”

reforma da Previdência, prioridade do governo federal em sua relação com o Congresso, é o item número um da lista de 18 pontos elaborada pela entidade que será entregue aos parlamentares. “Mas não é só ela”, diz Martins. Ele explica que, sem eliminar pontos inibidores do investimento, a melhora no ambiente macroeconômico com a aprovação da reforma da Previdência trará resultados menores do que poderia.

As propostas passam por um novo marco legal para a concessão de licenças ambientais para a realização de obras, que são uma etapa muito demorada do processo. A CBIC defende que as análises pelos órgãos federais envolvidos, como Ibama, Funai e Instituto de Patrimônio Histórico, por exemplo, corram em paralelo. “E queremos regras claras, porque hoje elas não são.”

FGTS

Outro ponto que preocupa o setor é a possibilidade do uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para outras finalidades que não sejam aposentadoria ou aquisição da casa própria. O FGTS é a principal fonte de financiamento do mercado imobiliário, respondendo por dois terços do total. O recado aos parlamentares é que, por mais bem intencionadas que sejam eventuais novas liberações, o impacto é negativo para o setor de habitação.

Martins defende também a reversão de um veto do ex-presidente Michel Temer a um projeto de lei de autoria do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que buscava reduzir a insegurança jurídica para a atuação de empresas do setor. Hoje, explica Martins, o risco de ter o patrimônio pessoal comprometido faz com que os funcionários públicos prefiram não decidir nada. Isso provoca uma paralisia na relação do Estado com as empresas e afeta, por exemplo, as concessões em infraestrutura.

Num quadro onde nem prefeituras nem governo federal têm recursos, a aposta é nas concessões e Parcerias Público-Privadas. A proposta da CBIC é usar técnicos da Caixa para ajudar a estruturar concessões nos municípios. E, no caso federal, reformar o modelo que, avalia Martins, foi construído para beneficiar grandes empreiteiras.

Engenheiro renova apelo por doações para projeto habitacional no Haiti

Uma campanha de financiamento coletivo busca dar um passo decisivo para tirar do papel um projeto de extensão desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) voltado para a construção de moradias populares no Haiti. O objetivo é arrecadar recursos para iniciar as obras de uma pequena comunidade que abrigaria inicialmente 15 famílias da cidade de Duchity, situada em uma região afetada pelo terremoto de 2010 e pelo furacão Matthew, em 2016.

A iniciativa é do engenheiro Jac-Ssone Alerte, que nasceu em Duchity, a oeste da capital haitiana, Porto Príncipe, vive no Brasil desde 2008 e é formado na UFRJ. “É uma satisfação grande ver o projeto saindo do papel.” Jac-Ssone diz que, um jovem engenheiro como ele, tem que se preocupar e colaborar com sua comunidade. “Não sabemos os desafios de amanhã, mas o que está ao nosso alcance hoje é iniiar início a esse projeto. Transformar o local onde eu nasci e me sentir útil.”

A proposta de Jac-Ssone é aplicar, em regime de mutirão, a técnica solo-cimento, que vem sendo estudada há alguns anos por pesquisadores da UFRJ como uma alternativa a métodos convencionais empregados pela indústria da construção civil. A técnica é sustentável e de baixo custo.

Com duração de 60 dias, a campanha para arrecadar recursos tem duração de 60 dias, começou no dia 13 do mês passado e se encerra em 10 de fevereiro. A meta é levantar R$ 45 mil, total estimado para compra de uma máquina para fabricar tijolo solo-cimento e construção da primeira casa. Até , agora, porém, apenas 16% foram arrecadados – cerca de R$7 mil. A campanha é realizada na modalidade “tudo ou nada”, o que significa que, se a meta não for alcançada, o dinheiro será devolvido aos doadores.

Para Jac-Ssone, a iniciaitva pode ser exemplo para qualquer lugar do mundo. “Eu acredito no potencial de colaboração das pessoas. Se não conseguir a arrecadação, ainda não sei qual será o plano B”, afirma o engenheiro.

As doações são feitas pela internet, e os colaboradores poderão receber brindes como camisetas e chaveiros, além de ter o nome gravado em um tijolo da “parede dos doadores”, que será erguida na comunidade.

Os contribuintes ganharão ainda uma cópia digital do livro (Re)construindo um Sonho, que Jac-Ssone lançou no ano passado para apresentar suas ideias e contar sua história. Os recursos arrecadados com a venda dos livros impressos também estão destinados ao projeto.

Famílias desabrigadas

Em janeiro do ano passado, Jac-Ssone disse à Agência Brasil que o projeto de extensão prevê a construção da Village Marie no bairro de Don de L’Amitié, onde ele viveu. Segundoo Jac-Ssone, o nome da comunidade é uma homenagem à sua mãe. O terreno já foi adquirido e os beneficiários, selecionados com base em perfis socioeconômicos. São famílias desabrigadas em decorrência do furacão Matthew.

O plano urbanístico prevê ainda a construção de posto de saúde, escola e de uma área voltada para o comércio. Dessa forma, além das 15 famílias que serão assentadas, os demais moradores do bairro de Don de L’amitié serão beneficiados. Atualmente, eles sofrem com a carência de equipamentos públicos e com a inexistência de saneamento básico e de um sistema amplo de distribuição de energia, diz o engenheiro haitiano.

De acordo com Jac-Ssone, os imóveis serão seguros e resistentes a tremores e ventos fortes. A iniciativa tem ainda o objetifo de chamar a atenção para a necessidade de melhorar as políticas habitacionais no Haiti.

O engenheiro lembrou que o impacto das tragédias ambientais é otencializado pela frágil estrutura das edificações no país. O terremoto de 2010, que completa nove anos na próxima semana, atingiu 7 graus na escala Richter e causou a morte de cerca de 200 mil mortos. Já o furacão Matthew provocou mais de mil mortes em 2016.

Especialistas divergem sobre nova lei do distrato e dizem que construtora não pode enriquecer ilicitamente

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As novas regras do distrato já causam polêmicas no meio jurídico. Especialistas analisam detidamente a Lei 13.786/18, publicada no Diário Oficial da União nesta sexta, 28. O texto regulamenta a rescisão e trata dos direitos e deveres de incorporadoras, loteadoras e adquirentes de imóveis nos casos de rescisão contratual.

Para alguns advogados, a lei ‘traz significativos avanços na regulação dos valores que são restituídos aos adquirentes de imóveis desistentes do contrato assinado’. Mas outros alertam que ‘a construtora não pode ter enriquecimento ilícito, se a pessoa desiste da compra por falta de condições, não pode perder 50%’

Duas são as situações regulamentadas: 1) caso a desistência se dê em um empreendimento no qual não haja patrimônio de afetação, a restituição será de 75% dos valores pagos; 2) naqueles em que há patrimônio de afetação, a restituição será de 50% dos valores pagos.

“A aprovação do projeto certamente contribuirá para o desenvolvimento do mercado imobiliário no Brasil, que hoje sofre não apenas os efeitos decorrentes da crise econômica, mas também com os graves problemas decorrentes da insegurança jurídica existente nos casos de resolução do contrato por inadimplemento do adquirente de unidades habitacionais em incorporação imobiliária”, considera Ulisses Sousa, sócio do Ulisses Sousa Advogados.

A lei deverá colocar fim à judicialização que cerca as desistências de compradores em projetos imobiliários que, segundo Ulisses Sousa, é de cerca de 40% no país.

“A falta de regras claras dá origem a inúmeros litígios, nos quais a palavra final acerca do assunto é conferida ao Judiciário, onde muitas vezes os processos são decididos sem um olhar atento para a realidade e as nuances especificas do mercado da construção civil”, observa.

Para o advogado, ‘o mercado da construção, que precisa de aplicação intensiva de capital, não suporta mais viver com tamanha insegurança, que contribui para o aumento dos custos e inibe a realização de novos empreendimentos imobiliários’.

A questão dos porcentuais, explica, traz regras claras para comprador e vendedor. “A nova lei vai contribuir para levar equilíbrio e harmonia a essas relações contratuais, sem privilegiar qualquer uma das partes.”

Por que porcentuais diferentes para os distratos?

O advogado Rodrigo Ferrari Iaquinta, do departamento de Direito Imobiliário do Braga, Nascimento e Zilio Advogados, explica que a diferença se dá pelo fato de que a existência de patrimônio de afetação significa que todos os valores pagos pelos compradores de determinados imóveis se destinam exclusivamente à construção do empreendimento no qual tais imóveis se localizam — um prédio de apartamentos ou um condomínio de casas, por exemplo.

“Assim, os valores estão ‘afetados’, isto é, restritos a um empreendimento”, diz Iaquinta. “Esta figura faz com que os compradores e incorporadores fiquem protegidos porque se trata de uma garantia para que a construção não seja obstada.”

De acordo com Rodrigo Iaquinta, outra questão importante que passa a ser regulamentada é sobre o fato de que o adquirente poderá desistir da aquisição, sem penalidades, em até 7 dias da realização da venda.

O advogado lembra que, nos casos em que há alienação fiduciária, não pode haver distratos, uma vez que em tais modalidades de negócio o regramento já está previsto na Lei 9.514/1997.

A lei é absurda, diz especialista

Para o advogado Eduardo Vital Chaves, sócio do Rayes & Fagundes Advogados, a lei sancionada entra em conflito com a legislação atual.

Segundo Vital Chaves, o Código Civil e o Código de Defesa e Proteção do Consumidor não preveem multas nesse porcentual, pelo contrário. “O artigo 51, inciso II do CDC é claro ao pontuar que são nulas cláusulas que subtraiam do consumidor o direito ao reembolso das quantias por si já pagas. Os incisos IV e XV do mesmo artigo também resguardam os consumidores contra cláusulas que prevejam obrigações iníquas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou que atentem contra o sistema de proteção do consumidor”, explica.

Eduardo Vital Chaves aponta que o Poder Judiciário já fixou esse porcentual entre 10% e 25%, em decisões reiteradas dos Tribunais de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça.

Segundo o especialista é questionável, por meio da nova norma, uma tentativa por via transversa de se mudar os entendimentos já consolidados. Para ele, o porcentual da multa estipulado na lei é desproporcional. “As construtoras retomam o bem para revenda a terceiros, recebendo integralmente pela nova venda. Mas e o comprador que desistir do imóvel, tem que pagar uma multa de 50%? Perder metade de toda a sua economia? questiona.

O advogado assinala que ‘não há razoabilidade e proporcionalidade’.

“A construtora não pode ter enriquecimento ilícito. Se a pessoa desiste da compra por falta de condições, não pode perder 50%.”


2019 será melhor para mercado imobiliário

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A redução das incertezas após a eleição deve dar início a um novo ciclo para o mercado imobiliário, avalia o presidente da MRV, Eduardo Fischer. A construtora, que focou nos últimos cinco anos no consumidor de baixa renda, pretende voltar a lançar imóveis de maior valor.PUBLICIDADE

O déficit habitacional do País, que já era elevado, aumentou em mais de 220 mil imóveis entre 2015 e 2017, batendo recorde, destaca reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A seguir, trechos da entrevista do executivo.

2019 deve ser um ano melhor para o mercado imobiliário?

Nesse setor, é preciso sempre tentar antecipar os próximos três anos. Mesmo em 2014, quando o desemprego estava baixo, já se vislumbrava que seriam anos difíceis pela frente, mas 2019 deve ser melhor para o mercado imobiliário. O pior da crise parece ter passado e a demanda por moradia é alta.

A MRV focará em baixa renda?

Não só. Ficamos os últimos cinco anos focados em unidades a partir da faixa 1,5 do Minha Casa, Minha Vida — a segunda menor do programa — e financiadas com recursos do FGTS. A demanda é alta pela baixa renda, mas queremos voltar a construir empreendimentos de valores mais altos e financiados com a poupança. Essas famílias também ficaram com o consumo represado.

O mercado está otimista com a nova equipe econômica?

Sim. A impressão é de que há uma grande racionalidade por parte da equipe. Ela conhece a necessidade de gerar empregos no País e sabe do potencial que o setor imobiliário tem para criar postos de trabalho.

Emprego, PIB, qualidade de vida: conheça as contribuições da construção civil para o Brasil

Você tem ideia da maneira como a cadeia da construção civil contribui para o desenvolvimento do país? Responsável pela execução de obras residenciais, edifícios comerciais e infraestrutura, como mobilidade urbana e saneamento básico, o setor gera 10 milhões de empregos e movimenta 9,9% do Produto Interno Bruto (PIB), com potencial para alavancar ainda mais a economia.

Na construção civil, assim como em outros setores, pode ser aplicado o conceito de cadeia de valor do professor norte-americano Michael Porter, que ajuda a analisar as atividades que envolvem as indústrias. “Ele diz que a cadeia de valor são todas aquelas etapas do processo produtivo que a empresa agrega valor”, explica o especialista em competitividade do Sebrae, Renato Perligeiro. Na construção civil, ela vai desde a extração dos materiais até a aplicação na obra e seu uso. Um exemplo é o barro que gerará peças de cerâmica que depois serão usadas nas edificações.

Cada etapa da cadeia produtiva da construção civil agrega valor ao produto final. Esse encadeamento envolve diversos setores, desde a extração de matéria-prima bruta, como minérios, até a indústria de materiais de construção, o comércio dos produtos, setor de serviços como engenharia e arquitetura, as construtoras que executam a obra e o posterior uso e operação. “A importância da cadeia de valor da construção civil é a geração de riquezas. Tem um efeito muito rápido na economia”, comenta Perligeiro.

R$ 180 bilhões em impostos

A construção civil é um grande impulsionador da economia brasileira. No auge dos investimentos no país, entre 2003 e 2014, ela chegou a representar 12,4% do Produto Interno Bruto (PIB), com um investimento de R$ 809 bilhões e recolhimento de impostos na casa de R$ 180 bilhões. O consultor do Departamento de Construção Civil da Fiesp, Fernando Garcia, destaca que nesse período ele também teve um impacto grande na geração de emprego e renda, com 12,2 milhões de postos de trabalho, ou seja, 13% de todos os trabalhadores do país atuavam nessa cadeia.

Mesmo após quatro anos de crise, o setor ainda mostra sua força. Em 2017, o investimento em obras representou 9,9% do PIB, com R$ 648 bilhões, e mobilizou 10,6 milhões de trabalhadores. Os números de 2018 se assemelham às estatísticas do ano anterior. Até o terceiro trimestre, a construção civil participou com 9,5% do PIB e empregou cerca de 10,3 milhões de trabalhadores, segundo Garcia. A comparação com outros países com nível de desenvolvimento semelhante mostra que o setor ainda tem possibilidade de crescimento. Essa cadeia produtiva representa 12,7% do PIB do Chile e 12,6% do PIB do México. “O governo tem que correr atrás, porque é um impacto grande na qualidade de vida”, destaca.

Esse reflexo se dá, por exemplo, quando uma família se muda para uma habilitação de qualidade superior. O setor residencial, o principal da construção civil, tem uma demanda de 1,2 milhão de moradias por ano. Mas há também toda a necessidade de obras de infraestrutura, mobilidade urbana, energia e saneamento básico, melhorando a vida das pessoas e estimulando o emprego.

Hoje entre os cerca de 13 milhões de brasileiros desempregados, cerca de 2 milhões trabalhavam antes na construção civil. Garcia ressalta que muitas dessas pessoas são jovens de baixa formação, que o setor poderia absorver com facilidade, caso aumentem os investimentos. “A construção civil é um mecanismo efetivo no combate ao desemprego, o que tem reflexo na segurança pública e na saúde”, salienta.

Com fim da queda nos preços, momento é bom para comprar imóveis

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Depois de sofrer com a crise econômica nos últimos anos, o setor imobiliário dá sinais de recuperação. Especialistas afirmam que o momento é favorável para quem está em busca da casa própria ou pretende comprar imóveis para investir. Há uma boa oferta de propriedades, e os preços pararam de cair.

A definição do cenário eleitoral, a manutenção da taxa Selic (o juro básico da economia) em 6,5% ao ano – nível historicamente baixo –, o aumento do limite de uso do FGTS para R$ 1,5 milhão e os sinais de retomada do crescimento econômico são as principais justificativas para apostar na aquisição de um imóvel neste momento.

“Acreditamos que o setor está entrando em um novo ciclo de crescimento, que deve durar entre três e cinco anos. Porém, este ciclo não será tão acelerado como foi o anterior. Não veremos mais prédios sendo lançados e inteiramente vendidos em menos de 24 horas”, afirmou Marco Saravalle, estrategista da XP Investimentos.

“É a oportunidade de sair na frente. Os preços já não estão mais caindo, estabilizaram-se. Mas ainda é possível pechinchar, porque as construtoras estão terminando de queimar os estoques de imóveis novos. Elas precisam liquidar esses estoques para retomar os lançamentos”, disse Tiago Galdino, diretor executivo do site Imovelweb.

Volta à normalidade

A avaliação dos especialistas é que o pior ficou para trás. Depois de enfrentar períodos de intensa recessão e de instabilidade política, a expectativa para 2019 é de aumento da confiança dos consumidores, o que será fundamental para retomada do crescimento econômico.

“As buscas por imóveis em nosso site entre janeiro e setembro deste ano saltaram 35% na comparação com o mesmo período de 2017. Isso é um sinal claro de que as pessoas estão se sentindo mais confiantes, mais dispostas a comprar”, declarou Galdino.

“E a tendência é que a procura aumente ainda mais. Até duas semanas atrás, as pessoas estavam mais preocupadas em discutir eleição, brigar com os parentes, bater boca com os amigos. Agora que a situação política está definida, elas devem voltar a olhar para frente, se planejar. Afinal, as pessoas continuam se casando, as famílias continuam crescendo. Devemos voltar à normalidade”, disse o diretor do Imovelweb.

Melhora dos Cenários Político e Econômico

Além do consumidor, a confiança da indústria e dos grandes investidores também está voltando. “No começo do ano, a gente acreditava que 2018 seria o ano da recuperação. Daí você teve a greve dos caminhoneiros, que parou tudo. Em seguida, veio a incerteza com as eleições. As indústrias que tinham algum plano de expansão preferiram manter os projetos engavetados. Agora, esses planos devem começar a sair do papel”, afirmou Saravalle.

Segundo o especialista da XP, Jair Bolsonaro deverá ter maioria no Congresso, o que facilita a aprovação de reformas estruturais, como a da Previdência. “A oposição não terá votos suficientes para barrar as reformas. Portanto, se a gente tiver um presidente disposto a articular as reformas, ele terá espaço político para fazer isso, especialmente nesse período inicial de governo.

Do lado econômico, Saravalle destaca o controle da inflação, que deve se manter dentro da meta do Banco Central nos próximos anos. “Estamos prevendo um aumento da taxa Selic em 2019 para 8% ou 8,5%, frente aos 6,5% atuais. Mas não descartamos a possibilidade de o Banco Central adiar essa alta devido ao cenário benigno para a inflação.”

A manutenção dos juros em níveis baixos barateia o financiamento imobiliário, o que é positivo para quem pretende comprar a casa própria. Para quem planeja investir em imóveis, o juro baixo torna o retorno obtido com o aluguel mais atraente do que o rendimento dos investimentos tradicionais de renda fixa.

Início da recuperação

A rentabilidade média anual dos imóveis na cidade de São Paulo alcançou 5,6% em setembro, ficando pelo terceiro mês consecutivo acima do retorno da poupança (4,55%), segundo o estudo Index SP, divulgado pelo Imovelweb.

Agora, são necessários 17,9 anos de aluguel para recuperar o valor gasto com a compra, tempo 4,4% menor do que um ano atrás. Os motivos, segundo a pesquisa, são a estabilidade no preço de venda dos imóveis e a recuperação no valor da locação.

Em setembro, o aluguel de um apartamento padrão de dois dormitórios (com 65 metros quadrados) na capital paulista aumentou 0,6% em relação a agosto, para R$ 1.745 mensais. Em 12 meses, o aumento no valor da locação foi de 3,4%, ainda abaixo da inflação (medida pelo IPCA-15) acumulada no período, de 4,3%.

O preço de venda de apartamentos desse tipo ficou estável na comparação mensal, com valor médio de R$ 5.992 por metro quadrado. Em termos reais (já descontado a inflação), os preços encolheram 4,5% nos últimos 12 meses.

“Essa estabilização nos preços indica que chegamos ao fundo do vale. Daqui para frente, vamos começar a subir a montanha. Só não sabemos ainda qual é o tamanho dela”, disse Galdino, ao comentar a tendência de recuperação nos preços dos imóveis nos próximos meses.

Dia do Engenheiro: veja os melhores cursos de engenharia do mundo

Todos os anos, os rankings universitários estabelecem uma classificação para as instituições de ensino superior de acordo com seu nível de excelência, pesquisa e reconhecimento no mercado e na academia. Não só na listagem geral, que determina as melhores universidades do mundo, mas também em áreas específicas. É o caso do ranking lançado pela Quacquarelli Symonds (QS), em 2018, que aponta quais são os melhores cursos de engenharia.

Para analisar quais escolas chegariam ao topo da classificação universitária, a QS utilizou métricas específicas – uma mesma régua que serve para todas as instituições. Entre os critérios, estão a reputação acadêmica, a reputação entre os empregadores e o número de citações por paper publicado.PUBLICIDADE

Nas primeiras colocações, estão instituições americanas, europeias e asiáticas, com diferentes perfis. Por exemplo, Cambridge, uma das universidades mais antigas de língua inglesa, está em terceiro lugar, enquanto a Nanyang Technological University, fundada em 1991, ocupa a quinta posição.

Conheça os melhores cursos de engenharia do mundo:

#1 Massachusetts Institute of Technology 

Não é à toa que o paraíso dos nerds seja um destaque nas áreas de engenharia,pelo QS ranking. O MIT destaca-se por aliar um ensino de tecnologia de ponta a noções de administração. Em outras palavras, na mesma instituição, é possível encontrar a união de engenheiros, cientistas da computação e outros profissionais da tecnologia. Em especial para aqueles que pretendem investir em seu próprio negócio, já que o MIT também forma empreendedores.

Fundado em 1861, em Cambridge, nos Estados Unidos, o instituto teve como objetivo inicial formar os profissionais que atenderiam à grande demanda das indústrias, que estavam em franca expansão no país. Esse perfil mudou bastante, em especial depois da década de 30. A partir desse período, o MIT consolidou-se como instituição voltada a pesquisas científicas de base e inovação tecnológica.

Essa forte cultura pautada por inovação e empreendedorismo rendeu frutos: as receitas agregadas de empresas fundadas por ex-alunos do MIT seriam, juntas, classificadas como o décimo primeira maior economia do mundo. Em matéria de prêmios internacionais, a universidade não deixa por menos, já que seus ex-alunos e professores receberam mais de 80 prêmios Nobel até hoje.

Atualmente, são oferecidos 44 cursos de graduação, sendo que os nomes de destaque ficam para as engenharias. Os cursos que concentram mais estudantes são Engenharia Elétrica (Course 6-2), Ciência da Computação e Engenharia (Course 6-3), Engenharia Mecânica (Course 1), Física (Course 8) e Matemática (Course 18).Veja também

#2 Universidade Stanford 

A instituição americana é um nome conhecido em matéria de empreendedorismo e engenharia, e fica localizada nas proximidades do Vale do Silício. Stanford tem entre seus ex-alunos e professores os fundadores de grandes empresas, entre elas HP, Google, Yahoo e Nike.

A escola de engenharia de Stanford teve um importante papel nas últimas décadas, contribuindo para avanços tecnológicos em áreas de comunicação, saúde e energia. Mais do que um curso voltado à mera formação técnica, trata-se de um campo voltado à resolução de problemas globais e formação de líderes. Só a School of Engineering – que coloca Stanford, ano após ano, na lista dos melhores cursos de engenharia do mundo – abriga mais de 4.500 alunos, que dispõem de 80 laboratórios e centros de pesquisa.

O reconhecimento dessa excelência em engenharia não vem de hoje. Afinal, professores e ex-alunos ganharam mais de 20 prêmios Nobel. Entre eles, estão Paul Berg, responsável pela criação dos primeiros métodos de mapeamento de estruturas de DNA, e Martin Perl, físico que provou a existência dos neutrinos.

Outra iniciativa que se destaca na universidade tem a ver com o curso: o Stanford Engineering Everywhere permite que qualquer estudante acesse matérias introdutórias da instituição de ensino, gratuitamente e online. Entre as disciplinas disponíveis, estão a de Metodologia de Programação e a Introdução à Robótica.

#3 Universidade de Cambridge

Cambridge combina tradição de longa data e inovação. Segunda mais antiga universidade em língua inglesa, reuniu em seu campus nomes prestigiados como Isaac Newton, um dos maiores gênios da Física, Charles Darwin, pai da teoria da evolução das espécies, e Francis Bacon, que criou o método científico.

Atualmente, Cambridge é organizada em 31 faculdades e 150 departamentos, e tem uma taxa de aceitação de cerca de 20%. Contabiliza mais de 90 laureados com o prêmio Nobel entre seus ex-alunos e ex-professores, e reúne em sua escola de engenharia, profissionais de destaque em 125 anos de história do departamento.

#4 ETH Zürich – Swiss Federal Institute of Technology Zürich

O Instituto suíço está presente entre as dez melhores universidades do mundo em engenharia no THE e no QS World University Rankings. Fundada em 1855, a ETH Zurich conta hoje com cerca de 18 mil estudantes de mais de cem países diferentes. Em matéria de reconhecimento internacional, não faltam exemplos de excelência: 21 laureados com o Prêmio Nobel estudaram, ensinaram ou realizaram pesquisas na ETH Zurich, reforçando a reputação da universidade.

#5 Nanyang Technological University

Fundada em 1991, a Nanyang Technological University é um dos destaques dos rankings de melhores universidades do mundo com menos de 50 anos. Localizada em Singapura, país que possui 34 universidades, a instituição recebe pesquisadores do mundo inteiro e investe em pesquisas de ponta e inovação tecnológica, dando destaque para áreas como engenharias.

Para ter uma ideia da relevância da universidade asiática, basta analisar seu avanço ao longo dos poucos anos de história. A NTU é a instituição jovem que mais cresceu no mundo, tendo subido 108 posições em três anos. Não é à toa, portanto, que figura entre os melhores cursos de engenharia do mundo.Veja também

Como estudar engenharia fora do país?

Agora que você já sabe quais são as principais referências para estudar engenharia no exterior, pode estar se perguntando sobre quais são os primeiros passos para, efetivamente, fazer um curso fora na área. Nesse vídeo a gente te explica como. Confira!

  • Este artigo foi originalmente publicado pelo Estudar Fora, portal da Fundação Estudar

Governo de SP cria fundo imobiliário com imóveis do Estado e assina venda da Cesp

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Arena do Pavini – O governador de São Paulo, Márcio França, aprovou na segunda-feira o regulamento que estabelece as regras de funcionamento do Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo (FII). O consórcio Socopa & TG Core foi vencedor do pregão para contratação de serviços técnicos especializados para estruturação, administração, custódia e operação do fundo, que será realizado em 30 de janeiro. O consórcio ficará responsável pela administração por cinco anos, prazo que pode ser prorrogado. Durante o evento, também foi formalizada a assinatura do contrato de venda da Companhia Energética de São Paulo (Cesp (SA:CESP6)) para a Votorantim. “Estamos concluindo um processo importante, a vencedora do leilão foi a Votorantim, ao lado de outro grupo estrangeiro, não tem mais sentido o Estado ficar gerenciando uma companhia de energia elétrica, a partir de agora, o setor privado fará isso”, ressaltou o governador.

Fundo de Investimento Imobiliário

O Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo conta com um portfólio de 264 imóveis de um estoque de mais de 5 mil, presentes em todas as regiões do Estado. A carteira do fundo é estimada em R$ 1 bilhão e a empresa terá 0,2% de cada imóvel vendido – podendo chegar, portanto, a R$ 1,94 milhões, se todos forem negociados. Além disso, a empresa receberá uma remuneração média de R$ 80 mil/mês para administrar a carteira. São Paulo é pioneiro na criação de um mecanismo para otimizar e racionalizar os recursos públicos disponíveis com a venda desses imóveis, que representa não apenas o ingresso de valores no Tesouro Estadual, mas também uma importante redução de despesas administrativas e de custeio. A experiência tem sido seguida por outros Estados como Bahia, Alagoas e Goiás, além do governo federal, que firmou acordo de cooperação com a Companhia Paulista de Parcerias – CPP, empresa do Governo do Estado de São Paulo responsável pelo projeto.

Ação de construtora sobe após Câmara aprovar nova regra para distratos

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SÃO PAULO – As ações de empresas do setor imobiliário operam quase todas no campo positivo nesta quinta-feira (6), reagindo à aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que regulamenta o distrato imobiliário — situação em que um comprador desiste de adquirir um imóvel antes de concluir o pagamento. Pouco depois das 11h (horário de de Brasília), MRV ON operava em alta de 1,84% e registrava o segundo melhor desempenho do Ibovespa, enquanto Cyrela ON tinha ganho de 0,07%. Fora do índice, PDG ON (1,82%), Helbor ON (2,21%), Even ON (4,57%), Eztec ON (0,55%) e Tenda ON (0,45%) também sobem — a exceção é Gafisa ON, que recua 0,92%. O projeto de lei determina multa de 25% nos casos de distrato, que subirá para 50% quando o empreendimento for por patrimônio de afetação. O texto foi aprovado com emendas do Senado e, agora, segue para sanção presidencial.

Para Álvaro Frasson, analista da Spinelli, a medida é positiva para o setor por dar maior flexibilidade ao passivo das companhias, não deixando-as tão expostas a problemas durante a entrega dos imóveis. “O segmento também foi bastante castigado nos últimos quatro a cinco anos”, diz ele.

O desempenho positivo do setor destoa do Ibovespa, que recua 1,01% no momento, aos 88.140 pontos, em meio à maior cautela global em relação à possível retomada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Os índice setoriais da B3 também mostram essa tendência. O índice imobiliário (Imob), que inclui papéis de construtoras e operadoras de shoppings centers, oscila perto da estabilidade — no momento, cai 0,05% –, o melhor desempenho entre todos os índices do tipo.

Para especialista, 2019 será de recuperação da construção civil

O consultor de Mercado Marcos Kahtalian, de Curitiba, um dos mais renomados especialistas em mercado imobiliário do Paraná, esteve em Cascavel na noite desta terça-feira (6), a convite do Sinduscon Paraná Oeste, do Secovi e do Sebrae, para comandar o workshop “Indicadores da Construção Civil 2018”. O evento discutiu temas como Análise do cenário imobiliário de Cascavel e região Oeste do Paraná, Análise da oferta de imóveis, Onde investir e Onde morar. Algumas constatações do estudo anual feito pela empresa de Kahtalian, a Brain Inteligência Corporativa, chamam a atenção. No cenário político, há um horizonte de apoio à cartilha do liberalismo impresso pela vitoriosa campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República. É diferente do cenário de 2016, auge da crise brasileira, em que havia a incerteza motivada pelo Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e do início da Era Temer. Já no campo da economia, reflexo, em parte, do ambiente político, os tempos de incerteza afetaram o equilíbrio da lei da oferta e da procura de imóveis, já que o mercado parou de fazer novos lançamentos, fator que contrasta com o cenário de otimismo e com as curvas dos gráficos de crescimento, praticamente todas, apontando para cima. O resultado é uma diminuição dos estoques, situação que chegou ao seu limite, já que a tendência do mercado, doravante, é a de comprar. Segundo ele, o segmento da construção de casas populares, especialmente por intermédio do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo federal, não foi afetado durante os anos de crise. O baque foi sentido com mais intensidade nos imóveis de alto padrão. No entanto, segundo o especialista, há uma movimentação em curso de retomada da compra de imóveis de faixas sociais mais específicas. “De fato, são indicadores da recuperação da atividade produtiva, puxados pela alta do PIB e também pela relevância de novos investimentos estrangeiros. O primeiro setor beneficiado, pela característica de alta volatilidade, é a indústria imobiliária, que puxará, por consequência, toda a cadeia produtiva do setor”, destacou Kahtalian.